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Jinarc (tolvaptan) – Resumo das características do medicamento - C03XA01

Updated on site: 08-Oct-2017

Nome do medicamentoJinarc
Código ATCC03XA01
Substânciatolvaptan
FabricanteOtsuka Pharmaceutical Europe Ltd

Este medicamento está sujeito a monitorização adicional. Isto irá permitir a rápida identificação de nova informação de segurança. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas. Para saber como notificar reações adversas, ver secção 4.8.

1.NOME DO MEDICAMENTO

Jinarc 15 mg comprimidos

2.COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA

Cada comprimido contém 15 mg de tolvaptano.

Excipiente(s) com efeito conhecido:

Cada comprimido de 15 mg contém aproximadamente 35 mg de lactose (sob a forma mono-hidratada).

Lista completa de excipientes, ver secção 6.1

3.FORMA FARMACÊUTICA

Comprimido

Azul, triangular (eixo maior: 6,58 mm, eixo menor: 6,20 mm), ligeiramente convexo, gravado com “OTSUKA” e “15” num dos lados.

4.INFORMAÇÕES CLÍNICAS

4.1Indicações terapêuticas

Jinarc é indicado para abrandar a progressão do desenvolvimento de quistos e insuficiência renal da doença poliquística renal autossómica dominante (DPRAD) em adultos com doença renal crónica (DRC) em estádios 1 a 3 no início do tratamento com indícios de doença em rápida progressão (ver secção 5.1).

4.2Posologia e modo de administração

O tratamento com tolvaptano deve ser iniciado e monitorizado sob a supervisão de médicos com experiência no tratamento de DPRAD e conhecimento pleno dos riscos da terapia com tolvaptano incluindo toxicidade hepática e requisitos de monitorização (ver secção 4.4).

Posologia

Jinarc deve ser administrado duas vezes por dia em regimes de dose dividida de 45 mg + 15 mg,

60 mg + 30 mg ou 90 mg + 30 mg. A dose matinal deve ser tomada pelo menos 30 minutos antes da refeição da manhã. A segunda dose diária pode ser tomada com ou sem alimentos. De acordo com estes regimes de dose dividida, as doses diárias totais são de 60, 90 ou 120 mg.

Titulação da dose

A dose inicial é de 60 mg de tolvaptano por dia como regime de dose dividida de 45 mg + 15 mg

(45 mg tomados ao acordar e antes da refeição da manhã e 15 mg tomados 8 horas mais tarde). A dose inicial deve ser aumentada para um regime de dose dividida de 90 mg de tolvaptano (60 mg + 30 mg) por dia e depois para um regime alvo de dose dividida de 120 mg de tolvaptano (90 mg + 30 mg) por dia, caso seja tolerado, com pelo menos intervalos semanais entre as titulações. A titulação da dose

tem de ser efetuada com prudência para assegurar que as doses elevadas não sejam mal toleradas devido a uma titulação excessivamente rápida. As doses dos doentes poderão ser reduzidas com base na tolerabilidade. Os doentes têm de ser mantidos na dose mais elevada tolerável de tolvaptano.

O objetivo da titulação da dose é bloquear a atividade da vasopressina no recetor V2 renal da forma mais completa e constante possível, mantendo ao mesmo tempo um equilíbrio de fluidos aceitável (ver secção 4.4). Recomendam-se medições da osmolalidade urinária para monitorizar a adequação da inibição da vasopressina. A monitorização periódica da osmolalidade plasmática ou do sódio sérico (para calcular a osmolalidade plasmática) e/ou do peso corporal deve ser considerada para monitorizar o risco de desidratação secundária aos efeitos aquaréticos de tolvaptano em caso de ingestão insuficiente de água pelo doente.

A segurança e eficácia de Jinarc na DRC em estádio 5 não foram devidamente exploradas e portanto o tratamento com tolvaptano deve ser descontinuado se a insuficiência renal progredir para DRC em estádio 5.

A dose matinal de Jinarc deve ser tomada pelo menos 30 minutos antes da refeição da manhã. A segunda dose diária pode ser tomada com ou sem alimentos.

A terapia tem de ser interrompida se a capacidade para beber ou a acessibilidade a água for limitada (ver secção 4.4). Tolvaptano não deve ser tomado com sumo de toranja (ver secção 4.5). Os doentes devem receber instruções para beberem quantidades suficientes de água ou outros fluidos aquosos (ver secção 4.4).

Ajuste da dose para doentes a tomar inibidores fortes do CYP3A

Nos doentes a tomar inibidores fortes do CYP3A (ver secção 4.5), as doses de tolvaptano têm de ser reduzidas da seguinte forma:

Dose dividida diária de tolvaptano

Dose reduzida (uma vez por dia)

90+30 mg

30 mg

 

(redução adicional para 15 mg se 30 mg

 

não forem bem tolerados)

60+30 mg

30 mg

 

(redução adicional para 15 mg se 30 mg

 

não forem bem tolerados)

45+15 mg

15 mg

Ajuste da dose para doentes a tomar inibidores moderados do CYP3A

Nos doentes a tomar inibidores moderados do CYP3A, as doses de tolvaptano têm de ser reduzidas da seguinte forma:

Dose dividida diária de tolvaptano

Dose dividida reduzida

90+30 mg

45+15 mg

60+30 mg

30+15 mg

45+15 mg

15+15 mg

Terão de ser consideradas reduções adicionais se os doentes não conseguirem tolerar as doses reduzidas de tolvaptano.

População idosa

O aumento da idade não tem efeito nas concentrações plasmáticas de tolvaptano. No entanto, a segurança e a eficácia de tolvaptano em doentes com DPRAD com mais de 50 anos não foram ainda estabelecidas.

Compromisso renal

Tolvaptano é contraindicado em doentes anúricos (ver secção 4.3).

Não é necessário o ajuste da dose em doentes com compromisso renal. Não foram realizados ensaios clínicos em indivíduos com uma depuração da creatinina <10 ml/min ou em doentes sujeitos a diálise. O risco de lesões hepáticas em doentes com função renal gravemente reduzida (isto é, eGFR <20) pode aumentar; estes doentes devem ser cuidadosamente monitorizados quanto à toxicidade hepática. Os dados relativos aos doentes com DRC em estádio 3 são mais limitados do que os relativos aos doentes no estádio 1 ou 2 (ver secção 5.1).

Compromisso hepático

Nos doentes com compromisso hepático grave, os benefícios e riscos do tratamento com Jinarc têm de ser cuidadosamente avaliados. Os doentes devem ser cuidadosamente controlados e as enzimas hepáticas devem ser regularmente monitorizadas (ver secção 4.4).

Jinarc é contraindicado em doentes com enzimas hepáticas elevadas e/ou sinais ou sintomas de lesão hepática antes do início do tratamento que satisfaçam os requisitos para descontinuação permanente do tolvaptano (ver secções 4.3 e 4.4).

Não é necessário o ajuste da dose em doentes com compromisso hepático ligeiro ou moderado (classes de Child-Pugh A e B).

População pediátrica

A segurança e a eficácia de tolvaptano em crianças e adolescentes não foram ainda estabelecidas. Não existem dados disponíveis. Tolvaptano não é recomendado no grupo etário pediátrico.

Modo de administração

Via oral.

Os comprimidos devem ser engolidos, sem mastigar, com um copo de água.

4.3Contraindicações

Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes mencionados na secção 6.1

Enzimas hepáticas elevadas e/ou sinais ou sintomas de lesão hepática antes do início do tratamento que satisfaçam os requisitos para descontinuação permanente do tolvaptano (ver secção 4.4)

Anúria

Depleção do volume

Hipernatremia

Doentes que não conseguem ter perceção da sede ou responder à sede

Gravidez (ver secção 4.6)

Aleitamento (ver secção 4.6)

4.4Advertências e precauções especiais de utilização

Toxicidade hepática idiossincrática

Tolvaptano foi associado a elevações idiossincráticas da alanina aminotransferase e da aspartato aminotransferase (ALT e AST) no sangue com casos infrequentes de elevações concomitantes da bilirrubina total (BT).

Num ensaio controlado por placebo, em dupla ocultação, em doentes com DPRAD, foi observada elevação (>3 x limite superior do normal [LSN]) da ALT em 4,4% (42/958) dos doentes a tomar tolvaptano e 1,0% (5/484) dos doentes a tomar placebo, enquanto a elevação (>3xLSN) da AST foi observada em 3,1% (30/958) dos doentes a tomar tolvaptano e 0,8% (4/484) dos doentes a tomar placebo. Dois (2/957, 0,2%) destes doentes tratados com tolvaptano, assim como um terceiro doente de um ensaio de prolongamento aberto, exibiram aumentos das enzimas hepáticas (>3xLSN) com elevações concomitantes da BT (>2xLSN). O período de aparecimento de lesão hepatocelular (por elevações da ALT >3xLSN) foi dentro de 3 a 14 meses após o início do tratamento e estes aumentos foram reversíveis, com a ALT a voltar a <3xLSN dentro de 1 a 4 meses. Embora estas elevações concomitantes fossem reversíveis com a descontinuação imediata de tolvaptano, representam um

potencial de lesão hepática significativa. Alterações semelhantes com outros medicamentos foram associadas ao potencial de causar lesões hepáticas irreversíveis e potencialmente fatais.

Os médicos que receitam o medicamento têm de cumprir totalmente as medidas de segurança exigidas abaixo.

Para minimizar o risco de lesões hepáticas significativas e/ou irreversíveis, são necessárias análises sanguíneas de transaminases hepáticas e bilirrubina antes de iniciar o tratamento com Jinarc, que continuarão mensalmente durante 18 meses e a intervalos regulares de 3 meses daí em diante. Recomenda-se a monitorização concomitante de sintomas que possam indicar lesão hepática (como fadiga, anorexia, náuseas, desconforto abdominal superior direito, vómitos, febre, erupção cutânea, prurido, urina escura ou iterícia).

Se um doente apresentar níveis anormais de ALT, AST ou BT antes do início do tratamento que satisfaçam os critérios de descontinuação permanente (ver abaixo), o uso de tolvaptano é contraindicado (ver secção 4.3). No caso de níveis basais anormais abaixo dos limites para a descontinuação permanente, o tratamento só pode ser iniciado se os potenciais benefícios do tratamento superarem os potenciais riscos, devendo os testes da função hepática continuar com maior frequência. Recomenda-se o parecer de um hepatologista.

Durante os primeiros 18 meses de tratamento, Jinarc só pode ser fornecido a doentes cujo médico tenha determinado que a função hepática suporta a continuação da terapia.

Com o aparecimento de sintomas ou sinais compatíveis com lesão hepática ou se forem detetados aumentos anormais de ALT ou AST durante o tratamento, a administração de Jinarc tem de ser interrompida, sendo necessário repetir as análises, incluindo ALT, AST, BT e fosfatase alcalina (AP), o mais rapidamente possível (idealmente dentro de 48 a 72 horas). As análises devem continuar com maior frequência até os sintomas/sinais/anomalias laboratoriais estabilizarem ou se resolverem, altura essa em que Jinarc pode ser reiniciado.

Se os níveis de ALT e AST permanecerem abaixo de 3 vezes o limite superior do normal (LSN), a terapia com Jinarc pode prosseguir com prudência, com monitorização frequente com doses iguais ou mais baixas, à medida que os níveis de transaminases parecem estabilizar durante a continuação da terapia em alguns doentes.

A prática clínica corrente sugere que a terapia com Jinarc deve ser interrompida após confirmação de níveis de transaminases sustentados ou aumentados e descontinuada de forma permanente caso persistam aumentos significativos e/ou sintomas clínicos de lesão hepática.

As orientações recomendadas para a descontinuação permanente incluem:

ALT ou AST >8 vezes o LSN

ALT ou AST >5 vezes o LSN durante mais de 2 semanas

ALT ou AST >3 vezes o LSN e (BT >2 vezes o LSN ou Relação Internacional Normalizada [INR] >1,5)

ALT ou AST >3 vezes o LSN com os sintomas persistentes de lesão hepática indicados acima.

Acesso a água

Tolvaptano pode causar reações adversas relacionadas com a perda de água, como sede, poliúria, nictúria e polaquiúria (ver secção 4.8). Por conseguinte, os doentes devem ter acesso a água (ou outros fluidos aquosos) e devem conseguir beber quantidades suficientes destes líquidos (ver secção 4.2). Os doentes devem receber instruções para beberem água ou outros fluidos aquosos ao primeiro sinal de sede a fim de evitar sede excessiva ou desidratação.

Além disso, os doentes têm de beber 1 a 2 copos de líquido antes da hora de deitar, independentemente da perceção da sede, e têm de repor os líquidos durante a noite com cada episódio de nictúria.

Desidratação

O estado de volume deve ser monitorizado nos doentes a tomar tolvaptano porque o tratamento com tolvaptano pode resultar em desidratação intensa, o que constitui um fator de risco para a disfunção renal. Caso a desidratação se torne evidente, tome as medidas apropriadas, que podem incluir a necessidade de interromper ou reduzir a dose de tolvaptano e aumentar a ingestão de fluidos. Devem ser tomadas precauções especiais em doentes com doenças que comprometem a ingestão apropriada de fluidos ou com um risco acrescido de perda de água, por exemplo, no caso de vómitos ou diarreia.

Obstrução do fluxo de excreção urinária

A excreção urinária tem de ser assegurada. Os doentes com obstrução parcial do fluxo de excreção urinária, como por exemplo doentes com hipertrofia da próstata ou dificuldades de micção, têm um risco acrescido de desenvolverem retenção aguda.

Equilíbrio de fluidos e eletrólitos

Deve monitorizar-se, em todos os doentes, o estado dos fluidos e eletrólitos. A administração de tolvaptano induz aquarese profusa e pode causar desidratação e aumentos do sódio sérico (ver secção 4.8) e é contraindicada em doentes com hipernatremia (ver secção 4.3). Por conseguinte, a creatinina sérica, os eletrólitos e os sintomas de desequilíbrios eletrolíticos (por exemplo, tonturas, desmaios, palpitações, confusão, fraqueza, instabilidade da marcha, hiperreflexia, convulsões, coma) têm de ser avaliados antes e depois do início do tratamento com tolvaptano para monitorizar a desidratação.

Durante o tratamento prolongado, os eletrólitos têm de ser monitorizados pelo menos a intervalos de três meses.

Anomalias do sódio sérico

As anomalias do sódio anteriores ao tratamento (hiponatremia ou hipernatremia) têm de ser corrigidas antes do início da terapia com tolvaptano.

Anafilaxia

Na experiência pós-comercialização, a anafilaxia (incluindo o choque anafilático e a erupção cutânea generalizada) foi notificada muito raramente após a administração de tolvaptano. Este tipo de reação ocorreu após a primeira administração de tolvaptano. Em caso de ocorrência de reação anafilática ou de outras reações alérgicas graves, a administração de tolvaptano deve ser imediatamente descontinuada e a terapia apropriada iniciada. Uma vez que a hipersensibilidade é uma contraindicação (ver secção 4.3), o tratamento nunca deve ser reiniciado após uma reação anafilática ou outras reações alérgicas graves.

Lactose

Jinarc contém lactose como excipiente. Os doentes com problemas hereditários raros de intolerância à galactose, deficiência de lactase de Lapp ou malabsorção de glicose-galactose não devem tomar este medicamento.

Diabetes mellitus

Os doentes diabéticos com uma concentração elevada de glicose (por exemplo, acima de 300 mg/dl) podem apresentar pseudo-hiponatremia. Este quadro clínico deve excluir-se antes e durante o tratamento com tolvaptano.

Tolvaptano pode causar hiperglicemia (ver secção 4.8). Por conseguinte, os doentes diabéticos tratados com tolvaptano devem ser controlados com cuidado. Isto aplica-se particularmente a doentes com diabetes de tipo II inadequadamente controlada.

