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Hycamtin (topotecan) – Resumo das características do medicamento - L01XX17

Updated on site: 07-Oct-2017

Nome do medicamentoHycamtin
Código ATCL01XX17
Substânciatopotecan
FabricanteNovartis Europharm Limited

1.NOME DO MEDICAMENTO

HYCAMTIN 1 mg de pó para concentrado para solução para perfusão

2.COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA

Cada frasco para injetáveis contém 1 mg de topotecano (sob a forma de cloridrato), com uma sobrecarga de enchimento de 10 %.

Lista completa de excipientes, ver secção 6.1.

3.FORMA FARMACÊUTICA

Pó para concentrado para solução para perfusão.

Pó amarelo claro a esverdeado.

4.INFORMAÇÕES CLÍNICAS

4.1Indicações terapêuticas

O topotecano, em monoterapia, é indicado no tratamento de:

doentes com carcinoma metastático do ovário após falência da terapêutica de primeira linha ou subsequente.

doentes com recidiva do cancro do pulmão de pequenas células (CPPC) para os quais a repetição do tratamento com o regime de 1ª linha não é considerada apropriada (ver secção 5.1).

O topotecano, em associação com cisplatina, é indicado no tratamento de doentes com carcinoma recorrente do colo do útero após radioterapia e em doentes com doença de estadio IVB. Doentes com exposição prévia a cisplatina requerem um intervalo sustentado livre de tratamento para justificar o tratamento com a associação (ver secção 5.1).

4.2Posologia e modo de administração

Modo de administração

A utilização de topotecano deve ser confinada a unidades especializadas na administração de quimioterapia citotóxica e ser apenas administrada sob a supervisão de um médico experiente em quimioterapia (ver secção 6.6).

O topotecano tem que ser reconstituído e posteriormente diluído antes de administrado (ver secção 6.6).

Posologia

Quando utilizado em associação com cisplatina, deve consultar-se o Resumo das Características do Medicamento da cisplatina.

Antes da administração do primeiro ciclo terapêutico com topotecano, os doentes devem ter, como valores base, uma contagem de neutrófilos 1,5 x 109/l, uma contagem plaquetária 100 x 109/l e um nível de hemoglobina ≥ 9 g/dl (se necessário, após transfusão).

Carcinoma do Ovário e Carcinoma do Pulmão de Pequenas Células

Dose inicial

A dose recomendada de topotecano é de 1,5 mg/m2 de área de superfície corporal/dia administrada por perfusão intravenosa durante 30 minutos diariamente, durante cinco dias consecutivos, com um intervalo de três semanas entre o início de cada ciclo terapêutico. Se o tratamento for bem tolerado, pode continuar até progressão da doença (ver secções 4.8 e 5.1).

Doses subsequentes

O topotecano não deverá voltar a ser administrado a menos que a contagem de neutrófilos seja1 x 109/l, a contagem plaquetária seja 100 x 109/l e o nível de hemoglobina seja 9 g/dl (se necessário, após transfusão).

A prática usual em oncologia para o controlo da neutropenia é, administrar topotecano com outros medicamentos (por exemplo: G-CSF) ou reduzir a dose para manter a contagem de neutrófilos.

Se for escolhida a redução de dose para doentes que apresentem neutropenia grave (contagem de neutrófilos 0,5 x 109/l) durante sete ou mais dias, ou neutropenia grave associada a febre ou infeção, ou que tiveram o tratamento adiado devido a neutropenia, a dose deve ser reduzida de 0,25 mg/m2/dia para 1,25 mg/m2/dia (ou reduzida posteriormente para 1,0 mg/m2/dia, se necessário).

As doses deverão ser igualmente reduzidas se a contagem plaquetária descer abaixo de 25 x 109/l. Nos ensaios clínicos, o topotecano era suspenso se a dose tivesse sido reduzida para 1,0 mg/m2 e se fosse necessária uma redução adicional para controlar efeitos adversos.

Carcinoma do Colo do Útero

Dose inicial

A dose recomendada de topotecano é de 0,75 mg/m2/dia administrada como uma perfusão intravenosa diária de 30 minutos, nos dias 1, 2 e 3. A cisplatina é administrada como uma perfusão intravenosa no dia 1, com uma dose de 50 mg/m2/dia, após a administração de topotecano. Este esquema terapêutico é repetido a cada 21 dias, durante seis ciclos ou até doença progressiva.

Doses subsequentes

O topotecano não deverá voltar a ser administrado, a menos que a contagem de neutrófilos seja1,5 x 109/l, a contagem plaquetária seja 100 x 109/l e o nível de hemoglobina seja 9 g/dl (se necessário após transfusão).

A prática usual em oncologia para o controlo da neutropenia é, administrar topotecano com outros medicamentos (por exemplo: G-CSF) ou reduzir a dose para manter a contagem de neutrófilos.

Se for escolhida a redução de dose para doentes que apresentem neutropenia grave (contagem de neutrófilos 0,5 x 109/l), durante sete dias ou mais, ou neutropenia grave associada a febre ou infeção, ou que tiveram tratamento adiado devido a neutropenia, a dose deve ser reduzida em 20 %, para 0,60 mg/m2/dia nos ciclos subsequentes (ou posteriormente reduzida para 0,45 mg/m2/dia, se necessário).

As doses deverão ser igualmente reduzidas se a contagem plaquetária descer abaixo de 25 x 109/l.

Posologia em doentes com compromisso renal

Monoterapia (Carcinoma do Ovário e Carcinoma do Pulmão de Pequenas Células)

Os dados disponíveis são insuficientes para se recomendar uma dose em doentes com depuração da creatinina < 20 ml/min. Dados limitados indicam que a dose deve ser reduzida em doentes com compromisso renal moderado. A dose de topotecano recomendada, em monoterapia, em doentes com carcinoma do ovário ou carcinoma do pulmão de pequenas células e com depuração da creatinina entre 20 e 39 ml/min é de 0,75mg/m2/dia durante cinco dias consecutivos.

Terapêutica de associação (Carcinoma do Colo do Útero)

Nos estudos clínicos com topotecano em associação com cisplatina, para o tratamento do cancro do colo do útero, a terapêutica apenas foi iniciada em doentes com creatinina sérica < 1,5 mg/dl. Se, durante a terapêutica de associação topotecano/cisplatina, os valores de creatinina sérica excederem 1,5 mg/dl, é recomendado que seja consultado o Resumo das Características do Medicamento para mais informações sobre a redução de dose/continuação de cisplatina.

Se a cisplatina for interrompida, não existem dados suficientes quanto à continuação da monoterapia com topotecano em doentes com cancro do colo do útero.

População pediátrica

A experiência em crianças é limitada, por isso, não pode ser dada nenhuma recomendação para o tratamento de doentes pediátricos com HYCAMTIN (ver secções 5.1 e 5.2).

4.3Contraindicações

HYCAMTIN está contraindicado em doentes que:

têm história de hipersensibilidade grave à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes

estão a amamentar (ver secção 4.6)

já têm depressão grave da medula óssea antes do início do primeiro ciclo de tratamento, evidenciada por valores-base da contagem de neutrófilos 1,5 x 109/l e/ou uma contagem plaquetária 100 x 109/l.

4.4Advertências e precauções especiais de utilização

A toxicidade hematológica está relacionada com a dose e o hemograma completo, incluindo plaquetas, deverá ser monitorizado com regularidade (ver secção 4.2).

Tal como outros medicamentos citotóxicos, o topotecano pode causar mielossupressão grave. Foi notificada mielossupressão que conduziu a sepsis e morte devida a sepsis em doentes tratados com topotecano (ver secção 4.8).

A neutropenia induzida pelo topotecano pode causar colite neutropenica. Foram notificados casos fatais devidos a colite neutropenica nos ensaios clínicos com topotecano. Deve ser considerada a possibilidade de colite neutropenica nos doentes que apresentem febre, neutropenia e um padrão compatível de dor abdominal.

O topotecano tem sido associado a notificações de doença pulmonar intersticial (DPI), algumas fatais (ver secção 4.8). Os fatores de risco subjacentes incluem história de DPI, fibrose pulmonar, cancro do pulmão, exposição torácica à radiação e o uso de medicamentos pneumotóxicos e/ou fatores de crescimento de colónias. Os doentes devem ser monitorizados quanto a sintomas pulmonares indicativos de DPI (por exemplo: tosse, febre, dispneia e/ou hipoxia), e o topotecano deve ser interrompido se for confirmado um novo diagnóstico de DPI.

O topotecano em monoterapia e o topotecano em associação com cisplatina são frequentemente associados a trombocitopenia clinicamente relevante. Este facto deve ser tido em consideração quando se prescreve HYCAMTIN, por exemplo, em casos em que os doentes com risco aumentado de hemorragia tumoral são considerados para a terapêutica.

Como previsto, os doentes com mau performance status (PS > 1) têm uma menor taxa de resposta e uma maior incidência de complicações tais como febre, infeção e sepsis (ver secção 4.8). É importante a correta avaliação do performance status na altura da administração da terapêutica, para assegurar que os doentes não regrediram para performance status 3.

A experiência da utilização de topotecano em doentes com compromisso grave da função renal (depuração da creatinina < 20ml/min) ou com compromisso grave da função hepática (bilirrubina sérica ≥ 10 mg/dl) devida a cirrose, é insuficiente. Não se recomenda a utilização de topotecano neste grupo de doentes.

A um pequeno número de doentes com compromisso hepático (bilirrubina sérica entre 1,5 e 10 mg/dl) foi administrado topotecano intravenoso a 1,5 mg/m2 durante cinco dias, de três em três semanas. Observou-se uma redução na depuração do topotecano. Contudo não existem dados disponíveis suficientes para recomendar uma dose neste grupo de doentes.

4.5Interações medicamentosas e outras formas de interação

Não foram efetuados estudos de interação farmacocinética in vivo no ser humano.

O topotecano não inibe as enzimas P450 humanas (ver secção 5.2). Num estudo populacional por via intravenosa, a administração concomitante de granissetrom, ondansetrom, morfina ou corticosteroides não pareceu ter um efeito significativo na farmacocinética do topotecano total (formas ativa e inativa).

Quando o topotecano é associado a outros quimioterápicos poderá ser necessária a redução da dose de cada um dos medicamentos, de forma a melhorar a tolerabilidade. Contudo, ao associar platinos, existe uma interação sequência-dependente distinta, dependendo se o composto de platina é administrado no dia 1 ou 5 do regime terapêutico de topotecano. Se a cisplatina ou carboplatina for administrada no dia 1 do regime de topotecano, devem ser prescritas doses mais baixas de cada um dos compostos de forma a melhorar a tolerabilidade, comparativamente às doses de cada composto que podem ser administradas se o composto de platina for administrado no dia 5 do regime terapêutico com topotecano.

Quando o topotecano (0,75 mg/m2/dia durante 5 dias consecutivos) e a cisplatina (60 mg/m2/dia no dia 1) foram administrados em 13 doentes com cancro do ovário, verificou-se um pequeno aumento na AUC (12 %, n=9) e na Cmax (23 %, n=11) no dia 5. É improvável que este aumento tenha relevância clínica.

4.6Fertilidade, gravidez e aleitamento

Contraceção masculina e feminina

Tal como com toda a quimioterapia citotóxica, deverão ser aconselhados métodos contracetivos eficazes quando um dos parceiros é tratado com topotecano.

Mulheres com potencial para engravidar

O topotecano demonstrou em estudos pré-clínicos, causar letalidade embriofetal e malformações (ver secção 5.3). Tal como outros medicamentos citotóxicos, o topotecano pode causar danos fetais e por isso mulheres em idade fértil devem ser aconselhadas a evitar engravidar durante o tratamento com topotecano.

Gravidez

Caso o topotecano seja utilizado durante a gravidez, ou caso a doente fique grávida durante a terapêutica com topotecano, a doente deve ser advertida dos riscos potenciais para o feto.

Amamentação

O topotecano está contraindicado durante o aleitamento (ver secção 4.3). Embora não se saiba se o topotecano é excretado no leite materno humano, a amamentação deve ser interrompida no início da terapêutica.

Fertilidade

Não foram observados efeitos na fertilidade de machos ou fêmeas nos estudos de toxicidade reprodutiva em ratos (ver secção 5.3). Contudo, tal como outros medicamentos citotóxicos, o topotecano é genotóxico e não podem ser excluídos efeitos sobre a fertilidade, incluindo na fertilidade masculina.

4.7Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

Não foram estudados os efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas. No entanto, deverá ter-se o máximo cuidado durante a condução ou utilização de máquinas se persistir fadiga ou astenia.

4.8Efeitos indesejáveis

Nos estudos clínicos para estabelecimento da dose envolvendo 523 doentes com recidiva do cancro do ovário e 631 doentes com recidiva do cancro do pulmão de pequenas células, verificou-se que a toxicidade dose-limitante de topotecano em monoterapia era de natureza hematológica. A toxicidade era previsível e reversível. Não se observaram sinais de toxicidade hematológica ou não hematológica cumulativa.

O perfil de acontecimentos adversos do topotecano quando administrado em associação com cisplatina, nos ensaios clínicos do cancro do colo do útero, é consistente com o observado com topotecano em monoterapia. A toxicidade hematológica total é mais baixa em doentes tratados com topotecano em associação com cisplatina, comparativamente com topotecano em monoterapia, mas é mais elevada do que com cisplatina isolada.

Observaram-se acontecimentos adversos adicionais, quando o topotecano foi administrado em associação com cisplatina, contudo, estes acontecimentos adversos foram verificados com cisplatina em monoterapia, não sendo atribuíveis ao topotecano. Para uma lista completa de acontecimentos adversos associados à utilização da cisplatina, recomenda-se a consulta do Resumo das Características do Medicamento da mesma.

Apresentam-se seguidamente os dados integrados de segurança, para topotecano em monoterapia.

As reações adversas estão listadas abaixo, por classes de sistemas de órgãos e frequência absoluta (todos os acontecimentos notificados). As frequências são definidas como: muito frequentes (≥ 1/10); frequentes (≥ 1/100 e < 1/10); pouco frequentes (≥ 1/1000 e < 1/100); raros (≥ 1/10000 e < 1/1000); muito raros (< 1/10000), incluindo notificações isoladas e desconhecidas (não podem ser calculadas a partir dos dados disponíveis).

Os efeitos indesejáveis são apresentados por ordem decrescente de gravidade dentro de cada classe de frequência.

Doenças do sangue e do sistema linfático

Muito frequentes: neutropenia febril, neutropenia (ver Doenças gastrointestinais), trombocitopenia, anemia, leucopenia

Frequentes: pancitopenia

Desconhecidas: hemorragia grave (associada com trombocitopenia)

Doenças respiratórias, torácicas e do mediastino

Raros: doença pulmonar intersticial (alguns casos foram fatais)

Doenças gastrointestinais

Muito frequentes: náuseas, vómitos e diarreia (que podem ser graves), obstipação, dor abdominal1, e mucosite.

1Foi notificada a ocorrência de colite neutropenica, incluindo colite neutropenica fatal, como complicações da neutropenia induzida pelo topotecano (ver secção 4.4)

Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos

Muito frequentes: alopecia

Frequentes: prurido

Doenças do metabolismo e da nutrição

Muito frequentes: anorexia (que pode ser grave)

Infeções e infestações

Muito frequentes: infeções Frequentes: sepsis2

2Foram notificadas mortes devido à sepsis em doentes tratados com topotecano (ver secção 4.4)

Perturbações gerais e alterações no local de administração

Muito frequentes: pirexia, astenia, fadiga Frequentes: mal-estar

Muito raros: extravasão3

3 Foram notificados muito raramente casos de extravasão. As reações foram ligeiras e, de modo geral, não necessitaram de terapêutica específica.

Doenças do sistema imunitário

Frequentes: reação de hipersensibilidade incluindo erupção cutânea

Raros: reações anafiláticas, angioedema, urticária

Afeções hepatobiliares

Frequentes: hiperbilirrubinemia

A incidência dos acontecimentos adversos acima listados tem o potencial de ocorrer com maior frequência em doentes que têm um mau performance status (ver secção 4.4).

As frequências associadas com os acontecimentos adversos hematológicos e não-hematológicos, abaixo listadas, representam os acontecimentos adversos considerados relacionados/possivelmente relacionados com a terapêutica de topotecano.

Hematológicos

Neutropenia: Grave (contagem de neutrófilos 0,5 x 109/l) observada durante o 1º ciclo em 55 % dos doentes, com duração ≥ sete dias em 20 % e globalmente em 77 % dos doentes (39 % dos ciclos). Neutropenia grave associada a febre ou infeção ocorreu em 16 % dos doentes durante o 1º ciclo e globalmente em 23 % dos doentes (6 % dos ciclos). O tempo médio até ao início da neutropenia grave foi de nove dias e a duração média foi de sete dias. A neutropenia grave persistiu para além de sete dias, globalmente, em 11 % dos ciclos. De entre todos os doentes tratados nos estudos clínicos (incluindo quer os com neutropenia grave quer aqueles que não desenvolveram uma neutropenia grave), 11 % (4 % dos ciclos) desenvolveram febre e 26 % (9 % dos ciclos) desenvolveram infeção. Além disso, 5 % de todos os doentes tratados (1 % dos ciclos) desenvolveram septicemia (ver secção 4.4).

Trombocitopenia: Grave (contagem plaquetária inferior a 25 x 109/l) em 25 % dos doentes (8 % dos ciclos); moderada (contagem plaquetária entre 25,0 e 50,0 x 109/l) em 25 % dos doentes (15 % dos ciclos). O tempo médio para aparecimento de trombocitopenia grave foi no Dia 15 e a duração média foi de cinco dias. Foram administradas transfusões de plaquetas em 4 % dos ciclos. Notificações de sequelas significativas associadas a trombocitopenia, incluindo casos de morte devido a hemorragia tumoral, foram pouco frequentes.

Anemia: Moderada a grave (Hb 8,0 g/dl) em 37 % dos doentes (14 % dos ciclos). Foram administradas transfusões de eritrócitos em 52 % dos doentes (21 % dos ciclos).

