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Gilenya (fingolimod hydrochloride) – Resumo das características do medicamento - L04AA27

Updated on site: 07-Oct-2017

Nome do medicamentoGilenya
Código ATCL04AA27
Substânciafingolimod hydrochloride
FabricanteNovartis Europharm Ltd

Este medicamento está sujeito a monitorização adicional. Isto irá permitir a rápida identificação de nova informação de segurança. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas. Para saber como notificar reações adversas, ver secção 4.8.

1.NOME DO MEDICAMENTO

GILENYA 0,5 mg cápsulas

2.COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA

Cada cápsula contém 0,5 mg de fingolimod (sob a forma de cloridrato).

Lista completa de excipientes, ver secção 6.1.

3.FORMA FARMACÊUTICA

Cápsula

Cápsula de 16 mm com tampa opaca de cor amarela brilhante e corpo opaco branco; com a expressão

“FTY0.5 mg” impressa na tampa da cápsula com tinta preta e duas bandas impressas no corpo da cápsula com tinta amarela.

4.INFORMAÇÕES CLÍNICAS

4.1Indicações terapêuticas

Gilenya é indicado como terapêutica única de modificação da doença na esclerose múltipla com exacerbação-remissão muito ativa para os seguintes grupos de doentes adultos:

-Doentes com doença muito ativa apesar de um ciclo completo e adequado de tratamento com pelo menos uma terapêutica de modificação da doença (para exceções e informação acerca dos

períodos de depuração ver secções 4.4 e 5.1).

ou

-Doentes com esclerose múltipla com exacerbação-remissão grave em rápida evolução, definida por 2 ou mais surtos incapacitantes no espaço de um ano e com 1 ou mais lesões realçadas por gadolínio na ressonância magnética cerebral ou um aumento significativo da carga de lesões T2 comparativamente com uma ressonância magnética anterior recente.

4.2Posologia e modo de administração

O tratamento deverá ser iniciado e supervisionado por um médico com experiência em esclerose múltipla.

Posologia

A dose recomendada de Gilenya é uma cápsula de 0,5 mg tomada, por via oral, uma vez por dia. Gilenya pode ser tomado com ou sem alimentos.

Recomenda-se a repetição da monitorização de primeira toma que é feita no início do tratamento, quando o tratamento é interrompido durante:

1 ou mais dias durante as primeiras 2 semanas de tratamento.

Mais de 7 dias durante as semanas 3 e 4 do tratamento.

Mais de 2 semanas após um mês de tratamento.

Se a interrupção do tratamento tiver uma duração inferior às mencionadas acima, o tratamento deve continuar normalmente com a dose seguinte, como planeado (ver secção 4.4).

Grupos especiais

População idosa

Gilenya deve ser utilizado com precaução em doentes com idade igual ou superior a 65 anos devido a dados insuficientes de segurança e eficácia (ver secção 5.2).

Compromisso renal

Gilenya não foi estudado em doentes com compromisso renal nos estudos principais de esclerose múltipla. Com base em estudos de farmacologia clínica, não são necessários ajustes da dose em doentes com compromisso renal ligeiro a grave.

Compromisso hepático

Gilenya não pode ser utilizado em doentes com compromisso hepático grave (classe C de Child-Pugh) (ver secção 4.3). Apesar de não serem necessários ajustes da dose em doentes com compromisso hepático ligeiro a moderado, o início do tratamento nestes doentes deverá ser efetuado com precaução (ver secções 4.4 e 5.2).

Doentes diabéticos

Gilenya não foi estudado em doentes com esclerose múltipla e diabetes mellitus concomitante.

A administração de Gilenya a doentes com diabetes mellitus deve fazer-se com precaução, devido ao potencial aumento do risco de desenvolvimento de edema macular (ver secções 4.4 e 4.8). Devem ser efetuados exames oftalmológicos regulares nestes doentes para detetar edema macular.

População pediátrica

A segurança e eficácia de Gilenya em crianças com 0 a 18 anos de idade não foram ainda estabelecidas. Os dados atualmente disponíveis encontram-se descritos na secção 5.2 mas não pode ser feita qualquer recomendação posológica.

4.3Contraindicações

Síndrome de imunodeficiência conhecida.

Doentes com risco aumentado de infeções oportunistas, incluindo doentes imunocomprometidos (incluindo doentes a fazer atualmente terapêuticas imunosupressoras ou imunocomprometidos por terapêuticas anteriores).

Infeções ativas graves, infeções crónicas ativas (hepatite, tuberculose). Neoplasias ativas conhecidas.

Compromisso hepático grave (classe C de Child-Pugh).

Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes mencionados na secção 6.1.

4.4Advertências e precauções especiais de utilização

Bradiarritmia

O início do tratamento com Gilenya origina uma redução transitória da frequência cardíaca e pode também estar associado a atrasos na condução auriculo-ventricular, incluindo a ocorrência de relatos isolados de bloqueio auriculoventricular completo, transitório, de resolução espontânea (ver

secções 4.8 e 5.1).

Após a primeira dose, a diminuição da frequência cardíaca inicia-se na primeira hora, e é máxima nas primeiras 6 horas. Este efeito pós-dose persiste, ainda que normalmente mais ligeiro, nos dias seguintes e, habitualmente, vai diminuindo ao longo das semanas seguintes, Com administração contínua, a frequência cardíaca média retorna até aos valores iniciais ao fim de um mês. No entanto, doentes individuais poderão não voltar aos valores de frequência cardíaca iniciais até ao final do primeiro mês. As perturbações na condução foram geralmente transitórias e assintomáticas. Normalmente não necessitaram de tratamento e resolveram-se nas primeiras 24 horas de tratamento. Se necessário, a diminuição da frequência cardíaca induzida por fingolimod pode ser revertida através da administração parentérica de atropina ou isoprenalina.

Todos os doentes devem efetuar um ECG e medição da pressão arterial antes e 6 horas após a primeira toma de Gilenya. Todos os doentes devem ser monitorizados por um período de 6 horas para deteção de sinais e sintomas de bradicardia com medição da frequência cardíaca e da pressão arterial hora a hora. É recomendada uma monitorização contínua por ECG (em tempo real) durante este período de 6 horas de tratamento.

Caso ocorram sintomas relacionados com bradiarritmia após a toma, deve ser iniciado um controlo clínico adequado e o doente deve ser monitorizado até à resolução dos sintomas. Se um doente necessitar de intervenção farmacológica durante a monitorização da primeira toma, deverá ser instituída monitorização durante a noite numa unidade médica e a monitorização da primeira toma deve ser repetida após a segunda toma de Gilenya.

Se a frequência cardíaca do doente ao fim do período de 6 horas for a mais baixa após a administração da primeira dose (sugerindo que o efeito farmacodinâmico máximo no coração pode não ter sido ainda manifestado), a monitorização deverá ser prolongada por pelo menos 2 horas e até a frequência cardíaca aumentar novamente. Adicionalmente, se após as 6 horas, a frequência cardíaca for <45 bpm, ou o ECG demonstre o aparecimento de bloqueio auriculoventricular de 2º grau ou de grau superior ou o intervalo QTc≥500 ms, deverá ser efetuado um prolongamento da monitorização (pelo menos monitorização durante a noite), e até à resolução dos acontecimentos. A ocorrência em qualquer altura de bloqueio auriculoventricular de 3º grau deverá conduzir a prolongamento da monitorização (pelo menos monitorização durante a noite).

Foram notificados casos muito raros de inversão da onda T em doentes tratados com fingolimod. Em caso de inversão da onda T, o prescritor deverá garantir que não existem quaisquer sinais ou sintomas de isquémia do miocárdio associados. Perante a suspeita de isquémia do miocárdio, é recomendado que se solicite o aconselhamento de um cardiologista.

Devido ao risco de perturbações graves do ritmo cardíaco, Gilenya não deverá ser administrado em doentes com bloqueio auriculoventricular de 2º grau Mobitz tipo II ou superior, síndrome do nódulo sinusal ou bloqueio cardíaco sino-auricular, história de bradicardia sintomática ou síncope recorrente, ou em doentes com prolongamento do intervalo QT significativo (QTc >470 ms (mulheres) ou

>450 ms (homens)). Uma vez que a bradicardia significativa poderá ser pouco tolerada em doentes com doença isquémica cardíaca conhecida (incluindo angina de peito), doenças cerebrovasculares, história de enfarte do miocárdio, insuficiência cardíaca congestiva, história de paragem cardíaca, hipertensão não controlada ou apneia do sono grave, Gilenya não deverá ser utilizado nestes doentes. Nestes doentes, o tratamento com Gilenya deverá ser considerado apenas se os benefícios antecipados superarem os potenciais riscos. Se o tratamento for considerado, deverá ser solicitado aconselhamento de um cardiologista antes do início do tratamento de modo a determinar a monitorização mais apropriada. No início do tratamento, é recomendado prolongamento da monitorização para, pelo menos, monitorização durante a noite (ver também secção 4.5).