Aumentos do ácido úrico

A depuração diminuída de ácido úrico pelo rim é um efeito conhecido de tolvaptano. Num ensaio controlado por placebo, em dupla ocultação, em doentes com DPRAD, foi notificado aumento do ácido úrico potencialmente significativo em termos clínicos (superior a 10 mg/dl) a uma taxa mais elevada nos doentes a tomar tolvaptano (6,2%) em comparação com os doentes tratados com placebo (1,7%). Foram notificadas com mais frequência reações adversas de gota em doentes tratados com tolvaptano (28/961, 2,9%) do que em doentes a receber placebo (7/483, 1,4%). Além disso, foi

observado o uso aumentado de alopurinol e outros medicamentos utilizados para controlar a gota no ensaio controlado por placebo, em dupla ocultação. Os efeitos no ácido úrico sérico são atribuíveis às alterações hemodinâmicas renais reversíveis que ocorrem em resposta aos efeitos de tolvaptano na osmolalidade urinária e podem ser clinicamente relevantes. No entanto, os casos de aumento do ácido úrico e/ou de gota não foram graves e não causaram descontinuação da terapia no ensaio controlado por placebo, em dupla ocultação. As concentrações de ácido úrico devem ser avaliadas antes do início da terapia com Jinarc e conforme indicado durante o tratamento com base nos sintomas.

Efeito de tolvaptano na taxa de filtração glomerular (GFR)

Foi observada uma redução reversível da GFR em ensaios de DPRAD no início do tratamento com tolvaptano.

4.5Interações medicamentosas e outras formas de interação

Efeito de outros medicamentos na farmacocinética de tolvaptano

Inibidores do CYP3A

O uso concomitante de medicamentos que são inibidores moderados (por exemplo, amprenavir, aprepitante, atazanavir, ciprofloxacina, crizotinib, darunavir/ritonavir, diltiazem, eritromicina, fluconazol, fosamprenavir, imatinib, verapamil) ou fortes (por exemplo, itraconazol, cetoconazol, ritonavir, claritromicina) do CYP3A aumenta a exposição a tolvaptano. A coadministração de tolvaptano e cetoconazol resultou num aumento de 440% da área sob a curva da concentração-tempo (AUC) e num aumento de 248% da concentração plasmática máxima observada (Cmax) para o tolvaptano.

A coadministração de tolvaptano com sumo de toranja, um inibidor moderado a forte do CYP3A, produziu uma duplicação das concentrações máximas de tolvaptano (Cmax).

A redução da dose de tolvaptano é recomendada para os doentes enquanto estiverem a tomar inibidores moderados ou fortes do CYP3A (ver secção 4.2). Os doentes a tomar inibidores moderados ou fortes do CYP3A têm de ser controlados com prudência, em particular se os inibidores forem tomados com frequência superior a uma vez por dia.

Indutores do CYP3A

O uso concomitante de medicamentos que sejam indutores potentes do CYP3A (por exemplo, rifampicina) diminui a exposição e eficácia de tolvaptano. A coadministração de tolvaptano com rifampicina reduz a Cmax e a AUC de tolvaptano em cerca de 85%. Por conseguinte, a administração concomitante de tolvaptano com indutores potentes do CYP3A (por exemplo, rifampicina, rifabutina, rifapentina, fenitoína, carbamazepina e hipericão) deve ser evitada.

Coadministração com medicamentos que aumentam a concentração sérica de sódio

Não há experiência de ensaios clínicos controlados com o uso concomitante de tolvaptano e soro fisiológico hipertónico, formulações orais de sódio e medicamentos que aumentem a concentração sérica de sódio. Os medicamentos com elevado teor de sódio, como por exemplo preparações analgésicas efervescentes e certos tratamentos para a dispepsia que contêm sódio, também podem aumentar a concentração sérica de sódio. O uso concomitante de tolvaptano com medicamentos que aumentem a concentração sérica de sódio pode resultar num risco mais elevado de desenvolvimento de hipernatremia (ver secção 4.4) e, por conseguinte, não é recomendado.

Diuréticos

Tolvaptano não foi extensamente estudado na DPRAD em combinação com diuréticos. Ainda que não pareça haver um efeito sinergístico ou cumulativo do uso concomitante de tolvaptano com diuréticos da ansa e tiazidas, cada classe de agentes tem o potencial de levar a desidratação intensa, o que constitui um fator de risco para a disfunção renal. Se a desidratação ou disfunção renal se tornarem evidentes, devem ser tomadas as medidas apropriadas que podem incluir a necessidade de interromper ou reduzir as doses de tolvaptano e/ou de diuréticos e aumentar a ingestão de fluidos. Outras causas potenciais de disfunção renal ou desidratação devem ser avaliadas e abordadas.

Efeito de tolvaptano na farmacocinética de outros medicamentos

Substratos do CYP3A

Em indivíduos saudáveis, tolvaptano, um substrato do CYP3A, não teve efeito sobre as concentrações plasmáticas de alguns outros substratos do CYP3A (por exemplo, varfarina ou amiodarona). Tolvaptano aumentou os níveis plasmáticos da lovastatina em 1,3 a 1,5 vezes. Ainda que este aumento não tenha relevância clínica, indica que tolvaptano pode aumentar potencialmente a exposição a substratos do CYP3A4.

Substratos transportadores

Estudos in vitro indicam que tolvaptano é um substrato e inibidor competitivo da P-glicoproteína (P-gp). Estudos in vitro indicam que tolvaptano ou o seu metabolito oxobutírico podem ter o potencial para inibir os transportadores OATP1B1, OATP1B3, OAT3, BCRP e OCT1.

As concentrações de digoxina no estado estacionário foram aumentadas (aumento de 1,3 vezes na concentração plasmática máxima observada [Cmax] e aumento de 1,2 vezes na área sob a curva da concentração plasmática-tempo ao longo do intervalo de dosagem [AUCτ]) quando esta foi coadministrada com doses múltiplas de 60 mg de tolvaptano uma vez por dia. Os doentes a tomarem digoxina ou outros substratos terapêuticos estreitos P-gp (por exemplo, dabigatrano) devem, por conseguinte, ser controlados com prudência e avaliados quanto a efeitos excessivos quando tratados com tolvaptano.

As estatinas vulgarmente utilizadas no ensaio de referência de fase 3 de tolvaptano (por exemplo, rosuvastatina e pitavastatina) são substratos de OATP1B1 ou OATP1B3, no entanto não foi observada qualquer diferença no perfil de efeitos adversos (EA) durante o ensaio de referência de fase 3 de tolvaptano na DPRAD.

Se substratos de OATP1B1 e OATP1B3 (por exemplo, estatinas como a rosuvastatina e a pitavastatina), substratos de OAT3 (por exemplo, metotrexato, ciprofloxacina), substratos de BCRP (por exemplo, sulfasalazina) ou substratos de OCT1 (por exemplo, metformina) forem coadministrados com tolvaptano, os doentes devem ser controlados com prudência e avaliados quanto aos efeitos excessivos destes medicamentos.

Diuréticos ou medicamentos anti-hipertensivos não diuréticos

A tensão arterial em pé não foi medida por rotina nos ensaios da DPRAD, pelo que não pode ser excluído um risco de hipotensão ortostática/postural devido a interação farmacodinâmica com tolvaptano.

Coadministração com análogos da vasopressina

Para além do seu efeito aquarético renal, o tolvaptano é capaz de bloquear os recetores vasculares V2 da vasopressina envolvidos na libertação de fatores de coagulação (por exemplo, fator de von Willebrand) a partir das células endoteliais. Por conseguinte, o efeito dos análogos da vasopressina, como por exemplo a desmopressina, pode ser atenuado em doentes que utilizem esses análogos para prevenir ou controlar a hemorragia quando coadministrados com o tolvaptano. Não se recomenda a administração de Jinarc com análogos da vasopressina.

Tabagismo e álcool

Os dados relativos ao historial de tabagismo ou álcool nos ensaios da DPRAD são demasiado limitados para determinar as possíveis interações do tabagismo e do álcool com a eficácia e a segurança do tratamento da DPRAD com tolvaptano.

4.6Fertilidade, gravidez e aleitamento

Gravidez

A quantidade de dados sobre a utilização de tolvaptano em mulheres grávidas não é adequada. Os estudos em animais revelaram toxicidade reprodutiva (ver secção 5.3). Desconhece-se o risco potencial para o ser humano.

As mulheres com potencial para engravidar devem utilizar um método contracetivo adequado durante o tratamento com Jinarc. Jinarc não pode ser utilizado durante a gravidez (ver secção 4.3).

Amamentação

Desconhece-se se tolvaptano é excretado no leite humano. Estudos em ratos revelaram excreção de tolvaptano no leite.

Desconhece-se o risco potencial para o ser humano. Jinarc é contraindicado durante a amamentação (ver secção 4.3).

Fertilidade

Os estudos em animais revelaram efeitos sobre a fertilidade (ver secção 5.3). Desconhece-se o risco potencial para o ser humano.

4.7Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

Os efeitos de Jinarc sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas são reduzidos. No entanto, ao conduzir veículos ou utilizar máquinas deve ter-se em consideração que poderão ocorrer ocasionalmente tonturas, astenia ou fadiga.

4.8Efeitos indesejáveis

Resumo do perfil de segurança

As reações adversas farmacodinamicamente previsíveis e notificadas com maior frequência são a sede, poliúria, nictúria e polaquiúria, que ocorrem em cerca de 55%, 38%, 29% e 23% dos doentes, respetivamente. Além disso, tolvaptano foi associado a elevações idiossincráticas da alanina aminotransferase e da aspartato aminotransferase (ALT e AST) no sangue com casos infrequentes de elevações concomitantes da bilirrubina total (BT).

Lista tabelada de reações adversas

O perfil de reações adversas de tolvaptano na indicação da DPRAD baseia-se numa base de dados de ensaios clínicos de 1444 doentes tratados (961 doentes tratados com tolvaptano, 483 tratados com placebo) e é consistente com a farmacologia da substância ativa. As reações adversas associadas ao tolvaptano obtidas nos estudos clínicos da DPRAD estão tabeladas abaixo.

As frequências das reações adversas correspondem a muito frequentes (≥1/10), frequentes (≥1/100 a

<1/10), pouco frequentes (≥1/1.000 a <1/100) e desconhecidas (não pode ser calculado a partir dos dados disponíveis). As reações adversas são apresentadas por ordem decrescente de gravidade dentro de cada classe de frequência.

Classe de sistemas de

Frequência

 

órgãos

 

 

Doenças do metabolismo e

Muito frequentes:

Polidipsia

da nutrição

Frequentes:

Desidratação, hipernatremia, falta de apetite,

 

 

hiperuricemia, hiperglicemia

 

 

 

Perturbações do foro

Frequentes:

Insónia

psiquiátrico

 

 

 

 

 

Doenças do sistema

Muito frequentes:

Cefaleia, tonturas

nervoso

 

 

 

 

 

Cardiopatias

Frequentes:

Palpitações

 

 

 

Classe de sistemas de

Frequência

 

órgãos

 

 

Doenças respiratórias,

Frequentes:

Dispneia

torácicas e do mediastino

 

 

 

 

 

Doenças gastrointestinais

Muito frequentes:

Diarreia, boca seca

 

Frequentes:

Distensão abdominal, obstipação, dispepsia,

 

 

doença de refluxo gastroesofágico

 

 

 

Afeções hepatobiliares

Frequentes:

Função hepática anormal

 

 

 

Afeções dos tecidos

Frequentes:

Erupção cutânea, prurido

cutâneos e subcutâneos

 

 

 

 

 

Afeções

Frequentes:

Espasmos musculares

musculosqueléticas e dos

 

 

tecidos conjuntivos

 

 

 

 

 

Doenças renais e urinárias

Muito frequentes:

Nictúria, polaquiúria, poliúria

 

 

 

Perturbações gerais e

Muito frequentes:

Fadiga, sede

alterações no local de

Frequentes:

Astenia

administração

 

 

 

 

 

Exames complementares

Frequentes:

Alanina aminotransferase aumentada,

de diagnóstico

 

aspartato aminotransferase aumentada, peso

 

 

diminuído

 

Pouco frequentes:

Bilirrubina aumentada

 

 

 

Descrição das reações adversas selecionadas

Para minimizar o risco de lesões hepáticas significativas ou irreversíveis, são necessárias análises sanguíneas de transaminases hepáticas antes de iniciar o tratamento com Jinarc, que continuarão mensalmente durante 18 meses e a intervalos regulares de 3 meses daí em diante (ver secção 4.4). As reações adversas mais frequentes estão relacionadas com a perda de água. Por conseguinte, é extremamente importante que os doentes tenham acesso a água e consigam beber quantidades

suficientes de fluidos. O estado de volume dos doentes a tomar tolvaptano deve ser monitorizado para prevenir a desidratação (ver secção 4.4).

Pós-comercialização

As seguintes reações adversas foram notificadas durante a vigilância pós-comercialização de tolvaptano aprovado para outras indicações.

Classe de sistemas de

Frequência

órgãos

 

Doenças do sistema

Desconhecida: Choque anafilático, erupção cutânea generalizada

imunitário

 

Notificação de suspeitas de reações adversas

A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através do sistema nacional de notificação mencionado no Apêndice V.

4.9Sobredosagem

Doses orais únicas até 480 mg (4 vezes a dose diária máxima recomendada) e doses múltiplas até 300 mg uma vez por dia durante 5 dias foram bem toleradas em ensaios em indivíduos saudáveis. Não existe antídoto específico para a intoxicação de tolvaptano. É de prever que os sinais e sintomas de sobredosagem aguda sejam os do efeito farmacológico excessivo: um aumento da concentração sérica de sódio, poliúria, sede e desidratação/hipovolemia.

Não se observou mortalidade em ratos ou cães após doses orais únicas de 2000 mg/kg (dose máxima viável). Uma dose oral única de 2000 mg/kg foi letal em ratinhos e os sintomas de toxicidade em ratinhos afetados incluíram atividade locomotora diminuída, andar cambaleante, tremor e hipotermia. Em doentes com suspeita de sobredosagem de tolvaptano, recomenda-se a avaliação dos sinais vitais, das concentrações de eletrólitos, do ECG e do estado dos fluidos. A substituição apropriada de água e/ou de eletrólitos deve continuar até a aquarese diminuir. A diálise poderá não ser eficaz na remoção de tolvaptano devido à sua elevada afinidade de ligação para a proteína plasmática humana (>98%).

5.PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS

5.1Propriedades farmacodinâmicas

Grupo farmacoterapêutico: ainda não atribuído, código ATC: ainda não atribuído.

Tolvaptano é um antagonista da vasopressina que bloqueia especificamente a ligação da vasopressina arginina (AVP) nos recetores V2 das partes distais do nefrónio. A afinidade de tolvaptano para o recetor V2 humano é 1,8 vezes a da AVP natural.

Os efeitos farmacodinâmicos de tolvaptano foram determinados em indivíduos saudáveis e indivíduos com DPRAD nos estádios 1 a 4 de DRC. Os efeitos sobre a depuração de água livre e o volume de urina são evidentes em todos os estádios de DRC com efeitos absolutos menores observados em estádios posteriores, consistentes com o número decrescente de nefrónios totalmente funcionais. Foram observadas também reduções agudas do volume renal total médio após 3 semanas de terapia em todos os estádios de DRC, variando de -4,6% para a DRC em estádio 1 a -1,9% para a DRC em estádio 4.

O programa clínico para o desenvolvimento dos comprimidos de tolvaptano para o tratamento da DPRAD concentra-se principalmente num ensaio único de referência, multinacional, de fase 3, aleatorizado e controlado por placebo, no qual a segurança e a eficácia a longo prazo de regimes de dose dividida oral de tolvaptano (titulada entre 60 mg/dia e 120 mg/dia) foram comparadas com placebo em 1445 participantes adultos com DPRAD. No total, foram concluídos 14 ensaios clínicos envolvendo tolvaptano a nível mundial para corroborar a indicação para a DPRAD, incluindo 8 ensaios nos EUA, 1 nos Países Baixos, 3 no Japão, 1 na Coreia e o ensaio multinacional de referência de fase 3.

O ensaio de referência de fase 3 (TEMPO 3:4, 156-04-251) incluiu participantes de 129 centros nas Américas, Japão, Europa e outros países. O principal objetivo deste ensaio era avaliar a eficácia a longo prazo de tolvaptano na DPRAD através da taxa de variação (%) do volume renal total (VRT) para os participantes tratados com tolvaptano em comparação com os participantes tratados com placebo. Neste ensaio, um total de 1445 doentes adultos (com idades compreendidas entre os 18 e os 50 anos) com indícios de DPRAD precoce em rápida progressão (satisfazendo os critérios modificados de Ravine, volume renal total (VRT) ≥750 ml, depuração estimada de creatinina ≥60 ml/min) foram aleatorizados numa proporção de 2:1 para o tratamento com tolvaptano ou placebo. Os doentes foram tratados durante um período até 3 anos.