Não Hematológicos

Os efeitos não hematológicos frequentemente notificados foram de natureza gastrointestinal tais como náuseas (52 %), vómitos (32 %) e diarreia (18 %), obstipação (9 %) e mucosite (14 %). A incidência de náuseas, vómitos, diarreia e mucosite graves (grau 3 ou 4) foi de 4, 3, 2, e 1 %, respetivamente.

Foram também notificadas dores abdominais ligeiras em 4 % dos doentes.

Observou-se fadiga em aproximadamente 25 % e astenia em 16 % dos doentes a fazerem topotecano. A incidência de fadiga e astenia graves (grau 3 ou 4) foi de 3 e de 3 %, respetivamente.

Observou-se alopecia total ou marcada em 30 % dos doentes e alopecia parcial em 15 % dos doentes.

Outros efeitos graves que ocorreram em doentes, registados como relacionados ou possivelmente relacionados com o tratamento com topotecano foram anorexia (12 %), mal-estar (3 %) e hiperbilirrubinemia (1 %).

As reações de hipersensibilidade incluindo erupção cutânea, urticária, edema angioneurótico, e reações anafiláticas foram notificadas raramente. Nos ensaios clínicos, foi relatado erupção cutânea em 4 % dos doentes e prurido em 1,5 %.

Notificação de suspeitas de reações adversas

A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através do sistema nacional de notificação mencionado no Apêndice V.

4.9Sobredosagem

Foram notificados casos de sobredosagem em doentes tratados com topotecano intravenoso (até 10 vezes a dose recomendada) e com topotecano em cápsulas (até 5 vezes a dose recomendada). Os sinais e sintomas observados em caso de sobredosagem foram consistentes com os acontecimentos indesejáveis conhecidos associados com topotecano (ver secção 4.8) As principais complicações de uma sobredosagem são a supressão da medula óssea e mucosite. Além disso, foram notificadas enzimas hepáticas elevadas na sobredosagem por topotecano intravenoso.

Não exite nenhum antídoto conhecido para a sobredosagem com topotecano. Para uma gestão adicional deve atuar-se como clínicamente indicado ou de acordo com as recomendações do centro de intoxicações nacional, caso disponível.

5.PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS

5.1Propriedades farmacodinâmicas

Grupo farmacoterapêutico: Outros antineoplásicos, código ATC: L0IXXI7.

A atividade antitumoral do topotecano envolve a inibição da topoisomerase-I, uma enzima intimamente envolvida na replicação do ADN porque alivia a tensão de torsão introduzida à frente do garfo de replicação em movimento. O topotecano inibe a topoisomerase-I estabilizando o complexo covalente da enzima com a cadeia clivada do ADN que é um intermediário do mecanismo catalítico. A consequência celular da inibição da topoisomerase-I pelo topotecano é a indução de proteínas associadas a quebras em cadeia simples do ADN.

Recidiva do Cancro do Ovário

Num estudo comparativo de topotecano e paclitaxel, efetuado em doentes com carcinoma do ovário previamente tratadas com quimioterapia à base de platinos (n = 112 e 114, respetivamente), a taxa de resposta (IC 95 %) foi de 20,5 % (13%, 28%) versus 14 % (8%, 20%) e o tempo médio de progressão foi de 19 semanas versus 15 semanas (taxa de risco 0,7 [0,6, 1,0]), para o topotecano e paclitaxel, respetivamente. A sobrevivência global média foi de 62 semanas para o topotecano e de 53 semanas para o paclitaxel (taxa de risco 0,9 [0,6, 1,3]).

A taxa de resposta no programa global do carcinoma do ovário (n = 392, todas previamente tratadas com cisplatina ou cisplatina e paclitaxel) foi de 16 %. O tempo médio de resposta nos ensaios clínicos foi de 7,6 – 11,6 semanas. Em doentes refractárias ou que recidivaram até três meses após terapêutica com cisplatina (n = 186), a taxa de resposta foi de 10 %.

Estes dados devem ser avaliados no contexto do perfil de segurança global do medicamento, particularmente no que diz respeito à toxicidade hematológica importante (ver secção 4.8).

Efetuou-se uma análise retrospetiva suplementar aos resultados obtidos de 523 doentes com recidiva de cancro do ovário. No conjunto, foram observadas 87 respostas completas e parciais, tendo 13 destas ocorrido durante o 5º e 6º ciclo, e 3 ocorrido posteriormente. Das doentes que fizeram mais de 6 ciclos terapêuticos, 91 % completaram o estudo tal como planeado ou foram tratadas até progressão da doença com apenas 3 % de abandonos devido a acontecimentos adversos.

Recidiva do CPPC

Um ensaio clínico de fase III (estudo 478) comparou topotecano oral mais Melhores Cuidados de Suporte (BSC) (n=71) com BSC isolado (n=70) em doentes que tiveram recidiva após terapêutica de 1ª linha (tempo médio de progressão [TMP] a partir da terapêutica de 1ª linha: 84 dias para topotecano oral + BSC, 90 dias para BSC) e para os quais o tratamento com quimioterapia intravenosa não foi considerado apropriado. O grupo do BSC mais topotecano oral teve uma melhoria estatisticamente significativa na sobrevivência global comparativamente ao grupo com apenas BSC (Log-rank p=0,0104). O risco relativo não ajustado para o grupo de topotecano oral mais BSC, relativamente ao grupo de apenas BSC foi 0,64 (IC 95 %: 0,45, 0,90). A sobrevivência média para doentes tratadas com topotecano + BSC foi de 25,9 semanas (IC 95 % 18,3, 31,6) comparativamente a 13,9 semanas (IC 95 % 11,1, 18,6) para doentes a receber BSC isolado (p=0,0104).

As autonotificações dos doentes sobre os seus sintomas, usando uma avaliação sem ocultação demonstraram uma tendência consistente para o benefício dos sintomas com topotecano oral + BSC.

Foram realizados um estudo de Fase 2 (Estudo 065) e um estudo de Fase 3 (Estudo 396) para avaliar a eficácia de topotecano oral versus topotecano intravenoso em doentes que apresentaram recidiva

≥ 90 dias após conclusão de um regime prévio de quimioterapia (ver Tabela 1). O topotecano oral e intravenoso foi associado a tratamento paliativo sintomático similar em doentes com recidiva do CPPC sensível, nas autonotificações dos doentes conforme avaliação em escala de sintomas sem ocultação em cada um destes estudos.

Tabela 1. Resumo da sobrevivência, taxa de resposta, e tempo até progressão em doentes com CPPC tratados com HYCAMTIN oral ou HYCAMTIN intravenoso

 

Estudo 065

Estudo 396

 

Topotecano

Topotecano

Topotecano

Topotecano

 

oral

intravenoso

oral

intravenoso

 

(N = 52)

(N = 54)

(N = 153)

(N = 151)

Sobrevivência média

32,3

25,1

33,0

35,0

(semanas)

 

 

 

 

(IC 95 %)

(26,3, 40,9)

(21,1, 33,0)

(29,1, 42,4)

(31,0, 37,1)

Risco relativo (IC 95 %)

0,88 (0,59, 1,31)

0,88 (0,7, 1,11)

Taxa de resposta (%)

23,1

14,8

18,3

21,9

(IC 95 %)

(11,6, 34,5)

(5,3, 24,3)

(12,2, 24,4)

(15,3, 28,5)

Diferença na taxa de resposta

8,3 (-6,6, 23,1)

-3,6 (-12,6, 5,5)

(IC 95 %)

 

 

 

 

Tempo médio até progressão

14,9

13,1

11,9

14,6

(semanas)

 

 

 

 

(IC 95 %)

(8,3, 21,3)

(11,6, 18,3)

(9,7, 14,1)

(13,3, 18,9)

Risco relativo (IC 95 %)

0,90 (0,60, 1,35)

1,21 (0,96, 1,53)

N =número total de doentes tratados.

IC = Intervalo de confiança.

Noutro ensaio clínico randomizado de fase III que comparou topotecano IV com ciclofosfamida, Adriamycin (doxorrubicina) e vincristina (CAV) em doentes com recidiva do CPPC sensível, as taxas de resposta globais foram 24,3 % para topotecano comparativamente a 18,3 % para o grupo CAV. O tempo médio de progressão foi semelhante nos dois grupos (13,3 semanas e 12,3 semanas, respetivamente). A sobrevivência média para os dois grupos foi de 25,0 e 24,7 semanas, respetivamente. A taxa de risco para a sobrevivência de topotecano IV comparativamente a CAV foi de 1,04 (IC 95 % 0,78 – 1,40).

A taxa de resposta ao topotecano no programa conjunto do cancro do pulmão de pequenas células (n=480) para doentes com recidiva de doença sensível à terapêutica de 1ª linha, foi de 20,2 %. A sobrevivência média foi de 30,3 semanas (IC 95 % 27,6, 33,4).

A taxa de resposta ao topotecano numa população de doentes com CPPC refratário (aqueles que não respondem à terapêutica de 1ª linha) foi de 4,0 %.

Carcinoma do Colo do Útero

Num ensaio clínico randomizado, comparativo de fase III, conduzido pelo Gynaecological Oncology Group (GOG 0179), topotecano adicionado a cisplatina (n=147) foi comparado com cisplatina isolada (n=146), para o tratamento do carcinoma do colo do útero persistente, confirmado histologicamente, recorrente ou de Fase IVB, onde o tratamento com cirurgia e/ou radioterapia não foi considerado apropriado. O topotecano adicionado a cisplatina teve um benefício estatisticamente significativo na sobrevivência global, em relação à cisplatina em monoterapia, após ajuste para análises interinas (Log- rank p=0,033).

Tabela 2. Resultados do Estudo GOG-0179

População com intenção de tratar (ITT)

 

 

 

Cisplatina

 

Cisplatina

 

50 mg/m2d.1 +

 

50 mg/m2d.1

 

Topotecano

 

q21 d.

 

0,75 mg/m2 dx3

 

 

 

q21

Sobrevivência (meses)

(n= 146)

 

(n= 147)

Média (I.C. 95 %)

6,5 (5,8; 8,8)

 

9,4 (7,9; 11,9)

Taxa de risco (I.C. 95 %)

 

0,76 (0,59-0,98)

Log-rank valor p

 

0,033

 

 

 

Doentes sem Quimioradioterapia Prévia com Cisplatina

 

Cisplatina

 

Topotecano/cisplatina

Sobrevivência (meses)

(n= 46)

 

(n= 44)

Média (I.C. 95 %)

8,8 (6,4; 11,5)

 

15,7 (11,9; 17,7)

Taxa de risco (I.C. 95 %)

 

0,51 (0,31; 0,82)

 

 

 

 

Doentes com Quimioradioterapia Prévia com Cisplatina

 

Cisplatina

 

Topotecano/cisplatina

Sobrevivência (meses)

(n= 72)

 

(n= 69)

Média (I.C. 95 %)

5,9 (4,7; 8,8)

 

7,9 (5,5; 10,9)

Taxa de risco (I.C. 95 %)

 

0,85 (0,59; 1,21)

Nos doentes (n=39) com recorrência até 180 dias após quimioradioterapia com cisplatina, a sobrevivência média no braço com topotecano mais cisplatina foi 4,6 meses (I.C. 95 %: 2,6; 6,1) contra os 4,5 meses (I.C. 95 %: 2,9; 9,6) no braço cisplatina, com uma taxa de risco de 1,15 (0,59; 2,23). Nos doentes com recorrência após 180 dias (n=102), a sobrevivência média no braço topotecano mais cisplatina foi 9,9 meses (I.C. 95 %: 7,0; 12,6) contra os 6,3 meses (I.C. 95 %: 4,9; 9,5) no braço cisplatina, com uma taxa de risco de 0,75 (0,49; 1,16).

População pediátrica

O topotecano também foi avaliado na população pediátrica, contudo, os dados de eficácia e segurança disponíveis são limitados.

Num estudo aberto envolvendo crianças (n=108, escalão etário: crianças até aos 16 anos de idade) com tumores sólidos recorrentes ou progressivos, o topotecano foi administrado numa dose inicial de 2,0 mg/m2, como perfusão de 30 minutos durante 5 dias, repetido a cada 3 semanas com uma duração de tratamento até 1 ano, dependendo da resposta à terapêutica. Os tumores incluídos foram: Sarcoma de Ewing/tumor neuroectodérmico primitivo, neuroblastoma, osteoblastoma e rabdomiosarcoma. A atividade antitumoral foi principalmente demonstrada em doentes com neuroblastoma. A toxicidade de topotecano em doentes pediátricos com tumores sólidos, recorrentes ou refratários, foi semelhante ao histologicamente observado nos doentes adultos. Neste estudo, 46 doentes (43 %) receberam G-

CSF durante 192 (42,1 %) ciclos; 65 doentes (60 %) receberam transfusões de sangue (“Packed red

blood cells”) e 50 doentes (46 %) receberam plaquetas durante 139 e 159 ciclos (30,5 % e 34,9 %) respetivamente. Baseado na toxicidade dose-limitante da mielossupressão, a dose máxima tolerada (DMT) foi estabelecida a 2,0 mg/m2/dia com G-CSF e 1,4 mg/m2/dia sem G-CSF, num estudo farmacocinético em doentes pediátricos com tumores sólidos refratários (ver secção 5.2).

5.2Propriedades farmacocinéticas

Após administração intravenosa de topotecano em doses de 0,5 a 1,5 mg/m2 numa perfusão diária de 30 minutos durante 5 dias, o topotecano demonstrou ter uma depuração plasmática elevada de 62 l/h (SD 22), correspondendo a aproximadamente dois terços do fluxo sanguíneo hepático. O topotecano também teve um volume de distribuição elevado, de cerca de 132 l, (SD 57) e um tempo de semivida relativamente curto de 2 a 3 horas. A comparação dos parâmetros farmacocinéticos não sugeriu nenhuma alteração na farmacocinética durante os 5 dias de administração. A área sob a curva aumentou aproximadamente em proporção com o aumento da dose. Existe pouca ou nenhuma acumulação de topotecano com a dose diária repetida e não existe evidência de alteração na farmacocinética após doses múltiplas. Estudos pré-clínicos indicam que a ligação do topotecano às proteínas plasmáticas é baixa (35 %) e a distribuição entre as células sanguíneas e o plasma foi bastante homogénea.

A eliminação do topotecano foi apenas parcialmente investigada no homem. A via principal de depuração do topotecano foi por hidrólise do anel da lactona para formar o anel aberto carboxilato.

O metabolismo contribui para menos de 10 % da eliminação de topotecano. Um metabolito N- desmetilo, que demonstrou, num ensaio celular, ter uma atividade semelhante ou inferior ao composto de origem, foi encontrado na urina, plasma e fezes. O rácio médio de metabolito:AUC composto de origem foi inferior a 10 % para topotecano total e topotecano lactona. Foram identificados na urina um metabolito resultante da O-glucuronidação do topotecano e o topotecano N-desmetilo.

A recuperação global dos produtos de eliminação relacionados com o medicamento, após 5 dias de doses diárias de topotecano foi de 71 a 76 % da dose IV administrada. Aproximadamente, 51 % foi excretado como topotecano total e 3 % foi excretado como topotecano N-desmetilo, na urina. A eliminação fecal de topotecano total foi de 18 %, enquanto que a eliminação fecal de topotecano N- desmetilo foi de 1,7 %. No geral, o metabolito N-desmetilo teve um contributo médio de menos de 7 % (intervalo de 4-9 %), do total dos produtos de eliminação relacionados com o medicamento, detetados na urina e fezes. A quantidade de topotecano-O-glucuronido e N-desmetilo topotecano-O- glucuronido na urina foi inferior a 2,0 %.

Dados in vitro utilizando microssomas hepáticos humanos indicaram a formação de pequenas quantidades de topotecano N-desmetilado. In vitro, topotecano não inibiu as enzimas P450 humanas CYP1A2, CYP2A6, CYP2C8/9, CYP2C19, CYP2D6, CYP2E, CYP3A ou CYP4A, nem inibiu as enzimas citosólicas humanas di-hidropirimidina ou xantina-oxidase.

Quando administrado em associação com cisplatina (cisplatina no dia 1, topotecano nos dias 1 a 5), a depuração de topotecano foi reduzida no dia 5, em comparação com o dia 1 (19,1 l/h/m2 comparativamente a 21,3 l/h/m2 [n=9]) (ver secção 4.5).

A depuração plasmática em doentes com compromisso hepático (bilirrubina sérica entre 1,5 e 10 mg/dl) diminuiu para cerca de 67 % quando comparada com um grupo controlo de doentes. A

semivida do topotecano aumentou em cerca de 30 %, mas não se observou nenhuma alteração nítida no volume de distribuição. A depuração plasmática do topotecano total (formas ativa e inativa) em doentes com compromisso hepático diminuiu apenas em cerca de 10 % quando comparada com o grupo controlo de doentes.

A depuração plasmática em doentes com compromisso renal (depuração da creatinina de 41 a

60 ml/min) diminuiu para cerca de 67 % em comparação com o grupo controlo de doentes. O volume de distribuição diminuiu ligeiramente e, em consequência, a semivida aumentou apenas 14 %. Em doentes com compromisso renal moderado, verificou-se a redução da depuração plasmática do

topotecano para 34 % do valor observado em doentes controlo. A semivida média aumentou de 1,9 horas para 4,9 horas.

Num estudo populacional, vários fatores incluindo a idade, peso e ascite não tiveram efeito significativo sobre a depuração do topotecano total (formas ativa e inativa).

População pediátrica

A farmacocinética de topotecano, quando administrado como uma perfusão de 30 minutos durante 5 dias foi avaliada em dois estudos. Um dos estudos incluiu um intervalo de dose entre 1,4 mg/m2 e 2,4 mg/m2 em crianças (dos 2 aos 12 anos, n=18), adolescentes (dos 12 aos 16 anos, n=9) e jovens adultos (dos 16 aos 21 anos, n=9) com tumores sólidos refratários. O segundo estudo incluiu um intervalo de dose entre 2,0 mg/m2 e 5,2 mg/m2 em crianças (n=8), adolescentes (n=3) e jovens adultos (n=3) com leucemia. Nestes estudos, não existiram diferenças aparentes entre a farmacocinética do topotecano em crianças, adolescentes e jovens adultos com tumores sólidos ou leucemia, contudo, os dados obtidos são demasiado limitados para se obter conclusões definitivas.