Gilenya não foi estudado em doentes com arritmias que requerem tratamento com medicamentos antiarrítmicos de classe Ia (por exemplo, quinidina, disopiramida) ou classe III (por exemplo, amiodarona, sotalol). Os medicamentos antiarrítmicos de classe Ia e classe III estão associados a casos de torsades de pointes em doentes com bradicardia. Tendo em consideração que o início de tratamento com Gilenya origina uma diminuição da frequência cardíaca, Gilenya não deve ser administrado concomitantemente com estes medicamentos.

A experiência com Gilenya é limitada em doentes em tratamento concomitante com beta- bloqueadores, bloqueadores dos canais de cálcio que promovem a diminuição da frequência cardíaca (tais como verapamilo ou diltiazem), ou outras substâncias que podem diminuir a frequência cardíaca (por exemplo, ivabradina, digoxina, agentes anticolinesterásicos ou pilocarpina). Uma vez que o início do tratamento com Gilenya está também associado a diminuição da frequência cardíaca (ver também secção 4.8 Bradiarritmia), a administração concomitante destas substâncias durante o início do tratamento com Gilenya pode estar associada a bradicardia grave e bloqueio cardíaco. Devido ao potencial efeito aditivo na frequência cardíaca, o tratamento com Gilenya não deverá ser iniciado em doentes em tratamento concomitante com estas substâncias (ver também secção 4.5). Nestes doentes, o tratamento com Gilenya deverá ser considerado apenas se os benefícios antecipados superarem os potenciais riscos. Se o tratamento com Gilenya for considerado, deverá ser solicitado aconselhamento de um cardiologista acerca da substituição para medicamentos que não diminuam a frequência cardíaca antes do início do tratamento. Caso o tratamento com medicamentos que diminuem a frequência cardíaca não possa ser suspenso, deverá ser solicitado aconselhamento de um cardiologista de modo a determinar a monitorização mais apropriada para a primeira toma. É recomendado prolongamento da monitorização para, pelo menos, monitorização durante a noite (ver também secção 4.5).

Os efeitos na frequência cardíaca e na condução auriculo-ventricular podem ocorrer na re-introdução do tratamento com Gilenya, dependendo da duração da interrupção e do tempo decorrido desde o início do tratamento com Gilenya. Recomenda-se a repetição da monitorização de primeira toma que é feita no início do tratamento quando o tratamento é interrompido durante:

1 ou mais dias durante as duas primeiras semanas de tratamento.

mais de 7 dias durante as semanas 3 e 4 de tratamento.

mais de 2 semanas após um mês de tratamento.

Se a interrupção do tratamento for de menor duração do que a descrita acima, o tratamento deve continuar com a próxima toma, conforme planeado.

Intervalo QT

Num estudo de intervalo QT exaustivo para as doses de 1,25 ou 2,5 mg de fingolimod no estado estacionário, quando ainda estava presente um efeito cronotrópico negativo do fingolimod, o tratamento com fingolimod originou um prolongamento do QTcI, com limite superior do intervalo de confiança de 90%, ≤13,0 ms. Não existe uma relação de dose-resposta ou exposição-resposta do fingolimod e do prolongamento do QTcI. Não existe um sinal consistente do aumento da incidência de valores extremos do QTcI, quer em termos absolutos quer nas variações a partir dos valores iniciais, associado ao tratamento com fingolimod.

A relevância clínica desta descoberta é desconhecida. Em estudos de esclerose múltipla, não foram observados efeitos clinicamente relevantes no prolongamento do intervalo QTc, embora doentes com risco de prolongamento do intervalo QT não tenham sido incluídos nos estudos clínicos.

Os medicamentos que podem prolongar o intervalo QTc devem ser evitados em doentes com fatores de risco relevantes, como por exemplo, hipocaliemia ou prolongamento QT congénito.

Infeções

A principal propriedade farmacodinâmica de Gilenya é uma redução dose-dependente da contagem de linfócitos periféricos para 20-30% dos valores iniciais. Este facto ocorre devido ao sequestro reversível de linfócitos nos tecidos linfáticos (ver secção 5.1).

Antes do início do tratamento com Gilenya, deverá estar disponível um hemograma recente (isto é, com menos de 6 meses ou após descontinuação do tratamento prévio). Durante o tratamento é também recomendada uma avaliação periódica do hemograma, aos 3 meses e pelo menos anualmente após essa data, e em caso de sinais de infeção. Uma vez confirmada, uma contagem linfocitária absoluta <0,2x109/l deverá conduzir à interrupção do tratamento até recuperação, uma vez que nos ensaios clínicos o tratamento com fingolimod foi interrompido em doentes com contagem linfocitária absoluta <0,2x109/l.

O início do tratamento com Gilenya deve ser adiado em doentes com infeção ativa grave até à sua resolução.

Os doentes necessitam de ser avaliados quanto à sua imunidade à varicela antes de iniciarem o tratamento com Gilenya. É recomendado que os doentes sem história clínica de varicela confirmada por um profissional de saúde ou sem documentação de um ciclo completo de vacinação com a vacina da varicela sejam avaliados para determinação de anticorpos para o vírus varicela zoster (VVZ) antes do início do tratamento com Gilenya. É recomendado um ciclo completo de vacinação com a vacina da varicela em doentes com anticorpos negativos antes do início do tratamento com Gilenya (ver secção 4.8). O início do tratamento com Gilenya deve ser adiado por 1 mês para que ocorra o efeito total da vacinação.

Os efeitos de Gilenya no sistema imunitário podem aumentar o risco de infeções, incluindo infeções oportunistas (ver secção 4.8). Devem ser utilizadas estratégias eficazes de diagnóstico e terapêutica em doentes com sintomas de infeção durante o tratamento. Os doentes tratados com Gilenya devem ser instruídos a comunicar sintomas de infeção ao seu médico durante o tratamento.

A interrupção da administração de Gilenya deve ser considerada caso o doente desenvolva uma infeção grave, devendo ser avaliado o risco-benefício antes do reinício do tratamento.

Na experiência pós-comercialização foram notificados casos de meningite criptocócica (uma infeção fúngica) após aproximadamente 2-3 anos de tratamento, embora uma relação exata com a duração do tratamento seja desconhecida (ver secção 4.8). Os doentes com sintomas e sinais compatíveis com meningite criptocócica (por ex: dor de cabeça acompanhada de alterações mentais como confusão, alucinações, e/ou alterações de personalidade) devem ser sujeitos a uma rápida avaliação diagnóstica. Se a meningite criptocócica for diagnosticada, fingolimod deve ser suspenso e deve ser iniciado tratamento adequado. Caso se justifique o reinício de fingolimod, deve ser realizada uma consulta multidisciplinar (ou seja, com um especialista em doenças infecciosas).

Após autorização de introdução no mercado foi notificada Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva (LMP) com o tratamento com fingolimod (ver secção 4.8). LMP é uma infeção oportunista causada pelo vírus John Cunningham (VJC), que pode ser fatal ou resultar em incapacidade grave. Ocorreram casos de LMP após aproximadamente 2-3 anos de tratamento monoterapêutico sem exposição prévia a natalizumab, embora uma relação exata com a duração do tratamento seja desconhecida. Casos adicionais de LMP ocorreram em doentes que foram previamente tratados com natalizumab, que tem uma associação conhecida com LMP. A LMP pode apenas ocorrer na presença de uma infeção pelo VJC. Caso seja realizada uma análise ao VJC, deve ser tido em conta que a influência de linfopenia na precisão da análise de determinação dos anticorpos anti-VJC não foi estudada em doentes tratados com fingolimod. Deve também ser notado que uma análise de determinação do anticorpo anti-VJC negativa não exclui a possibilidade de uma infeção subsequente pelo VJC. Antes de iniciar o tratamento com fingolimod deve estar disponível uma ressonância magnética inicial (normalmente dentro de 3 meses) como referência. Durante a ressonância magnética de rotina (conforme as recomendações nacionais e locais), os médicos devem estar atentos a lesões sugestivas de LMP. A

ressonância magnética pode ser considerada como parte de monitorização adicional em doentes considerados em risco aumentado de desenvolver LMP. Em caso de suspeita de LMP, deve ser realizada, de imediato, uma ressonância magnética por motivos de diagnóstico e o tratamento com fingolimod deve ser suspenso até ser excluída a LMP.

A eliminação de fingolimod após a interrupção do tratamento pode demorar até 2 meses e, durante este período, deve ser continuada a vigilância para infeções. Os doentes devem ser instruídos a notificar sintomas de infeção até 2 meses após a interrupção do tratamento com fingolimod.

Edema macular

0,5% dos doentes tratados com fingolimod 0,5 mg apresentaram edema macular com ou sem sintomas visuais, predominantemente nos primeiros 3-4 meses de tratamento (ver secção 4.8). É recomendada uma avaliação oftalmológica 3-4 meses após o início do tratamento. Se os doentes apresentarem distúrbios visuais durante o tratamento, deverá ser efetuada uma avaliação dos fundos oculares, incluindo a mácula.