Os grupos de tolvaptano (N=961) e de placebo (N=484) foram bem equiparados em termos de género com uma média de idade de 39 anos. Os critérios de inclusão identificaram os doentes que, na linha basal, apresentavam indícios de progressão precoce da doença. Na linha basal, os doentes tinham uma taxa de filtração glomerular média estimada (eGFR) de 82 ml/min/1,73m2 (DRC-EPI) com 79% com hipertensão e um VRT médio de 1692 ml (ajuste de altura 972 ml/m). Aproximadamente 35% dos participantes tinham doença renal crónica (DRC) em estádio 1, 48% DRC em estádio 2 e 17% DRC

em estádio 3 (eGFRDRC-EPI). Embora estes critérios fossem úteis para enriquecer a população do estudo com doentes que estavam em rápida progressão, as análises de subgrupos baseadas em critérios de estratificação (idade, VRT, GFR, albuminúria, hipertensão) indicaram que a presença desses fatores de risco em idades mais jovens prevê uma progressão mais rápida da doença.

Os resultados do parâmetro de avaliação primário, a taxa de variação do VRT dos participantes aleatorizados para o tolvaptano (normalizada como percentagem) para a taxa de variação dos participantes a tomar placebo, foram estatisticamente muito significativos. A taxa de aumento do VRT ao longo de 3 anos foi significativamente menor para os participantes tratados com tolvaptano do que para os participantes a tomar placebo: 2,80% por ano vs. 5,51% por ano, respetivamente (relação da média geométrica 0,974; IC de 95%, 0,969 a 0,980; p <0,0001).

Os parâmetros de avaliação secundários pré-especificados foram testados sequencialmente. O principal parâmetro de avaliação secundário composto (progressão da DPRAD) foi o tempo até aos múltiplos acontecimentos de progressão clínica de:

1)agravamento da função renal (definido como uma redução de 25% persistente [reproduzida ao longo de pelo menos 2 semanas] da creatinina sérica recíproca durante o tratamento [desde o fim da titulação até à última consulta a tomar o medicamento])

2)dor renal clinicamente significativa (definida como exigindo a prescrição de baixa, analgésicos de último recurso, narcóticos e antinocicetivos, intervenções radiológicas ou cirúrgicas)

3)agravamento da hipertensão

4)agravamento da albuminúria

A taxa relativa de acontecimentos relacionados com a DPRAD diminuiu 13,5% nos doentes tratados com tolvaptano (relação de risco, 0,87; IC de 95%, 0,78 a 0,97; p=0,0095).

O resultado do principal parâmetro de avaliação secundário composto é essencialmente atribuído aos efeitos sobre o agravamento da função renal e à dor renal clinicamente significativa. Os acontecimentos envolvendo a função renal foram 61,4% menos prováveis para o tolvaptano em comparação com o placebo (relação de risco, 0,39; IC de 95%, 0,26 a 0,57; p <0,0001 nominal), enquanto os acontecimentos envolvendo a dor renal foram 35,8% menos prováveis nos doentes tratados com tolvaptano (relação de risco, 0,64; IC de 95%, 0,47 a 0,89; p=0,007 nominal). Em contrapartida, não houve efeitos do tolvaptano sobre a progressão da hipertensão ou da albuminúria.

Não estão atualmente disponíveis dados para mostrar se a terapia prolongada com Jinarc continua a abrandar a taxa de diminuição da função renal e a afetar os resultados clínicos da DPRAD, incluindo atraso no aparecimento de doença renal em fase terminal.

Os genótipos dos doentes não foram determinados para separação em DPRAD de tipo 1 e 2 e desconhece-se se Jinarc tem uma eficácia comparável nestes subgrupos.

População pediátrica

A Agência Europeia de Medicamentos diferiu a obrigação de apresentação dos resultados dos estudos com tolvaptano em um ou mais subgrupos da população pediátrica na doença do rim poliquístico (ver secção 4.2 para informação sobre utilização pediátrica).

5.2Propriedades farmacocinéticas

Absorção e distribuição

Após a administração oral, tolvaptano é rapidamente absorvido, com as concentrações plasmáticas máximas a ocorrerem cerca de 2 horas após a dosagem. A biodisponibilidade absoluta de tolvaptano é de cerca de 56%.

A coadministração de tolvaptano com uma refeição com elevado teor de gordura aumentou as concentrações máximas de tolvaptano até 2 vezes, mas deixou a AUC inalterada. Muito embora a relevância clínica deste resultado seja desconhecida, para minimizar o risco desnecessário de aumentar a exposição máxima, a dose matinal deve ser tomada em jejum (ver secção 4.2).

Após doses orais únicas ≥300 mg, as concentrações plasmáticas máximas parecem atingir um plateau, possivelmente devido à saturação da absorção. Tolvaptano tem uma ligação reversível (98%) às proteínas plasmáticas.

Metabolismo e eliminação

Tolvaptano é extensamente metabolizado no fígado quase exclusivamente pelo CYP3A. Tolvaptano é um substrato fraco do CYP3A4 e não parece ter qualquer atividade inibidora.

Estudos in vitro indicaram que o tolvaptano não tem atividade inibidora para o CYP3A. Foram identificados catorze metabolitos no plasma, na urina e nas fezes; todos exceto um foram também metabolizados pelo CYP3A. Apenas o metabolito ácido oxobutírico está presente num valor superior a 10% da radioatividade plasmática total; todos os outros estão presentes em concentrações mais baixas do que tolvaptano.

Os metabolitos de tolvaptano pouco ou nada contribuem para o efeito farmacológico de tolvaptano; todos os metabolitos não têm atividade antagonista ou têm atividade antagonista fraca para os recetores V2 humanos quando comparados com tolvaptano. A semivida de eliminação terminal é de cerca de 8 horas e as concentrações no estado estacionário para tolvaptano são obtidas após a primeira dose.

Menos de 1% da substância ativa intacta é excretada inalterada na urina. As experiências realizadas com marcação radiológica de tolvaptano mostraram que 40% da radioatividade foi recuperada na urina e 59% foi recuperada nas fezes, nas quais o tolvaptano inalterado era responsável por 32% da radioatividade. Tolvaptano é apenas um componente de menor importância no plasma (3%).

Linearidade

Após doses orais únicas, os valores da Cmax mostram aumentos menores do que os proporcionais à dose de 30 para 240 mg e depois um plateau com doses de 240 a 480 mg, a AUC aumenta linearmente.

Após uma dosagem múltipla uma vez por dia de 300 mg, a exposição a tolvaptano aumentou apenas 6,4 vezes quando comparada com uma dose de 30 mg. Para os regimes de dose dividida de 30, 60 e 120 mg/dia em doentes com DPRAD, a exposição a tolvaptano (AUC) aumenta linearmente.

Farmacocinética em populações especiais

A depuração de tolvaptano não é significativamente afetada pela idade.

O efeito da função hepática ligeira ou moderadamente comprometida (classes de Child-Pugh A e B) sobre a farmacocinética de tolvaptano foi investigado em 87 doentes com doença hepática de várias origens. Não se observaram alterações clinicamente significativas na depuração para doses de 5 a 60 mg. Está disponível informação muito limitada em doentes com compromisso hepático grave (classe de Child-Pugh C).

Numa análise farmacocinética da população em doentes com edema hepático, os valores da AUC de tolvaptano em doentes com compromisso hepático grave (classe de Child-Pugh C) e ligeira ou moderada (classes de Child-Pugh A e B) foram 3,1 e 2,3 vezes mais elevados do que em indivíduos saudáveis.

Numa análise farmacocinética da população para doentes com DPRAD, as concentrações de tolvaptano aumentaram, em comparação com indivíduos saudáveis, enquanto a função renal diminuiu abaixo de uma eGFR de 60 ml/min/1,73m2. Uma diminuição da eGFRDRC-EPI de 72,2 para 9,79 (ml/min/1,73 m2) foi associada a uma redução de 32% da depuração corporal total.

5.3Dados de segurança pré-clínica

Os dados não clínicos não revelam riscos especiais para o ser humano, segundo estudos convencionais de farmacologia de segurança, toxicidade de dose repetida, genotoxicidade ou potencial carcinogénico. Foi notada teratogenicidade em coelhos aos quais foram administrados 1000 mg/kg/dia (7,5 vezes a exposição à dose de 120 mg/dia para o ser humano numa base da AUC). Não se observaram efeitos teratogénicos em coelhos com 300 mg/kg/dia (cerca de 1,25 a 2,65 vezes a exposição em seres humanos com a dose de 120 mg/dia, com base na AUC).

Num estudo peri e pós-natal em ratos, observaram-se ossificação retardada e peso corporal reduzido nas crias com a dose elevada de 1000 mg/kg/dia.

Dois estudos de fertilidade em ratos revelaram efeitos sobre a geração parental (diminuição do consumo de alimentos e do aumento do peso corporal, salivação), mas tolvaptano não afetou o desempenho reprodutivo nos machos e não houve efeitos nos fetos. Nas fêmeas, foram observados ciclos éstricos anormais em ambos os estudos.

O nível sem efeitos adversos observados (NOAEL) relativo aos efeitos sobre a reprodução nas fêmeas (100 mg/kg/dia) foi cerca de 8 vezes a dose humana máxima recomendada de 120 mg/dia numa base de mg/m2.

6.INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS

6.1Lista dos excipientes

Amido de milho

Hidroxipropilcelulose

Lactose mono-hidratada

Estearato de magnésio

Celulose microcristalina

Laca de alumínio de indigotina

6.2Incompatibilidades

Não aplicável.

6.3Prazo de validade

4 anos

6.4Precauções especiais de conservação

Conservar na embalagem de origem para proteger da luz e da humidade.

6.5Natureza e conteúdo do recipiente

7 ou 28 comprimidos em blister de PVC/folha de alumínio

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

6.6Precauções especiais de eliminação e manuseamento

Qualquer medicamento não utilizado ou resíduos devem ser eliminados de acordo com as exigências locais.

7.TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Otsuka Pharmaceutical Europe Ltd.

Gallions, Wexham Springs

Framewood Road

Wexham

SL3 6PJ

Reino Unido

8.NÚMERO(S) DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

EU/1/15/1000/001-002

9. DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO/RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Data da primeira autorização:

10.DATA DA REVISÃO DO TEXTO

Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet da Agência Europeia de Medicamentos: http://www.ema.europa.eu.

Este medicamento está sujeito a monitorização adicional. Isto irá permitir a rápida identificação de nova informação de segurança. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas. Para saber como notificar reações adversas, ver secção 4.8.

1. NOME DO MEDICAMENTO

Jinarc 30 mg comprimidos

2. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA

Cada comprimido contém 30 mg de tolvaptano.

Excipiente(s) com efeito conhecido:

Cada comprimido de 30 mg contém aproximadamente 70 mg de lactose (sob a forma mono-hidratada).

Lista completa de excipientes, ver secção 6.1

3. FORMA FARMACÊUTICA

Comprimido

Azul, redondo (diâmetro: 8 mm), ligeiramente convexo, gravado com “OTSUKA” e “30” num dos lados.

4. INFORMAÇÕES CLÍNICAS

4.1 Indicações terapêuticas

Jinarc é indicado para abrandar a progressão do desenvolvimento de quistos e insuficiência renal da doença poliquística renal autossómica dominante (DPRAD) em adultos com doença renal crónica (DRC) em estádios 1 a 3 no início do tratamento com indícios de doença em rápida progressão (ver secção 5.1).

4.2 Posologia e modo de administração

O tratamento com tolvaptano deve ser iniciado e monitorizado sob a supervisão de médicos com experiência no tratamento de DPRAD e conhecimento pleno dos riscos da terapia com tolvaptano incluindo toxicidade hepática e requisitos de monitorização (ver secção 4.4).

Posologia

Jinarc deve ser administrado duas vezes por dia em regimes de dose dividida de 45 mg + 15 mg,

60 mg + 30 mg ou 90 mg + 30 mg. A dose matinal deve ser tomada pelo menos 30 minutos antes da refeição da manhã. A segunda dose diária pode ser tomada com ou sem alimentos. De acordo com estes regimes de dose dividida, as doses diárias totais são de 60, 90 ou 120 mg.

Titulação da dose

A dose inicial é de 60 mg de tolvaptano por dia como regime de dose dividida de 45 mg + 15 mg

(45 mg tomados ao acordar e antes da refeição da manhã e 15 mg tomados 8 horas mais tarde). A dose inicial deve ser aumentada para um regime de dose dividida de 90 mg de tolvaptano (60 mg + 30 mg) por dia e depois para um regime alvo de dose dividida de 120 mg de tolvaptano (90 mg + 30 mg) por dia, caso seja tolerado, com pelo menos intervalos semanais entre as titulações. A titulação da dose

tem de ser efetuada com prudência para assegurar que as doses elevadas não sejam mal toleradas devido a uma titulação excessivamente rápida. As doses dos doentes poderão ser reduzidas com base na tolerabilidade. Os doentes têm de ser mantidos na dose mais elevada tolerável de tolvaptano.

O objetivo da titulação da dose é bloquear a atividade da vasopressina no recetor V2 renal da forma mais completa e constante possível, mantendo ao mesmo tempo um equilíbrio de fluidos aceitável (ver secção 4.4). Recomendam-se medições da osmolalidade urinária para monitorizar a adequação da inibição da vasopressina. A monitorização periódica da osmolalidade plasmática ou do sódio sérico (para calcular a osmolalidade plasmática) e/ou do peso corporal deve ser considerada para monitorizar o risco de desidratação secundária aos efeitos aquaréticos de tolvaptano em caso de ingestão insuficiente de água pelo doente.

A segurança e eficácia de Jinarc na DRC em estádio 5 não foram devidamente exploradas e portanto o tratamento com tolvaptano deve ser descontinuado se a insuficiência renal progredir para DRC em estádio 5.

A dose matinal de Jinarc deve ser tomada pelo menos 30 minutos antes da refeição da manhã. A segunda dose diária pode ser tomada com ou sem alimentos.

A terapia tem de ser interrompida se a capacidade para beber ou a acessibilidade a água for limitada (ver secção 4.4). Tolvaptano não deve ser tomado com sumo de toranja (ver secção 4.5). Os doentes devem receber instruções para beberem quantidades suficientes de água ou outros fluidos aquosos (ver secção 4.4).

Ajuste da dose para doentes a tomar inibidores fortes do CYP3A

Nos doentes a tomar inibidores fortes do CYP3A (ver secção 4.5), as doses de tolvaptano têm de ser reduzidas da seguinte forma:

Dose dividida diária de tolvaptano

Dose reduzida (uma vez por dia)

90+30 mg

30 mg

 

(redução adicional para 15 mg se 30 mg

 

não forem bem tolerados)

60+30 mg

30 mg

 

(redução adicional para 15 mg se 30 mg

 

não forem bem tolerados)

45+15 mg

15 mg

Ajuste da dose para doentes a tomar inibidores moderados do CYP3A

Nos doentes a tomar inibidores moderados do CYP3A, as doses de tolvaptano têm de ser reduzidas da seguinte forma:

Dose dividida diária de tolvaptano

Dose dividida reduzida

90+30 mg

45+15 mg

60+30 mg

30+15 mg

45+15 mg

15+15 mg

Terão de ser consideradas reduções adicionais se os doentes não conseguirem tolerar as doses reduzidas de tolvaptano.

População idosa

O aumento da idade não tem efeito nas concentrações plasmáticas de tolvaptano. No entanto, a segurança e a eficácia de tolvaptano em doentes com DPRAD com mais de 50 anos não foram ainda estabelecidas.

Compromisso renal

Tolvaptano é contraindicado em doentes anúricos (ver secção 4.3).

Não é necessário o ajuste da dose em doentes com compromisso renal. Não foram realizados ensaios clínicos em indivíduos com uma depuração da creatinina <10 ml/min ou em doentes sujeitos a diálise. O risco de lesões hepáticas em doentes com função renal gravemente reduzida (isto é, eGFR <20) pode aumentar; estes doentes devem ser cuidadosamente monitorizados quanto à toxicidade hepática. Os dados relativos aos doentes com DRC em estádio 3 são mais limitados do que os relativos aos doentes no estádio 1 ou 2 (ver secção 5.1).

Compromisso hepático

Nos doentes com compromisso hepático grave, os benefícios e riscos do tratamento com Jinarc têm de ser cuidadosamente avaliados. Os doentes devem ser cuidadosamente controlados e as enzimas hepáticas devem ser regularmente monitorizadas (ver secção 4.4).