5.3Dados de segurança pré-clínica

Resultante do seu mecanismo de ação, o topotecano é genotóxico para as células de mamíferos (células de linfoma do ratinho e linfocitos humanos) in vitro e para as células da medula óssea do ratinho in vivo. O topotecano também mostrou provocar letalidade embriofetal quando administrado a ratos e coelhos.

Nos estudos de toxicidade reprodutiva com topotecano em ratos não ocorreram efeitos na fertilidade do macho ou da fêmea; contudo, foi observado nas fêmeas uma superovulação e um aumento ligeiro na perda de pré-implantações.

Não foi determinado o potencial carcinogénico do topotecano.

6.INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS

6.1Lista dos excipientes

Ácido tartárico (E334) Manitol (E421)

Ácido clorídrico (E507) Hidróxido de sódio

6.2Incompatibilidades

Não aplicável.

6.3Prazo de validade

Frascos para injetáveis

3 anos.

Soluções reconstituídas e diluídas

O produto deve ser utilizado imediatamente após reconstituição, uma vez que não contém conservante antibacteriano. Se a reconstituição e a diluição forem efetuadas sob condicões rigorosas de assépsia (ex. Câmara de Fluxo Laminar) o produto deve ser utilizado (perfusão deve ser finalizada) dentro de 12 horas à temperatura ambiente ou em 24 horas se conservado a 2ºC e 8ºC após a primeira perfuração do frasco para injetáveis.

6.4Precauções especiais de conservação

Manter o frasco para injetáveis dentro da embalagem exterior para proteger da luz.

6.5Natureza e conteúdo do recipiente

HYCAMTIN 1 mg é fornecido em frascos para injetáveis de vidro de chumbo tipo I de 5 ml, com tampas cinzentas de borracha butílica de 13 mm e selos de alumínio de 13 mm com cápsulas de plástico com patilha de abertura.

HYCAMTIN 1 mg está disponível em embalagens com 1 e 5 frascos para injetáveis.

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

6.6Precauções especiais de eliminação e manuseamento

Os frascos para injetáveis de 1 mg de HYCAMTIN devem ser reconstituídos com 1,1 ml de água para injetáveis. Uma vez que HYCAMTIN contém uma sobrecarga de enchimento de 10 %, a solução reconstituída é límpida de cor amarelo a amarelo-verde e contém 1 mg de topotecano por ml. É necessária uma diluição adicional do volume apropriado da solução reconstituída com uma solução para perfusão intravenosa de cloreto de sódio a 0,9 % (p/v) ou com uma solução para perfusão intravenosa de glucose a 5 % (p/v) para que se obtenha uma concentração final entre 25 e 50 micrograma/ml.

Deverão ser adotados os procedimentos normais de manipulação e eliminação corretas de medicamentos anticancerosos, nomeadamente:

Os técnicos devem ser treinados na técnica de reconstituição do medicamento.

As técnicas grávidas não devem trabalhar com este medicamento.

Os técnicos que manipulam este medicamento devem usar vestuário de proteção incluindo máscara, óculos de proteção e luvas durante a reconstituição.

Todo o material utilizado na administração ou limpeza, incluindo luvas, deverão ser colocados em sacos de desperdício de alto risco para incineração a alta temperatura. Os desperdícios líquidos deverão ser descartados com grandes quantidades de água.

O contacto acidental com a pele ou os olhos deverá ser imediatamente tratado, lavando abundantemente com água.

7.TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Novartis Europharm Limited

Frimley Business Park

Camberley GU16 7SR

Reino Unido

8.NÚMERO(S) DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Frascos para injetáveis de 1 mg:

5 frascos para injetáveis EU/1/96/027/004

1 frasco para injetáveis EU/1/96/027/005

9.DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO/RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Data da primeira autorização: 12/11/1996

Data da última renovação: 13/11/2006

10.DATA DA REVISÃO DO TEXTO

Informação pormenorizada sobre este medicamento está disponível na Internet no site da Agência Europeia de Medicamentos http://www.ema.europa.eu

1. NOME DO MEDICAMENTO

HYCAMTIN 4 mg de pó para concentrado para solução para perfusão.

2. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA

Cada frasco para injetáveis contém 4 mg de topotecano (sob a forma de cloridrato). Lista completa de excipientes, ver secção 6.1.

3. FORMA FARMACÊUTICA

Pó para concentrado para solução para perfusão.

Pó amarelo claro a esverdeado.

4. INFORMAÇÕES CLÍNICAS

4.1 Indicações terapêuticas

O topotecano, em monoterapia, é indicado no tratamento de:

doentes com carcinoma metastático do ovário após falência da terapêutica de primeira linha ou subsequente.

doentes com recidiva do cancro do pulmão de pequenas células (CPPC) para os quais o tratamento com um regime de 1ª linha não é considerada apropriada (ver secção 5.1).

O topotecano, em associação com cisplatina, é indicado no tratamento de doentes com carcinoma recorrente do colo do útero após radioterapia e em doentes com doença de estadio IVB. Doentes com exposição prévia a cisplatina requerem um intervalo sustentado livre de tratamento para justificar o tratamento com a associação (ver secção 5.1).

4.2 Posologia e modo de administração

Modo de administração

A utilização de topotecano deve ser confinada a unidades especializadas na administração de quimioterapia citotóxica e ser apenas administrada sob a supervisão de um médico experiente em quimioterapia (ver secção 6.6).

O topotecano tem que ser reconstituído e posteriormente diluído antes de administrado (ver secção 6.6).

Posologia

Quando utilizado em associação com cisplatina, deve consultar-se o Resumo das Características do Medicamento da cisplatina.

Antes da administração do primeiro ciclo terapêutico com topotecano, os doentes devem ter, como valores base, uma contagem de neutrófilos 1,5 x 109/l, uma contagem plaquetária 100 x 109/l e um nível de hemoglobina ≥ 9 g/dl (se necessário, após transfusão).

Carcinoma do Ovário e Carcinoma do Pulmão de Pequenas Células

Dose inicial

A dose recomendada de topotecano é de 1,5 mg/m2 de área de superfície corporal/dia administrada por perfusão intravenosa durante 30 minutos diariamente, durante cinco dias consecutivos, com um intervalo de três semanas entre o início de cada ciclo terapêutico. Se o tratamento for bem tolerado pode continuar até progressão da doença (ver secções 4.8 e 5.1).

Doses subsequentes

O topotecano não deverá voltar a ser administrado a menos que a contagem de neutrófilos seja 1 x 109/l, a contagem plaquetária seja 100 x 109/l e o nível de hemoglobina seja 9 g/dl (se necessário, após transfusão).

A prática usual em oncologia para o controlo da neutropenia é, administrar topotecano com outros medicamentos (por exemplo: G-CSF) ou reduzir a dose para manter a contagem de neutrófilos.

Se for escolhida a redução da dose para doentes que apresentem neutropenia grave (contagem de neutrófilos 0,5 x 109/l) durante sete ou mais dias, ou neutropenia grave associada a febre ou infeção, ou que tiveram o tratamento adiado devido a neutropenia, a dose deve ser reduzida de 0,25 mg/m2/dia para 1,25 mg/m2/dia (ou reduzida posteriormente para 1,0 mg/m2/dia, se necessário).

As doses deverão ser igualmente reduzidas se a contagem plaquetária descer abaixo de 25 x 109/l. Nos ensaios clínicos, o topotecano era suspenso se a dose tivesse sido reduzida para 1,0 mg/m2 e se fosse necessária uma redução adicional para controlar acontecimentosadversos.

Carcinoma do Colo do Útero

Dose inicial

A dose recomendada de topotecano é de 0,75 mg/m2/dia administrada como uma perfusão intravenosa diária de 30 minutos, nos dias 1, 2 e 3. A cisplatina é administrada como uma perfusão intravenosa no dia 1, com uma dose de 50 mg/m2/dia, após a administração de topotecano. Este esquema terapêutico é repetido a cada 21 dias, durante seis ciclos ou até doença progressiva.

Doses subsequentes

O topotecano não deverá voltar a ser administrado a menos que a contagem de neutrófilos seja 1,5 x 109/l, a contagem plaquetária seja 100 x 109/l e o nível de hemoglobina seja 9 g/dl (se necessário após transfusão).

A prática usual em oncologia para o controlo da neutropenia é, administrar topotecano com outros medicamentos (por exemplo: G-CSF) ou reduzir a dose para manter a contagem de neutrófilos.

Se for escolhida a redução da dose para doentes que apresentem neutropenia grave (contagem de neutrófilos 0,5 x 109/l), durante sete dias ou mais, ou neutropenia grave associada a febre ou infeção, ou que tiveram tratamento adiado devido a neutropenia, a dose deve ser reduzida em 20 %, para 0,60 mg/m2/dia nos ciclos subsequentes (ou posteriormente reduzida para 0,45 mg/m2/dia, se necessário).

As doses deverão ser igualmente reduzidas se a contagem plaquetária descer abaixo de 25 x 109/l.

Posologia em doentes com compromisso renal

Monoterapia (Carcinoma do Ovário e Carcinoma do Pulmão de Pequenas Células)

Os dados disponíveis são insuficientes para se recomendar uma dose em doentes com depuração da creatinina < 20 ml/min. Dados limitados indicam que a dose deve ser reduzida em doentes com compromisso renal moderado. A dose de topotecano recomendada, em monoterapia, em doentes com carcinoma do ovário ou carcinoma do pulmão de pequenas células e com depuração da creatinina entre 20 e 39 ml/min é de 0,75mg/m2/dia durante cinco dias consecutivos.

Terapêutica de associação (Carcinoma do Colo do Útero)

Nos estudos clínicos com topotecano em associação com cisplatina, para o tratamento do cancro do colo do útero, a terapêutica apenas foi iniciada em doentes com creatinina sérica < 1,5 mg/dl. Se, durante a terapêutica de associação topotecano/cisplatina, os valores de creatinina sérica excederem 1,5 mg/dl, é recomendado que seja consultado o Resumo das Características do Medicamento para mais informações sobre a redução de dose/continuação de cisplatina.

Se a cisplatina for interrompida, não existem dados suficientes quanto à continuação da em monoterapia com topotecano em doentes com cancro do colo do útero.

População pediátrica

A experiência em crianças é limitada, por isso, não pode ser dada nenhuma recomendação para o tratamento de doentes pediátricos com HYCAMTIN (ver secções 5.1 e 5.2).

4.3 Contraindicações

HYCAMTIN está contraindicado em doentes que:

têm história de hipersensibilidade grave à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes

estão a amamentar (ver secção 4.6)

já têm depressão grave da medula óssea antes do início do primeiro ciclo de tratamento, evidenciada por valores-base da contagem de neutrófilos 1,5 x 109/l e/ou uma contagem plaquetária 100 x 109/l.

4.4 Advertências e precauções especiais de utilização

A toxicidade hematológica está relacionada com a dose e o hemograma completo, incluindo plaquetas, deverá ser monitorizado com regularidade (ver secção 4.2).

Tal como outros medicamentos citotóxicos, o topotecano pode causar mielossuppressão grave. Foi notificada mielossupressão que conduziu a sepsis e morte devida a sepsis em doentes tratados com topotecano (ver secção 4.8).

A neutropenia induzida pelo topotecano pode causar colite neutropenica. Foram notificados casos fatais devidos a colite neutropenica nos ensaios clínicos com topotecano. Deve ser considerada a possibilidade de colite neutropenica nos doentes que apresentem febre, neutropenia e um padrão compatível de dor abdominal.

O topotecano tem sido associado a notificações de doença pulmonar intersticial (DPI), algumas fatais (ver secção 4.8). Os fatores de risco subjacentes incluem história de DPI, fibrose pulmonar, cancro do pulmão, exposição torácica à radiação e o uso de medicamentos pneumotóxicos e/ou fatores de crescimento de colónias. Os doentes devem ser monitorizados quanto a sintomas pulmonares indicativos de DPI (por exemplo: tosse, febre, dispneia e/ou hipoxia), e o topotecano deve ser interrompido se for confirmado um novo diagnóstico de DPI.

O topotecano em monoterapia e o topotecano em associação com cisplatina são frequentemente associados a trombocitopenia clinicamente relevante. Este facto deve ser tido em consideração quando se prescreve HYCAMTIN, por exemplo, em casos em que os doentes com risco aumentado de hemorragia tumoral são considerados para a terapêutica.

Como previsto, os doentes com mau performance status (PS > 1) têm uma menor taxa de resposta e uma maior incidência de complicações tais como febre, infeção e sepsis (ver secção 4.8). É importante a correta avaliação do performance status na altura da administração da terapêutica, para assegurar que os doentes não regrediram para performance status 3.

A experiência da utilização de topotecano em doentes com compromisso grave da função renal (depuração da creatinina < 20 ml/min) ou com compromisso grave da função hepática (bilirrubina sérica ≥ 10 mg/dl) devida a cirrose é insuficiente Não se recomenda a utilização de topotecano neste grupo de doentes.

A um pequeno número de doentes com compromisso hepático (bilirrubina sérica entre 1,5 e 10 mg/dl) foi administrado topotecano intravenoso a 1,5 mg/m2 durante cinco dias, de três em três semanas. Observou-se uma redução na depuração do topotecano. Contudo não existem dados disponíveis suficientes para recomendar uma dose neste grupo de doentes.

4.5 Interações medicamentosas e outras formas de interação

Não foram efetuados estudos de interação farmacocinética in vivo no ser humano.

O topotecano não inibe as enzimas P450 humanas (ver secção 5.2). Num estudo populacional por via intravenosa, a administração concomitante de granissetrom, ondansetrom, morfina ou corticosteroides não pareceu ter um efeito significativo sobre a farmacocinética do topotecano total (formas ativa e inativa).

Quando o topotecano é associado a outros quimioterápicos poderá ser necessária a redução da dose de cada um dos medicamentos, de forma a melhorar a tolerabilidade. Contudo, ao associar platinos, existe uma interação sequência-dependente distinta, dependendo se o composto de platina é administrado no dia 1 ou 5 do regime terapêutico de topotecano. Se a cisplatina ou carboplatina for administrada no dia 1 do regime de topotecano, devem ser prescritas doses mais baixas de cada um dos compostos de forma a melhorar a tolerabilidade, comparativamente às doses de cada composto que podem ser administradas se o composto de platina for administrado no dia 5 do regime com topotecano.

Quando o topotecano (0,75 mg/m2/dia durante 5 dias consecutivos) e a cisplatina (60 mg/m2/dia no dia 1) foram administrados em 13 doentes com cancro do ovário, verificou-se um pequeno aumento na AUC (12 %, n=9) e na Cmax (23 %, n=11) no dia 5. É improvável que este aumento tenha relevância clínica.

4.6 Fertilidade, gravidez e aleitamento

Contraceção masculina e feminina

Tal como com toda a quimioterapia citotóxica, deverão ser aconselhados métodos contracetivos eficazes quando um dos parceiros é tratado com topotecano.

Mulheres com potencial para engravidar

O topotecano demonstrou em estudos pré-clínicos, causar letalidade embriofetal e malformações (ver secção 5.3). Tal como outros medicamentos citotóxicos, o topotecano pode causar danos fetais e por isso mulheres em idade fértil devem ser aconselhadas a evitar engravidar durante o tratamento com topotecano.

Gravidez

Caso o topotecano seja utilizado durante a gravidez, ou caso a doente fique grávida durante a terapêutica com topotecano, a doente deve ser advertida dos riscos potenciais para o feto.

Amamentação

O topotecano está contraindicado durante o aleitamento (ver secção 4.3). Embora não se saiba se o topotecano é excretado no leite materno humano, a amamentação deve ser interrompida no início da terapêutica.

Fertilidade

Não foram observados efeitos na fertilidade de machos ou fêmeas nos estudos de toxicidade reprodutiva em ratos (ver secção 5.3). Contudo, tal como outros medicamentos citotóxicos, o topotecano é genotóxico e não podem ser excluídos efeitos sobre a fertilidade, incluindo na fertilidade masculina.

4.7 Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

Não foram estudados os efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas. No entanto, deverá ter-se o máximo cuidado durante a condução ou utilização de máquinas se persistir fadiga ou astenia.

4.8 Efeitos indesejáveis

Nos estudos clínicos para estabelecimento da dose envolvendo 523 doentes com recidiva do cancro do ovário e 631 doentes com recidiva do cancro do pulmão de pequenas células, verificou-se que a toxicidade dose-limitante de topotecano em monoterapia era de natureza hematológica. A toxicidade era previsível e reversível. Não se observaram sinais de toxicidade hematológica ou não hematológica cumulativa.

O perfil de acontecimentos adversos do topotecano quando administrado em associação com cisplatina, nos ensaios clínicos do cancro do colo do útero, é consistente com o observado com topotecano em monoterapia. A toxicidade hematológica total é mais baixa em doentes tratados com topotecano em associação com cisplatina, comparativamente com topotecano em monoterapia, mas é mais elevada que com cisplatina isolada.

Observaram-se acontecimentos adversos adicionais, quando o topotecano foi administrado em associação com cisplatina, contudo, estes acontecimentos adversos foram verificados com cisplatina em monoterapia, não sendo atribuíveis ao topotecano. Para uma lista completa de acontecimentos adversos associados à utilização da cisplatina, recomenda-se a consulta do Resumo das Características do Medicamento da mesma.

Apresentam-se seguidamente os dados integrados de segurança, para topotecano em monoterapia.

As reações adversas estão listadas abaixo, por classes de sistemas de órgãos e frequência absoluta (todos os acontecimentos notificados). As frequências são definidas como: muito frequentes (≥1/10); frequentes (≥1/100 e <1/10); pouco frequentes (≥1/1000 e <1/100); raros (≥1/10000 e <1/1000); muito raros (<1/10000), incluindo notificações isoladas e desconhecidas (não podem ser calculadas a partir dos dados disponíveis).