Os doentes com história clínica de uveíte e os doentes com diabetes mellitus têm um risco aumentado de edema macular (ver secção 4.8). Gilenya não foi estudado em doentes com esclerose múltipla e diabetes mellitus concomitante. É recomendada uma avaliação oftalmológica em doentes com esclerose múltipla e diabetes mellitus ou história de uveíte antes do início do tratamento e avaliações de acompanhamento durante o tratamento.

Não foi avaliada a continuação de Gilenya em doentes com edema macular. Recomenda-se que o tratamento com Gilenya seja interrompido em doentes que desenvolvam edema macular. A decisão acerca do reinício ou não do tratamento com Gilenya após resolução do edema macular tem de ter em consideração os potenciais benefícios e riscos para cada doente.

Função hepática

Foram notificados em doentes com esclerose múltipla tratados com Gilenya o aumento de enzimas hepáticas, em particular da alanina aminotransaminase (ALT) mas também da gama glutamiltransferase (GGT) e da aspartato transaminase (AST). Em ensaios clínicos, ocorreram aumentos 3 vezes ou superiores do limite superior ao normal (LSN) dos níveis de ALT em 8,0% dos doentes tratados com fingolimod 0,5 mg comparativamente a 1,9% dos doentes tratados com placebo. Ocorreram aumentos 5 vezes superiores ao LSN em 1,8% dos doentes tratados com fingolimod e 0,9% nos doentes tratados com placebo. Em ensaios clínicos, o fingolimod foi interrompido se o aumento foi 5 vezes superior ao LSN. Em alguns doentes ocorreram aumentos recorrentes de transaminases hepáticas com a reexposição ao medicamento, sustentando uma relação com o fingolimod. Nos ensaios clínicos os aumentos das transaminases ocorreram a qualquer momento do tratamento, porém a maioria ocorreu nos primeiros 12 meses. Os níveis de transaminases séricas retornaram ao normal em aproximadamente 2 meses após a interrupção do tratamento com fingolimod.

Gilenya não foi estudado em doentes com lesões hepáticas graves pré-existentes (classe C de Child- Pugh) e não deve ser administrado nestes doentes (ver secção 4.3).

Devido às propriedades imunosupressoras do fingolimod, o início do tratamento deverá ser adiado em doentes com hepatite viral ativa até à sua resolução.

Antes do início do tratamento com Gilenya, deverão estar disponíveis os níveis de transaminase e bilirrubina recentes (isto é, dos últimos 6 meses). Na ausência de sintomas clínicos, as transaminases hepáticas devem ser monitorizadas nos Meses 1, 3, 6, 9 e 12 da terapêutica e periodicamente após essa data. Se as transaminases hepáticas aumentarem para valores 5 vezes superiores ao LSN, deve ser instituida uma monitorização mais frequente, incluindo determinação da bilirrubina sérica e fosfatase alcalina (FA). Com confirmação repetida de níveis de transaminases hepáticas 5 vezes acima do LSN, o tratamento com Gilenya deve ser interrompido e apenas recomeçado após a normalização dos valores das transaminases hepáticas.

Os doentes que desenvolvem sintomas sugestivos de disfunção hepática, tais como náusea inexplicável, vómitos, dor abdominal, fadiga, anorexia, ou icterícia e/ou urina escura, deverão fazer análises às enzimas hepáticas e o tratamento com Gilenya deverá ser interrompido caso se confirme lesão hepática significativa (por exemplo, níveis de transaminase hepática 5 vezes superiores ao LSN e/ou aumento da bilirrubina sérica). O recomeço da terapêutica estará dependente da determinação ou não de outra causa de lesão hepática e dos benefícios do recomeço da terapêutica para o doente versus os riscos de recorrência de disfunção hepática.

Apesar de não existirem dados para estabelecer que os doentes com doença hepática pré-existente têm um risco aumentado de desenvolverem níveis elevados nos testes de função hepática quando estão a tomar Gilenya, deverá ser tomada precaução na administração de Gilenya em doentes com história de doença hepática significativa.

Interferência com testes serológicos

A contagem de linfócitos no sangue periférico não pode ser utilizada para avaliar o estado linfocitário de um doente tratado com Gilenya, uma vez que fingolimod diminui a contagem de linfócitos na corrente sanguínea através da redistribuição em órgãos linfáticos secundários. Os testes laboratoriais que envolvem a utilização de células mononucleares circulantes necessitam de volumes de sangue superiores devido à redução do número de linfócitos circulantes.

Efeitos na pressão arterial

Os doentes com hipertensão não controlada por medicamentos foram excluídos da participação nos ensaios clínicos antes da comercialização, pelo que é indicada precaução especial se os doentes com hipertensão não controlada forem tratados com Gilenya.

Em ensaios clínicos de esclerose múltipla, doentes tratados com fingolimod 0,5 mg tiveram um aumento médio de aproximadamente 3 mmHg na pressão sistólica e aproximadamente 1 mmHg na pressão diastólica, detetada aproximadamente 1 mês após o início do tratamento, e persistindo com a continuação do tratamento. Num estudo de dois anos controlado por placebo, a hipertensão foi notificada como um acontecimento adverso em 6,5% dos doentes tratados com fingolimod 0,5 mg e em 3,3% dos doentes tratados com placebo. Por este motivo, a pressão arterial deverá ser monitorizada regularmente durante o tratamento com Gilenya.

Efeitos respiratórios

Foram observadas pequenas reduções dependentes da dose nos valores de volume expiratório forçado ao primeiro segundo (FEV1) e na capacidade de difusão do monóxido de carbono (DLCO), com início no 1º mês e permanecendo estáveis após essa data durante o tratamento com Gilenya. Gilenya deverá ser administrado com precaução em doentes com doença respiratória grave, fibrose pulmonar e doença pulmonar obstrutiva crónica (ver também secção 4.8).

Síndrome de encefalopatia posterior reversível

Foram também notificados casos raros de síndrome de encefalopatia posterior reversível (PRES) com doses de 0,5 mg quer em ensaios clínicos quer em pós-comercialização (ver secção 4.8). Os sintomas notificados incluem cefaleia grave de início súbito, náuseas, vómitos, alteração do estado mental, distúrbios visuais e convulsões. Os sintomas de PRES são normalmente reversíveis mas podem evoluir para acidente vascular cerebral isquémico ou hemorragia cerebral. O atraso no diagnóstico e tratamento podem originar sequelas neurológicas permanentes. Se se suspeita de PRES, Gilenya deve ser descontinuado.

Tratamento anterior com imunossupressores ou terapêuticas imunomoduladoras

Não existem estudos efetuados para avaliar a eficácia e segurança de Gilenya aquando da transferência de doentes em tratamento com teriflunomida, fumarato de dimetilo ou alemtuzumab para Gilenya. Ao transferir doentes em tratamento com outra terapêutica de modificação da doença para Gilenya, a semi-vida e o modo de ação da outra terapêutica têm de ser considerados de modo a evitar um efeito imunológico aditivo enquanto ao mesmo tempo minimizando o risco de reativação da

doença. Um hemograma completo é recomendado antes de iniciar Gilenya para garantir que os efeitos imunológicos da terapêutica prévia (por exemplo citopenia) estão resolvidos.

Gilenya geralmente pode ser iniciado imediatamente após a interrupção do tratamento com interferão ou acetato de glatirâmero.

Para o fumarato de dimetilo, o período de depuração deverá ser suficiente para o hemograma completo recuperar antes de iniciar o tratamento com Gilenya.

Devido à semivida prolongada do natalizumab, a eliminação normalmente prolonga-se até 2-3 meses após a interrupção. A teriflunomida também é eliminada lentamente do plasma. Sem um procedimento de eliminação acelerada, a depuração de teriflunomida do plasma poderá levar entre alguns meses até 2 anos. É recomendado um procedimento de eliminação acelerada, como descrito no Resumo das Características do Medicamento de teriflunomida ou, alternativamente, um período de depuração não inferior a 3,5 meses. É necessária precaução relativamente aos potenciais efeitos imunológicos aquando da transferência de doentes de natalizumab ou teriflunomida para Gilenya.

O alemtuzumab tem efeitos imunossupressores profundos e prolongados. Uma vez que a duração atual destes efeitos é desconhecida, não é recomendado o início do tratamento com Gilenya após alemtuzumab a menos que os benefícios de tal tratamento superem claramente os riscos para o doente individual.

A decisão de utilização de tratamento concomitante prolongado com corticosteróides deve ser tomada após uma análise cuidadosa.

Administração concomitante com indutores potentes do CYP450

A combinação de fingolimod com indutores potentes do CYP450 deverá ser utilizada com precaução. A administração concomitante com erva de S. João não é recomendada (ver secção 4.5).

Carcinoma Basocelular

Foi notificado carcinoma basocelular (CBC) em doentes tratados com Gilenya (ver secção 4.8). É necessária vigilância para lesões cutâneas e é recomendada uma avaliação médica da pele no início do tratamento, após pelo menos um ano e, depois, pelo menos anualmente tendo em consideração a avaliação clínica. O doente deverá ser referenciado para um dermatologista caso sejam detetadas lesões suspeitas.