Jinarc é contraindicado em doentes com enzimas hepáticas elevadas e/ou sinais ou sintomas de lesão hepática antes do início do tratamento que satisfaçam os requisitos para descontinuação permanente do tolvaptano (ver secções 4.3 e 4.4).

Não é necessário o ajuste da dose em doentes com compromisso hepático ligeiro ou moderado (classes de Child-Pugh A e B).

População pediátrica

A segurança e a eficácia de tolvaptano em crianças e adolescentes não foram ainda estabelecidas. Não existem dados disponíveis. Tolvaptano não é recomendado no grupo etário pediátrico.

Modo de administração

Via oral.

Os comprimidos devem ser engolidos, sem mastigar, com um copo de água.

4.3 Contraindicações

Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes mencionados na secção 6.1

Enzimas hepáticas elevadas e/ou sinais ou sintomas de lesão hepática antes do início do tratamento que satisfaçam os requisitos para descontinuação permanente do tolvaptano (ver secção 4.4)

Anúria

Depleção do volume

Hipernatremia

Doentes que não conseguem ter perceção da sede ou responder à sede

Gravidez (ver secção 4.6)

Aleitamento (ver secção 4.6)

4.4 Advertências e precauções especiais de utilização

Toxicidade hepática idiossincrática

Tolvaptano foi associado a elevações idiossincráticas da alanina aminotransferase e da aspartato aminotransferase (ALT e AST) no sangue com casos infrequentes de elevações concomitantes da bilirrubina total (BT).

Num ensaio controlado por placebo, em dupla ocultação, em doentes com DPRAD, foi observada elevação (>3 x limite superior do normal [LSN]) da ALT em 4,4% (42/958) dos doentes a tomar tolvaptano e 1,0% (5/484) dos doentes a tomar placebo, enquanto a elevação (>3xLSN) da AST foi observada em 3,1% (30/958) dos doentes a tomar tolvaptano e 0,8% (4/484) dos doentes a tomar placebo. Dois (2/957, 0,2%) destes doentes tratados com tolvaptano, assim como um terceiro doente de um ensaio de prolongamento aberto, exibiram aumentos das enzimas hepáticas (>3xLSN) com elevações concomitantes da BT (>2xLSN). O período de aparecimento de lesão hepatocelular (por elevações da ALT >3xLSN) foi dentro de 3 a 14 meses após o início do tratamento e estes aumentos foram reversíveis, com a ALT a voltar a <3xLSN dentro de 1 a 4 meses. Embora estas elevações concomitantes fossem reversíveis com a descontinuação imediata de tolvaptano, representam um

potencial de lesão hepática significativa. Alterações semelhantes com outros medicamentos foram associadas ao potencial de causar lesões hepáticas irreversíveis e potencialmente fatais.

Os médicos que receitam o medicamento têm de cumprir totalmente as medidas de segurança exigidas abaixo.

Para minimizar o risco de lesões hepáticas significativas e/ou irreversíveis, são necessárias análises sanguíneas de transaminases hepáticas e bilirrubina antes de iniciar o tratamento com Jinarc, que continuarão mensalmente durante 18 meses e a intervalos regulares de 3 meses daí em diante. Recomenda-se a monitorização concomitante de sintomas que possam indicar lesão hepática (como fadiga, anorexia, náuseas, desconforto abdominal superior direito, vómitos, febre, erupção cutânea, prurido, urina escura ou iterícia).

Se um doente apresentar níveis anormais de ALT, AST ou BT antes do início do tratamento que satisfaçam os critérios de descontinuação permanente (ver abaixo), o uso de tolvaptano é contraindicado (ver secção 4.3). No caso de níveis basais anormais abaixo dos limites para a descontinuação permanente, o tratamento só pode ser iniciado se os potenciais benefícios do tratamento superarem os potenciais riscos, devendo os testes da função hepática continuar com maior frequência. Recomenda-se o parecer de um hepatologista.

Durante os primeiros 18 meses de tratamento, Jinarc só pode ser fornecido a doentes cujo médico tenha determinado que a função hepática suporta a continuação da terapia.

Com o aparecimento de sintomas ou sinais compatíveis com lesão hepática ou se forem detetados aumentos anormais de ALT ou AST durante o tratamento, a administração de Jinarc tem de ser interrompida, sendo necessário repetir as análises, incluindo ALT, AST, BT e fosfatase alcalina (AP), o mais rapidamente possível (idealmente dentro de 48 a 72 horas). As análises devem continuar com maior frequência até os sintomas/sinais/anomalias laboratoriais estabilizarem ou se resolverem, altura essa em que Jinarc pode ser reiniciado.

Se os níveis de ALT e AST permanecerem abaixo de 3 vezes o limite superior do normal (LSN), a terapia com Jinarc pode prosseguir com prudência, com monitorização frequente com doses iguais ou mais baixas, à medida que os níveis de transaminases parecem estabilizar durante a continuação da terapia em alguns doentes.

A prática clínica corrente sugere que a terapia com Jinarc deve ser interrompida após confirmação de níveis de transaminases sustentados ou aumentados e descontinuada de forma permanente caso persistam aumentos significativos e/ou sintomas clínicos de lesão hepática.

As orientações recomendadas para a descontinuação permanente incluem:

ALT ou AST >8 vezes o LSN

ALT ou AST >5 vezes o LSN durante mais de 2 semanas

ALT ou AST >3 vezes o LSN e (BT >2 vezes o LSN ou Relação Internacional Normalizada [INR] >1,5)

ALT ou AST >3 vezes o LSN com os sintomas persistentes de lesão hepática indicados acima.

Acesso a água

Tolvaptano pode causar reações adversas relacionadas com a perda de água, como sede, poliúria, nictúria e polaquiúria (ver secção 4.8). Por conseguinte, os doentes devem ter acesso a água (ou outros fluidos aquosos) e devem conseguir beber quantidades suficientes destes líquidos (ver secção 4.2). Os doentes devem receber instruções para beberem água ou outros fluidos aquosos ao primeiro sinal de sede a fim de evitar sede excessiva ou desidratação.

Além disso, os doentes têm de beber 1 a 2 copos de líquido antes da hora de deitar, independentemente da perceção da sede, e têm de repor os líquidos durante a noite com cada episódio de nictúria.

Desidratação

O estado de volume deve ser monitorizado nos doentes a tomar tolvaptano porque o tratamento com tolvaptano pode resultar em desidratação intensa, o que constitui um fator de risco para a disfunção renal. Caso a desidratação se torne evidente, tome as medidas apropriadas, que podem incluir a necessidade de interromper ou reduzir a dose de tolvaptano e aumentar a ingestão de fluidos. Devem ser tomadas precauções especiais em doentes com doenças que comprometem a ingestão apropriada de fluidos ou com um risco acrescido de perda de água, por exemplo, no caso de vómitos ou diarreia.

Obstrução do fluxo de excreção urinária

A excreção urinária tem de ser assegurada. Os doentes com obstrução parcial do fluxo de excreção urinária, como por exemplo doentes com hipertrofia da próstata ou dificuldades de micção, têm um risco acrescido de desenvolverem retenção aguda.

Equilíbrio de fluidos e eletrólitos

Deve monitorizar-se, em todos os doentes, o estado dos fluidos e eletrólitos. A administração de tolvaptano induz aquarese profusa e pode causar desidratação e aumentos do sódio sérico (ver secção 4.8) e é contraindicada em doentes com hipernatremia (ver secção 4.3). Por conseguinte, a creatinina sérica, os eletrólitos e os sintomas de desequilíbrios eletrolíticos (por exemplo, tonturas, desmaios, palpitações, confusão, fraqueza, instabilidade da marcha, hiperreflexia, convulsões, coma) têm de ser avaliados antes e depois do início do tratamento com tolvaptano para monitorizar a desidratação.

Durante o tratamento prolongado, os eletrólitos têm de ser monitorizados pelo menos a intervalos de três meses.

Anomalias do sódio sérico

As anomalias do sódio anteriores ao tratamento (hiponatremia ou hipernatremia) têm de ser corrigidas antes do início da terapia com tolvaptano.

Anafilaxia

Na experiência pós-comercialização, a anafilaxia (incluindo o choque anafilático e a erupção cutânea generalizada) foi notificada muito raramente após a administração de tolvaptano. Este tipo de reação ocorreu após a primeira administração de tolvaptano. Em caso de ocorrência de reação anafilática ou de outras reações alérgicas graves, a administração de tolvaptano deve ser imediatamente descontinuada e a terapia apropriada iniciada. Uma vez que a hipersensibilidade é uma contraindicação (ver secção 4.3), o tratamento nunca deve ser reiniciado após uma reação anafilática ou outras reações alérgicas graves.

Lactose

Jinarc contém lactose como excipiente. Os doentes com problemas hereditários raros de intolerância à galactose, deficiência de lactase de Lapp ou malabsorção de glicose-galactose não devem tomar este medicamento.

Diabetes mellitus

Os doentes diabéticos com uma concentração elevada de glicose (por exemplo, acima de 300 mg/dl) podem apresentar pseudo-hiponatremia. Este quadro clínico deve excluir-se antes e durante o tratamento com tolvaptano.

Tolvaptano pode causar hiperglicemia (ver secção 4.8). Por conseguinte, os doentes diabéticos tratados com tolvaptano devem ser controlados com cuidado. Isto aplica-se particularmente a doentes com diabetes de tipo II inadequadamente controlada.

Aumentos do ácido úrico

A depuração diminuída de ácido úrico pelo rim é um efeito conhecido de tolvaptano. Num ensaio controlado por placebo, em dupla ocultação, em doentes com DPRAD, foi notificado aumento do ácido úrico potencialmente significativo em termos clínicos (superior a 10 mg/dl) a uma taxa mais elevada nos doentes a tomar tolvaptano (6,2%) em comparação com os doentes tratados com placebo (1,7%). Foram notificadas com mais frequência reações adversas de gota em doentes tratados com tolvaptano (28/961, 2,9%) do que em doentes a receber placebo (7/483, 1,4%). Além disso, foi

observado o uso aumentado de alopurinol e outros medicamentos utilizados para controlar a gota no ensaio controlado por placebo, em dupla ocultação. Os efeitos no ácido úrico sérico são atribuíveis às alterações hemodinâmicas renais reversíveis que ocorrem em resposta aos efeitos de tolvaptano na osmolalidade urinária e podem ser clinicamente relevantes. No entanto, os casos de aumento do ácido úrico e/ou de gota não foram graves e não causaram descontinuação da terapia no ensaio controlado por placebo, em dupla ocultação. As concentrações de ácido úrico devem ser avaliadas antes do início da terapia com Jinarc e conforme indicado durante o tratamento com base nos sintomas.

Efeito de tolvaptano na taxa de filtração glomerular (GFR)

Foi observada uma redução reversível da GFR em ensaios de DPRAD no início do tratamento com tolvaptano.

4.5 Interações medicamentosas e outras formas de interação

Efeito de outros medicamentos na farmacocinética de tolvaptano

Inibidores do CYP3A

O uso concomitante de medicamentos que são inibidores moderados (por exemplo, amprenavir, aprepitante, atazanavir, ciprofloxacina, crizotinib, darunavir/ritonavir, diltiazem, eritromicina, fluconazol, fosamprenavir, imatinib, verapamil) ou fortes (por exemplo, itraconazol, cetoconazol, ritonavir, claritromicina) do CYP3A aumenta a exposição a tolvaptano. A coadministração de tolvaptano e cetoconazol resultou num aumento de 440% da área sob a curva da concentração-tempo (AUC) e num aumento de 248% da concentração plasmática máxima observada (Cmax) para o tolvaptano.

A coadministração de tolvaptano com sumo de toranja, um inibidor moderado a forte do CYP3A, produziu uma duplicação das concentrações máximas de tolvaptano (Cmax).

A redução da dose de tolvaptano é recomendada para os doentes enquanto estiverem a tomar inibidores moderados ou fortes do CYP3A (ver secção 4.2). Os doentes a tomar inibidores moderados ou fortes do CYP3A têm de ser controlados com prudência, em particular se os inibidores forem tomados com frequência superior a uma vez por dia.

Indutores do CYP3A

O uso concomitante de medicamentos que sejam indutores potentes do CYP3A (por exemplo, rifampicina) diminui a exposição e eficácia de tolvaptano. A coadministração de tolvaptano com rifampicina reduz a Cmax e a AUC de tolvaptano em cerca de 85%. Por conseguinte, a administração concomitante de tolvaptano com indutores potentes do CYP3A (por exemplo, rifampicina, rifabutina, rifapentina, fenitoína, carbamazepina e hipericão) deve ser evitada.

Coadministração com medicamentos que aumentam a concentração sérica de sódio

Não há experiência de ensaios clínicos controlados com o uso concomitante de tolvaptano e soro fisiológico hipertónico, formulações orais de sódio e medicamentos que aumentem a concentração sérica de sódio. Os medicamentos com elevado teor de sódio, como por exemplo preparações analgésicas efervescentes e certos tratamentos para a dispepsia que contêm sódio, também podem aumentar a concentração sérica de sódio. O uso concomitante de tolvaptano com medicamentos que aumentem a concentração sérica de sódio pode resultar num risco mais elevado de desenvolvimento de hipernatremia (ver secção 4.4) e, por conseguinte, não é recomendado.

Diuréticos

Tolvaptano não foi extensamente estudado na DPRAD em combinação com diuréticos. Ainda que não pareça haver um efeito sinergístico ou cumulativo do uso concomitante de tolvaptano com diuréticos da ansa e tiazidas, cada classe de agentes tem o potencial de levar a desidratação intensa, o que constitui um fator de risco para a disfunção renal. Se a desidratação ou disfunção renal se tornarem evidentes, devem ser tomadas as medidas apropriadas que podem incluir a necessidade de interromper ou reduzir as doses de tolvaptano e/ou de diuréticos e aumentar a ingestão de fluidos. Outras causas potenciais de disfunção renal ou desidratação devem ser avaliadas e abordadas.

Efeito de tolvaptano na farmacocinética de outros medicamentos

Substratos do CYP3A

Em indivíduos saudáveis, tolvaptano, um substrato do CYP3A, não teve efeito sobre as concentrações plasmáticas de alguns outros substratos do CYP3A (por exemplo, varfarina ou amiodarona). Tolvaptano aumentou os níveis plasmáticos da lovastatina em 1,3 a 1,5 vezes. Ainda que este aumento não tenha relevância clínica, indica que tolvaptano pode aumentar potencialmente a exposição a substratos do CYP3A4.

Substratos transportadores

Estudos in vitro indicam que tolvaptano é um substrato e inibidor competitivo da P-glicoproteína (P-gp). Estudos in vitro indicam que tolvaptano ou o seu metabolito oxobutírico podem ter o potencial para inibir os transportadores OATP1B1, OATP1B3, OAT3, BCRP e OCT1.

As concentrações de digoxina no estado estacionário foram aumentadas (aumento de 1,3 vezes na concentração plasmática máxima observada [Cmax] e aumento de 1,2 vezes na área sob a curva da concentração plasmática-tempo ao longo do intervalo de dosagem [AUCτ]) quando esta foi coadministrada com doses múltiplas de 60 mg de tolvaptano uma vez por dia. Os doentes a tomarem digoxina ou outros substratos terapêuticos estreitos P-gp (por exemplo, dabigatrano) devem, por conseguinte, ser controlados com prudência e avaliados quanto a efeitos excessivos quando tratados com tolvaptano.

As estatinas vulgarmente utilizadas no ensaio de referência de fase 3 de tolvaptano (por exemplo, rosuvastatina e pitavastatina) são substratos de OATP1B1 ou OATP1B3, no entanto não foi observada qualquer diferença no perfil de efeitos adversos (EA) durante o ensaio de referência de fase 3 de tolvaptano na DPRAD.

Se substratos de OATP1B1 e OATP1B3 (por exemplo, estatinas como a rosuvastatina e a pitavastatina), substratos de OAT3 (por exemplo, metotrexato, ciprofloxacina), substratos de BCRP (por exemplo, sulfasalazina) ou substratos de OCT1 (por exemplo, metformina) forem coadministrados com tolvaptano, os doentes devem ser controlados com prudência e avaliados quanto aos efeitos excessivos destes medicamentos.