Os efeitos indesejáveis são apresentados por ordem decrescente de gravidade dentro de cada classe de frequência.

Doenças do sangue e do sistema linfático

Muito frequentes: neutropenia febril, neutropenia (ver Doenças gastrointestinais), trombocitopenia, anemia, leucopenia

Frequentes: pancitopenia

Desconhecidas: hemorragia grave (associada com trombocitopenia)

Doenças respiratórias, torácicas e do mediastino

Raros: doença pulmonar intersticial (alguns casos foram fatais)

Doenças gastrointestinais

Muito frequentes: náuseas, vómitos e diarreia (que podem ser graves), obstipação, dor abdominal1, e mucosite

1Foi notificada a ocorrência de colite neutropenica, incluindo colite neutropenica fatal, como complicações da neutropenia induzida pelo topotecano (ver secção 4.4)

Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos

Muito frequentes: alopecia

Frequentes: prurido

Doenças do metabolismo e da nutrição

Muito frequentes: anorexia (que pode ser grave)

Infeções e infestações

Muito frequentes: infeções Frequentes: sepsis2

2Foram notificadas mortes devido à sepsis em doentes tratados com topotecano (ver secção 4.4)

Perturbações gerais e alterações no local de administração

Muito frequentes: pirexia, astenia, fadiga Frequentes: mal-estar

Muito raros: extravasão3.

3Foram notificados muito raramente, casos de extravasão têm sido muito raramente notificados. As reações foram ligeiras e, de modo geral, não necessitaram de terapêutica específica.

Doenças do sistema imunitário

Frequentes: reação de hipersensibilidade incluindo erupção cutânea

Raros: reações anafiláticas, angioedema, urticária

Afeções hepatobiliares

Frequentes: hiperbilirrubinemia

A incidência dos acontecimentos adversos acima listados tem o potencial de ocorrer com maior frequência em doentes que têm um mau performance status (ver secção 4.4).

As frequências associadas com os acontecimentos adversos hematológicos e não-hematológicos, abaixo listadas, representam os acontecimentos adversos considerados relacionados/possivelmente relacionados com a terapêutica de topotecano.

Hematológicos

Neutropenia: Grave (contagem de neutrófilos 0,5 x 109/l) observada durante o 1º ciclo em 55 % dos doentes, com duração ≥ sete dias em 20 % e globalmente em 77 % dos doentes (39 % dos ciclos). Neutropenia grave associada a febre ou infeção ocorreu em 16 % dos doentes durante o 1º ciclo e globalmente em 23 % dos doentes (6 % dos ciclos). O tempo médio até ao início da neutropenia grave foi de nove dias e a duração média foi de sete dias. A neutropenia grave persistiu para além de 7 dias, globalmente, em 11 % dos ciclos. De entre todos os doentes tratados nos estudos clínicos (incluindo quer os com neutropenia grave quer aqueles que não desenvolveram uma neutropenia grave), 11 %

(4 % dos ciclos) desenvolveram febre e 26 % (9 % dos ciclos) desenvolveram infeção. Além disso, 5 % de todos os doentes tratados (1 % dos ciclos) desenvolveram septicemia (ver secção 4.4).

Trombocitopenia: Grave (contagem plaquetária inferior a 25 x 109/l) em 25 % dos doentes (8 % dos ciclos); moderada (contagem plaquetária entre 25,0 e 50,0 x 109/l) em 25 % dos doentes (15 % dos ciclos). O tempo médio para aparecimento de trombocitopenia grave foi no Dia 15 e a duração média foi de cinco dias. Foram administradas transfusões de plaquetas em 4 % dos ciclos. Notificações de sequelas significativas associadas a trombocitopenia foram raras, incluindo casos de morte devido a hemorragia tumoral, foram pouco frequentes.

Anemia: Moderada a grave (Hb 8,0 g/dl) em 37 % dos doentes (14 % dos ciclos). Foram administradas transfusões de eritrócitos em 52 % dos doentes (21 % dos ciclos).

Não Hematológicos

Os efeitos não hematológicos frequentemente notificados foram de natureza gastrintestinal tais como náuseas (52 %), vómitos (32 %) e diarreia (18 %), obstipação (9 %) e mucosite (14 %). A incidência de náuseas, vómitos, diarreia e mucosite graves (grau 3 ou 4) foi de 4, 3, 2, e 1 %, respetivamente.

Foram também notificadas dores abdominais ligeiras em 4 % dos doentes.

Observou-se fadiga em aproximadamente 25% e astenia em 16 % dos doentes a fazerem topotecano. A incidência de fadiga e astenia graves (grau 3 ou 4) foi de 3 e de 3 %, respetivamente.

Observou-se alopecia total ou marcada em 30 % dos doentes e alopecia parcial em 15 % dos doentes.

Outros efeitos graves que ocorreram em doentes, registados como relacionados ou possivelmente relacionados com o tratamento com topotecano foram anorexia (12 %), mal-estar (3 %) e hiperbilirrubinemia (1 %).

As reações de hipersensibilidade incluindo erupção cutânea, urticária, edema angioneurótico, e reações anafiláticas foram notificadas raramente. Nos ensaios clínicos, foi relatado erupção cutânea em 4 % dos doentes e prurido em 1,5 %.

Notificação de suspeitas de reações adversas

A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através do sistema nacional de notificação mencionado no Apêndice V.

4.9 Sobredosagem

Foram notificados casos de sobredosagem em doentes tratados com topotecano intravenoso (até 10 vezes a dose recomendada) e com topotecano em cápsulas (até 5 vezes a dose recomendada). Os sinais e sintomas observados em caso de sobredosagem foram consistentes com os acontecimentos indesejáveis conhecidos associados com topotecano (ver secção 4.8) As principais complicações de uma sobredosagem são a supressão da medula óssea e mucosite. Além disso, foram notificadas enzimas hepáticas elevadas na sobredosagem por topotecano intravenoso.

Não exite nenhum antídoto conhecido para a sobredosagem com topotecano. Para uma gestão adicional deve atuar-se como clinícamente indicado ou de acordo com as recomendações do centro de intoxicações nacional, caso disponível.

5. PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS

5.1 Propriedades farmacodinâmicas

Grupo farmacoterapêutico: Outros antineoplásicos, código ATC: L0IXXI7.

A atividade antitumoral do topotecano envolve a inibição da topoisomerase-I, uma enzima intimamente envolvida na replicação do ADN porque alivia a tensão de torsão introduzida à frente do garfo de replicação em movimento. O topotecano inibe a topoisomerase-I estabilizando o complexo covalente da enzima com a cadeia clivada do ADN que é um intermediário do mecanismo catalítico. A consequência celular da inibição da topoisomerase-I pelo topotecano é a indução de proteínas associadas a quebras em cadeia simples do ADN.

Recidiva do Cancro do Ovário

Num estudo comparativo de topotecano e paclitaxel, efetuado em doentes com carcinoma do ovário previamente tratadas com quimioterapia à base de platinos (n = 112 e 114, respetivamente), a taxa de resposta (IC 95 %) foi de 20,5 % (13%, 28%) versus 14 % (8 %, 20 %) e o tempo médio de progressão foi de 19 semanas versus 15 semanas (taxa de risco 0,7 [0,6, 1,0]), para o topotecano e paclitaxel, respetivamente. A sobrevivência global média foi de 62 semanas para o topotecano e de 53 semanas para o paclitaxel (taxa de risco 0,9 [0,6, 1,3]).

A taxa de resposta no programa global do carcinoma do ovário (n = 392 doentes, todas previamente tratadas com cisplatina ou cisplatina e paclitaxel) foi de 16 %. O tempo médio de resposta nos ensaios clínicos foi de 7,6 –11,6 semanas. Em doentes refractárias ou que recidivaram até três meses após terapêutica com cisplatina (n = 186), a taxa de resposta foi de 10 %.

Estes dados devem ser avaliados no contexto do perfil de segurança global do medicamento, particularmente no que diz respeito à toxicidade hematológica importante (ver secção 4.8).

Efetuou-se uma análise retrospetiva suplementar aos resultados obtidos de 523 doentes com recidiva de cancro do ovário. No conjunto, foram observadas 87 respostas completas e parciais, tendo 13 destas ocorrido durante o 5º e 6º ciclo, e 3 ocorrido posteriormente. Das doentes que fizeram mais de 6 ciclos terapêuticos, 91 % completaram o estudo tal como planeado ou foram tratadas até progressão da doença com apenas 3 % de abandonos devido a acontecimentos adversos.

Recidiva do CPPC

Um ensaio clínico de fase III (estudo 478) comparou topotecano oral mais Melhores Cuidados de Suporte (BSC) (n=71) com BSC isolado (n=70) em doentes que tiveram recidiva após terapêutica de 1ª linha (tempo médio de progressão [TMP] a partir da terapêutica de 1ª linha: 84 dias para topotecano oral + BSC, 90 dias para BSC) e para os quais o tratamento com quimioterapia intravenosa não foi considerada apropriado. O grupo do BSC mais topotecano oral teve uma melhoria estatisticamente significativa na sobrevivência global comparativamente ao grupo com apenas BSC (Log-rank p=0,0104). O risco relativo não ajustado para o grupo de topotecano oral mais BSC, relativamente ao grupo de apenas BSC foi 0,64 (IC 95 %: 0,45, 0,90). A sobrevivência média para doentes tratadas com topotecano + BSC foi de 25,9 semanas (IC 95 % 18,3, 31,6) comparativamente a 13,9 semanas (IC 95 % 11,1, 18,6) para doentes a receber BSC isolado (p=0,0104).

As autonotificações dos doentes sobre os seus sintomas, usando uma avaliação sem ocultação demonstraram uma tendência consistente para o benefício dos sintomas com topotecano oral + BSC.

Foram realizados um estudo de Fase 2 (Estudo 065) e um estudo de Fase 3 (Estudo 396) para avaliar a eficácia de topotecano oral versus topotecano intravenoso em doentes que apresentaram recidiva

≥ 90 dias após conclusão de um regime prévio de quimioterapia (ver Tabela 1). O topotecano oral e intravenoso foi associado a tratamento paliativo sintomático similar em doentes com recidiva do CPPC sensível, nas autonotificações dos doentes conforme avaliação em escala de sintomas sem ocultação em cada um destes estudos.

Tabela 1. Resumo da sobrevivência, taxa de resposta, e tempo até progressão em doentes com CPPC tratados com HYCAMTIN oral ou HYCAMTIN intravenoso

 

Estudo 065

Estudo 396

 

Topotecano

Topotecano

Topotecano

Topotecano

 

oral

intravenoso

oral

intravenoso

 

(N = 52)

(N = 54)

(N = 153)

(N = 151)

Sobrevivência média

32,3

25,1

33,0

35,0

(semanas)

 

 

 

 

(IC 95 %)

(26,3, 40,9)

(21,1, 33,0)

(29,1, 42,4)

(31,0, 37,1)

Risco relativo (IC 95 %)

0,88 (0,59, 1,31)

0,88 (0,7, 1,11)

Taxa de resposta (%)

23,1

14,8

18,3

21,9

(IC 95 %)

(11,6, 34,5)

(5,3, 24,3)

(12,2, 24,4)

(15,3, 28,5)

Diferença na taxa de resposta

8,3 (-6,6, 23,1)

-3,6 (-12,6, 5,5)

(IC 95 %)

 

 

 

 

Tempo médio até progressão

14,9

13,1

11,9

14,6

(semanas)

 

 

 

 

(IC 95 %)

(8,3, 21,3)

(11,6, 18,3)

(9,7, 14,1)

(13,3, 18,9)

Risco relativo (IC 95 %)

0,90 (0,60, 1,35)

1,21 (0,96, 1,53)

N =número total de doentes tratados.

IC = Intervalo de confiança.

Noutro ensaio clínico randomizado de fase III que comparou topotecano IV com ciclofosfamida, Adriamycin (doxorrubicina) e vincristina (CAV) em doentes com recidiva do CPPC sensível, as taxas de resposta globais foram 24,3 % para topotecano comparativamente a 18,3 % para o grupo CAV. O tempo médio de progressão foi semelhante nos dois grupos (13,3 semanas e 12,3 semanas, respetivamente). A sobrevivência média para os dois grupos foi de 25,0 e 24,7 semanas, respetivamente. A taxa de risco para a sobrevivência de topotecano IV comparativamente a CAV foi de 1,04 (IC 95 % 0,78 – 1,40).

A taxa de resposta ao topotecano no programa conjunto do cancro do pulmão de pequenas células (n=480) para doentes com recidiva de doença sensível à terapêutica de 1ª linha, foi de 20,2 %. A sobrevivência média foi de 30,3 semanas [IC 95 % 27,6, 33,4].

A taxa de resposta ao topotecano numa população de doentes com CPPC refratário (aqueles que não respondem à terapêutica de 1ª linha) foi de 4,0 %.

Carcinoma do Colo do Útero

Num ensaio clínico randomizado, comparativo de fase III, conduzido pelo Gynaecological Oncology Group (GOG 0179), topotecano adicionado a cisplatina (n=147) foi comparado com cisplatina isolada (n=146), para o tratamento do carcinoma do colo do útero persistente, confirmado histologicamente, recorrente ou de Fase IVB, onde o tratamento com cirurgia e/ou radioterapia não foi considerado apropriado. O topotecano adicionado a cisplatina teve um benefício estatistaticamente significativo na sobrevivência global, em relação à cisplatina em monoterapia, após ajuste para análises interinas (Log- rank p=0,033).

Tabela 2. Resultados do Estudo GOG-0179

População com intenção de tratar (ITT)

 

 

 

Cisplatina

 

Cisplatina

 

50 mg/m2d.1 +

 

50 mg/m2d.1

 

Topotecano

 

q21 d.

 

0,75mg/m2 dx3

 

 

 

q21

Sobrevivência (meses)

(n=146)

 

(n=147)

Média (I.C. 95 %)

6,5 (5,8; 8,8)

 

9,4 (7,9; 11,9)

Taxa de risco (I.C. 95 %)

 

0,76 (0,59-0,98)

Log-rank valor p

 

0,033

 

 

 

Doentes sem Quimioradioterapia Prévia com Cisplatina

 

Cisplatina

 

Topotecano/cisplatina

Sobrevivência (meses)

(n=46)

 

(n=44)

Média (I.C. 95 %)

8,8 (6,4; 11,5)

 

15,7 (11,9; 17,7)

Taxa de risco (I.C. 95 %)

 

0,51 (0,31; 0,82)

 

 

 

 

Doentes com Quimioradioterapia Prévia com Cisplatina

 

Cisplatina

 

Topotecano/cisplatina

Sobrevivência (meses)

(n=72)

 

(n=69)

Média (I.C. 95 %)

5,9 (4,7; 8,8)

 

7,9 (5,5; 10,9)

Taxa de risco (I.C. 95 %)

 

0,85 (0,59; 1,21)

Nos doentes (n=39) com recorrência até 180 dias após quimioradioterapia com cisplatina, a sobrevivência média no braço com topotecano mais cisplatina foi 4,6 meses (I.C. 95 %: 2,6; 6,1) contra os 4,5 meses (I.C. 95 %: 2,9; 9,6) no braço cisplatina, com uma taxa de risco de 1,15 (0,59; 2,23). Nos doentes com recorrência após 180 dias (n=102), a sobrevivência média no braço topotecano mais cisplatina foi 9,9 meses (I.C. 95 %: 7,0; 12,6) contra os 6,3 meses (I.C. 95 %: 4,9; 9,5) no braço cisplatina, com uma taxa de risco de 0,75 (0,49; 1,16).

População pediátrica

O topotecano também foi avaliado na população pediátrica, contudo, os dados de eficácia e segurança disponíveis são limitados.

Num estudo aberto envolvendo crianças (n=108, escalão etário: crianças até aos 16 anos de idade) com tumores sólidos recorrentes ou progressivos, o topotecano foi administrado numa dose inicial de 2,0 mg/m2, como perfusão de 30 minutos durante 5 dias, repetido a cada 3 semanas com uma duração de tratamento até 1 ano, dependendo da resposta à terapêutica. Os tumores incluídos foram: Sarcoma de Ewing/tumor neuroectodérmico primitivo, neuroblastoma, osteoblastoma e rabdomiosarcoma. A atividade antitumoral foi principalmente demonstrada em doentes com neuroblastoma. A toxicidade de topotecano em doentes pediátricos com tumores sólidos, recorrentes ou refratários, foi semelhante ao histologicamente observado nos doentes adultos. Neste estudo, 46 doentes (43 %) receberam G-

CSF durante 192 (42,1 %) ciclos; 65 doentes (60 %) receberam transfusões de sangue (“Packed red

blood cells”) e 50 doentes (46 %) receberam plaquetas durante 139 e 159 ciclos (30,5 % e 34,9 %) respetivamente. Baseado na toxicidade dose-limitante da mielossupressão, a dose máxima tolerada (DMT) foi estabelecida a 2,0 mg/m2/dia com G-CSF e 1,4 mg/m2/dia sem G-CSF, num estudo farmacocinético em doentes pediátricos com tumores sólidos refratários (ver secção 5.2).

5.2 Propriedades farmacocinéticas

Após administração intravenosa de topotecano em doses de 0,5 a 1,5 mg/m2 numa perfusão diária de 30 minutos durante 5 dias, o topotecano demonstrou ter uma depuração plasmática elevada de 62 l/h (SD 22), correspondendo a aproximadamente dois terços do fluxo sanguíneo hepático. O topotecano também teve um volume de distribuição elevado, de cerca de 132 l, (SD 57) e um tempo de semivida relativamente curto de 2 a 3 horas. A comparação dos parâmetros farmacocinéticos não sugeriu nenhuma alteração na farmacocinética durante os 5 dias de administração. A área sob a curva aumentou aproximadamente em proporção com o aumento da dose. Existe pouca ou nenhuma acumulação de topotecano com a dose diária repetida e não existe evidência de alteração na farmacocinética após doses múltiplas. Estudos pré-clínicos indicam que a ligação do topotecano às proteínas plasmáticas é baixa (35 %) e a distribuição entre as células sanguíneas e o plasma foi bastante homogénea.