Interrupção do tratamento

Se for tomada a decisão de interromper o tratamento com Gilenya, serão necessárias 6 semanas de intervalo sem tratamento, baseadas na semivida do fármaco, para eliminar o fingolimod da circulação sanguínea (ver secção 5.2). A contagem de linfócitos regressa progressivamente aos níveis iniciais cerca de 1-2 meses após a interrupção do tratamento (ver secção 5.1). Iniciar outros tratamentos durante este intervalo resulta na exposição concomitante ao fingolimod. A administração de imunossupressores logo após a interrupção de Gilenya pode originar um efeito aditivo no sistema imunitário pelo que deve ser tomada precaução.

4.5Interações medicamentosas e outras formas de interação

Terapêuticas imunomoduladoras, imunossupressoras e antineoplásicas

Não devem ser administradas conjuntamente terapêuticas imunomoduladoras, imunossupressoras e antineoplásicas devido ao risco de efeitos aditivos no sistema imunitário (ver secções 4.3 e 4.4).

Deve ser tomada precaução na transição de doentes de tratamentos de longa ação com efeitos imunitários, tais como natalizumab, teriflunomida ou mitoxantrona (ver secção 4.4). Em ensaios clínicos de esclerose múltipla, o tratamento concomitante de surtos com um regime de curta duração com corticosteróides não esteve associado a uma taxa aumentada de infeções.

Vacinação

A vacinação pode ser menos eficaz até dois meses após o tratamento com Gilenya. Deve ser evitada a utilização de vacinas vivas atenuadas devido ao risco de infeções (ver secções 4.4 e 4.8).

Substâncias indutoras de bradicardia

O fingolimod foi estudado em combinação com o atenolol e o diltiazem. Quando o fingolimod foi administrado com atenolol num estudo de interação em voluntários saudáveis, ocorreu uma redução adicional de 15% da frequência cardíaca no início de tratamento com fingolimod, um efeito que não ocorre com o diltiazem. O tratamento com Gilenya não deve ser iniciado em doentes tratados com beta-bloqueadores, ou outras substâncias que podem diminuir a frequência cardíaca, tais como antiarrítmicos de classe Ia e III, bloqueadores dos canais de cálcio (tais como verapamilo ou diltiazem), ivabradina, digoxina, agentes anticolinesterásicos ou pilocarpina devido aos potenciais efeitos aditivos na frequência cardíaca (ver secções 4.4 e 4.8). Se o tratamento com Gilenya for considerado em tais doentes, deverá ser solicitado aconselhamento de um cardiologista acerca da substituição para medicamentos que não diminuam a frequência cardíaca ou monitorização mais apropriada para o início do tratamento. É recomendado, pelo menos, monitorização durante a noite caso o tratamento com medicamentos que diminuem a frequência cardíaca não possa ser suspenso.

Interações farmacocinéticas de outras substâncias com fingolimod

O fingolimod é metabolizado maioritariamente pelo CYP4F2. Outras enzimas como CYP3A4 também contribuem para o seu metabolismo, especialmente no caso de forte indução do CYP3A4. Não é expectável que inibidores potentes das proteínas transportadoras influenciem a disposição do fingolimod. A administração concomitante de fingolimod com cetoconazol resultou num aumento de 1,7 vezes da exposição de fingolimod e fosfato de fingolimod (AUC) por inibição do CYP4F2. Deverá ser tomada precaução com substâncias que podem inibir o CYP3A4 (inibidores das proteases, antifúngicos azóis, alguns macrólidos tais como claritromicina ou telitromicina).

A administração concomitante de carbamazepina 600 mg duas vezes ao dia no estado estacionário e uma dose única de fingolimod 2 mg reduziram a AUC de fingolimod e o seu metabolito em aproximadamente 40%. Outros indutorores potentes da enzima CYP3A4, como por exemplo rifampicina, fenobarbital, fenitoína, efavirenz e Erva de S. João, podem reduzir a AUC do fingolimod e do seu metabolito pelo menos até esse ponto. Como isso poderia prejudicar a eficácia, a administração concomitante deverá ser utilizada com precaução. Porém não é recomendada a administração concomitante com a Erva de S. João (ver secção 4.4).

Interações farmacocinéticas de fingolimod com outras substâncias

É pouco provável que fingolimod interaja com substâncias eliminadas maioritariamente pelas enzimas do CYP450 ou por substratos das proteínas transportadoras principais.

A administração concomitante de fingolimod com ciclosporina não alterou a exposição da ciclosporina ou do fingolimod. Portanto, não é expectável que fingolimod altere a farmacocinética de medicamentos que são substratos do CYP3A4.

A administração concomitante de fingolimod com contracetivos orais (etinilestradiol e levonorgestrel) não alterou a exposição dos contracetivos orais. Não foram efetuados estudos de interação com contracetivos orais contendo outros progestagéneos, porém não é esperado um efeito do fingolimod na sua exposição.

4.6Fertilidade, gravidez e aleitamento

Mulheres com potencial para engravidar / Contraceção feminina

Antes do início do tratamento em mulheres com potencial para engravidar, é necessário estar disponível um teste de gravidez com resultado negativo e deve ser dado aconselhamento relativo ao potencial risco grave para o feto e à necessidade de utilizar métodos contracetivos eficazes durante o tratamento com Gilenya. Uma vez que a eliminação de fingolimod demora cerca de dois meses após a interrupção do tratamento (ver secção 4.4), o potencial risco para o feto pode persistir e os métodos contracetivos devem ser mantidos durante esse período.

Gravidez

A gravidez deve ser evitada e são recomendados métodos contracetivos eficazes durante o tratamento. Se uma mulher engravidar durante o tratamento com Gilenya, recomenda-se a interrupção do tratamento.

Os estudos em animais revelaram toxicidade reprodutiva incluindo perda do feto e malformações dos órgãos, principalmente truncus arteriosus persistente e defeito do septo interventricular (ver

secção 5.3). Além disso, o recetor afetado pelo fingolimod (recetor esfingosina-1-fosfato) é conhecido por estar envolvido na formação vascular durante a embriogénese. A quantidade de dados sobre a utilização de fingolimod em mulheres grávidas é muito limitada.

Não existem dados sobre os efeitos do fingolimod durante o trabalho de parto e durante o parto.

Amamentação

Durante o aleitamento, o fingolimod é excretado no leite de animais tratados (ver secção 5.3). As mulheres tratadas com Gilenya não devem amamentar devido ao potencial de fingolimod para reações adversas graves em lactentes.

Fertilidade

Os dados provenientes dos ensaios pré-clínicos não sugerem que o fingolimod esteja associado a um aumento do risco de diminuição da fertilidade (ver secção 5.3).

4.7Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

Os efeitos de Gilenya sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas são nulos ou desprezáveis.

No entanto, podem ocorrer ocasionalmente tonturas ou sonolência no inicío do tratamento com Gilenya. Recomenda-se que os doentes sejam observados por um período de 6 horas ao iniciar o tratamento com Gilenya (ver secção 4.4, Bradiarritmia).

4.8Efeitos indesejáveis

Resumo do perfil de segurança

A população de segurança de Gilenya deriva de dois ensaios clínicos de Fase III controlados por placebo e um ensaio clínico de Fase III com controlador ativo, em doentes com esclerose múltipla por surtos de exacerbação/remissão. Esta inclui um total de 2.431 doentes tratados com Gilenya (0,5 ou 1,25 mg). O estudo D2301 (FREEDOMS) foi um ensaio clínico controlado por placebo com duração de 2 anos em 854 doentes tratados com fingolimod (placebo: 418). O estudo D2309 (FREEDOMS II) foi um ensaio clínico controlado por placebo com duração de 2 anos em 728 doentes com esclerose múltipla tratados com fingolimod (placebo: 355). Nos dados agrupados destes dois estudos, as reações adversas mais graves no início do tratamento com Gilenya 0,5 mg foram infeções, edema macular e bloqueio auriculo-ventricular transitório. As reações adversas mais frequentes (incidência ≥10%) com

Gilenya 0,5 mg foram gripe, sinusite, cefaleia, diarreia, lombalgia, aumento das enzimas hepáticas e tosse. A reação adversa notificada com maior frequência para Gilenya 0,5 mg e que originou interrupção do tratamento, foi o aumento da ALT (2,2%). As reações adversas no estudo D2302 (TRANSFORMS), um estudo de 1 ano em 849 doentes tratados com fingolimod e com interferão

beta-1a como comparador, foram, em geral, semelhantes aos estudos controlados por placebo, tendo em conta as diferenças na duração do estudo.

Estão indicadas abaixo as reações adversas com Gilenya 0,5 mg nos estudos D2301 (FREEDOMS) e D2309 (FREEDOMS II). As frequências são definidas segundo a seguinte convenção: muito frequentes (≥1/10); frequentes (≥1/100 a <1/10); pouco frequentes (≥1/1.000 a <1/100); raros (≥1/10.000 a <1/1.000); muito raros (<1/10.000); desconhecido (não pode ser calculado a partir dos dados disponíveis).