Diuréticos ou medicamentos anti-hipertensivos não diuréticos

A tensão arterial em pé não foi medida por rotina nos ensaios da DPRAD, pelo que não pode ser excluído um risco de hipotensão ortostática/postural devido a interação farmacodinâmica com tolvaptano.

Coadministração com análogos da vasopressina

Para além do seu efeito aquarético renal, o tolvaptano é capaz de bloquear os recetores vasculares V2 da vasopressina envolvidos na libertação de fatores de coagulação (por exemplo, fator de von Willebrand) a partir das células endoteliais. Por conseguinte, o efeito dos análogos da vasopressina, como por exemplo a desmopressina, pode ser atenuado em doentes que utilizem esses análogos para prevenir ou controlar a hemorragia quando coadministrados com o tolvaptano. Não se recomenda a administração de Jinarc com análogos da vasopressina.

Tabagismo e álcool

Os dados relativos ao historial de tabagismo ou álcool nos ensaios da DPRAD são demasiado limitados para determinar as possíveis interações do tabagismo e do álcool com a eficácia e a segurança do tratamento da DPRAD com tolvaptano.

4.6 Fertilidade, gravidez e aleitamento

Gravidez

A quantidade de dados sobre a utilização de tolvaptano em mulheres grávidas não é adequada. Os estudos em animais revelaram toxicidade reprodutiva (ver secção 5.3). Desconhece-se o risco potencial para o ser humano.

As mulheres com potencial para engravidar devem utilizar um método contracetivo adequado durante o tratamento com Jinarc. Jinarc não pode ser utilizado durante a gravidez (ver secção 4.3).

Amamentação

Desconhece-se se tolvaptano é excretado no leite humano. Estudos em ratos revelaram excreção de tolvaptano no leite.

Desconhece-se o risco potencial para o ser humano. Jinarc é contraindicado durante a amamentação (ver secção 4.3).

Fertilidade

Os estudos em animais revelaram efeitos sobre a fertilidade (ver secção 5.3). Desconhece-se o risco potencial para o ser humano.

4.7 Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

Os efeitos de Jinarc sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas são reduzidos. No entanto, ao conduzir veículos ou utilizar máquinas deve ter-se em consideração que poderão ocorrer ocasionalmente tonturas, astenia ou fadiga.

4.8 Efeitos indesejáveis

Resumo do perfil de segurança

As reações adversas farmacodinamicamente previsíveis e notificadas com maior frequência são a sede, poliúria, nictúria e polaquiúria, que ocorrem em cerca de 55%, 38%, 29% e 23% dos doentes, respetivamente. Além disso, tolvaptano foi associado a elevações idiossincráticas da alanina aminotransferase e da aspartato aminotransferase (ALT e AST) no sangue com casos infrequentes de elevações concomitantes da bilirrubina total (BT).

Lista tabelada de reações adversas

O perfil de reações adversas de tolvaptano na indicação da DPRAD baseia-se numa base de dados de ensaios clínicos de 1444 doentes tratados (961 doentes tratados com tolvaptano, 483 tratados com placebo) e é consistente com a farmacologia da substância ativa. As reações adversas associadas ao tolvaptano obtidas nos estudos clínicos da DPRAD estão tabeladas abaixo.

As frequências das reações adversas correspondem a muito frequentes (≥1/10), frequentes (≥1/100 a

<1/10), pouco frequentes (≥1/1.000 a <1/100) e desconhecidas (não pode ser calculado a partir dos dados disponíveis). As reações adversas são apresentadas por ordem decrescente de gravidade dentro de cada classe de frequência.

Classe de sistemas de

Frequência

 

órgãos

 

 

Doenças do metabolismo e

Muito frequentes:

Polidipsia

da nutrição

Frequentes:

Desidratação, hipernatremia, falta de apetite,

 

 

hiperuricemia, hiperglicemia

 

 

 

Perturbações do foro

Frequentes:

Insónia

psiquiátrico

 

 

 

 

 

Doenças do sistema

Muito frequentes:

Cefaleia, tonturas

nervoso

 

 

 

 

 

Cardiopatias

Frequentes:

Palpitações

 

 

 

Classe de sistemas de

Frequência

 

órgãos

 

 

Doenças respiratórias,

Frequentes:

Dispneia

torácicas e do mediastino

 

 

 

 

 

Doenças gastrointestinais

Muito frequentes:

Diarreia, boca seca

 

Frequentes:

Distensão abdominal, obstipação, dispepsia,

 

 

doença de refluxo gastroesofágico

 

 

 

Afeções hepatobiliares

Frequentes:

Função hepática anormal

 

 

 

Afeções dos tecidos

Frequentes:

Erupção cutânea, prurido

cutâneos e subcutâneos

 

 

 

 

 

Afeções

Frequentes:

Espasmos musculares

musculosqueléticas e dos

 

 

tecidos conjuntivos

 

 

 

 

 

Doenças renais e urinárias

Muito frequentes:

Nictúria, polaquiúria, poliúria

 

 

 

Perturbações gerais e

Muito frequentes:

Fadiga, sede

alterações no local de

Frequentes:

Astenia

administração

 

 

 

 

 

Exames complementares

Frequentes:

Alanina aminotransferase aumentada,

de diagnóstico

 

aspartato aminotransferase aumentada, peso

 

 

diminuído

 

Pouco frequentes:

Bilirrubina aumentada

 

 

 

Descrição das reações adversas selecionadas

Para minimizar o risco de lesões hepáticas significativas ou irreversíveis, são necessárias análises sanguíneas de transaminases hepáticas antes de iniciar o tratamento com Jinarc, que continuarão mensalmente durante 18 meses e a intervalos regulares de 3 meses daí em diante (ver secção 4.4). As reações adversas mais frequentes estão relacionadas com a perda de água. Por conseguinte, é extremamente importante que os doentes tenham acesso a água e consigam beber quantidades

suficientes de fluidos. O estado de volume dos doentes a tomar tolvaptano deve ser monitorizado para prevenir a desidratação (ver secção 4.4).

Pós-comercialização

As seguintes reações adversas foram notificadas durante a vigilância pós-comercialização de tolvaptano aprovado para outras indicações.

Classe de sistemas de

Frequência

órgãos

 

Doenças do sistema

Desconhecida: Choque anafilático, erupção cutânea generalizada

imunitário

 

Notificação de suspeitas de reações adversas

A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através do sistema nacional de notificação mencionado no Apêndice V.

4.9 Sobredosagem

Doses orais únicas até 480 mg (4 vezes a dose diária máxima recomendada) e doses múltiplas até 300 mg uma vez por dia durante 5 dias foram bem toleradas em ensaios em indivíduos saudáveis. Não existe antídoto específico para a intoxicação de tolvaptano. É de prever que os sinais e sintomas de sobredosagem aguda sejam os do efeito farmacológico excessivo: um aumento da concentração sérica de sódio, poliúria, sede e desidratação/hipovolemia.

Não se observou mortalidade em ratos ou cães após doses orais únicas de 2000 mg/kg (dose máxima viável). Uma dose oral única de 2000 mg/kg foi letal em ratinhos e os sintomas de toxicidade em ratinhos afetados incluíram atividade locomotora diminuída, andar cambaleante, tremor e hipotermia. Em doentes com suspeita de sobredosagem de tolvaptano, recomenda-se a avaliação dos sinais vitais, das concentrações de eletrólitos, do ECG e do estado dos fluidos. A substituição apropriada de água e/ou de eletrólitos deve continuar até a aquarese diminuir. A diálise poderá não ser eficaz na remoção de tolvaptano devido à sua elevada afinidade de ligação para a proteína plasmática humana (>98%).

5. PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS

5.1 Propriedades farmacodinâmicas

Grupo farmacoterapêutico: ainda não atribuído, código ATC: ainda não atribuído.

Tolvaptano é um antagonista da vasopressina que bloqueia especificamente a ligação da vasopressina arginina (AVP) nos recetores V2 das partes distais do nefrónio. A afinidade de tolvaptano para o recetor V2 humano é 1,8 vezes a da AVP natural.

Os efeitos farmacodinâmicos de tolvaptano foram determinados em indivíduos saudáveis e indivíduos com DPRAD nos estádios 1 a 4 de DRC. Os efeitos sobre a depuração de água livre e o volume de urina são evidentes em todos os estádios de DRC com efeitos absolutos menores observados em estádios posteriores, consistentes com o número decrescente de nefrónios totalmente funcionais. Foram observadas também reduções agudas do volume renal total médio após 3 semanas de terapia em todos os estádios de DRC, variando de -4,6% para a DRC em estádio 1 a -1,9% para a DRC em estádio 4.

O programa clínico para o desenvolvimento dos comprimidos de tolvaptano para o tratamento da DPRAD concentra-se principalmente num ensaio único de referência, multinacional, de fase 3, aleatorizado e controlado por placebo, no qual a segurança e a eficácia a longo prazo de regimes de dose dividida oral de tolvaptano (titulada entre 60 mg/dia e 120 mg/dia) foram comparadas com placebo em 1445 participantes adultos com DPRAD. No total, foram concluídos 14 ensaios clínicos envolvendo tolvaptano a nível mundial para corroborar a indicação para a DPRAD, incluindo 8 ensaios nos EUA, 1 nos Países Baixos, 3 no Japão, 1 na Coreia e o ensaio multinacional de referência de fase 3.

O ensaio de referência de fase 3 (TEMPO 3:4, 156-04-251) incluiu participantes de 129 centros nas Américas, Japão, Europa e outros países. O principal objetivo deste ensaio era avaliar a eficácia a longo prazo de tolvaptano na DPRAD através da taxa de variação (%) do volume renal total (VRT) para os participantes tratados com tolvaptano em comparação com os participantes tratados com placebo. Neste ensaio, um total de 1445 doentes adultos (com idades compreendidas entre os 18 e os 50 anos) com indícios de DPRAD precoce em rápida progressão (satisfazendo os critérios modificados de Ravine, volume renal total (VRT) ≥750 ml, depuração estimada de creatinina ≥60 ml/min) foram aleatorizados numa proporção de 2:1 para o tratamento com tolvaptano ou placebo. Os doentes foram tratados durante um período até 3 anos.

Os grupos de tolvaptano (N=961) e de placebo (N=484) foram bem equiparados em termos de género com uma média de idade de 39 anos. Os critérios de inclusão identificaram os doentes que, na linha basal, apresentavam indícios de progressão precoce da doença. Na linha basal, os doentes tinham uma taxa de filtração glomerular média estimada (eGFR) de 82 ml/min/1,73m2 (DRC-EPI) com 79% com hipertensão e um VRT médio de 1692 ml (ajuste de altura 972 ml/m). Aproximadamente 35% dos participantes tinham doença renal crónica (DRC) em estádio 1, 48% DRC em estádio 2 e 17% DRC

em estádio 3 (eGFRDRC-EPI). Embora estes critérios fossem úteis para enriquecer a população do estudo com doentes que estavam em rápida progressão, as análises de subgrupos baseadas em critérios de estratificação (idade, VRT, GFR, albuminúria, hipertensão) indicaram que a presença desses fatores de risco em idades mais jovens prevê uma progressão mais rápida da doença.

Os resultados do parâmetro de avaliação primário, a taxa de variação do VRT dos participantes aleatorizados para o tolvaptano (normalizada como percentagem) para a taxa de variação dos participantes a tomar placebo, foram estatisticamente muito significativos. A taxa de aumento do VRT ao longo de 3 anos foi significativamente menor para os participantes tratados com tolvaptano do que para os participantes a tomar placebo: 2,80% por ano vs. 5,51% por ano, respetivamente (relação da média geométrica 0,974; IC de 95%, 0,969 a 0,980; p <0,0001).

Os parâmetros de avaliação secundários pré-especificados foram testados sequencialmente. O principal parâmetro de avaliação secundário composto (progressão da DPRAD) foi o tempo até aos múltiplos acontecimentos de progressão clínica de:

1)agravamento da função renal (definido como uma redução de 25% persistente [reproduzida ao longo de pelo menos 2 semanas] da creatinina sérica recíproca durante o tratamento [desde o fim da titulação até à última consulta a tomar o medicamento])

2)dor renal clinicamente significativa (definida como exigindo a prescrição de baixa, analgésicos de último recurso, narcóticos e antinocicetivos, intervenções radiológicas ou cirúrgicas)

3)agravamento da hipertensão

4)agravamento da albuminúria

A taxa relativa de acontecimentos relacionados com a DPRAD diminuiu 13,5% nos doentes tratados com tolvaptano (relação de risco, 0,87; IC de 95%, 0,78 a 0,97; p=0,0095).

O resultado do principal parâmetro de avaliação secundário composto é essencialmente atribuído aos efeitos sobre o agravamento da função renal e à dor renal clinicamente significativa. Os acontecimentos envolvendo a função renal foram 61,4% menos prováveis para o tolvaptano em comparação com o placebo (relação de risco, 0,39; IC de 95%, 0,26 a 0,57; p <0,0001 nominal), enquanto os acontecimentos envolvendo a dor renal foram 35,8% menos prováveis nos doentes tratados com tolvaptano (relação de risco, 0,64; IC de 95%, 0,47 a 0,89; p=0,007 nominal). Em contrapartida, não houve efeitos do tolvaptano sobre a progressão da hipertensão ou da albuminúria.

Não estão atualmente disponíveis dados para mostrar se a terapia prolongada com Jinarc continua a abrandar a taxa de diminuição da função renal e a afetar os resultados clínicos da DPRAD, incluindo atraso no aparecimento de doença renal em fase terminal.

Os genótipos dos doentes não foram determinados para separação em DPRAD de tipo 1 e 2 e desconhece-se se Jinarc tem uma eficácia comparável nestes subgrupos.

População pediátrica

A Agência Europeia de Medicamentos diferiu a obrigação de apresentação dos resultados dos estudos com tolvaptano em um ou mais subgrupos da população pediátrica na doença do rim poliquístico (ver secção 4.2 para informação sobre utilização pediátrica).

5.2 Propriedades farmacocinéticas

Absorção e distribuição

Após a administração oral, tolvaptano é rapidamente absorvido, com as concentrações plasmáticas máximas a ocorrerem cerca de 2 horas após a dosagem. A biodisponibilidade absoluta de tolvaptano é de cerca de 56%.

A coadministração de tolvaptano com uma refeição com elevado teor de gordura aumentou as concentrações máximas de tolvaptano até 2 vezes, mas deixou a AUC inalterada. Muito embora a relevância clínica deste resultado seja desconhecida, para minimizar o risco desnecessário de aumentar a exposição máxima, a dose matinal deve ser tomada em jejum (ver secção 4.2).

Após doses orais únicas ≥300 mg, as concentrações plasmáticas máximas parecem atingir um plateau, possivelmente devido à saturação da absorção. Tolvaptano tem uma ligação reversível (98%) às proteínas plasmáticas.

Metabolismo e eliminação

Tolvaptano é extensamente metabolizado no fígado quase exclusivamente pelo CYP3A. Tolvaptano é um substrato fraco do CYP3A4 e não parece ter qualquer atividade inibidora.

Estudos in vitro indicaram que o tolvaptano não tem atividade inibidora para o CYP3A. Foram identificados catorze metabolitos no plasma, na urina e nas fezes; todos exceto um foram também metabolizados pelo CYP3A. Apenas o metabolito ácido oxobutírico está presente num valor superior a 10% da radioatividade plasmática total; todos os outros estão presentes em concentrações mais baixas do que tolvaptano.

Os metabolitos de tolvaptano pouco ou nada contribuem para o efeito farmacológico de tolvaptano; todos os metabolitos não têm atividade antagonista ou têm atividade antagonista fraca para os recetores V2 humanos quando comparados com tolvaptano. A semivida de eliminação terminal é de cerca de 8 horas e as concentrações no estado estacionário para tolvaptano são obtidas após a primeira dose.

Menos de 1% da substância ativa intacta é excretada inalterada na urina. As experiências realizadas com marcação radiológica de tolvaptano mostraram que 40% da radioatividade foi recuperada na urina e 59% foi recuperada nas fezes, nas quais o tolvaptano inalterado era responsável por 32% da radioatividade. Tolvaptano é apenas um componente de menor importância no plasma (3%).

Linearidade

Após doses orais únicas, os valores da Cmax mostram aumentos menores do que os proporcionais à dose de 30 para 240 mg e depois um plateau com doses de 240 a 480 mg, a AUC aumenta linearmente.