A eliminação do topotecano foi apenas parcialmente investigada no homem. A via principal de depuração do topotecano foi por hidrólise do anel da lactona para formar o anel aberto carboxilato.

O metabolismo contribui para menos de 10 % da eliminação de topotecano. Um metabolito N- desmetilo, que demonstrou, num ensaio celular, ter uma atividade semelhante ou inferior ao composto de origem, foi encontrado na urina, plasma e fezes. O rácio médio de metabolito: AUC composto de origem foi inferior a 10% para topotecano total e topotecano lactona.Foram identificados na urina um metabolito resultante da O-glucuronidação do topotecano e o topotecano N-desmetilo.

A recuperação global dos produtos de eliminação relacionados com o medicamento, após 5 dias de doses diárias de topotecano foi de 71 a 76 % da dose IV administrada. Aproximadamente, 51 % foi excretado como topotecano total e 3 % foi excretado como topotecano N-desmetilo, na urina. A eliminação fecal de topotecano total foi de 18 %, enquanto que a eliminação fecal de topotecano N- desmetilo foi de 1,7 %. No geral, o metabolito N-desmetilo teve um contributo médio de menos de 7 % (intervalo de 4-9 %), do total dos produtos de eliminação relacionados com o medicamento, detetados na urina e fezes. A quantidade de topotecano-O-glucuronido e N-desmetilo topotecano-O- glucuronido na urina foi inferior a 2,0 %.

Dados in vitro utilizando microssomas hepáticos humanos indicaram a formação de pequenas quantidades de topotecano N-desmetilado. In vitro, topotecano não inibiu as enzimas P450 humanas CYP1A2, CYP2A6, CYP2C8/9, CYP2C19, CYP2D6, CYP2E, CYP3A ou CYP4A, nem inibiu as enzimas citosólicas humanas di-hidropirimidina ou xantina-oxidase.

Quando administrado em associação com cisplatina (cisplatina no dia 1, topotecano nos dias 1 a 5), a depuração de topotecano foi reduzida no dia 5, em comparação com o dia 1 (19,1 l/h/m2 comparativamente a 21,3 l/h/m2 [n=9]) (ver secção 4.5).

A depuração plasmática em doentes com compromisso hepático (bilirrubina sérica entre 1,5 e 10 mg/dl) diminuiu para cerca de 67 % quando comparada com um grupo controlo de doentes. A

semivida do topotecano aumentou em cerca de 30 %, mas não se observou nenhuma alteração nítida no volume de distribuição. A depuração plasmática do topotecano total (formas ativa e inativa) em doentes com compromisso hepático diminuiu apenas em cerca de 10 % quando comparada com o grupo controlo de doentes.

A depuração plasmática em doentes com compromisso renal (depuração da creatinina de 41 a 60 ml/min) diminuiu para cerca de 67 % em comparação com o grupo controlo de doentes. O volume de distribuição diminuiu ligeiramente e, em consequência, a semivida aumentou apenas 14 %. Em doentes com compromisso renal moderado, verificou-se a redução da depuração plasmática do topotecano para 34 % do valor observado em doentes controlo. A semivida média aumentou de

1,9 horas para 4,9 horas.

Num estudo populacional, vários fatores incluindo a idade, peso e ascite não tiveram efeito significativo sobre a depuração do topotecano total (formas ativa e inativa).

População pediátrica

A farmacocinética de topotecano, quando administrado como uma perfusão de 30 minutos durante 5 dias foi avaliada em dois estudos. Um dos estudos incluiu um intervalo de dose entre 1,4 mg/m2 e 2,4 mg/m2 em crianças (dos 2 aos 12 anos, n=18), adolescentes (dos 12 aos 16 anos, n=9) e jovens adultos (dos 16 aos 21 anos, n=9) com tumores sólidos refratários. O segundo estudo incluiu um intervalo de dose entre 2,0 mg/m2 e 5,2 mg/m2 em crianças (n=8), adolescentes (n=3) e jovens adultos (n=3) com leucemia. Nestes estudos, não existiram diferenças aparentes entre a farmacocinética do topotecano em crianças, adolescentes e jovens adultos com tumores sólidos ou leucemia, contudo, os dados obtidos são demasiado limitados para se obter conclusões definitivas.

5.3 Dados de segurança pré-clínica

Resultante do seu mecanismo de ação, o topotecano é genotóxico para as células de mamíferos (células de linfoma do ratinho e linfocitos humanos) in vitro e para as células da medula óssea do ratinho in vivo. O topotecano também mostrou provocar letalidade embriofetal quando administrado a ratos e coelhos.

Nos estudos de toxicidade reprodutiva com topotecano em ratos não ocorreram efeitos na fertilidade do macho ou da fêmea; contudo, foi observado nas fêmeas uma superovulação e um aumento ligeiro na perda de pré-implantações.

Não foi determinado o potencial carcinogénico do topotecano.

6. INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS

6.1 Lista dos excipientes

Ácido tartárico (E334) Manitol (E421)

Ácido clorídrico (E507) Hidróxido de sódio

6.2 Incompatibilidades

Não aplicável.

6.3 Prazo de validade

Frascos para injetáveis

3 anos.

Soluções reconstituídas e diluídas

O produto deve ser utilizado imediatamente após reconstituição, uma vez que não contém conservante antibacteriano. Se a reconstituição e a diluição forem efetuadas sob condicões rigorosas de assépsia (ex. Câmara de Fluxo Laminar) o produto deve ser utilizado (perfusão deve ser finalizada) dentro de 12 horas à temperatura ambiente ou em 24 horas se conservado a 2ºC e 8ºC após a primeira perfuração do frasco para injetáveis.

6.4 Precauções especiais de conservação

Manter o frasco para injetáveis dentro da embalagem exterior para proteger da luz.

6.5 Natureza e conteúdo do recipiente

HYCAMTIN 4 mg é fornecido em frascos para injetáveis de vidro de chumbo tipo I de 17 ml, com tampas cinzentas de borracha butílica de 20 mm e selos de alumínio de 20 mm com cápsulas de plástico com patilha de abertura.

HYCAMTIN 4 mg está disponível em embalagens com 1 e 5 frascos para injetáveis

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

6.6 Precauções especiais de eliminação e manuseamento

Os frascos para injetáveis de 4 mg de HYCAMTIN devem ser reconstituídos com 4 ml de água para injetáveis. A solução reconstituída é transparente de cor amarelo a amarelo esverdeado e contém 1 mg de topotecano por ml. É necessária uma diluição adicional do volume apropriado da solução reconstituída com uma solução para perfusão intravenosa de cloreto de sódio a 0,9 % (p/v) ou com uma solução para perfusão intravenosa de glucose a 5 % (p/v) para que se obtenha uma concentração final entre 25 e 50 micrograma/ml.

Deverão ser adotados os procedimentos normais de manipulação e eliminação corretas de medicamentos anticancerosos, nomeadamente:

Os técnicos devem ser treinados na técnica de reconstituição do medicamento.

As técnicas grávidas não devem trabalhar com este medicamento.

Os técnicos que manipulam este medicamento devem usar vestuário de proteção incluindo máscara, óculos de proteção e luvas, durante a reconstituição.

Todo o material utilizado na administração ou limpeza, incluindo luvas, deverão ser colocados em sacos de desperdício de alto risco para incineração a alta temperatura. Os desperdícios líquidos deverão ser descartados com grandes quantidades de água.

O contacto acidental com a pele ou os olhos deverá ser imediatamente tratado, lavando abundantemente com água.

7. TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Novartis Europharm Limited

Frimley Business Park

Camberley GU16 7SR

Reino Unido

8. NÚMERO(S) DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Frascos para injetáveis de 4 mg:

5 frascos para injetáveis EU/1/96/027/001

1 frasco para injetáveis EU/1/96/027/003

9. DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO/RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Data da primeira autorização: 12/11/1996

Data da última renovação: 13/11/2006

10. DATA DA REVISÃO DO TEXTO

Informação pormenorizada sobre este medicamento está disponível na Internet no site da Agência Europeia de Medicamentos http://www.ema.europa.eu

1. NOME DO MEDICAMENTO

HYCAMTIN 0,25 mg cápsulas

2. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA

Cada cápsula contém cloridrato de topotecano equivalente a 0,25 mg de topotecano.

Lista completa de excipientes, ver secção 6.1.

3. FORMA FARMACÊUTICA

Cápsula.

As cápsulas são branco opaco a branco amarelado e impressas com ‘HYCAMTIN’ e ‘0,25 mg’.

4. INFORMAÇÕES CLÍNICAS

4.1 Indicações terapêuticas

HYCAMTIN cápsulas é indicado como monoterapia para o tratamento de doentes adultos com recidiva do cancro do pulmão de pequenas células (CPPC) para os quais a repetição do tratamento com o regime de 1ª linha não é considerada apropriada (ver secção 5.1).

4.2 Posologia e modo de administração

Modo de administração

HYCAMTIN cápsulas deve ser prescrito e a terapêutica supervisionada, apenas por um médico experiente em quimioterapia.

Posologia

Dose inicial

A dose recomendada de HYCAMTIN cápsulas é de 2,3 mg/m2 de área corporal/dia administrada durante cinco dias consecutivos, com um intervalo de três semanas entre o início de cada ciclo. Se o tratamento for bem tolerado, pode continuar até progressão da doença (ver secções 4.8 e 5.1).

A(s) cápsula(s) devem ser engolidas inteiras, e não devem ser mastigadas, esmagadas ou divididas. As cápsulas de Hycamtin podem ser tomadas com ou sem alimentos (ver secção 5.2).

Antes da administração do primeiro ciclo com topotecano, os doentes devem ter, como valores base, uma contagem de neutrófilos ≥ 1,5 x 109/l, e uma contagem plaquetária ≥ 100 x 109/l e um nível de hemoglobina ≥ 9 g/dl (se necessário, após transfusão).

Doses subsequentes

O topotecano não deverá voltar a ser administrado, a menos que a contagem de neutrófilos seja

≥ 1 x 109/l, a contagem plaquetária seja ≥ 100 x 109/l, e o nível de hemoglobina seja ≥ 9 g/dl (se necessário, após transfusão).

A prática usual em oncologia para o controlo da neutropenia é, administrar topotecano com outros medicamentos (por exemplo: G-CSF) ou reduzir a dose para manter a contagem de neutrófilos.

Se for escolhida a redução da dose para doentes que apresentem neutropenia grave (contagem de neutrófilos < 0,5 x 109/l), durante sete ou mais dias, ou neutropenia grave associada a febre ou infeção, ou que tiveram o tratamento adiado devido a neutropenia, a dose deve ser reduzida de 0,4 mg/m2/dia para 1,9 mg/m2/dia (ou reduzida posteriormente para 1,5 mg/m2/dia, se necessário).

As doses deverão ser igualmente reduzidas se a contagem plaquetária descer abaixo de 25 x 109/l. Nos ensaios clínicos, o topotecano era descontinuado se a dose necessitasse de ser reduzida para menos de 1,5 mg/m2.

Para doentes com diarreia de grau 3 ou 4, a dose deve ser reduzida em 0,4 mg/m2/dia nos ciclos subsequentes (ver secção 4.4). Doentes com diarreia de grau 2 podem necessitar de seguir as mesmas normas orientadoras de modificação de dose.

O tratamento pró – ativo da diarreia com agentes antidiarreicos é importante. Casos graves de diarreia podem requerer a administração oral ou intravenosa de eletrólitos e fluídos, e a interrupção da terapêutica com topotecano (ver secções 4.4 e 4.8).

Posologia em doentes com compromisso renal

A dose de topotecano oral recomendada, em monoterapia, em doentes com cancro do pulmão de pequenas células, com depuração da creatinina entre 30 e 49 ml/min é 1,9 mg/m2/dia durante cinco dias consecutivos. Se for bem tolerada, a dose pode ser aumentada para 2,3 mg/m2/dia em ciclos subsequentes (ver secção 5.2).

Dados limitados em doentes coreanos com depuração de creatinina inferior a 50 ml/min sugere que pode ser necessária uma posterior diminuição da dose (ver secção 5.2).

A informação disponível é insuficiente para recomendar uma posologia em doentes com depuração de creatinina < 30 ml/min.

Posologia em doentes com compromisso hepático

A farmacocinética de HYCAMTIN cápsulas não foi especificamente estudada em doentes com compromisso da função hepática. Os dados disponíveis com HYCAMTIN cápsulas neste grupo de doentes são limitados para permitir recomendar uma dose (ver secção 4.4).

População pediátrica

A experiência em crianças é limitada, pelo que, não é possível recomendar o tratamento de doentes pediátricos com HYCAMTIN (ver secção 5.1).

Idosos

De um modo geral, não foram observadas diferenças na efetividade entre doentes com mais de 65 anos e doentes adultos mais jovens. Contudo, nos dois estudos com administração de ambos topotecano oral e intravenoso, os doentes com mais de 65 anos a receber topotecano oral sofreram um aumento na diarreia relacionada com medicamento, comparativamente aos que tinham menos de 65 anos de idade (ver secção 4.4 e 4.8).

4.3 Contraindicações

HYCAMTIN está contraindicado em doentes que

têm história de hipersensibilidade grave à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes

estão a amamentar (ver secção 4.6)

já têm depressão grave da medula óssea antes do início do primeiro ciclo de tratamento, evidenciada por valores-base da contagem de neutrófilos 1,5 x 109/l e/ou uma contagem plaquetária de 100 x 109/l.

4.4 Advertências e precauções especiais de utilização

A toxicidade hematológica está relacionada com a dose e, o hemograma completo, incluindo contagem plaquetária, deverá ser monitorizado com regularidade (ver secção 4.2).

Tal como outros medicamentos citotóxicos, o topotecano pode causar mielossupressão grave.

Foi notificada mielossupressão, que conduziu a sepsis, e mortes devidas a sepsis em doentes tratados com topotecano (ver secção 4.8).

A neutropenia induzida pelo topotecano pode causar colite neutropenica. Foram notificados casos fatais devidos a colite neutropenica nos ensaios clínicos com topotecano. Deve ser considerada a possibilidade de colite neutropenica nos doentes que apresentem febre, neutropenia e um padrão compatível de dor abdominal.

O topotecano tem sido associado a notificações de doença pulmonar intersticial (DPI), algumas fatais (ver secção 4.8). Os fatores de risco subjacentes incluem histórias de DIP, fibrose pulmonar, cancro do pulmão, exposição torácica à radiação e o uso de medicamentos pneumotóxicos e/ou fatores de crescimento de colónias. Os doentes devem ser monitorizados quanto a sintomas pulmonares indicativos de DPI (por exemplo: tosse, febre, dispneia e/ou hipoxia), e o topotecano deve ser interrompido se for confirmado um novo diagnóstico de DIP.

O topotecano em monoterapia e o topotecano em associação com cisplatina são frequentemente associados com trombocitopenia clinicamente relevante. Este facto deve ser tido em consideração quando se prescreve HYCAMTIN, por exemplo, em casos em que os doentes com risco aumentado de hemorragia tumoral são considerados para a terapêutica.

Como previsto, os doentes com mau performance status (PS > 1) têm uma menor taxa de resposta e uma incidência aumentada de complicações tais como febre, infeção e sepsis (ver secção 4.8). É importante a correta avaliação do performance status na altura da administração da terapêutica, para assegurar que os doentes não regrediram para performance status 3.

O topotecano é parcialmente eliminado por via renal e o compromisso renal pode levar a um aumento na exposição ao topotecano. Não foram estabelecidos ajustes na dose para doentes a receber topotecano oral com depuração de creatinina inferior a 30 ml/min. Não se recomenda a utilização de topotecano nestes doentes.

Foi administrado topotecano intravenoso a 1,5 mg/m2, durante cinco dias cada três semanas, a um reduzido número de doentes com compromisso hepático (bilirrubina sérica entre 1,5 e 10 mg/dl). Observou-se uma diminuição na depuração de topotecano. Contudo os dados disponíveis são insuficientes para fazer um ajuste na dose para este grupo de doentes. A experiência da utilização de topotecano em doentes com compromisso da função hepática grave (bilirrubina sérica ≥ 10 mg/dl)é insuficiente. Não se recomenda o uso de topotecano nestes doentes.

Durante o tratamento com topotecano oral, foi notificado diarreia, incluindo diarreia grave que requereu internamento. A diarreia relacionada com topotecano oral pode ocorrer ao mesmo tempo que a neutropenia e respetivas sequelas, relacionadas com o medicamento. É importante alertar os doentes para estes efeitos secundários previamente à administração do medicamento e efetuar um tratamento pró – ativo e antecipado de todos os sinais e sintomas de diarreia. A diarreia induzida pelo tratamento do cancro (DITC) está associada a uma morbilidade significativa e pode pôr a vida em risco. Caso ocorra diarreia durante o tratamento com topotecano oral, aconselha-se os médicos a um tratamento agressivo da diarreia. As normas clínicas que descrevem o tratamento da DITC incluem recomendações específicas sobre informação e sensibilização dos doentes, reconhecimento dos sintomas de alerta iniciais, utilização de antidiarreicos e antibióticos, alterações na ingestão de fluidos e dieta, e necessidade de internamento (ver secções 4.2 e 4.8).

O topotecano intravenoso deve ser considerado nas seguintes situações clínicas: emese não controlada, transtornos na deglutição, diarreia não controlada, condições clínicas e medicação que possam alterar a motilidade gastrointestinal e a absorção de medicamentos.

4.5 Interações medicamentosas e outras formas de interação

Não foram efetuados estudos de interação farmacocinética in vivo no ser humano.

O topotecano não inibe as enzimas P450 humanas (ver secção 5.2). Num estudo populacional por via intravenosa, a administração concomitante de granissetrom, ondansetrom, morfina ou corticosteroides não demonstrou ter um efeito significativo na farmacocinética do topotecano total (formas ativa e inativa).