Listagem das reações adversas

Infeções e infestações

 

Muito frequentes:

Gripe

 

Sinusite

Frequentes:

Infeções víricas do tipo herpético

 

Bronquite

 

Tinha versicolor

Pouco frequentes:

Pneumonia

Desconhecido**:

Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva (LMP)

 

Infeções criptocócicas

Neoplasias benignas malignas e não especificadas (incl. quistos e polipos)

Frequentes:

Carcinoma basocelular

Raros***:

Linfoma

Desconhecido***:

Sarcoma de Kaposi

Doenças do sangue e do sistema linfático

Frequentes:

Linfopenia

 

Leucopenia

Pouco frequentes:

Trombocitopenia

Desconhecido***:

Edema periférico

Doenças do sistema imunitário

Desconhecido***: Reações de hipersensibilidade, incluindo erupção cutânea, urticária e angioedema após o início do tratamento

Perturbações do foro psiquiátrico

Frequentes:

Depressão

Pouco frequentes:

Estado depressivo

Doenças do sistema nervoso

Muito frequentes:

Cefaleias

Frequentes:

Tonturas

 

Enxaqueca

Raros*:

Síndrome de encefalopatia posterior reversível (PRES)

Afeções oculares

 

Frequentes:

Visão enevoada

Pouco frequentes:

Edema macular*

Cardiopatias

 

Frequentes:

Bradicardia

 

Bloqueio auriculo-ventricular

Muito raros***:

Inversão da onda T

Vasculopatias

 

Frequentes:

Hipertensão

Doenças respiratórias, torácicas e do mediastino

Muito frequentes:

Tosse

Frequentes:

Dispneia

Doenças gastrointestinais

 

Muito frequentes:

Diarreia

Pouco frequentes***:

Náuseas

Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos

Frequentes:

Eczema

 

Alopécia

 

Prurido

Afeções musculosqueléticas e dos tecidos conjuntivos

Muito frequentes:

Lombalgia

Perturbações gerais e alterações no local de administração

Frequentes:

Astenia

Exames complementares de diagnóstico

Muito frequentes:

Aumento das enzimas hepáticas (aumento de ALT, Gama

 

glutamiltransferase, Aspartato transaminase)

Frequentes:

Aumento dos níveis de triglicéridos no sangue

Pouco frequentes:

Diminuição da contagem de neutrófilos

*Não notificado nos estudos FREEDOMS, FREEDOMS II e TRANSFORMS. A categoria da frequência baseia-se numa exposição estimada de aproximadamente 10.000 doentes com fingolimod em todos os ensaios clínicos.

**LMP e infeções criptocócicas (incluindo casos de meningite criptocócica) têm sido notificadas na experiência pós-comercialização (ver secção 4.4).

***Reações adversas medicamentosas de notificações espontâneas e literatura

Descrição das reações adversas selecionadas

Infeções

Em ensaios clínicos de esclerose múltipla, a taxa global de infeções (65,1%) com a dose de 0,5 mg foi semelhante ao placebo. Porém, as infeções do trato respiratório inferior, principalmente bronquite e, em menor número, infeção por herpes e pneumonia foram mais frequentes em doentes tratados com Gilenya.

Foram notificados alguns casos de infeção disseminada por herpes, incluindo casos fatais, mesmo na dose de 0,5 mg.

Na experiência pós-comercialização foram notificados casos de infeções com agentes patogénicos oportunistas, tais como virais (por exemplo, por vírus varicella zoster [VVZ], por vírus John Cunningham [VJC] causando Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva, por vírus herpes simplex [VHS]), fúngicas (por exemplo, por criptococos incluindo meningite criptocócica) ou bacterianas (por exemplo, por micobactérias atípicas) (ver secção 4.4).

Edema macular

Em estudos clínicos de esclerose múltipla, o edema macular ocorreu em 0,5% dos doentes tratados com a dose recomendada de 0,5 mg e em 1,1% dos doentes tratados com a dose mais elevada de 1,25 mg. A maioria dos casos ocorreu nos primeiros 3-4 meses do tratamento. Alguns doentes apresentaram visão enevoada ou diminuição da acuidade visual, mas outros foram assintomáticos e diagnosticados apenas nos exames oftalmológicos de rotina. O edema macular geralmente melhorou ou resolveu-se espontaneamente após a interrupção de Gilenya. Não foi avaliado o risco de recorrência após reexposição.

A incidência de edema macular é mais elevada em doentes com esclerose múltipla com história clínica de uveíte (17% com história clínica de uveíte vs. 0,6% sem história clínica de uveíte). Gilenya não foi estudado em doentes com esclerose múltipla e diabetes mellitus, uma doença associada a um risco acrescido de edema macular (ver secção 4.4). Em ensaios clínicos de transplante renal, nos quais doentes com diabetes mellitus foram incluídos, o tratamento com fingolimod 2,5 mg e 5 mg resultou num aumento 2 vezes superior na incidência de edema macular.

Bradiarritmia

O início do tratamento com Gilenya origina uma diminuição transitória da frequência cardíaca e pode estar também associado a atrasos na condução auriculo-ventricular. Em ensaios clínicos de esclerose múltipla, o decréscimo máximo da frequência cardíaca foi detetado durante as 6 horas após o início do tratamento, com diminuição da frequência cardíaca média de 12-13 batimentos por minuto com Gilenya 0,5 mg. Foi raramente observada uma frequência cardíaca inferior a 40 batimentos por minuto em doentes tratados com Gilenya 0,5 mg. A frequência cardíaca média retornou até aos valores iniciais 1 mês após o início do tratamento crónico. A bradicardia foi geralmente assintomática mas alguns doentes apresentaram sintomas ligeiros a moderados, incluindo hipotensão, tonturas, fadiga e/ou palpitações, as quais desapareceram 24 horas após o início do tratamento (ver também secções 4.4 e 5.1).

Em ensaios clínicos de esclerose múltipla, foi detetado bloqueio auriculo-ventricular de primeiro grau (prolongamento do intervalo de frequência cardíaca no ECG) após o início do tratamento em 4,7% dos doentes tratados com fingolimod 0,5 mg, em 2,8% dos doentes tratados com interferão beta-1a administrado por via intramuscular e em 1,6% dos doentes que receberam placebo. Foi detetado bloqueio auriculo-ventricular de segundo grau em menos de 0,2% dos doentes tratados com Gilenya 0,5 mg. Durante a experiência após a comercialização, observaram-se relatos isolados de bloqueio aurículoventricular completo, transitório de resolução espontânea observados após a primeira toma de Gilenya durante o período de monitorização de 6 horas. Os doentes recuperaram espontaneamente. As anomalias na condução observadas em ensaios clínicos e após comercialização foram transitórias, assintomáticas e desapareceram nas primeiras 24 horas após o início do tratamento. Apesar da maioria dos doentes não ter necessitado de intervenção médica, foi administrada isoprenalina a um doente tratado com Gilenya 0,5 mg para bloqueio auriculo-ventricular de segundo grau assintomático

Mobitz I.

Durante a experiência após comercialização, ocorreram acontecimentos isolados com início diferido, incluindo assístole transitória e morte inexplicada, durante as 24 horas após a primeira toma. Estes casos foram confundidos por medicação concomitante e/ou doença pré-existente. A relação de tais acontecimentos com Gilenya é incerta.

Pressão arterial

Em ensaios clínicos de esclerose múltipla, Gilenya 0,5 mg foi associado a um aumento médio de aproximadamente 3 mmHg na pressão arterial sistólica e aproximadamente 1 mmHg na pressão arterial diastólica, manifestado cerca de 1 mês após o início do tratamento. Este aumento persistiu com a continuação do tratamento. Foi notificada hipertensão em 6,5% dos doentes tratados com fingolimod 0,5 mg e em 3,3% dos doentes que receberam placebo. Durante a experiência após comercialização, foram notificados casos de hipertensão durante o primeiro mês de tratamento e durante o primeiro dia de tratamento que poderá requerer tratamento com medicamentos antihipertensores ou interrupção de Gilenya (ver também secção 4.4, Efeitos na pressão arterial).

Função hepática

Foi notificado o aumento de enzimas hepáticas em doentes com esclerose múltipla tratados com Gilenya. Em ensaios clínicos 8,0% e 1,8% dos doentes tratados com Gilenya 0,5 mg tiveram um aumento assintomático dos níveis de ALT ≥3x LSN (limite superior ao normal) e ≥5x LSN, respetivamente. Ocorreu um aumento recorrente dos níveis de transaminases hepáticas após reexposição em alguns doentes, sustentando uma relação com o medicamento. Nos ensaios clínicos os aumentos das transaminases ocorreram a qualquer momento do tratamento, porém a maioria ocorreu nos primeiros 12 meses. Os níveis de ALT regressaram aos valores iniciais em aproximadamente

2 meses após a interrupção de Gilenya. Num número reduzido de doentes (N=10 para 1,25 mg, N=2 para 0,5 mg) que tiveram aumento dos níveis de ALT ≥5x LSN e que continuaram o tratamento com Gilenya, os níveis de ALT voltaram ao normal em aproximadamente 5 meses (ver também secção 4.4, Função hepática).