Após uma dosagem múltipla uma vez por dia de 300 mg, a exposição a tolvaptano aumentou apenas 6,4 vezes quando comparada com uma dose de 30 mg. Para os regimes de dose dividida de 30, 60 e 120 mg/dia em doentes com DPRAD, a exposição a tolvaptano (AUC) aumenta linearmente.

Farmacocinética em populações especiais

A depuração de tolvaptano não é significativamente afetada pela idade.

O efeito da função hepática ligeira ou moderadamente comprometida (classes de Child-Pugh A e B) sobre a farmacocinética de tolvaptano foi investigado em 87 doentes com doença hepática de várias origens. Não se observaram alterações clinicamente significativas na depuração para doses de 5 a 60 mg. Está disponível informação muito limitada em doentes com compromisso hepático grave (classe de Child-Pugh C).

Numa análise farmacocinética da população em doentes com edema hepático, os valores da AUC de tolvaptano em doentes com compromisso hepático grave (classe de Child-Pugh C) e ligeira ou moderada (classes de Child-Pugh A e B) foram 3,1 e 2,3 vezes mais elevados do que em indivíduos saudáveis.

Numa análise farmacocinética da população para doentes com DPRAD, as concentrações de tolvaptano aumentaram, em comparação com indivíduos saudáveis, enquanto a função renal diminuiu abaixo de uma eGFR de 60 ml/min/1,73m2. Uma diminuição da eGFRDRC-EPI de 72,2 para 9,79 (ml/min/1,73 m2) foi associada a uma redução de 32% da depuração corporal total.

5.3 Dados de segurança pré-clínica

Os dados não clínicos não revelam riscos especiais para o ser humano, segundo estudos convencionais de farmacologia de segurança, toxicidade de dose repetida, genotoxicidade ou potencial carcinogénico. Foi notada teratogenicidade em coelhos aos quais foram administrados 1000 mg/kg/dia (7,5 vezes a exposição à dose de 120 mg/dia para o ser humano numa base da AUC). Não se observaram efeitos teratogénicos em coelhos com 300 mg/kg/dia (cerca de 1,25 a 2,65 vezes a exposição em seres humanos com a dose de 120 mg/dia, com base na AUC).

Num estudo peri e pós-natal em ratos, observaram-se ossificação retardada e peso corporal reduzido nas crias com a dose elevada de 1000 mg/kg/dia.

Dois estudos de fertilidade em ratos revelaram efeitos sobre a geração parental (diminuição do consumo de alimentos e do aumento do peso corporal, salivação), mas tolvaptano não afetou o desempenho reprodutivo nos machos e não houve efeitos nos fetos. Nas fêmeas, foram observados ciclos éstricos anormais em ambos os estudos.

O nível sem efeitos adversos observados (NOAEL) relativo aos efeitos sobre a reprodução nas fêmeas (100 mg/kg/dia) foi cerca de 8 vezes a dose humana máxima recomendada de 120 mg/dia numa base de mg/m2.

6. INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS

6.1 Lista dos excipientes

Amido de milho

Hidroxipropilcelulose

Lactose mono-hidratada

Estearato de magnésio

Celulose microcristalina

Laca de alumínio de indigotina

6.2 Incompatibilidades

Não aplicável.

6.3 Prazo de validade

4 anos

6.4 Precauções especiais de conservação

Conservar na embalagem de origem para proteger da luz e da humidade.

6.5 Natureza e conteúdo do recipiente

7 ou 28 comprimidos em blister de PVC/folha de alumínio

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

6.6 Precauções especiais de eliminação e manuseamento

Qualquer medicamento não utilizado ou resíduos devem ser eliminados de acordo com as exigências locais.

7. TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Otsuka Pharmaceutical Europe Ltd.

Gallions, Wexham Springs

Framewood Road

Wexham

SL3 6PJ

Reino Unido

8. NÚMERO(S) DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

EU/1/15/1000/003-004

9. DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO/RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Data da primeira autorização:

10. DATA DA REVISÃO DO TEXTO

Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet da Agência Europeia de Medicamentos: http://www.ema.europa.eu.

Este medicamento está sujeito a monitorização adicional. Isto irá permitir a rápida identificação de nova informação de segurança. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas. Para saber como notificar reações adversas, ver secção 4.8.

1. NOME DO MEDICAMENTO

Jinarc 45 mg comprimidos

Jinarc 15 mg comprimidos

2. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA

Cada comprimido de 45 mg contém 45 mg de tolvaptano.

Cada comprimido de 15 mg contém 15 mg de tolvaptano.

Excipiente(s) com efeito conhecido:

Cada comprimido de 45 mg contém aproximadamente 12 mg de lactose (sob a forma mono-hidratada).

Cada comprimido de 15 mg contém aproximadamente 35 mg de lactose (sob a forma mono-hidratada).

Lista completa de excipientes, ver secção 6.1

3. FORMA FARMACÊUTICA

Comprimido

Comprimido de 45 mg: azul, quadrado (6,8 mm de lado, eixo maior 8,2 mm), ligeiramente convexo, gravado com “OTSUKA” e “45” num dos lados.

Comprimido de 15 mg: azul, triangular (eixo maior: 6,58 mm, eixo menor: 6,20 mm), ligeiramente convexo, gravado com “OTSUKA” e “15” num dos lados.

4. INFORMAÇÕES CLÍNICAS

4.1 Indicações terapêuticas

Jinarc é indicado para abrandar a progressão do desenvolvimento de quistos e insuficiência renal da doença poliquística renal autossómica dominante (DPRAD) em adultos com doença renal crónica (DRC) em estádios 1 a 3 no início do tratamento com indícios de doença em rápida progressão (ver secção 5.1).

4.2 Posologia e modo de administração

O tratamento com tolvaptano deve ser iniciado e monitorizado sob a supervisão de médicos com experiência no tratamento de DPRAD e conhecimento pleno dos riscos da terapia com tolvaptano incluindo toxicidade hepática e requisitos de monitorização (ver secção 4.4).

Posologia

Jinarc deve ser administrado duas vezes por dia em regimes de dose dividida de 45 mg + 15 mg,

60 mg + 30 mg ou 90 mg + 30 mg. A dose matinal deve ser tomada pelo menos 30 minutos antes da refeição da manhã. A segunda dose diária pode ser tomada com ou sem alimentos. De acordo com estes regimes de dose dividida, as doses diárias totais são de 60, 90 ou 120 mg.

Titulação da dose

A dose inicial é de 60 mg de tolvaptano por dia como regime de dose dividida de 45 mg + 15 mg

(45 mg tomados ao acordar e antes da refeição da manhã e 15 mg tomados 8 horas mais tarde). A dose inicial deve ser aumentada para um regime de dose dividida de 90 mg de tolvaptano (60 mg + 30 mg) por dia e depois para um regime alvo de dose dividida de 120 mg de tolvaptano (90 mg + 30 mg) por dia, caso seja tolerado, com pelo menos intervalos semanais entre as titulações. A titulação da dose tem de ser efetuada com prudência para assegurar que as doses elevadas não sejam mal toleradas devido a uma titulação excessivamente rápida. As doses dos doentes poderão ser reduzidas com base na tolerabilidade. Os doentes têm de ser mantidos na dose mais elevada tolerável de tolvaptano.

O objetivo da titulação da dose é bloquear a atividade da vasopressina no recetor V2 renal da forma mais completa e constante possível, mantendo ao mesmo tempo um equilíbrio de fluidos aceitável (ver secção 4.4). Recomendam-se medições da osmolalidade urinária para monitorizar a adequação da inibição da vasopressina. A monitorização periódica da osmolalidade plasmática ou do sódio sérico (para calcular a osmolalidade plasmática) e/ou do peso corporal deve ser considerada para monitorizar o risco de desidratação secundária aos efeitos aquaréticos de tolvaptano em caso de ingestão insuficiente de água pelo doente.

A segurança e eficácia de Jinarc na DRC em estádio 5 não foram devidamente exploradas e portanto o tratamento com tolvaptano deve ser descontinuado se a insuficiência renal progredir para DRC em estádio 5.

A dose matinal de Jinarc deve ser tomada pelo menos 30 minutos antes da refeição da manhã. A segunda dose diária pode ser tomada com ou sem alimentos.

A terapia tem de ser interrompida se a capacidade para beber ou a acessibilidade a água for limitada (ver secção 4.4). Tolvaptano não deve ser tomado com sumo de toranja (ver secção 4.5). Os doentes devem receber instruções para beberem quantidades suficientes de água ou outros fluidos aquosos (ver secção 4.4).

Ajuste da dose para doentes a tomar inibidores fortes do CYP3A

Nos doentes a tomar inibidores fortes do CYP3A (ver secção 4.5), as doses de tolvaptano têm de ser reduzidas da seguinte forma:

Dose dividida diária de tolvaptano

Dose reduzida (uma vez por dia)

90+30 mg

30 mg

 

(redução adicional para 15 mg se 30 mg

 

não forem bem tolerados)

60+30 mg

30 mg

 

(redução adicional para 15 mg se 30 mg

 

não forem bem tolerados)

45+15 mg

15 mg

Ajuste da dose para doentes a tomar inibidores moderados do CYP3A

Nos doentes a tomar inibidores moderados do CYP3A, as doses de tolvaptano têm de ser reduzidas da seguinte forma:

Dose dividida diária de tolvaptano

Dose dividida reduzida

90+30 mg

45+15 mg

60+30 mg

30+15 mg

45+15 mg

15+15 mg

Terão de ser consideradas reduções adicionais se os doentes não conseguirem tolerar as doses reduzidas de tolvaptano.

População idosa

O aumento da idade não tem efeito nas concentrações plasmáticas de tolvaptano. No entanto, a segurança e a eficácia de tolvaptano em doentes com DPRAD com mais de 50 anos não foram ainda estabelecidas.

Compromisso renal

Tolvaptano é contraindicado em doentes anúricos (ver secção 4.3).

Não é necessário o ajuste da dose em doentes com compromisso renal. Não foram realizados ensaios clínicos em indivíduos com uma depuração da creatinina <10 ml/min ou em doentes sujeitos a diálise. O risco de lesões hepáticas em doentes com função renal gravemente reduzida (isto é, eGFR <20) pode aumentar; estes doentes devem ser cuidadosamente monitorizados quanto à toxicidade hepática. Os dados relativos aos doentes com DRC em estádio 3 são mais limitados do que os relativos aos doentes no estádio 1 ou 2 (ver secção 5.1).

Compromisso hepático

Nos doentes com compromisso hepático grave, os benefícios e riscos do tratamento com Jinarc têm de ser cuidadosamente avaliados. Os doentes devem ser cuidadosamente controlados e as enzimas hepáticas devem ser regularmente monitorizadas (ver secção 4.4).

Jinarc é contraindicado em doentes com enzimas hepáticas elevadas e/ou sinais ou sintomas de lesão hepática antes do início do tratamento que satisfaçam os requisitos para descontinuação permanente do tolvaptano (ver secções 4.3 e 4.4).

Não é necessário o ajuste da dose em doentes com compromisso hepático ligeiro ou moderado (classes de Child-Pugh A e B).

População pediátrica

A segurança e a eficácia de tolvaptano em crianças e adolescentes não foram ainda estabelecidas. Não existem dados disponíveis. Tolvaptano não é recomendado no grupo etário pediátrico.

Modo de administração

Via oral.

Os comprimidos devem ser engolidos, sem mastigar, com um copo de água.

4.3 Contraindicações

Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes mencionados na secção 6.1

Enzimas hepáticas elevadas e/ou sinais ou sintomas de lesão hepática antes do início do tratamento que satisfaçam os requisitos para descontinuação permanente do tolvaptano (ver secção 4.4)

Anúria

Depleção do volume

Hipernatremia

Doentes que não conseguem ter perceção da sede ou responder à sede

Gravidez (ver secção 4.6)

Aleitamento (ver secção 4.6)

4.4 Advertências e precauções especiais de utilização

Toxicidade hepática idiossincrática

Tolvaptano foi associado a elevações idiossincráticas da alanina aminotransferase e da aspartato aminotransferase (ALT e AST) no sangue com casos infrequentes de elevações concomitantes da bilirrubina total (BT).

Num ensaio controlado por placebo, em dupla ocultação, em doentes com DPRAD, foi observada elevação (>3 x limite superior do normal [LSN]) da ALT em 4,4% (42/958) dos doentes a tomar tolvaptano e 1,0% (5/484) dos doentes a tomar placebo, enquanto a elevação (>3xLSN) da AST foi observada em 3,1% (30/958) dos doentes a tomar tolvaptano e 0,8% (4/484) dos doentes a tomar placebo. Dois (2/957, 0,2%) destes doentes tratados com tolvaptano, assim como um terceiro doente

de um ensaio de prolongamento aberto, exibiram aumentos das enzimas hepáticas (>3xLSN) com elevações concomitantes da BT (>2xLSN). O período de aparecimento de lesão hepatocelular (por elevações da ALT >3xLSN) foi dentro de 3 a 14 meses após o início do tratamento e estes aumentos foram reversíveis, com a ALT a voltar a <3xLSN dentro de 1 a 4 meses. Embora estas elevações concomitantes fossem reversíveis com a descontinuação imediata de tolvaptano, representam um potencial de lesão hepática significativa. Alterações semelhantes com outros medicamentos foram associadas ao potencial de causar lesões hepáticas irreversíveis e potencialmente fatais.

Os médicos que receitam o medicamento têm de cumprir totalmente as medidas de segurança exigidas abaixo.

Para minimizar o risco de lesões hepáticas significativas e/ou irreversíveis, são necessárias análises sanguíneas de transaminases hepáticas e bilirrubina antes de iniciar o tratamento com Jinarc, que continuarão mensalmente durante 18 meses e a intervalos regulares de 3 meses daí em diante. Recomenda-se a monitorização concomitante de sintomas que possam indicar lesão hepática (como fadiga, anorexia, náuseas, desconforto abdominal superior direito, vómitos, febre, erupção cutânea, prurido, urina escura ou iterícia).

Se um doente apresentar níveis anormais de ALT, AST ou BT antes do início do tratamento que satisfaçam os critérios de descontinuação permanente (ver abaixo), o uso de tolvaptano é contraindicado (ver secção 4.3). No caso de níveis basais anormais abaixo dos limites para a descontinuação permanente, o tratamento só pode ser iniciado se os potenciais benefícios do tratamento superarem os potenciais riscos, devendo os testes da função hepática continuar com maior frequência. Recomenda-se o parecer de um hepatologista.

Durante os primeiros 18 meses de tratamento, Jinarc só pode ser fornecido a doentes cujo médico tenha determinado que a função hepática suporta a continuação da terapia.

Com o aparecimento de sintomas ou sinais compatíveis com lesão hepática ou se forem detetados aumentos anormais de ALT ou AST durante o tratamento, a administração de Jinarc tem de ser interrompida, sendo necessário repetir as análises, incluindo ALT, AST, BT e fosfatase alcalina (AP), o mais rapidamente possível (idealmente dentro de 48 a 72 horas). As análises devem continuar com maior frequência até os sintomas/sinais/anomalias laboratoriais estabilizarem ou se resolverem, altura essa em que Jinarc pode ser reiniciado.

Se os níveis de ALT e AST permanecerem abaixo de 3 vezes o limite superior do normal (LSN), a terapia com Jinarc pode prosseguir com prudência, com monitorização frequente com doses iguais ou mais baixas, à medida que os níveis de transaminases parecem estabilizar durante a continuação da terapia em alguns doentes.

A prática clínica corrente sugere que a terapia com Jinarc deve ser interrompida após confirmação de níveis de transaminases sustentados ou aumentados e descontinuada de forma permanente caso persistam aumentos significativos e/ou sintomas clínicos de lesão hepática.

As orientações recomendadas para a descontinuação permanente incluem:

ALT ou AST >8 vezes o LSN

ALT ou AST >5 vezes o LSN durante mais de 2 semanas

ALT ou AST >3 vezes o LSN e (BT >2 vezes o LSN ou Relação Internacional Normalizada [INR] >1,5)

ALT ou AST >3 vezes o LSN com os sintomas persistentes de lesão hepática indicados acima.

Acesso a água

Tolvaptano pode causar reações adversas relacionadas com a perda de água, como sede, poliúria, nictúria e polaquiúria (ver secção 4.8). Por conseguinte, os doentes devem ter acesso a água (ou outros fluidos aquosos) e devem conseguir beber quantidades suficientes destes líquidos (ver secção 4.2). Os

doentes devem receber instruções para beberem água ou outros fluidos aquosos ao primeiro sinal de sede a fim de evitar sede excessiva ou desidratação.