O topotecano é um substrato para ambas ABCB1 (glicoproteína-P) e ABCG2 (BCRP). Os inibidores da ABCB1 e ABCG2 administrados com topotecano oral demonstraram aumentar a exposição ao topotecano.

A ciclosporina A (um inibidor da ABCB1, ABCC1 [MRP-1], e CYP3A4) administrada com topotecano oral aumentou a AUC do topotecano para aproximadamente 2 - 2,5 vezes o controlo.

Os doentes devem ser cuidadosamente monitorizados quanto a reações adversas quando o topotecano oral é administrado com um medicamento que se saiba inibir a ABCB1 ou a ABCG2 (ver secção 5.2).

Quando o topotecano é associado a outros quimioterápicos poderá ser necessária uma diminuição da dose de cada medicamento, para melhorar a tolerabilidade. Contudo, ao associar platinos, existe uma interação sequência-dependente distinta, dependendo se o composto platinado é administrado no dia 1 ou 5 do regime terapêutico de topotecano. Se a cisplatina ou a carboplatina for administrada no dia 1 do regime de topotecano, deve ser prescrita uma dose inferior de cada um dos fármacos de forma a melhorar a tolerabilidade, comparativamente às doses de cada composto que podem ser administradas se o composto de platina for administrado no dia 5 do regime com topotecano. A experiência atual da associação de topotecano oral com outros fármacos quimioterapêuticos é limitada.

A farmacocinética do topotecano manteve-se na generalidade inalterada quando administrado concomitantemente com ranitidina.

4.6 Fertilidade, gravidez e aleitamento

Contraceção masculina e feminina

Tal como com toda a quimioterapia citotóxica, deverão ser aconselhados métodos contracetivos eficazes quando um dos parceiros é tratado com topotecano.

Mulheres com potencial para engravidar

O topotecano demonstrou, em estudos pré-clínicos, causar letalidade embriofetal e malformações (ver secção 5.3). Tal como outros medicamentos citotóxicos, o topotecano pode causar danos fetais e por isso mulheres em idade fértil devem ser aconselhadas a evitar engravidar durante o tratamento com topotecano.

Gravidez

Caso o topotecano seja utilizado durante a gravidez, ou caso a doente fique grávida durante a terapêutica com topotecano, a doente deve ser advertida dos riscos potenciais para o feto.

Amamentação

O topotecano está contraindicado durante o aleitamento (ver secção 4.3). Embora não se saiba se o topotecano é excretado no leite materno humano, a amamentação deve ser interrompida no início da terapêutica.

Fertilidade

Não foram observados efeitos na fertilidade no macho ou na fêmea nos estudos de toxicidade reprodutiva em ratos (ver secção 5.3). Contudo, tal como outros medicamentos citotóxicos, o topotecano é genotóxico e não podem ser excluídos efeitos na fertilidade, incluindo fertilidade masculina.

4.7 Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

Não foram estudados os efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas. No entanto, deverá ter-se o máximo cuidado durante a condução ou utilização de máquinas se persistir fadiga e astenia.

4.8 Efeitos indesejáveis

Nos ensaios clínicos que envolveram doentes com recidiva do cancro do pulmão de pequenas células, a dose limite de toxicidade do topotecano por via oral em monoterapia demonstrou ser hematológica. A toxicidade foi previsível e reversível. Não houve sinais de toxicidade hematológica cumulativa ou toxicidade não hematológica.

As frequências associadas com acontecimentos adversos hematológicos e não hematológicos apresentadas são para acontecimentos adversos considerados estar relacionados/possivelmente relacionados com terapêutica com topotecano oral.

As reações adversas estão listadas abaixo, por classes de sistemas de órgãos e frequência absoluta (todos os acontecimentos notificados). As frequências são definidas como: Muito frequentes ( 1/10), Frequentes ( 1/100 e < 1/10), Pouco frequentes ( 1/1000 e < 1/100), Raros ( 1/10 000 e < 1/1000), Muito raros (< 1/10 000), incluindo notificações isoladas e desconhecidas (não podem ser calculadas a partir dos dados disponíveis).

Os efeitos indesejáveis são apresentados por ordem decrescente de gravidade dentro de cada classe de frequência.

Doenças do sangue e do sistema linfático

Muito frequentes: neutropenia febril, neutropenia (ver Doenças gastrointestinais), trombocitopénia, anemia, leucopenia.

Frequentes: pancitopenia

Desconhecidas: hemorragia grave (associada com trombocitopenia)

Doenças respiratórias, torácicas e do mediastino

Raros: doença pulmonar intersticial (alguns casos foram fatais)

Doenças gastrointestinais

Muito frequentes: náuseas, vómitos e diarreia (que podem ser graves), que pode conduzir à desidratação (ver secções 4.2 e 4.4)

Frequentes: dor abdominal1, obstipação, mucosite, dispepsia

1Foi notificada a ocorrência de colite neutropenica, incluindo colite neutropenica fatal, como complicações da neutropenia induzida pelo topotecano (ver secção 4.4).

Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos

Muito frequentes: alopecia

Frequentes: prurido

Doenças do metabolismo e da nutrição

Muito frequentes: anorexia (que pode ser grave)

Infeções e infestações

Muito frequentes: infeção Frequente: sepsis2

2Foram notificadas mortes devido à sepsis em doentes tratados com topotecano (ver secção 4.4)

Perturbações gerais e alterações no local de administração

Muito frequentes: fadiga

Frequentes: astenia, pirexia, mal-estar

Doenças do sistema imunitário

Frequentes: reação de hipersensibilidade incluindo erupções cutâneas

Desconhecidas: reações anafiláticas, angioedema, urticária

Afeções hepatobiliares

Muito raros: hiperbilirrubinémia

A incidência dos acontecimentos adversos acima listados têm o potencial de ocorrer com maior frequência em doentes que têm um mau performance status (ver secção 4.4).

Os dados de segurança apresentados são baseados em dados integrados de 682 doentes com recidiva de cancro do pulmão a quem foram administrados 2536 ciclos de topotecano oral em monoterapia (275 doentes com recidiva de CPPC e 407 com recidiva de cancro não CPPC).

Hematológicos

Neutropenia: ocorreu neutropenia grave (Grau 4 – contagem de neutrófilos < 0,5 x 109/l) em 32 % dos doentes em 13 % dos ciclos. O tempo médio até ao início da neutropenia grave foi o Dia 12 com uma duração média de 7 dias. Em 34 % dos ciclos com neutropenia grave, a duração foi > 7 dias. No 1º ciclo a incidência foi de 20 %, no 4º ciclo a incidência foi de 8 %. Ocorreu infeção, sepsis e neutropenia febril em 17 %, 2 % e 4 % dos doentes, respetivamente. Ocorreu morte associada a sepsis em 1 % dos doentes. Foi notificada pancitopenia. Foram administrados fatores de crescimento a 19 % dos doentes em 8 % dos ciclos.

Trombocitopenia: Ocorreu trombocitopenia grave (Grau 4 – contagem plaquetária inferior a

10 x 109/l) em 6 % dos doentes em 2 % dos ciclos. O tempo médio até ao início da trombocitopenia grave foi o Dia 15 com uma duração média de 2,5 dias. Em 18 % dos ciclos com trombocitopenia grave a duração foi > 7 dias. Ocorreu trombocitopenia moderada (Grau 3 – contagem plaquetária entre 10,0 e 50,0 x 109/l) em 29 % dos doentes em 14 % dos ciclos. Foram administradas transfusões de plaquetas em 10 % dos doentes em 4 % dos ciclos. Foram pouco frequentes notificações de sequelas significativas associadas com trombocitopenia, incluindo casos de morte devido a hemorragia tumoral.

Anemia: Ocorreu anemia moderada a grave (Grau 3 e 4 – Hb ≤ 8,0 g/dl) em 25 % dos doentes (12 % dos cursos). O tempo médio até ao início da anemia moderada a grave foi o Dia 12 com uma duração média de 7 dias. Em 46 % dos ciclos com anemia moderada a grave, a duração foi > 7 dias. Foram administradas transfusões de eritrócitos em 30 % dos doentes (13 % dos ciclos). Foi administrada eritropoetina a 10 % dos doentes em 8 % dos ciclos.

Não Hematológicos

Os efeitos não hematológicos mais frequentemente notificados foram náuseas (37 %), diarreia (29 %), fadiga (26 %), vómitos (24 %), alopecia (21 %) e anorexia (18 %). Todos os casos foram associados independentemente da causalidade. Para os casos graves (grau 3/4 CTC) notificados como relacionados/possivelmente relacionados com a administração de topotecano a incidência foi diarreia 5 % (ver secção 4.4), fadiga 4 %, vómitos 3 %, náuseas 3 % e anorexia 2 %.

A incidência global de diarreia relacionada com o medicamento foi 22 %, incluindo 4 % com Grau 3 e 0,4 % com Grau 4. A diarreia relacionada com o medicamento foi mais frequente em doentes

≥ 65 anos de idade (28 %) comparativamente àqueles com menos de 65 anos de idade (19 %).

Foi observada alopecia total relacionada/possivelmente relacionada com a administração de topotecano em 9 % dos doentes e alopecia parcial relacionada/possivelmente relacionada com a administração de topotecano em 11 % dos doentes.

As intervenções terapêuticas associadas a efeitos não hematológicos incluiram fármacos anti-eméticos, administrados a 47 % dos doentes em 38 % dos ciclos e fármacos antidiarreicos, administrados a 15 % dos doentes em 6 % dos ciclos. Foi administrado um antagonista 5-HT3 a 30 % dos doentes em 24 % dos ciclos. Foi administrada loperamida a 13 % dos doentes em 5 % dos ciclos. O tempo médio até ao início da diarreia de grau 2 ou mais grave foi 9 dias.

Notificação de suspeitas de reações adversas

A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através do sistema nacional de notificação mencionado no Apêndice V.

4.9 Sobredosagem

Foram notificados casos de sobredosagem em doentes tratados com topotecano em cápsulas (até 5 vezes a dose recomendada) e com topotecano intravenoso (até 10 vezes a dose recomendada). Os sinais e sintomas observados em caso de sobredosagem foram consistentes com os acontecimentos indesejáveis conhecidos associados com topotecano (ver secção 4.8). As principais complicações de uma sobredosagem são a supressão da medula óssea e mucosite. Além disso, foram notificadas enzimas hepáticas elevadas na sobredosagem por topotecano intravenoso.

Não exite nenhum antídoto conhecido para a sobredosagem com topotecano. Para uma gestão adicional deve atuar-se conforme clinícamente indicado ou de acordo com as recomendações do centro de intoxicações nacional, caso disponível.

5. PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS

5.1 Propriedades farmacodinâmicas

Grupo farmacoterapêutico: Outros Antioneoplásicos, código ATC: L01XX17.

A atividade antitumoral do topotecano envolve a inibição da topoisomerase-I, uma enzima intimamente envolvida na replicação do ADN porque alivia a tensão de torsão introduzida à frente do garfo de replicação em movimento. O topotecano inibe a topoisomerase-I estabilizando o complexo covalente da enzima com a cadeia clivada do ADN que é um intermediário do mecanismo catalítico. A consequência celular da inibição da topoisomerase-I pelo topotecano é a indução de proteínas associadas a quebras em cadeia simples do ADN.

Recidiva do CPPC

Um estudo de fase III (estudo 478) comparou topotecano oral mais Melhores Cuidados de Suporte (BSC) (n=71) com BSC em monoterapia (n=70) em doentes que tiveram recidiva após terapêutica de primeira linha (tempo médio até progressão [TTP] a partir da terapêutica de primeira linha: 84 dias para topotecano oral + BSC, 90 dias para BSC) e para os quais a repetição do tratamento com quimioterapia por via intravenosa não era considerada apropriada. O grupo de topotecano oral mais BSC teve a melhoria estatisticamente significativa na sobrevivência global comparativamente ao grupo com BSC em monoterapia (Log-rank p=0,0104). O risco relativo não ajustado para o grupo com topotecano oral com BSC relativamente ao grupo com BSC em monoterapia foi de 0,64 (IC 95

%: 0,45, 0,90). A sobrevivência média para doentes tratadas com topotecano + BSC foi de

25,9 semanas (IC 95%: 18,3; 31,6) comparativamente com 13,9 semanas (IC 95%: 11,1; 18,6) para doentes a receber BSC em monoterapia (p=0,0104).

As autonotificações dos doentes sobre os seus sintomas, usando uma avaliação sem ocultação demonstrou uma tendência consistente para benefício dos sintomas com topotecano oral +BSC.

Foram realizados um estudo de Fase 2 (Estudo 065) e um estudo de Fase 3 (Estudo 396) para avaliar a eficácia de topotecano oral versus topotecano intravenoso em doentes que apresentaram recidiva

≥ 90 dias após conclusão de um regime prévio de quimioterapia (ver Tabela 1). O topotecano oral e intravenoso foi associado a tratamento paliativo sintomático similar em doentes com recidiva do CPPC sensível, nas autonotificações dos doentes conforme avaliação em escala de sintomas sem ocultação em cada um destes estudos.

Tabela 1. Resumo da sobrevivência, taxa de resposta, e tempo até à progressão em doentes com CPPC tratados com HYCAMTYN oral ou HYCAMTIN intravenoso

 

Estudo 065

Estudo 396

 

Topotecano

Topotecano

Topotecano

Topotecano

 

oral

intravenoso

oral

intravenoso

 

(N = 52)

(N = 54)

(N = 153)

(N = 151)

Média de sobrevivência

32,3

25,1

33,0

35,0

(semanas)

 

 

 

 

(IC 95 %)

(26,3, 40,9)

(21,1, 33,0)

(29,1, 42,4)

(31,0, 37,1)

Risco relativo (IC 95 %)

0,88 (0,59, 1,31)

0,88 (0,7; 1,11)

Taxa de resposta (%)

23,1

14,8

18,3

21,9

(IC 95 %)

(11,6, 34,5)

(5,3, 24,3)

(12,2, 24,4)

(15,3, 28,5)

Diferença na taxas de

8,3 (-6,6, 23,1)

-3,6 (-12,6, 5,5)

resposta (IC 95 %)

 

 

 

 

Tempo médio até

14,9

13,1

11,9

14,6

progressão (semanas)

 

 

 

 

(IC 95 %)

(8,3, 21,3)

(11,6, 18,3)

(9,7, 14,1)

(13,3, 18,9)

Risco relativo (IC 95 %)

0,90 (0,60, 1,35)

1,21 (0,96, 1,53)

N= Número total de doentes tratados.

IC= Intervalo de confiança.

População pediátrica

Não foi estabelecida a segurança e eficácia de topotecano oral nos doentes pediátricos.

5.2 Propriedades farmacocinéticas

A farmacocinética do topotecano após administração oral foi avaliada em doentes com cancro após doses de 1,2 a 3,1 mg/m2/dia e 4 mg/m2/dia administradas diariamente durante 5 dias. A biodisponibilidade do topotecano oral (total e lactona) no humano é de aproximadamente 40 %. As concentrações plasmáticas de topotecano total (isto é, forma lactona e carboxilada) e topotecano lactona (agrupamento ativo) no pico, aproximadamente às 2,0 horas e 1,5 horas, respetivamente, e declínio bi-exponencial com tempo médio de vida terminal de aproximadamente 3,0 a 6,0 horas. A exposição total (AUC) aumenta aproximadamente em proporção à dose. A acumulação de topotecano com doses diárias repetidas é pequena ou nula e não existe evidência de alteração na farmacocinética após doses múltiplas. Os estudos pré-clínicos indicam que a ligação do topotecano às proteínas plasmáticas é baixa (35 %) e a distribuição entre as células sanguíneas e o plasma foi bastante homogénea.

A principal via de depuração do topotecano é por hidrólise do anel lactona para formar o anel aberto carboxilato. Para além da hidrólise, o topotecano é predominantemente depurado por via renal, com um componente menor metabolizado a N-desmetilo metabolito (SB-209780) identificado no plasma, urina e fezes. A recuperação global dos produtos relacionados com o medicamento após cinco dias de doses diárias de topotecano foi de 49 a 72 % (média 57 %) da dose oral administrada. Aproximadamente 20 % foi excretado como topotecano total e 2 % como topotecano N-desmetilo, na urina. A eliminação fecal de topotecano total foi de 33 % enquanto que a eliminação fecal de topotecano N-desmetilo foi de 1,5 %. No geral, o metabolito N-desmetilo teve um contributo médio de menos de 6 % (intervalo 4-8 %) do total dos produtos relacionados com o topotecano detetados na urina e fezes. Foram identificados na urina O-glucuronidos de ambos, topotecano e N-desmetilo topotecano. O rácio médio da AUC plasmática do metabolito: composto de origem foi inferior a 10 % para ambos topotecano total e topotecano lactona.

In vitro, o topotecano não inibiu as enzimas P450 humanas CYP1A2, CYP2A6, CYP2C8/9, CYP2C19, CYP2D6, CYP2E, CYP3A ou CYP4A nem inibiu as enzimas citosólicas humanas di-hidropirimidina ou xantina oxidase.

Após administração concomitante de ABCB1 (gp-P) e do inibidor ABCG2 (BCRP), elacridar (GF120918) de 100 a 1000 mg com topotecano oral, a AUC0-∞ de topotecano lactona e topotecano total aumentou aproximadamente 2,5 vezes (ver secção 4.5 para orientação).

A administração de ciclosporina A oral (15 mg/kg), um inibidor do transportador ABCB1 (gp-P) e ABCC1 (MRP-1) assim como a enzima metabolizadora CYP3A4, dentro das 4 horas de topotecano oral aumentou a AUC0-24h dose-normalizada de topotecano lactona e topotecano total aproximadamente 2,0 e 2,5 vezes, respetivamente (ver secção 4.5).

A medida de exposição foi similar após uma refeição rica em gordura e em jejum, enquanto o tmax sofreu um atraso de 1,5 para 3 horas (topotecano lactona) e de 3 para 4 horas (topotecano total).

A farmacocinética do topotecano oral não foi estudada em doentes com compromisso hepático (ver secção 4.2 e 4.4).