Distúrbios do sistema nervoso

Em ensaios clínicos, ocorreram casos raros de acontecimentos que envolvem o sistema nervoso em doentes tratados com fingolimod em doses mais elevadas (1,25 ou 5,0 mg) incluindo acidentes vasculares cerebrais isquémicos ou hemorrágicos e distúrbios neurológicos atípicos, tais como acontecimentos tipo encefalomielite aguda disseminada.

Vasculopatias

Ocorreram casos raros de doença arterial periférica oclusiva em doentes tratados com doses elevadas (1,25 mg) de fingolimod.

Sistema respiratório

A partir do 1º mês de tratamento com Gilenya foram observadas pequenas diminuições, dependentes da dose, dos valores do volume expiratório forçado (FEV1) e da capacidade de difusão do monóxido de carbono (DLCO), permanecendo estáveis depois disso. Ao 24º mês, ocorreu uma diminuição de 2,7% (em percentagem de FEV1 previsto) relativamente aos valores iniciais para fingolimod 0,5 mg e de 1,2% para o placebo, uma diferença que ficou resolvida após a interrupção do tratamento. Para DLCO, as diminuições ao 24º mês foram de 3,3% para fingolimod 0,5 mg e de 2,7% para o placebo.

Linfomas

Registaram-se casos de linfoma de vários tipos, quer em ensaios clínicos, quer durante a experiência pós-comercialização, incluindo um caso fatal de linfoma das células B positivo para vírus Epstein- Barr (EBV). A incidência de casos de linfoma (células B e células T) foi superior nos ensaios clínicos do que a esperada na população geral.

Síndrome hemofagocítica

Foram notificados casos muito raros de síndrome hemofagocítica (HPS) com resultado fatal em doentes tratados com fingolimod no contexto de uma infeção. A HPS é uma condição rara que tem sido descrita em associação com infeções, imunossupressão e uma variedade de doenças autoimunes.

Notificação de suspeitas de reações adversas

A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através do sistema nacional de notificação mencionado no Apêndice V.

4.9Sobredosagem

Foram bem toleradas doses únicas até 80 vezes a dose recomendada (0,5 mg), administradas a voluntários saudáveis. No total de 6 indivíduos, 5 notificaram ligeiro aperto ou desconforto no peito, clinicamente consistente com reatividade das pequenas vias aéreas, para doses de 40 mg.

O fingolimod pode induzir bradicardia após o início do tratamento. A diminuição da frequência cardíaca inicia-se normalmente na primeira hora após a primeira toma e é máxima após 6 horas. O efeito cronotrópico negativo de Gilenya persiste para além das 6 horas e é progressivamente atenuado nos dias seguintes ao tratamento (ver secção 4.4 para detalhes). Foram relatados casos de diminuição da condução auriculoventricular, com relatos isolados de bloqueio auriculoventricular completo transitório, de resolução espontânea (ver secções 4.4 e 4.8).

Caso a sobredosagem corresponda à primeira exposição com Gilenya, é importante monitorizar os doentes com ECG contínuo (em tempo real) e medição da frequência cardíaca e pressão arterial hora a hora, pelo menos durante as primeiras 6 horas (ve secção 4.4).

Adicionalmente, se após as 6 horas, a frequência cardíaca for <45 bpm ou se o ECG às 6 horas após a primeira toma demonstrar o aparecimento de bloqueio auriculoventricular de 2º grau ou de grau superior ou se demonstrar um intervalo QTc≥500 ms, a monitorização deverá ser prolongada para, pelo menos, durante a noite e até à resolução dos acontecimentos. A ocorrência em qualquer altura de bloqueio auriculoventricular de 3º grau deverá conduzir a prolongamento da monitorização incluindo monitorização durante a noite.

O fingolimod não é eliminado do organismo por diálise ou plasmaferese.

5.PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS

5.1Propriedades farmacodinâmicas

Grupo farmacoterapêutico: Imunossupressores seletivos, código ATC: L04AA27

Mecanismo de ação

O fingolimod é um modulador do recetor da esfingosina 1-fosfato. O fingolimod é metabolizado pela esfingosina-cinase no metabolito ativo fosfato de fingolimod. O fosfato de fingolimod liga-se em baixas concentrações nanomolares ao recetor 1 da esfingosina 1-fosfato (S1P) localizado nos linfócitos, e atravessa rapidamente a barreira hematoencefálica para se ligar ao recetor 1 da S1P localizado nas células neuronais do sistema nervoso central (SNC). Ao atuar como um antagonista funcional dos recetores da S1P nos linfócitos, o fosfato de fingolimod bloqueia a capacidade dos linfócitos saírem dos nódulos linfáticos, provocando uma redistribuição dos linfócitos, em vez de deplecção. Estudos em animais demonstraram que esta redistribuição reduz a infiltração de linfócitos patogénicos, incluindo células pró-inflamatórias Th17, no SNC, onde estariam envolvidas na inflamação dos nervos e lesão do tecido nervoso. Estudos em animais e in vitro indicam que o fingolimod poderá também atuar através da interação com recetores S1P nas células neuronais.

Efeitos farmacodinâmicos

Nas 4-6 horas após a primeira dose de fingolimod 0,5 mg, a contagem de linfócitos diminui para aproximadamente 75% dos valores iniciais no sangue periférico. Com a continuação do tratamento, a contagem de linfócitos continua a diminuir durante um período de duas semanas, atingindo uma contagem mínima de aproximadamente 500 células/microlitro ou aproximadamente 30% dos valores iniciais. Em pelo menos uma ocasião, 18% dos doentes atingiram uma contagem mínima inferior a 200 células/microlitro. A baixa contagem de linfócitos mantem-se com a dose diária crónica. A maioria dos linfócitos T e B percorrem normalmente os órgãos linfáticos e são estas as células principalmente afetadas pelo fingolimod. Aproximadamente 15-20% dos linfócitos T têm um fenótipo de memória efectora, células que são importantes para a vigilância imunitária periférica. Uma vez que este tipo de linfócitos não percorre os órgãos linfáticos, não são afetados pelo fingolimod. O aumento da contagem de linfócitos periféricos é evidente alguns dias após a interrupção do tratamento com fingolimod e os valores normais são atingidos em um a dois meses. A administração crónica de fingolimod leva a uma diminuição ligeira na contagem de neutrófilos (para aproximadamente 80% dos valores iniciais). Os monócitos não são afetados pelo fingolimod.

O fingolimod provoca uma diminuição transitória da frequência cardíaca e da condução auriculo- ventricular no início do tratamento (ver secções 4.4 e 4.8). A redução máxima da frequência cardíaca é observada durante as 6 horas após a toma, com 70% do efeito cronotrópico negativo alcançado no primeiro dia. Com a administração contínua a frequência cardíaca regressa aos valores iniciais em cerca de um mês. A diminuição da frequência cardíaca induzida por fingolimod pode ser revertida com doses parentéricas de atropina ou isoprenalina. O salmeterol inalado demonstrou também ter um modesto efeito cronotrópico positivo. Existe um aumento das contrações auriculares prematuras com o início do tratamento com fingolimod, mas não existe aumento da taxa de fibrilhação/flutter auricular ou arritmias ventriculares ou ectopias. O tratamento com fingolimod não está associado a uma diminuição do débito cardíaco. Respostas autónomas cardíacas, incluindo variações diurnas da frequência cardíaca e respostas ao exercício não são afetadas pelo tratamento com fingolimod.

O tratamento com fingolimod 0,5 e 1,25 mg em doses únicas ou múltiplas durante duas semanas não foi associado a um aumento detetável da resistência das vias aéreas medidas pelo FEV1 e pelo débito expiratório forçado (FEF) 25-75. No entanto, doses únicas de fingolimod ≥5 mg (10 vezes a dose recomendada) estão associadas a um aumento da resistência das vias aéreas, dependente da dose. O tratamento com doses múltiplas de fingolimod 0,5;1,25 ou 5 mg não está associado a diminuição da oxigenação ou dessaturação do oxigénio com o exercício ou aumento na resposta das vias aéreas à metacolina. Os indivíduos tratados com fingolimod têm uma resposta broncodilatadora normal aos beta-agonistas inalados.

Eficácia e segurança clínicas

A eficácia de Gilenya foi demonstrada em dois estudos que avaliaram doses únicas diárias de fingolimod 0,5 mg e 1,25 mg em doentes com esclerose múltipla por surtos de exacerbação/remissão

(RRMS). Ambos os estudos incluíram doentes que tiveram ≥2 recidivas nos 2 anos anteriores ou

≥1 recidiva no ano anterior. A pontuação da Escala Expandida do Estado da Incapacidade (EDSS) foi entre 0 e 5,5. Um terceiro estudo dirigido à mesma população de doentes foi concluído após o registo de Gilenya.