Além disso, os doentes têm de beber 1 a 2 copos de líquido antes da hora de deitar, independentemente da perceção da sede, e têm de repor os líquidos durante a noite com cada episódio de nictúria.

Desidratação

O estado de volume deve ser monitorizado nos doentes a tomar tolvaptano porque o tratamento com tolvaptano pode resultar em desidratação intensa, o que constitui um fator de risco para a disfunção renal. Caso a desidratação se torne evidente, tome as medidas apropriadas, que podem incluir a necessidade de interromper ou reduzir a dose de tolvaptano e aumentar a ingestão de fluidos. Devem ser tomadas precauções especiais em doentes com doenças que comprometem a ingestão apropriada de fluidos ou com um risco acrescido de perda de água, por exemplo, no caso de vómitos ou diarreia.

Obstrução do fluxo de excreção urinária

A excreção urinária tem de ser assegurada. Os doentes com obstrução parcial do fluxo de excreção urinária, como por exemplo doentes com hipertrofia da próstata ou dificuldades de micção, têm um risco acrescido de desenvolverem retenção aguda.

Equilíbrio de fluidos e eletrólitos

Deve monitorizar-se, em todos os doentes, o estado dos fluidos e eletrólitos. A administração de tolvaptano induz aquarese profusa e pode causar desidratação e aumentos do sódio sérico (ver secção 4.8) e é contraindicada em doentes com hipernatremia (ver secção 4.3). Por conseguinte, a creatinina sérica, os eletrólitos e os sintomas de desequilíbrios eletrolíticos (por exemplo, tonturas, desmaios, palpitações, confusão, fraqueza, instabilidade da marcha, hiperreflexia, convulsões, coma) têm de ser avaliados antes e depois do início do tratamento com tolvaptano para monitorizar a desidratação.

Durante o tratamento prolongado, os eletrólitos têm de ser monitorizados pelo menos a intervalos de três meses.

Anomalias do sódio sérico

As anomalias do sódio anteriores ao tratamento (hiponatremia ou hipernatremia) têm de ser corrigidas antes do início da terapia com tolvaptano.

Anafilaxia

Na experiência pós-comercialização, a anafilaxia (incluindo o choque anafilático e a erupção cutânea generalizada) foi notificada muito raramente após a administração de tolvaptano. Este tipo de reação ocorreu após a primeira administração de tolvaptano. Em caso de ocorrência de reação anafilática ou de outras reações alérgicas graves, a administração de tolvaptano deve ser imediatamente descontinuada e a terapia apropriada iniciada. Uma vez que a hipersensibilidade é uma contraindicação (ver secção 4.3), o tratamento nunca deve ser reiniciado após uma reação anafilática ou outras reações alérgicas graves.

Lactose

Jinarc contém lactose como excipiente. Os doentes com problemas hereditários raros de intolerância à galactose, deficiência de lactase de Lapp ou malabsorção de glicose-galactose não devem tomar este medicamento.

Diabetes mellitus

Os doentes diabéticos com uma concentração elevada de glicose (por exemplo, acima de 300 mg/dl) podem apresentar pseudo-hiponatremia. Este quadro clínico deve excluir-se antes e durante o tratamento com tolvaptano.

Tolvaptano pode causar hiperglicemia (ver secção 4.8). Por conseguinte, os doentes diabéticos tratados com tolvaptano devem ser controlados com cuidado. Isto aplica-se particularmente a doentes com diabetes de tipo II inadequadamente controlada.

Aumentos do ácido úrico

A depuração diminuída de ácido úrico pelo rim é um efeito conhecido de tolvaptano. Num ensaio controlado por placebo, em dupla ocultação, em doentes com DPRAD, foi notificado aumento do ácido úrico potencialmente significativo em termos clínicos (superior a 10 mg/dl) a uma taxa mais elevada nos doentes a tomar tolvaptano (6,2%) em comparação com os doentes tratados com placebo (1,7%). Foram notificadas com mais frequência reações adversas de gota em doentes tratados com tolvaptano (28/961, 2,9%) do que em doentes a receber placebo (7/483, 1,4%). Além disso, foi observado o uso aumentado de alopurinol e outros medicamentos utilizados para controlar a gota no ensaio controlado por placebo, em dupla ocultação. Os efeitos no ácido úrico sérico são atribuíveis às alterações hemodinâmicas renais reversíveis que ocorrem em resposta aos efeitos de tolvaptano na osmolalidade urinária e podem ser clinicamente relevantes. No entanto, os casos de aumento do ácido úrico e/ou de gota não foram graves e não causaram descontinuação da terapia no ensaio controlado por placebo, em dupla ocultação. As concentrações de ácido úrico devem ser avaliadas antes do início da terapia com Jinarc e conforme indicado durante o tratamento com base nos sintomas.

Efeito de tolvaptano na taxa de filtração glomerular (GFR)

Foi observada uma redução reversível da GFR em ensaios de DPRAD no início do tratamento com tolvaptano.

4.5 Interações medicamentosas e outras formas de interação

Efeito de outros medicamentos na farmacocinética de tolvaptano

Inibidores do CYP3A

O uso concomitante de medicamentos que são inibidores moderados (por exemplo, amprenavir, aprepitante, atazanavir, ciprofloxacina, crizotinib, darunavir/ritonavir, diltiazem, eritromicina, fluconazol, fosamprenavir, imatinib, verapamil) ou fortes (por exemplo, itraconazol, cetoconazol, ritonavir, claritromicina) do CYP3A aumenta a exposição a tolvaptano. A coadministração de tolvaptano e cetoconazol resultou num aumento de 440% da área sob a curva da concentração-tempo (AUC) e num aumento de 248% da concentração plasmática máxima observada (Cmax) para o tolvaptano.

A coadministração de tolvaptano com sumo de toranja, um inibidor moderado a forte do CYP3A, produziu uma duplicação das concentrações máximas de tolvaptano (Cmax).

A redução da dose de tolvaptano é recomendada para os doentes enquanto estiverem a tomar inibidores moderados ou fortes do CYP3A (ver secção 4.2). Os doentes a tomar inibidores moderados ou fortes do CYP3A têm de ser controlados com prudência, em particular se os inibidores forem tomados com frequência superior a uma vez por dia.

Indutores do CYP3A

O uso concomitante de medicamentos que sejam indutores potentes do CYP3A (por exemplo, rifampicina) diminui a exposição e eficácia de tolvaptano. A coadministração de tolvaptano com rifampicina reduz a Cmax e a AUC de tolvaptano em cerca de 85%. Por conseguinte, a administração concomitante de tolvaptano com indutores potentes do CYP3A (por exemplo, rifampicina, rifabutina, rifapentina, fenitoína, carbamazepina e hipericão) deve ser evitada.

Coadministração com medicamentos que aumentam a concentração sérica de sódio

Não há experiência de ensaios clínicos controlados com o uso concomitante de tolvaptano e soro fisiológico hipertónico, formulações orais de sódio e medicamentos que aumentem a concentração sérica de sódio. Os medicamentos com elevado teor de sódio, como por exemplo preparações analgésicas efervescentes e certos tratamentos para a dispepsia que contêm sódio, também podem aumentar a concentração sérica de sódio. O uso concomitante de tolvaptano com medicamentos que aumentem a concentração sérica de sódio pode resultar num risco mais elevado de desenvolvimento de hipernatremia (ver secção 4.4) e, por conseguinte, não é recomendado.

Diuréticos

Tolvaptano não foi extensamente estudado na DPRAD em combinação com diuréticos. Ainda que não pareça haver um efeito sinergístico ou cumulativo do uso concomitante de tolvaptano com diuréticos

da ansa e tiazidas, cada classe de agentes tem o potencial de levar a desidratação intensa, o que constitui um fator de risco para a disfunção renal. Se a desidratação ou disfunção renal se tornarem evidentes, devem ser tomadas as medidas apropriadas que podem incluir a necessidade de interromper ou reduzir as doses de tolvaptano e/ou de diuréticos e aumentar a ingestão de fluidos. Outras causas potenciais de disfunção renal ou desidratação devem ser avaliadas e abordadas.

Efeito de tolvaptano na farmacocinética de outros medicamentos

Substratos do CYP3A

Em indivíduos saudáveis, tolvaptano, um substrato do CYP3A, não teve efeito sobre as concentrações plasmáticas de alguns outros substratos do CYP3A (por exemplo, varfarina ou amiodarona). Tolvaptano aumentou os níveis plasmáticos da lovastatina em 1,3 a 1,5 vezes. Ainda que este aumento não tenha relevância clínica, indica que tolvaptano pode aumentar potencialmente a exposição a substratos do CYP3A4.

Substratos transportadores

Estudos in vitro indicam que tolvaptano é um substrato e inibidor competitivo da P-glicoproteína (P-gp). Estudos in vitro indicam que tolvaptano ou o seu metabolito oxobutírico podem ter o potencial para inibir os transportadores OATP1B1, OATP1B3, OAT3, BCRP e OCT1.

As concentrações de digoxina no estado estacionário foram aumentadas (aumento de 1,3 vezes na concentração plasmática máxima observada [Cmax] e aumento de 1,2 vezes na área sob a curva da concentração plasmática-tempo ao longo do intervalo de dosagem [AUCτ]) quando esta foi coadministrada com doses múltiplas de 60 mg de tolvaptano uma vez por dia. Os doentes a tomarem digoxina ou outros substratos terapêuticos estreitos P-gp (por exemplo, dabigatrano) devem, por conseguinte, ser controlados com prudência e avaliados quanto a efeitos excessivos quando tratados com tolvaptano.

As estatinas vulgarmente utilizadas no ensaio de referência de fase 3 de tolvaptano (por exemplo, rosuvastatina e pitavastatina) são substratos de OATP1B1 ou OATP1B3, no entanto não foi observada qualquer diferença no perfil de efeitos adversos (EA) durante o ensaio de referência de fase 3 de tolvaptano na DPRAD.

Se substratos de OATP1B1 e OATP1B3 (por exemplo, estatinas como a rosuvastatina e a pitavastatina), substratos de OAT3 (por exemplo, metotrexato, ciprofloxacina), substratos de BCRP (por exemplo, sulfasalazina) ou substratos de OCT1 (por exemplo, metformina) forem coadministrados com tolvaptano, os doentes devem ser controlados com prudência e avaliados quanto aos efeitos excessivos destes medicamentos.

Diuréticos ou medicamentos anti-hipertensivos não diuréticos

A tensão arterial em pé não foi medida por rotina nos ensaios da DPRAD, pelo que não pode ser excluído um risco de hipotensão ortostática/postural devido a interação farmacodinâmica com tolvaptano.

Coadministração com análogos da vasopressina

Para além do seu efeito aquarético renal, o tolvaptano é capaz de bloquear os recetores vasculares V2 da vasopressina envolvidos na libertação de fatores de coagulação (por exemplo, fator de von Willebrand) a partir das células endoteliais. Por conseguinte, o efeito dos análogos da vasopressina, como por exemplo a desmopressina, pode ser atenuado em doentes que utilizem esses análogos para prevenir ou controlar a hemorragia quando coadministrados com o tolvaptano. Não se recomenda a administração de Jinarc com análogos da vasopressina.

Tabagismo e álcool

Os dados relativos ao historial de tabagismo ou álcool nos ensaios da DPRAD são demasiado limitados para determinar as possíveis interações do tabagismo e do álcool com a eficácia e a segurança do tratamento da DPRAD com tolvaptano.

4.6 Fertilidade, gravidez e aleitamento

Gravidez

A quantidade de dados sobre a utilização de tolvaptano em mulheres grávidas não é adequada. Os estudos em animais revelaram toxicidade reprodutiva (ver secção 5.3). Desconhece-se o risco potencial para o ser humano.

As mulheres com potencial para engravidar devem utilizar um método contracetivo adequado durante o tratamento com Jinarc. Jinarc não pode ser utilizado durante a gravidez (ver secção 4.3).

Amamentação

Desconhece-se se tolvaptano é excretado no leite humano. Estudos em ratos revelaram excreção de tolvaptano no leite.

Desconhece-se o risco potencial para o ser humano. Jinarc é contraindicado durante a amamentação (ver secção 4.3).

Fertilidade

Os estudos em animais revelaram efeitos sobre a fertilidade (ver secção 5.3). Desconhece-se o risco potencial para o ser humano.

4.7 Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

Os efeitos de Jinarc sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas são reduzidos. No entanto, ao conduzir veículos ou utilizar máquinas deve ter-se em consideração que poderão ocorrer ocasionalmente tonturas, astenia ou fadiga.

4.8 Efeitos indesejáveis

Resumo do perfil de segurança

As reações adversas farmacodinamicamente previsíveis e notificadas com maior frequência são a sede, poliúria, nictúria e polaquiúria, que ocorrem em cerca de 55%, 38%, 29% e 23% dos doentes, respetivamente. Além disso, tolvaptano foi associado a elevações idiossincráticas da alanina aminotransferase e da aspartato aminotransferase (ALT e AST) no sangue com casos infrequentes de elevações concomitantes da bilirrubina total (BT).

Lista tabelada de reações adversas

O perfil de reações adversas de tolvaptano na indicação da DPRAD baseia-se numa base de dados de ensaios clínicos de 1444 doentes tratados (961 doentes tratados com tolvaptano, 483 tratados com placebo) e é consistente com a farmacologia da substância ativa. As reações adversas associadas ao tolvaptano obtidas nos estudos clínicos da DPRAD estão tabeladas abaixo.

As frequências das reações adversas correspondem a muito frequentes (≥1/10), frequentes (≥1/100 a

<1/10), pouco frequentes (≥1/1.000 a <1/100) e desconhecidas (não pode ser calculado a partir dos dados disponíveis). As reações adversas são apresentadas por ordem decrescente de gravidade dentro de cada classe de frequência.

Classe de sistemas de

Frequência

 

órgãos

 

 

Doenças do metabolismo e

Muito frequentes:

Polidipsia

da nutrição

Frequentes:

Desidratação, hipernatremia, falta de apetite,

 

 

hiperuricemia, hiperglicemia

 

 

 

Perturbações do foro

Frequentes:

Insónia

psiquiátrico

 

 

 

 

 

 

 

Classe de sistemas de

Frequência

 

órgãos

 

 

Doenças do sistema

Muito frequentes:

Cefaleia, tonturas

nervoso

 

 

 

 

 

Cardiopatias

Frequentes:

Palpitações

 

 

 

Doenças respiratórias,

Frequentes:

Dispneia

torácicas e do mediastino

 

 

 

 

 

Doenças gastrointestinais

Muito frequentes:

Diarreia, boca seca

 

Frequentes:

Distensão abdominal, obstipação, dispepsia,

 

 

doença de refluxo gastroesofágico

 

 

 

Afeções hepatobiliares

Frequentes:

Função hepática anormal

 

 

 

Afeções dos tecidos

Frequentes:

Erupção cutânea, prurido

cutâneos e subcutâneos

 

 

 

 

 

Afeções

Frequentes:

Espasmos musculares

musculosqueléticas e dos

 

 

tecidos conjuntivos

 

 

 

 

 

Doenças renais e urinárias

Muito frequentes:

Nictúria, polaquiúria, poliúria

 

 

 

Perturbações gerais e

Muito frequentes:

Fadiga, sede

alterações no local de

Frequentes:

Astenia

administração

 

 

 

 

 

Exames complementares

Frequentes:

Alanina aminotransferase aumentada,

de diagnóstico

 

aspartato aminotransferase aumentada, peso

 

 

diminuído

 

Pouco frequentes:

Bilirrubina aumentada

 

 

 

Descrição das reações adversas selecionadas

Para minimizar o risco de lesões hepáticas significativas ou irreversíveis, são necessárias análises sanguíneas de transaminases hepáticas antes de iniciar o tratamento com Jinarc, que continuarão mensalmente durante 18 meses e a intervalos regulares de 3 meses daí em diante (ver secção 4.4). As reações adversas mais frequentes estão relacionadas com a perda de água. Por conseguinte, é extremamente importante que os doentes tenham acesso a água e consigam beber quantidades

suficientes de fluidos. O estado de volume dos doentes a tomar tolvaptano deve ser monitorizado para prevenir a desidratação (ver secção 4.4).