Os resultados de uma análise cruzada de estudos sugere que a exposição a topotecano lactona, a fração ativa após a administração de topotecano, aumenta em caso de diminuição da função renal. Em doentes com valores de depuração de creatinina superiores a 80 ml/min, 50 a 80 ml/min e 30 a 49 ml/min, a média geométrica dos valores AUC(0-∞) dose-normalizados de topotecano lactona foram 9,4, 11,1 e 12,0 ng*h/ml respetivamente. Nesta análise, a depuração da creatinina foi calculada utilizando o método Cockcroft-Gault. Foram obtidos resultados semelhantes quando a taxa de filtração glomerular (ml/min) foi estimada utilizando a fórmula MDRD corrigida para o peso corporal. Foram incluídos doentes com depuração da creatinina > 60 ml/min em estudos de eficácia/segurança com topotecano. Assim, a utilização da dose inicial normal em doentes com diminuição da função renal moderada, é considerada estabelecida (ver secção 4.2).

Os doentes coreanos com compromisso renal, tiveram geralmente maior exposição do que os doentes não asiáticos com o mesmo grau de compromisso renal. O significado clínico desta observação não é claro. Em doentes coreanos com valores de depuração da creatinina superior a 80 ml/min, 50 a 80 ml/min e 30 a 49 ml/min, a média geométrica dos valores AUC(0-∞) dose-normalizados de topotecano lactona foram 7,9, 12,9 e 19,7 ng*h/ml respetivamente (ver secção 4.2 e 4.4). Para além dos doentes coreanos, não existem dados para doentes asiáticos com compromisso renal.

Uma análise cruzada de estudos em 217 doentes com tumores sólidos avançados indicou que o género não afetou a farmacocinética de HYCAMTIN cápsulas numa extensão clinicamente relevante.

5.3 Dados de segurança pré-clínica

Resultante do seu mecanismo de ação, o topotecano é genotóxico para as células de mamíferos (células de linfoma do ratinho e linfocitos humanos) in vitro e para as células da medula óssea do ratinho in vivo. O topotecano também mostrou provocar letalidade embriofetal quando administrado a ratos e coelhos.

Nos estudos de toxicidade reprodutiva com topotecano em ratos não ocorreram efeitos na fertilidade do macho ou da fêmea; contudo, foi observado nas fêmeas uma superovulação e um aumento ligeiro na perda de pré-implantações.

Não foi estudado o potencial carcinogénico do topotecano.

6. INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS

6.1.Lista dos excipientes

Conteúdo da cápsula:

Óleo vegetal hidrogenado Monostearato de glicerilo

Cobertura da Cápsula:

Gelatina

Dióxido de titânio (E171)

Banda de fecho:

Gelatina

Tinta preta:

óxido de ferro preto (E172) goma-laca

etanol anidro – ver folheto informativo para mais informações propilenoglicol

álcool isopropílico butanol

solução concentrada de amónia hidróxido de potássio

6.2 Incompatibilidades

Não aplicável.

6.3 Prazo de validade

3 anos.

6.4 Precauções especiais de conservação

Conservar no frigorífico (2ºC – 8ºC).

Manter o blister dentro da embalagem exterior para proteger da luz.

Não congelar.

6.5 Natureza e conteúdo do recipiente

Blister de cloreto de polivinilo branco / policlorotrifluoroetileno selado com folha de alumínio / polietileno tereftalato (PET) / papel.

Os blisters são selados por película destacável de abertura resistente a crianças.

Cada blister contém 10 cápsulas.

6.6 Precauções especiais de eliminação e manuseamento

HYCAMTIN cápsulas não devem ser abertas ou esmagadas.

Os produtos não utilizados ou os resíduos devem ser eliminados de acordo com as exigências locais.

7. TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Novartis Europharm Limited

Frimley Business Park

Camberley GU16 7SR

Reino Unido

8. NÚMERO(S) DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

EU/1/96/027/006

9. DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO/RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Data da primeira autorização: 12/11/1996

Data da última renovação: 13/11/2006

10. DATA DA REVISÃO DO TEXTO

Informação pormenorizada sobre este medicamento está disponível na Internet no site da Agência Europeia de Medicamentos http://www.ema.europa.eu/.

1. NOME DO MEDICAMENTO

HYCAMTIN 1 mg cápsulas

2. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA

Cada cápsula contém cloridrato de topotecano equivalente a 1 mg de topotecano.

Lista completa de excipientes, ver secção 6.1.

3. FORMA FARMACÊUTICA

Cápsula.

As cápsulas são rosa opaco e impressas com ‘HYCAMTIN’ e ‘1 mg’.

4. INFORMAÇÕES CLÍNICAS

4.1 Indicações terapêuticas

HYCAMTIN cápsulas é indicado como monoterapia para o tratamento de doentes adultos com recidiva do cancro do pulmão de pequenas células (CPPC) para os quais a repetição do tratamento com o regime de 1ª linha não é considerada apropriada (ver secção 5.1).

4.2 Posologia e modo de administração

Modo de administração

HYCAMTIN cápsulas deve ser prescrito e a terapêutica supervisionada apenas por um médico experiente em quimioterapia.

Posologia

Dose inicial

A dose recomendada de HYCAMTIN cápsulas é de 2,3 mg/m2 de área corporal/dia administrada durante cinco dias consecutivos, com um intervalo de três semanas entre o início de cada ciclo. Se o tratamento for bem tolerado, pode continuar até progressão da doença (ver secções 4.8 e 5.1).

A(s) cápsula(s) devem ser engolidas inteiras, e não devem ser mastigadas, esmagadas ou divididas. As cápsulas de Hycamtin podem ser tomadas com ou sem alimentos (ver secção 5.2).

Antes da administração do primeiro ciclo com topotecano, os doentes devem ter, como valores base, uma contagem de neutrófilos ≥ 1,5 x 109/l, e uma contagem plaquetária ≥ 100 x 109/l e um nível de hemoglobina ≥ 9 g/dl (se necessário, após transfusão).

Doses subsequentes

O topotecano não deverá voltar a ser administrado a menos que a contagem de neutrófilos seja

≥ 1 x 109/l, a contagem plaquetária seja ≥ 100 x 109/l, e o nível de hemoglobina seja ≥ 9 g/dl (se necessário, após transfusão).

A prática usual em oncologia para o controlo da neutropenia é, administrar topotecano com outros medicamentos (por exemplo: G-CSF) ou reduzir a dose para manter a contagem de neutrófilos.

Se for escolhida a redução de dose para doentes que apresentem neutropenia grave (contagem de neutrófilos < 0,5 x 109/l), durante sete ou mais dias, ou neutropenia grave associada a febre ou infeção, ou que tiveram o tratamento adiado devido a neutropenia, a dose deve ser reduzida de 0,4 mg/m2/dia para 1,9 mg/m2/dia (ou reduzida posteriormente para 1,5 mg/m2/dia, se necessário).

As doses deverão ser igualmente reduzidas se a contagem plaquetária descer abaixo de 25 x 109/l. Nos ensaios clínicos, o topotecano era descontinuado se a dose necessitasse de ser reduzida para menos de 1,5 mg/m2.

Para doentes com diarreia de grau 3 ou 4, a dose deve ser reduzida em 0,4 mg/m2/dia nos ciclos subsequentes (ver secção 4.4). Doentes com diarreia de grau 2 podem necessitar de seguir as mesmas normas orientadoras de modificação de dose.

O tratamento pró – ativo da diarreia com agentes antidiarreicos é importante. Casos graves de diarreia podem requerer a administração oral ou intravenosa de eletrólitos e fluídos, e a interrupção da terapêutica com topotecano (ver secções 4.4 e 4.8).

Posologia em doentes com compromisso renal

A dose de topotecano oral recomendada, em monoterapia, em doentes com cancro do pulmão de pequenas células, com depuração da creatinina entre 30 e 49 ml/min é 1,9 mg/m2/dia durante cinco dias consecutivos. Se for bem tolerada, a dose pode ser aumentada para 2,3 mg/m2/dia em ciclos subsequentes (ver secção 5.2).

Dados limitados em doentes coreanos com depuração de creatinina inferior a 50 ml/min sugere que pode ser necessária uma posterior diminuição da dose (ver secção 5.2).

A informação disponível é insuficiente para recomendar uma posologia em doentes com depuração de creatinina < 30 ml/min.

Posologia em doentes com compromisso hepático

A farmacocinética de HYCAMTIN cápsulas não foi estudada especificamente em doentes com compromisso da função hepática. Os dados disponíveis com HYCAMTIN cápsulas neste grupo de doentes são limitados para permitir recomendar uma dose (ver secção 4.4).

População pediátrica

A experiência em crianças é limitada, pelo que, não é possível recomendar o tratamento de doentes pediátricos com HYCAMTIN (ver secção 5.1).

Idosos

De um modo geral, não foram observadas diferenças na efetividade entre doentes com mais de 65 anos e doentes adultos mais jovens. Contudo, nos dois estudos com administração de ambos topotecano oral e intravenoso, os doentes com mais de 65 anos a receber topotecano oral sofreram um aumento na diarreia relacionada com medicamento, comparativamente aos que tinham menos de 65 anos de idade (ver secção 4.4 e 4.8).

4.3 Contraindicações

HYCAMTIN está contraindicado em doentes que

têm história de hipersensibilidade grave à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes

estão a amamentar (ver secção 4.6)

já têm depressão grave da medula óssea antes do início do primeiro ciclo de tratamento, evidenciada por valores-base da contagem de neutrófilos 1,5 x 109/l e/ou uma contagem plaquetária de 100 x 109/l.

4.4 Advertências e precauções especiais de utilização

A toxicidade hematológica está relacionada com a dose e, o hemograma completo, incluindo contagem plaquetária, deverá ser monitorizado com regularidade (ver secção 4.2).

Tal como outros medicamentos citotóxicos, o topotecano pode causar mielossupressão grave.

Foi notificada mielossupressão, que conduziu a sepsis, e mortes devidas a sepsis em doentes tratados com topotecano (ver secção 4.8).

A neutropenia induzida pelo topotecano pode causar colite neutropenica. Foram notificados casos fatais devidos a colite neutropenica nos ensaios clínicos com topotecano. Deve ser considerada a possibilidade de colite neutropenica nos doentes que apresentem febre, neutropenia e um padrão compatível de dor abdominal.

O topotecano tem sido associado a notificações de doença pulmonar intersticial (DPI), algumas fatais (ver secção 4.8). Os fatores de risco subjacentes incluem história de DIP, fibrose pulmonar, cancro do pulmão, exposição torácica à radiação e o uso de medicamentos pneumotóxicos e/ou fatores de crescimento de colónias. Os doentes devem ser monitorizados quanto a sintomas pulmonares indicativos de DPI (por exemplo: tosse, febre, dispneia e/ou hipoxia), e o topotecano deve ser interrompido se for confirmado um novo diagnóstico de DIP.

O topotecano em monoterapia e o topotecano em associação com cisplatina são frequentemente associados com trombocitopenia clinicamente relevante. Este facto deve ser tido em consideração quando se prescreve HYCAMTIN, por exemplo, em casos em que os doentes com risco aumentado de hemorragia tumoral serem considerados para a terapêutica.

Como previsto, os doentes com mau performance status (PS > 1) têm uma menor taxa de resposta e uma incidência aumentada de complicações tais como febre, infeção e sepsis (ver secção 4.8). É importante a correta avaliação do performance status na altura da administração da terapêutica, para assegurar que os doentes não regrediram para performance status 3.

O topotecano é parcialmente eliminado por via renal e o compromisso renal pode levar a um aumento na exposição ao topotecano. Não foram estabelecidos ajustes na dose para doentes a receber topotecano oral com depuração de creatinina inferior a 30 ml/min. Não se recomenda a utilização de topotecano nestes doentes.

Foi administrado topotecano intravenoso a 1,5 mg/m2, durante cinco dias cada três semanas, a um reduzido número de doentes com compromisso hepático (bilirrubina sérica entre 1,5 e 10 mg/dl). Observou-se uma diminuição na depuração de topotecano. Contudo os dados disponíveis são insuficientes para fazer um ajuste na dose para este grupo de doentes. A experiência da utilização de topotecano em doentes com compromisso da função hepática grave (bilirrubina sérica ≥ 10 mg/dl) é insuficiente. Não se recomenda o uso de topotecano nestes doentes.

Durante o tratamento com topotecano oral, foi notificado diarreia, incluindo diarreia grave que requereu internamento. A diarreia relacionada com topotecano oral pode ocorrer ao mesmo tempo que a neutropenia e respetivas sequelas, relacionadas com o medicamento. É importante alertar os doentes para estes efeitos secundários previamente à administração do medicamento e efetuar um tratamento pró – ativo e antecipado de todos os sinais e sintomas de diarreia. A diarreia induzida pelo tratamento do cancro (DITC) está associada a uma morbilidade significativa e pode pôr a vida em risco. Caso ocorra diarreia durante o tratamento com topotecano oral, aconselha-se os médicos a um tratamento agressivo da diarreia. As normas clínicas que descrevem o tratamento da DITC incluem recomendações específicas sobre informação e sensibilização dos doentes, reconhecimento dos sintomas de alerta iniciais, utilização de antidiarreicos e antibióticos, alterações na ingestão de fluidos e dieta, e necessidade de internamento (ver secções 4.2 e 4.8).

O topotecano intravenoso deve ser considerado nas seguintes situações clínicas: emese não controlada, transtornos na deglutição, diarreia não controlada, condições clínicas e medicação que possam alterar a motilidade gastrointestinal e a absorção de medicamentos.

4.5 Interações medicamentosas e outras formas de interação

Não foram efetuados estudos de interação farmacocinética in vivo no ser humano.

O topotecano não inibe as enzimas P450 humanas (ver secção 5.2). Num estudo populacional por via intravenosa, a administração concomitante de granissetrom, ondansetrom, morfina ou corticosteroides não demonstrou ter um efeito significativo na farmacocinética do topotecano total (formas ativa e inativa).

O topotecano é um substrato para ambas ABCB1 (glicoproteína-P) e ABCG2 (BCRP). Os inibidores da ABCB1 e ABCG2 administrados com topotecano oral demonstraram aumentar a exposição ao topotecano.

A ciclosporina A (um inibidor da ABCB1, ABCC1 [MRP-1], e CYP3A4) administrada com topotecano oral aumentou a AUC do topotecano para aproximadamente 2 - 2,5 vezes o controlo.

Os doentes devem ser cuidadosamente monitorizados quanto a reações adversas quando o topotecano oral é administrado com um medicamento que se saiba inibir a ABCB1 ou a ABCG2 (ver secção 5.2).

Quando o topotecano é associado a outros quimioterápicos poderá ser necessária uma diminuição da dose de cada medicamento, para melhorar a tolerabilidade. Contudo, ao associar platinos, existe uma interação sequência-dependente distinta, dependendo se o composto platinado é administrado no dia 1 ou 5 do regime terapêutico de topotecano. Se a cisplatina ou a carboplatina for administrada no dia 1 do regime de topotecano, devem ser prescritas doses mais baixas de cada um dos compostos de forma a melhorar a tolerabilidade, comparativamente às doses de cada composto que podem ser administradas se o composto de platina for administrado no dia 5 do regime com topotecano. A experiência atual da associação de topotecano oral com outros fármacos quimioterapêuticos é limitada.

A farmacocinética do topotecano manteve-se na generalidade inalterada quando administrado concomitantemente com ranitidina.

4.6 Fertilidade, gravidez e aleitamento

Contraceção masculina e feminina

Tal como com toda a quimioterapia citotóxica, deverão ser aconselhados métodos contracetivos eficazes quando um dos parceiros é tratado com topotecano.

Mulheres com potencial para engravidar

O topotecano demonstrou, em estudos pré-clínicos, causar letalidade embriofetal e malformações (ver secção 5.3). Tal como outros medicamentos citotóxicos, o topotecano pode causar danos fetais e por isso mulheres em idade fértil devem ser aconselhadas a evitar engravidar durante o tratamento com topotecano.

Gravidez

Caso o topotecano seja utilizado durante a gravidez, ou caso a doente fique grávida durante a terapêutica com topotecano, a doente deve ser advertida dos riscos potenciais para o feto.

Amamentação

O topotecano está contraindicado durante o aleitamento (ver secção 4.3). Embora não se saiba se o topotecano é excretado no leite materno humano, a amamentação deve ser interrompida no início da terapêutica.

Fertilidade

Não foram observados efeitos na fertilidade no macho ou na fêmea nos estudos de toxicidade reprodutiva em ratos (ver secção 5.3). Contudo, tal como outros medicamentos citotóxicos, o topotecano é genotóxico e não podem ser excluídos efeitos na fertilidade, incluindo fertilidade masculina.

4.7 Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

Não foram estudados os efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas. No entanto, deverá ter-se o máximo cuidado durante a condução ou utilização de máquinas se persistir fadiga e astenia.

4.8 Efeitos indesejáveis

Nos ensaios clínicos que envolveram doentes com recidiva do cancro do pulmão de pequenas células, a dose limite de toxicidade do topotecano por via oral em monoterapia demonstrou ser hematológica. A toxicidade foi previsível e reversível. Não houve sinais de toxicidade hematológica cumulativa ou toxicidade não hematológica.

As frequências associadas com acontecimentos adversos hematológicos e não hematológicos apresentadas são para acontecimentos adversos considerados estar relacionados/possivelmente relacionados com terapêutica com topotecano oral.

As reações adversas estão listadas abaixo, por classes de sistemas de órgãos e frequência absoluta (todos os acontecimentos notificados). As frequências são definidas como: Muito frequentes ( 1/10), Frequentes ( 1/100 e < 1/10), Pouco frequentes ( 1/1000 e < 1/100), Raros ( 1/10 000 e < 1/1000), Muito raros (< 1/10 000), incluindo notificações isoladas e desconhecidas (não podem ser calculadas a partir dos dados disponíveis).

Os efeitos indesejáveis são apresentados por ordem decrescente de gravidade dentro de cada classe de frequência.