O estudo D2301 (FREEDOMS) foi um ensaio clínico de Fase III aleatorizado, em dupla ocultação, controlado por placebo com duração de 2 anos em 1.272 doentes (n=425 com 0,5 mg, 429 com 1,25 mg, 418 com placebo). Os valores médios para as características iniciais foram: idade 37 anos,

duração da doença 6,7 anos e a pontuação da EDSS 2,0. Os resultados do estudo são apresentados na Tabela 1. Não existem diferenças significativas entre as doses de 0,5 mg e 1,25 mg, no que diz respeito a qualquer um dos objetivos.

Tabela 1: Estudo D2301 (FREEDOMS): Resultados principais

 

Fingolimod

Placebo

 

0,5 mg

 

Objetivos clínicos

 

 

Taxa anual de recidivas (objetivo primário)

0,18**

0,40

Percentagem de doentes sem recidivas após

70%**

46%

24 meses

 

 

Proporção com progressão da incapacidade

17%

24%

confirmada a 3 meses†

 

 

Proporção de risco (IC 95%)

0,70 (0,52; 0,96)*

 

Objetivos de ressonância magnética

 

 

Número mediano (médio) de lesões T2 novas

0,0 (2,5)**

5,0 (9,8)

ou recentemente aumentadas após 24 meses

 

 

Número mediano (médio) de lesões captantes

0,0 (0,2)**

0,0 (1,1)

de gadolínio após 24 meses

 

 

Variação mediana (média) % volume cerebral

-0,7 (-0,8)**

-1,0 (-1,3)

após 24 meses

 

 

†Progressão da incapacidade definida como um aumento de 1 ponto na EDSS confirmada a 3 meses.

**p<0,001, *p<0,05 comparado com placebo

Todas as análises dos objetivos clínicos foram análises de intenção de tratar. As análises de ressonância magnética nuclear utilizaram um conjunto de dados avaliáveis.

Os doentes que completaram a fase principal de 24 meses do estudo FREEDOMS puderam entrar num estudo de extensão com ocultação de dose (D2301E1) e receber fingolimod. No total, entraram 920 doentes (n=331 continuaram com 0,5 mg; 289 continuaram com 1,25 mg; 155 mudaram de placebo para 0,5 mg e 145 mudaram de placebo para 1,25 mg). Após 12 meses (mês 36), 856 doentes (93%) continuavam incluídos. Entre os meses 24 e 36, a taxa anualizada de surtos (TAS) para os doentes em fingolimod 0,5 mg no estudo principal e que se mantiveram com 0,5 mg foi de 0,17 (0,21 no estudo principal). A TAS para doentes que mudaram de placebo para fingolimod 0,5 mg foi de 0,22 (0,42 no estudo principal).

Foram obtidos resultados comparáveis num estudo replicado de Fase III (D2309; FREEDOMS 2), aleatorizado, em dupla ocultação, controlado por placebo, com duração de 2 anos, com fingolimod em 1.083 doentes com EMSR (n=358 com 0,5 mg; 370 com 1,25 mg; 355 com placebo). Os valores medianos para as características basais foram: idade 41 anos, duração da doença 8,9 anos, pontuação EDSS 2,5.

Tabela 2: Estudo D2309 (FREEDOMS 2): Resultados principais

 

 

Fingolimod

Placebo

 

 

0,5 mg

 

Objetivos clínicos

 

 

Taxa anualizada de surtos (objetivo primário)

0,21**

0,40

Percentagem de doentes sem surtos após

71,5%**

52,7%

24 meses

 

 

Proporção com progressão da incapacidade

25%

29%

confirmada a 3 meses†

 

 

Razão de risco (IC 95%)

0,83 (0,61; 1,12)

 

Objetivos de ressonância magnética

 

 

Número mediano (médio) de lesões T2 novas

0,0 (2,3)**

4,0 (8,9)

ou aumentadas após 24 meses

 

 

Número mediano (médio) de lesões captantes

0,0 (0,4)**

0,0 (1,2)

de gadolínio ao mês 24

 

 

Alteração % mediana (média) do volume

-0,71 (-0,86)**

-1,02 (-1,28)

cerebral após24 meses

 

 

Progressão da incapacidade definida como o aumento de 1 ponto na EDSS

confirmada a 3 meses

** p<0,001 comparado com placebo

Todas as análises dos objetivos clínicos foram análises de intenção de tratar. As análises de ressonância magnética nuclear utilizaram o conjunto de dados avaliáveis.

O estudo D2302 (TRANSFORMS) foi um ensaio clínico de Fase III aleatorizado, em dupla ocultação, com dupla simulação, controlado por fármaco ativo (interferão beta-1a) com duração de 1 ano em 1.280 doentes (n=429 com 0,5 mg, 420 com 1,25 mg, 431 com interferão beta-1a, 30 µg através de uma injeção intramuscular semanal). Os valores medianos para as características iniciais foram: idade 36 anos, duração da doença 5,9 anos e pontuação da EDSS 2,0. Os resultados do estudo são apresentados na Tabela 3. Não existem diferenças significativas entre as doses de 0,5 mg e 1,25 mg, no que diz respeito a objetivos do estudo.

Tabela 3: Estudo D2302 (TRANSFORMS): Resultados principais

 

Fingolimod

Interferão beta-

 

0,5 mg

1a, 30 μg

Objetivos clínicos

 

 

Taxa anual de recidivas (objectivo primário)

0,16**

0,33

Percentagem de doentes sem recidivas após

83%**

71%

12 meses

 

 

Proporção com progressão da incapacidade

6%

8%

confirmada a 3 meses†

 

 

Proporção de risco (IC 95%)

0,71 (0,42; 1,21)

 

Objetivos de ressonância magnética

 

 

Número mediano (médio) de lesões T2 novas

0,0 (1,7)*

1,0 (2,6)

ou recentemente aumentadas após 12 meses

 

 

Número mediano (médio) de lesões captantes

0,0 (0,2)**

0,0 (0,5)

de gadolínio após 12 meses

 

 

Variação mediana (média) % volume cerebral

-0,2 (-0,3)**

-0,4 (-0,5)

após 12 meses

 

 

†Progressão da incapacidade definida como um aumento de 1 ponto na EDSS confirmada a 3 meses.

*p<0,01, **p<0,001, comparado com interferão beta-1a

Todas as análises dos objetivos clínicos foram análises de intenção de tratar. As análises de ressonância magnética nuclear utilizaram um conjunto de dados avaliáveis.

Os doentes que completaram a fase principal de 12 meses do estudo TRANSFORMS puderam entrar num estudo de extensão em ocultação de dose (D2302E1) e receber fingolimod. No total, entraram 1.030 doentes; no entanto, 3 destes doentes não receberam tratamento (n=356 continuaram com

0,5 mg; 330 continuaram com 1,25 mg; 167 mudaram de interferão beta-1a para 0,5 mg e 174 de interferão beta-1a para 1,25 mg). Após 12 meses (mês 24), 882 doentes (86%) continuavam incluídos. Entre os meses 12 e 24, a TAS para os doentes em fingolimod 0,5 mg no estudo principal e que se mantiveram com 0,5 mg foi de 0,20 (0,19 no estudo principal). A TAS para doentes que mudaram de interferão beta-1a para fingolimod 0,5 mg foi de 0,33 (0,48 no estudo principal).

Os resultados agrupados dos estudos D2301 e D2302 demonstraram uma redução consistente e estatisticamente significativa da taxa anual de recidivas relativamente ao comparador nos subgrupos definidos por sexo, idade, terapêutica anterior para a esclerose múltipla, atividade da doença ou níveis de incapacidade no início dos estudos.

Análises aprofundadas dos dados obtidos nos ensaios clínicos demonstram efeitos consistentes no tratamento de subgrupos de doentes com esclerose múltipla com exacerbação-remissão muito ativa.

A Agência Europeia de Medicamentos diferiu a obrigação de apresentação dos resultados dos estudos com Gilenya em um ou mais sub-grupos da população pediátrica em esclerose múltipla (ver

secção 4.2 para informação sobre utilização pediátrica).

5.2Propriedades farmacocinéticas

Os dados farmacocinéticos foram obtidos em voluntários saudáveis, doentes com transplante renal e doentes com esclerose múltipla.

O metabolito farmacologicamente ativo responsável pela eficácia é o fosfato de fingolimod.

Absorção

A absorção do fingolimod é lenta (tmax de 12-16 horas) e extensa (≥85%). A biodisponibilidade oral absoluta aparente é de 93% (intervalo de confiança de 95%: 79-111%). O estado estacionário das concentrações plasmáticas é alcançado 1 a 2 meses após administração única diária e os níveis estacionários são aproximadamente 10 vezes superiores à dose inicial.

A ingestão de alimentos não altera a Cmax ou exposição (AUC) de fingolimod. A Cmax do fosfato de fingolimod teve uma diminuição ligeira de 34% mas a AUC permaneceu inalterada. Assim, Gilenya pode ser tomado com ou sem alimentos (ver secção 4.2).

Distribuição

O fingolimod é extensamente distribuído nos eritrócitos com uma fração de 86% nas células sanguíneas. O fosfato de fingolimod tem uma menor captação nas células sanguíneas (<17%). O fingolimod e o fosfato de fingolimod têm uma forte ligação às proteínas (>99%).