Doenças do sangue e do sistema linfático

Muito frequentes: neutropenia febril, neutropenia (ver Doenças gastrointestinais), trombocitopénia, anemia, leucopenia

Frequentes: pancitopenia

Desconhecidas: hemorragia grave (associada com trombocitopenia)

Doenças respiratórias, torácicas e do mediastino

Raros: doença pulmonar intersticial (alguns casos foram fatais)

Doenças gastrointestinais

Muito frequentes: náuseas, vómitos e diarreia (que podem ser graves), que pode conduzir à desidratação (ver secções 4.2 e 4.4)

Frequentes: dor abdominal1, obstipação, mucosite, dispepsia

1Foi notificada a ocorrência de colite neutropenica, incluindo colite neutropenica fatal, como complicações da neutropenia induzida pelo topotecano (ver secção 4.4).

Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos

Muito frequentes: alopecia

Frequentes: prurido

Doenças do metabolismo e da nutrição

Muito frequentes: anorexia (que pode ser grave)

Infeções e infestações

Muito frequentes: infeção Frequente: sepsis2

2Foram notificadas mortes devido à sepsis em doentes tratados com topotecano (ver secção 4.4)

Perturbações gerais e alterações no local de administração

Muito frequentes: fadiga

Frequentes: astenia, pirexia, mal-estar

Doenças do sistema imunitário

Frequentes: reação de hipersensibilidade incluindo erupções cutâneas

Desconhecidas: reações anafiláticas, angioedema, urticária

Afeções hepatobiliares

Muito raros: hiperbilirrubinémia

A incidência dos acontecimentos adversos acima listados têm o potencial de ocorrer com maior frequência em doentes que têm um mau performance status (ver secção 4.4).

Os dados de segurança apresentados são baseados em dados integrados de 682 doentes com recidiva de cancro do pulmão a quem foram administrados 2536 ciclos de topotecano oral em monoterapia (275 doentes com recidiva de CPPC e 407 com recidiva de cancro não CPPC).

Hematológicos

Neutropenia: ocorreu neutropenia grave (Grau 4 – contagem de neutrófilos < 0,5 x 109/l) em 32 % dos doentes em 13 % dos ciclos. O tempo médio até ao início da neutropenia grave foi o Dia 12 com uma duração média de 7 dias. Em 34 % dos ciclos com neutropenia grave, a duração foi > 7 dias. No 1º ciclo a incidência foi de 20 %, no 4º ciclo a incidência foi de 8 %. Ocorreu infeção, sepsis e neutropenia febril em 17 %, 2 % e 4 % dos doentes, respetivamente. Ocorreu morte associada a sepsis em 1 % dos doentes. Foi notificada pancitopenia. Foram administrados fatores de crescimento a 19 % dos doentes em 8 % dos ciclos.

Trombocitopenia: Ocorreu trombocitopenia grave (Grau 4 – contagem plaquetária inferior a

10 x 109/l) em 6 % dos doentes em 2 % dos ciclos. O tempo médio até ao início da trombocitopenia grave foi o Dia 15 com uma duração média de 2,5 dias. Em 18 % dos ciclos com trombocitopenia grave a duração foi > 7 dias. Ocorreu trombocitopenia moderada (Grau 3 – contagem plaquetária entre 10,0 e 50,0 x 109/l) em 29 % dos doentes em 14 % dos ciclos. Foram administradas transfusões de plaquetas em 10 % dos doentes em 4 % dos ciclos. Foram pouco frequentes notificações de sequelas significativas associadas com trombocitopenia, incluindo casos de morte devido a hemorragia tumoral.

Anemia: Ocorreu anemia moderada a grave (Grau 3 e 4 – Hb ≤ 8,0 g/dl) em 25 % dos doentes (12 % dos cursos). O tempo médio até ao início da anemia moderada a grave foi o Dia 12 com uma duração média de 7 dias. Em 46 % dos ciclos com anemia moderada a grave, a duração foi > 7 dias. Foram administradas transfusões de eritrócitos em 30 % dos doentes (13 % dos ciclos). Foi administrada eritropoetina a 10 % dos doentes em 8 % dos ciclos.

Não Hematológicos

Os efeitos não hematológicos mais frequentemente notificados foram náuseas (37 %), diarreia (29 %), fadiga (26 %), vómitos (24 %), alopecia (21 %) e anorexia (18 %). Todos os casos foram associados independentemente da causalidade. Para os casos graves (grau 3/4 CTC) notificados como relacionados/possivelmente relacionados com a administração de topotecano a incidência foi diarreia 5 % (ver secção 4.4), fadiga 4 %, vómitos 3 %, náuseas 3 % e anorexia 2 %.

A incidência global de diarreia relacionada com o medicamento foi 22 %, incluindo 4 % com Grau 3 e 0,4 % com Grau 4. A diarreia relacionada com o medicamento foi mais frequente em doentes

≥ 65 anos de idade (28 %) comparativamente àqueles com menos de 65 anos de idade (19 %).

Foi observada alopecia total relacionada/possivelmente relacionada com a administração de topotecano em 9 % dos doentes e alopecia parcial relacionada/possivelmente relacionada com a administração de topotecano em 11 % dos doentes.

As intervenções terapêuticas associadas a efeitos não hematológicos incluiram fármacos anti-eméticos, administrados a 47 % dos doentes em 38 % dos ciclos e fármacos antidiarreicos, administrados a 15 % dos doentes em 6 % dos ciclos. Foi administrado um antagonista 5-HT3 a 30 % dos doentes em 24 % dos ciclos. Foi administrada loperamida a 13 % dos doentes em 5 % dos ciclos. O tempo médio até ao início da diarreia de grau 2 ou mais grave foi 9 dias.

Notificação de suspeitas de reações adversas

A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através do sistema nacional de notificação mencionado no Apêndice V.

4.9 Sobredosagem

Foram notificados casos de sobredosagem em doentes tratados com topotecano em cápsulas (até 5 vezes a dose recomendada) e com topotecano intravenoso (até 10 vezes a dose recomendada) Os sinais e sintomas observados em caso de sobredosagem foram consistentes com os acontecimentos indesejáveis conhecidos associados com topotecano (ver secção 4.8). As principais complicações de uma sobredosagem são a supressão da medula óssea e mucosite. Além disso, foram notificadas enzimas hepáticas elevadas na sobredosagem por topotecano intravenoso.

Não exite nenhum antídoto conhecido para a sobredosagem com topotecano. Para uma gestão adicional deve atuar-se conforme clinícamente indicado ou de acordo com as recomendações do centro de intoxicações nacional, caso disponível.

5. PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS

5.1 Propriedades farmacodinâmicas

Grupo farmacoterapêutico: Outros Antioneoplásicos, código ATC: L01XX17.

A atividade antitumoral do topotecano envolve a inibição da topoisomerase-I, uma enzima intimamente envolvida na replicação do ADN porque alivia a tensão de torsão introduzida à frente do garfo de replicação em movimento. O topotecano inibe a topoisomerase-I estabilizando o complexo covalente da enzima com a cadeia clivada do ADN que é um intermediário do mecanismo catalítico. A consequência celular da inibição da topoisomerase-I pelo topotecano é a indução de proteínas associadas a quebras em cadeia simples do ADN.

Recidiva do CPPC

Um estudo de fase III (estudo 478) comparou topotecano oral mais Melhores Cuidados de Suporte (BSC) (n=71) com BSC em monoterapia (n=70) em doentes que tiveram recidiva após terapêutica de primeira linha (tempo médio até progressão [TTP] a partir da terapêutica de primeira linha: 84 dias para topotecano oral + BSC, 90 dias para BSC) e para os quais a repetição do tratamento com quimioterapia por via intravenosa não era considerada apropriada. O grupo de BSC mais topotecano oral teve uma melhoria estatisticamente significativa na sobrevivência global comparativamente ao grupo com apenas BSC (Log-rank p=0,0104). O risco relativo não ajustado para o grupo de topotecano oral mais BSC, relativamente ao grupo de apenas BSC foi 0,64 (IC 95 %: 0,45, 0,90). A sobrevivência média para doentes tratadas com topotecano + BSC foi de 25,9 semanas (IC 95

%: 18,3; 31,6) comparativamente com 13,9 semanas (IC 95 %: 11,1; 18,6) para doentes a receber BSC em monoterapia (p=0,0104).

As autonotificações dos doentes sobre os seus sintomas usando uma avaliação sem ocultação demonstrou uma tendência consistente para benefício dos sintomas com topotecano oral +BSC.

Foram realizados um estudo de Fase 2 (Estudo 065) e um estudo de Fase 3 (Estudo 396) para avaliar a eficácia de topotecano oral versus topotecano intravenoso em doentes que apresentaram recidiva

≥ 90 dias após conclusão de um regime prévio de quimioterapia (ver Tabela 1). O topotecano oral e intravenoso foi associado a tratamento paliativo sintomático similar em doentes com recidiva do CPPC sensível, nas autonotificações dos doentes conforme avaliação em escala de sintomas sem ocultação em cada um destes estudos.

Tabela 1. Resumo da sobrevivência, taxa de resposta, e tempo até à progressão em doentes com CPPC tratados com HYCAMTYN oral ou HYCAMTIN intravenoso

 

Estudo 065

Estudo 396

 

Topotecano

Topotecano

Topotecano

Topotecano

 

oral

intravenoso

oral

intravenoso

 

(N = 52)

(N = 54)

(N = 153)

(N = 151)

Média de sobrevivência

32,3

25,1

33,0

35,0

(semanas)

 

 

 

 

(IC 95 %)

(26,3, 40,9)

(21,1, 33,0)

(29,1, 42,4)

(31,0, 37,1)

Risco relativo (IC 95 %)

0,88 (0,59, 1,31)

0,88 (0,7; 1,11)

Taxa de resposta (%)

23,1

14,8

18,3

21,9

(IC 95 %)

(11,6, 34,5)

(5,3, 24,3)

(12,2, 24,4)

(15,3, 28,5)

Diferença na taxas de

8,3 (-6,6, 23,1)

-3,6 (-12,6, 5,5)

resposta (IC 95 %)

 

 

 

 

Tempo médio até

14,9

13,1

11,9

14,6

progressão (semanas)

 

 

 

 

(IC 95 %)

(8,3, 21,3)

(11,6, 18,3)

(9,7, 14,1)

(13,3, 18,9)

Risco relativo (IC 95 %)

0,90 (0,60, 1,35)

1,21 (0,96, 1,53)

N= Número total de doentes tratados.

IC= Intervalo de confiança.

População pediátrica

Não foi estabelecida a segurança e eficácia de topotecano oral nos doentes pediátricos.

5.2 Propriedades farmacocinéticas

A farmacocinética do topotecano após administração oral foi avaliada em doentes com cancro após doses de 1,2 a 3,1 mg/m2/dia e 4 mg/m2/dia administradas diariamente durante 5 dias. A biodisponibilidade do topotecano oral (total e lactona) no humano é de aproximadamente 40 %. As concentrações plasmáticas de topotecano total (isto é, forma lactona e carboxilada) e topotecano lactona (agrupamento ativo) no pico, aproximadamente às 2,0 horas e 1,5 horas, respetivamente, e declínio bi-exponencial com tempo médio de vida terminal de aproximadamente 3,0 a 6,0 horas. A exposição total (AUC) aumenta aproximadamente em proporção à dose. A acumulação de topotecano com doses diárias repetidas é pequena ou nula e não existe evidência de uma alteração na farmacocinética após doses múltiplas. Os estudos pré-clínicos indicam que a ligação do topotecano às proteínas plasmáticas é baixa (35 %) e a distribuição entre as células sanguíneas e o plasma foi bastante homogénea.

A principal via de depuração do topotecano é por hidrólise do anel lactona para formar o anel aberto carboxilato. Para além da hidrólise, o topotecano é predominantemente depurado por via renal, com um componente menor metabolizado a N-desmetilo metabolito (SB-209780) identificado no plasma, urina e fezes. A recuperação global dos produtos relacionados com o medicamento após cinco dias de doses diárias de topotecano foi de 49 a 72 % (média 57 %) da dose oral administrada. Aproximadamente 20 % foi excretado como topotecano total e 2 % como topotecano N-desmetilo, na urina. A eliminação fecal de topotecano total foi de 33 % enquanto que a eliminação fecal de topotecano N-desmetilo foi de 1,5 %. No geral, o metabolito N-desmetilo teve um contributo médio de menos de 6 % (intervalo 4-8 %) do total dos produtos relacionados com o topotecano detetados na urina e fezes. Foram identificados na urina O-glucuronidos de ambos, topotecano e N-desmetilo

topotecano. O rácio médio da AUC plasmática do metabolito: composto de origem foi inferior a 10 % para ambos topotecano total e topotecano lactona.

In vitro, o topotecano não inibiu as enzimas P450 humanas CYP1A2, CYP2A6, CYP2C8/9, CYP2C19, CYP2D6, CYP2E, CYP3A ou CYP4A nem inibiu as enzimas citosólicas humanas di-hidropirimidina ou xantina oxidase.

Após administração concomitante de ABCB1 (gp-P) e do inibidor ABCG2 (BCRP), elacridar (GF120918) de 100 a 1000 mg com topotecano oral, a AUC0-∞ de topotecano lactona e topotecano total aumentou aproximadamente 2,5 vezes (ver secção 4.5 para orientação).

A administração de ciclosporina A oral (15 mg/kg), um inibidor do transportador ABCB1 (gp-P) e ABCC1 (MRP-1) assim como a enzima metabolizadora CYP3A4, dentro das 4 horas de topotecano oral aumentou a AUC0-24h dose-normalizada de topotecano lactona e topotecano total aproximadamente 2,0 e 2,5 vezes respetivamente (ver secção 4.5).

A medida de exposição foi similar após uma refeição rica em gordura e em jejum, enquanto o tmax sofreu um atraso de 1,5 para 3 horas (topotecano lactona) e de 3 para 4 horas (topotecano total).

A farmacocinética do topotecano oral não foi estudada em doentes com compromisso renal ou hepático (ver secção 4.2 e 4.4).

Os resultados de uma análise cruzada de estudos sugere que a exposição a topotecano lactona, a fração ativa após a administração de topotecano, aumenta em caso de diminuição da função renal. Em doentes com valores de depuração de creatinina superiores a 80 ml/min, 50 a 80 ml/min e 30 a 49 ml/min, a média geométrica dos valores AUC(0-∞) dose-normalizados de topotecano lactona foram 9,4, 11,1 e 12,0 ng*h/ml respetivamente. Nesta análise, a depuração da creatinina foi calculada utilizando o método Cockcroft-Gault. Foram obtidos resultados semelhantes quando a taxa de filtração glomerular (ml/min) foi estimada utilizando a fórmula MDRD corrigida para o peso corporal. Foram incluídos doentes com depuração da creatinina > 60 ml/min em estudos de eficácia/segurança com topotecano. Assim, a utilização da dose inicial normal em doentes com diminuição da função renal moderada, é considerada estabelecida (ver secção 4.2).

Os doentes coreanos com compromisso renal, tiveram geralmente maior exposição do que os doentes não asiáticos com o mesmo grau de compromisso renal. O significado clínico desta observação não é claro. Em doentes coreanos com valores de depuração da creatinina superior a 80 ml/min, 50 a 80 ml/min e 30 a 49 ml/min, a média geométrica dos valores AUC(0-∞) dose-normalizados de topotecano lactona foram 7,9, 12,9 e 19,7 ng*h/ml respetivamente (ver secção 4.2 e 4.4). Para além dos doentes coreanos, não existem dados para doentes asiáticos com compromisso renal.

Uma análise cruzada de estudos em 217 doentes com tumores sólidos avançados indicou que o género não afetou a farmacocinética de HYCAMTIN cápsulas numa extensão clinicamente relevante.

5.3 Dados de segurança pré-clínica

Resultante do seu mecanismo de ação, o topotecano é genotóxico para as células de mamíferos (células de linfoma do ratinho e linfocitos humanos) in vitro e para as células da medula óssea do ratinho in vivo. O topotecano também mostrou provocar letalidade embriofetal quando administrado a ratos e coelhos.

Nos estudos de toxicidade reprodutiva com topotecano em ratos não ocorreram efeitos na fertilidade do macho ou da fêmea; contudo, foi observado nas fêmeas uma superovulação e um aumento ligeiro na perda de pré-implantações.

Não foi estudado o potencial carcinogénico do topotecano.

6. INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS

6.1. Lista dos excipientes

Conteúdo da cápsula:

Óleo vegetal hidrogenado Monostearato de glicerilo

Cobertura da Cápsula:

Gelatina

Dióxido de titânio (E171) Óxido de ferro vermelho (E172)

Banda de fecho:

Gelatina

Tinta preta:

óxido de ferro preto (E172) goma-laca

etanol anidro – ver folheto informativo para mais informações propilenoglicol

álcool isopropílico butanol

solução concentrada de amónia hidróxido de potássio

6.2 Incompatibilidades

Não aplicável.

6.3 Prazo de validade

3 anos.

6.4 Precauções especiais de conservação

Conservar no frigorífico (2ºC – 8ºC).

Manter o blister dentro da embalagem exterior para proteger da luz.

Não congelar.

6.5 Natureza e conteúdo do recipiente

Blister de cloreto de polivinilo branco / policlorotrifluoroetileno selado com folha de alumínio / polietileno tereftalato (PET) / papel.

Os blisters são selados por película destacável de abertura resistente a crianças.

Cada blister contém 10 cápsulas.

6.6 Precauções especiais de eliminação e manuseamento

HYCAMTIN cápsulas não devem ser abertas ou esmagadas.

Os produtos não utilizados ou os resíduos devem ser eliminados de acordo com as exigências locais.

7. TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Novartis Europharm Limited

Frimley Business Park

Camberley GU16 7SR

Reino Unido

8. NÚMERO(S) DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

EU/1/96/027/007

9. DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO/RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Data da primeira autorização: 12/11/1996

Data da última renovação: 13/11/2006

10. DATA DA REVISÃO DO TEXTO

Informação pormenorizada sobre este medicamento está disponível na Internet no site da Agência Europeia de Medicamentos http://www.ema.europa.eu/.

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