O fingolimod é extensamente distribuído nos tecidos com um volume de distribuição de cerca de 1.200 260 litros. Um estudo realizado em quatro indivíduos saudáveis que receberam uma dose única intravenosa de um análogo de fingolimod marcado com rádio e iodo demonstrou que o fingolimod penetra no cérebro. Num estudo em 13 doentes com esclerose múltipla do sexo masculino aos quais foi administrado Gilenya 0,5 mg/dia, a quantidade média de fingolimod (e fosfato de fingolimod) no sémen ejaculado, no estado estacionário, foi de aproximadamente 10.000 vezes inferior do que a dose oral administrada (0,5 mg).

Biotransformação

Nos seres humanos, o fingolimod é transformado no composto farmacologicamente ativo, (S)- enantiómero de fosfato de fingolimod, por fosforilação estereoseletiva reversível. O fingolimod é eliminado através de metabolismo oxidativo catalizado maioritariamente através do CYP4F2 e possivelmente outras isoenzimas consequente degradação tipo ácido gordo para metabolitos inativos. Foi também observada formação da ceramida apolar farmacologicamente inativa análoga do fingolimod. A principal enzima envolvida no metabolismo do fingolimod encontra-se parcialmente identificada, podendo ser a CYP4F2 ou CYP3A4.

Após a administração oral única de [14C] fingolimod, os componentes maioritários do sangue relacionados com o fingolimod, determinados pela sua contribuição ao AUC até 34 dias após a dose da totalidade de compostos radiomarcados, são o próprio fingolimod (23%), fosfato de fingolimod (10%) e os metabolitos inativos (M3 metabolito ácido carboxílico (8%), M29 metabolito ceramida (9%) e M30 metabolito ceramida (7%)).

Eliminação

A depuração sanguínea do fingolimod é de 6,3 2,3 l/h, e o tempo de semivida aparente médio (t1/2) é de 6-9 dias. Os níveis sanguíneos de fingolimod e de fosfato de fingolimod na fase terminal diminuem em paralelo, originando semividas similares para ambos.

Após a administração oral, cerca de 81% da dose é lentamente excretada na urina na forma de metabolitos inativos. O fingolimod e o fosfato de fingolimod não são excretados na urina na forma intacta mas são os constituintes principais das fezes, com quantidades que representam menos que 2,5% de cada dose. Após 34 dias, a recuperação da dose administrada é de 89%.

Linearidade

As concentrações do fingolimod e do fosfato de fingolimod aumentam proporcionalmente à dose após doses múltiplas diárias de 0,5 mg ou 1,25 mg.

Características em grupos específicos de doentes

A farmacocinética de fingolimod e de fosfato de fingolimod não difere em homens e mulheres, em doentes com diferentes origens étnicas, ou em doentes com compromisso renal ligeiro a grave.

Em indivíduos com compromisso hepático ligeiro, moderado ou grave (classe A, B e C de Child- Pugh) não foi observada alteração na Cmax do fingolimod, mas a AUC do fingolimod aumentou respetivamente 12%, 44% e 103%. Em doentes com compromisso hepático grave (classe C de Child- Pugh), a Cmax do fosfato de fingolimod diminuiu 22% e a AUC não foi substancialmente alterada. As farmacocinéticas do fosfato de fingolimod não foram avaliadas em doentes com compromisso hepático ligeiro ou moderado. A semi-vida de eliminação aparente do fingolimod não é alterada em indivíduos com compromisso hepático ligeiro, mas é prolongada em cerca de 50% em doentes com compromisso hepático moderado ou grave.

O fingolimod não deverá ser administrado em doentes com compromisso hepático grave (classe C de Child-Pugh) (ver secçao 4.3). O fingolimod deverá ser introduzido com precaução em doentes com compromisso hepático ligeiro e moderado (ver secção 4.2).

A experiência clínica e informação farmacocinética em doentes com idade superior a 65 anos são limitadas. O fingolimod deve ser administrado com precaução em doentes com idade igual ou superior a 65 anos (ver secção 4.2).

População pediátrica

Existem dados disponíveis limitados de um estudo de transplante renal que incluiu 7 crianças com idades superiores a 11 anos (estudo FTY720A0115). A comparação destes dados com os de voluntários saudáveis adultos é de relevância limitada e não podem ser retiradas conclusões válidas acerca das propriedades farmacocinéticas do fingolimod em crianças.

5.3Dados de segurança pré-clínica

O perfil de segurança pré-clínico do fingolimod foi determinado em ratinhos, ratos, cães e macacos. Os principais órgãos-alvo foram o sistema linfático (linfopenia e atrofia linfoide), pulmões (aumento de peso, hipertrofia do músculo liso na junção bronco-alveolar) e coração (efeito cronotrópico negativo, aumento da pressão arterial, alterações perivasculares e degeneração do miocárdio) em várias espécies; vasos sanguíneos (vasculopatia) apenas em ratos com doses de 0,15 mg/kg e superiores num estudo de 2 anos, representando uma margem aproximada de 4 vezes a exposição sistémica humana (AUC) com doses diárias de 0,5 mg.

Não foi observada evidência de carcinogenicidade num bioensaio de 2 anos em ratos com doses orais de fingolimod até à dose máxima tolerada de 2,5 mg/kg, representativa de aproximadamente 50 vezes a margem baseada na exposição sistémica humana (AUC) na dose de 0,5 mg. Porém, num estudo de 2 anos com ratinhos observou-se um aumento na incidência de linfoma maligno com doses de

0,25 mg/kg e superiores, representativa de aproximadamente 6 vezes a margem baseada na exposição sistémica humana (AUC) numa dose diária de 0,5 mg.

Não foram observados efeitos mutagénicos ou clastogénicos em estudos em animais com fingolimod.

O fingolimod não teve efeito na contagem/mobilidade do esperma ou na fertilidade masculina e feminina em ratos até à maior dose testada (10 mg/kg), representativa de aproximadamente 150 vezes a margem baseada na exposição sistémica humana (AUC) numa dose diária de 0,5 mg.

O fingolimod foi teratogénico em ratos administrados com doses de 0,1 mg/kg ou superiores. A exposição ao fármaco em ratos nesta dose foi similar à dos doentes na dose terapêutica (0,5 mg). As malformações viscerais fetais mais frequentes incluíram truncus arteriosus persistente e defeito do septo interventricular. O potencial teratogénico em coelhos não pode ser totalmente avaliado, porém um aumento da mortalidade embrio-fetal foi observada com doses de 1,5 mg/kg e superiores, e uma diminuição na viabilidade fetal, bem como, atraso no crescimento fetal foram observados com

5 mg/kg. A exposição ao fármaco em coelhos nesta dose foi similar à dos doentes.

Em ratos, a sobrevivência das crias da geração F1 diminuiu no período precoce pós-parto com doses que não provocaram toxicidade materna. Porém, os pesos corporais, desenvolvimento, comportamento e fertilidade de F1 não foram afetados pelo tratamento com fingolimod.

Durante o aleitamento, o fingolimod foi excretado no leite de animais tratados em concentrações 2 a 3 vezes superiores às encontradas no plasma materno. O fingolimod e os seus metabolitos atravessaram a barreira placentária em coelhos-fêmea grávidas.

Avaliação do Risco Ambiental (ARA)

Não se prevê risco ambiental devido à utilização de Gilenya por doentes com esclerose múltipla por surtos de exacerbação/remissão.

6.INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS

6.1Lista dos excipientes

Conteúdo da cápsula:

Estearato de magnésio

Manitol

Invólucro da cápsula:

Óxido de ferro amarelo (E172) Dióxido de titânio (E171) Gelatina

Tinta de impressão: Shellac (E904) Álcool desidratado Álcool isopropílico Álcool butílico Propilenoglicol Água purificada

Solução de amónia forte Hidróxido de potássio Óxido de ferro negro (E172)

Óxido de ferro amarelo (E172) Dióxido de titânio (E171) Dimeticone

6.2Incompatibilidades

Não aplicável.

6.3Prazo de validade

2 anos

6.4Precauções especiais de conservação

Não conservar acima de 25°C.

Conservar na embalagem de origem para proteger da humidade.

6.5Natureza e conteúdo do recipiente

Embalagens blisters de PVC/PVDC/alumínio contendo 7, 28 ou 98 cápsulas ou embalagem múltipla contendo 84 cápsulas (3 embalagens de 28 cápsulas).

Embalagem blister destacável para dose unitária de PVC/PVDC/ alumínio contendo 7x 1 cápsulas.

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

6.6Precauções especiais de eliminação

Não existem requisitos especiais.

7.TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Novartis Europharm Limited

Frimley Business Park

Camberley GU16 7SR

Reino Unido

8.NÚMERO(S) DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

EU/1/11/677/001-006

9.DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO/RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Data da primeira autorização: 17 de março de 2011

Data da última renovação: 23 de novembro de 2015

10.DATA DA REVISÃO DO TEXTO

Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet da Agência Europeia de Medicamentos: http://www.ema.europa.eu

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