Pós-comercialização

As seguintes reações adversas foram notificadas durante a vigilância pós-comercialização de tolvaptano aprovado para outras indicações.

Classe de sistemas de

Frequência

órgãos

 

Doenças do sistema

Desconhecida: Choque anafilático, erupção cutânea generalizada

imunitário

 

Notificação de suspeitas de reações adversas

A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos

profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através do sistema nacional de notificação mencionado no Apêndice V.

4.9 Sobredosagem

Doses orais únicas até 480 mg (4 vezes a dose diária máxima recomendada) e doses múltiplas até 300 mg uma vez por dia durante 5 dias foram bem toleradas em ensaios em indivíduos saudáveis. Não existe antídoto específico para a intoxicação de tolvaptano. É de prever que os sinais e sintomas de sobredosagem aguda sejam os do efeito farmacológico excessivo: um aumento da concentração sérica de sódio, poliúria, sede e desidratação/hipovolemia.

Não se observou mortalidade em ratos ou cães após doses orais únicas de 2000 mg/kg (dose máxima viável). Uma dose oral única de 2000 mg/kg foi letal em ratinhos e os sintomas de toxicidade em ratinhos afetados incluíram atividade locomotora diminuída, andar cambaleante, tremor e hipotermia. Em doentes com suspeita de sobredosagem de tolvaptano, recomenda-se a avaliação dos sinais vitais, das concentrações de eletrólitos, do ECG e do estado dos fluidos. A substituição apropriada de água e/ou de eletrólitos deve continuar até a aquarese diminuir. A diálise poderá não ser eficaz na remoção de tolvaptano devido à sua elevada afinidade de ligação para a proteína plasmática humana (>98%).

5. PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS

5.1 Propriedades farmacodinâmicas

Grupo farmacoterapêutico: ainda não atribuído, código ATC: ainda não atribuído.

Tolvaptano é um antagonista da vasopressina que bloqueia especificamente a ligação da vasopressina arginina (AVP) nos recetores V2 das partes distais do nefrónio. A afinidade de tolvaptano para o recetor V2 humano é 1,8 vezes a da AVP natural.

Os efeitos farmacodinâmicos de tolvaptano foram determinados em indivíduos saudáveis e indivíduos com DPRAD nos estádios 1 a 4 de DRC. Os efeitos sobre a depuração de água livre e o volume de urina são evidentes em todos os estádios de DRC com efeitos absolutos menores observados em estádios posteriores, consistentes com o número decrescente de nefrónios totalmente funcionais. Foram observadas também reduções agudas do volume renal total médio após 3 semanas de terapia em todos os estádios de DRC, variando de -4,6% para a DRC em estádio 1 a -1,9% para a DRC em estádio 4.

O programa clínico para o desenvolvimento dos comprimidos de tolvaptano para o tratamento da DPRAD concentra-se principalmente num ensaio único de referência, multinacional, de fase 3, aleatorizado e controlado por placebo, no qual a segurança e a eficácia a longo prazo de regimes de dose dividida oral de tolvaptano (titulada entre 60 mg/dia e 120 mg/dia) foram comparadas com placebo em 1445 participantes adultos com DPRAD. No total, foram concluídos 14 ensaios clínicos envolvendo tolvaptano a nível mundial para corroborar a indicação para a DPRAD, incluindo 8 ensaios nos EUA, 1 nos Países Baixos, 3 no Japão, 1 na Coreia e o ensaio multinacional de referência de fase 3.

O ensaio de referência de fase 3 (TEMPO 3:4, 156-04-251) incluiu participantes de 129 centros nas Américas, Japão, Europa e outros países. O principal objetivo deste ensaio era avaliar a eficácia a longo prazo de tolvaptano na DPRAD através da taxa de variação (%) do volume renal total (VRT) para os participantes tratados com tolvaptano em comparação com os participantes tratados com placebo. Neste ensaio, um total de 1445 doentes adultos (com idades compreendidas entre os 18 e os 50 anos) com indícios de DPRAD precoce em rápida progressão (satisfazendo os critérios modificados de Ravine, volume renal total (VRT) ≥750 ml, depuração estimada de creatinina ≥60 ml/min) foram aleatorizados numa proporção de 2:1 para o tratamento com tolvaptano ou placebo. Os doentes foram tratados durante um período até 3 anos.

Os grupos de tolvaptano (N=961) e de placebo (N=484) foram bem equiparados em termos de género com uma média de idade de 39 anos. Os critérios de inclusão identificaram os doentes que, na linha basal, apresentavam indícios de progressão precoce da doença. Na linha basal, os doentes tinham uma taxa de filtração glomerular média estimada (eGFR) de 82 ml/min/1,73m2 (DRC-EPI) com 79% com hipertensão e um VRT médio de 1692 ml (ajuste de altura 972 ml/m). Aproximadamente 35% dos participantes tinham doença renal crónica (DRC) em estádio 1, 48% DRC em estádio 2 e 17% DRC em estádio 3 (eGFRDRC-EPI). Embora estes critérios fossem úteis para enriquecer a população do estudo com doentes que estavam em rápida progressão, as análises de subgrupos baseadas em critérios de estratificação (idade, VRT, GFR, albuminúria, hipertensão) indicaram que a presença desses fatores de risco em idades mais jovens prevê uma progressão mais rápida da doença.

Os resultados do parâmetro de avaliação primário, a taxa de variação do VRT dos participantes aleatorizados para o tolvaptano (normalizada como percentagem) para a taxa de variação dos participantes a tomar placebo, foram estatisticamente muito significativos. A taxa de aumento do VRT ao longo de 3 anos foi significativamente menor para os participantes tratados com tolvaptano do que para os participantes a tomar placebo: 2,80% por ano vs. 5,51% por ano, respetivamente (relação da média geométrica 0,974; IC de 95%, 0,969 a 0,980; p <0,0001).

Os parâmetros de avaliação secundários pré-especificados foram testados sequencialmente. O principal parâmetro de avaliação secundário composto (progressão da DPRAD) foi o tempo até aos múltiplos acontecimentos de progressão clínica de:

1)agravamento da função renal (definido como uma redução de 25% persistente [reproduzida ao longo de pelo menos 2 semanas] da creatinina sérica recíproca durante o tratamento [desde o fim da titulação até à última consulta a tomar o medicamento])

2)dor renal clinicamente significativa (definida como exigindo a prescrição de baixa, analgésicos de último recurso, narcóticos e antinocicetivos, intervenções radiológicas ou cirúrgicas)

3)agravamento da hipertensão

4)agravamento da albuminúria

A taxa relativa de acontecimentos relacionados com a DPRAD diminuiu 13,5% nos doentes tratados com tolvaptano (relação de risco, 0,87; IC de 95%, 0,78 a 0,97; p=0,0095).

O resultado do principal parâmetro de avaliação secundário composto é essencialmente atribuído aos efeitos sobre o agravamento da função renal e à dor renal clinicamente significativa. Os acontecimentos envolvendo a função renal foram 61,4% menos prováveis para o tolvaptano em comparação com o placebo (relação de risco, 0,39; IC de 95%, 0,26 a 0,57; p <0,0001 nominal), enquanto os acontecimentos envolvendo a dor renal foram 35,8% menos prováveis nos doentes tratados com tolvaptano (relação de risco, 0,64; IC de 95%, 0,47 a 0,89; p=0,007 nominal). Em contrapartida, não houve efeitos do tolvaptano sobre a progressão da hipertensão ou da albuminúria.

Não estão atualmente disponíveis dados para mostrar se a terapia prolongada com Jinarc continua a abrandar a taxa de diminuição da função renal e a afetar os resultados clínicos da DPRAD, incluindo atraso no aparecimento de doença renal em fase terminal.

Os genótipos dos doentes não foram determinados para separação em DPRAD de tipo 1 e 2 e desconhece-se se Jinarc tem uma eficácia comparável nestes subgrupos.

População pediátrica

A Agência Europeia de Medicamentos diferiu a obrigação de apresentação dos resultados dos estudos com tolvaptano em um ou mais subgrupos da população pediátrica na doença do rim poliquístico (ver secção 4.2 para informação sobre utilização pediátrica).

5.2 Propriedades farmacocinéticas

Absorção e distribuição

Após a administração oral, tolvaptano é rapidamente absorvido, com as concentrações plasmáticas máximas a ocorrerem cerca de 2 horas após a dosagem. A biodisponibilidade absoluta de tolvaptano é de cerca de 56%.

A coadministração de tolvaptano com uma refeição com elevado teor de gordura aumentou as concentrações máximas de tolvaptano até 2 vezes, mas deixou a AUC inalterada. Muito embora a relevância clínica deste resultado seja desconhecida, para minimizar o risco desnecessário de aumentar a exposição máxima, a dose matinal deve ser tomada em jejum (ver secção 4.2).

Após doses orais únicas ≥300 mg, as concentrações plasmáticas máximas parecem atingir um plateau, possivelmente devido à saturação da absorção. Tolvaptano tem uma ligação reversível (98%) às proteínas plasmáticas.

Metabolismo e eliminação

Tolvaptano é extensamente metabolizado no fígado quase exclusivamente pelo CYP3A. Tolvaptano é um substrato fraco do CYP3A4 e não parece ter qualquer atividade inibidora.

Estudos in vitro indicaram que o tolvaptano não tem atividade inibidora para o CYP3A. Foram identificados catorze metabolitos no plasma, na urina e nas fezes; todos exceto um foram também metabolizados pelo CYP3A. Apenas o metabolito ácido oxobutírico está presente num valor superior a 10% da radioatividade plasmática total; todos os outros estão presentes em concentrações mais baixas do que tolvaptano.

Os metabolitos de tolvaptano pouco ou nada contribuem para o efeito farmacológico de tolvaptano; todos os metabolitos não têm atividade antagonista ou têm atividade antagonista fraca para os recetores V2 humanos quando comparados com tolvaptano. A semivida de eliminação terminal é de cerca de 8 horas e as concentrações no estado estacionário para tolvaptano são obtidas após a primeira dose.

Menos de 1% da substância ativa intacta é excretada inalterada na urina. As experiências realizadas com marcação radiológica de tolvaptano mostraram que 40% da radioatividade foi recuperada na urina e 59% foi recuperada nas fezes, nas quais o tolvaptano inalterado era responsável por 32% da radioatividade. Tolvaptano é apenas um componente de menor importância no plasma (3%).

Linearidade

Após doses orais únicas, os valores da Cmax mostram aumentos menores do que os proporcionais à dose de 30 para 240 mg e depois um plateau com doses de 240 a 480 mg, a AUC aumenta linearmente.

Após uma dosagem múltipla uma vez por dia de 300 mg, a exposição a tolvaptano aumentou apenas 6,4 vezes quando comparada com uma dose de 30 mg. Para os regimes de dose dividida de 30, 60 e 120 mg/dia em doentes com DPRAD, a exposição a tolvaptano (AUC) aumenta linearmente.

Farmacocinética em populações especiais

A depuração de tolvaptano não é significativamente afetada pela idade.

O efeito da função hepática ligeira ou moderadamente comprometida (classes de Child-Pugh A e B) sobre a farmacocinética de tolvaptano foi investigado em 87 doentes com doença hepática de várias origens. Não se observaram alterações clinicamente significativas na depuração para doses de 5 a 60 mg. Está disponível informação muito limitada em doentes com compromisso hepático grave (classe de Child-Pugh C).

Numa análise farmacocinética da população em doentes com edema hepático, os valores da AUC de tolvaptano em doentes com compromisso hepático grave (classe de Child-Pugh C) e ligeira ou moderada (classes de Child-Pugh A e B) foram 3,1 e 2,3 vezes mais elevados do que em indivíduos saudáveis.

Numa análise farmacocinética da população para doentes com DPRAD, as concentrações de tolvaptano aumentaram, em comparação com indivíduos saudáveis, enquanto a função renal diminuiu abaixo de uma eGFR de 60 ml/min/1,73m2. Uma diminuição da eGFRDRC-EPI de 72,2 para 9,79 (ml/min/1,73 m2) foi associada a uma redução de 32% da depuração corporal total.

5.3 Dados de segurança pré-clínica

Os dados não clínicos não revelam riscos especiais para o ser humano, segundo estudos convencionais de farmacologia de segurança, toxicidade de dose repetida, genotoxicidade ou potencial carcinogénico. Foi notada teratogenicidade em coelhos aos quais foram administrados 1000 mg/kg/dia (7,5 vezes a exposição à dose de 120 mg/dia para o ser humano numa base da AUC). Não se observaram efeitos teratogénicos em coelhos com 300 mg/kg/dia (cerca de 1,25 a 2,65 vezes a exposição em seres humanos com a dose de 120 mg/dia, com base na AUC).

Num estudo peri e pós-natal em ratos, observaram-se ossificação retardada e peso corporal reduzido nas crias com a dose elevada de 1000 mg/kg/dia.

Dois estudos de fertilidade em ratos revelaram efeitos sobre a geração parental (diminuição do consumo de alimentos e do aumento do peso corporal, salivação), mas tolvaptano não afetou o desempenho reprodutivo nos machos e não houve efeitos nos fetos. Nas fêmeas, foram observados ciclos éstricos anormais em ambos os estudos.

O nível sem efeitos adversos observados (NOAEL) relativo aos efeitos sobre a reprodução nas fêmeas (100 mg/kg/dia) foi cerca de 8 vezes a dose humana máxima recomendada de 120 mg/dia numa base de mg/m2.

6. INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS

6.1 Lista dos excipientes

Amido de milho

Hidroxipropilcelulose

Lactose mono-hidratada

Estearato de magnésio

Celulose microcristalina

Laca de alumínio de indigotina

6.2 Incompatibilidades

Não aplicável.

6.3 Prazo de validade

4 anos

6.4 Precauções especiais de conservação

Conservar na embalagem de origem para proteger da luz e da humidade.

6.5 Natureza e conteúdo do recipiente

14 comprimidos em 1 blister de PVC/folha de alumínio numa embalagem tipo carteira com 7 x 15 mg e 7 x 45 mg comprimidos

28 comprimidos em 2 blisters de PVC/folha de alumínio numa embalagem tipo carteira com 7 x 15 mg e 7 x 45 mg comprimidos

56 comprimidos em 4 blisters de PVC/folha de alumínio numa embalagem tipo carteira com 7 x 15 mg e 7 x 45 mg comprimidos

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

6.6 Precauções especiais de eliminação e manuseamento

Qualquer medicamento não utilizado ou resíduos devem ser eliminados de acordo com as exigências locais.

7. TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Otsuka Pharmaceutical Europe Ltd.

Gallions, Wexham Springs

Framewood Road

Wexham

SL3 6PJ

Reino Unido

8. NÚMERO(S) DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

EU/1/15/1000/005-007

9. DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO/RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Data da primeira autorização:

10. DATA DA REVISÃO DO TEXTO

Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet da Agência Europeia de Medicamentos: http://www.ema.europa.eu.

Este medicamento está sujeito a monitorização adicional. Isto irá permitir a rápida identificação de nova informação de segurança. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas. Para saber como notificar reações adversas, ver secção 4.8.

1. NOME DO MEDICAMENTO

Jinarc 60 mg comprimidos

Jinarc 30 mg comprimidos

2. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA

Cada comprimido de 60 mg contém 60 mg de tolvaptano.

Cada comprimido de 30 mg contém 30 mg de tolvaptano.

Excipiente(s) com efeito conhecido:

Cada comprimido de 60 mg contém aproximadamente 16 mg de lactose (sob a forma mono-hidratada).

Cada comprimido de 30 mg contém aproximadamente 70 mg de lactose (sob a forma mono-hidratada).

Lista completa de excipientes, ver secção 6.1

3. FORMA FARMACÊUTICA

Comprimido

Comprimido de 60 mg: azul, retangular modificado (eixo maior 9,9 mm, eixo menor 5,6 mm), ligeiramente convexo, gravado com “OTSUKA” e “60” num dos lados.

Comprimido de 30 mg: azul, redondo (diâmetro: 8 mm), ligeiramente convexo, gravado com “OTSUKA” e “30” num dos lados.

4. INFORMAÇÕES CLÍNICAS

4.1 Indicações terapêuticas

Jinarc é indicado para abrandar a progressão do desenvolvimento de quistos e insuficiência renal da doença poliquística renal autossómica dominante (DPRAD) em adultos com doença renal crónica (DRC) em estádios 1 a 3 no início do tratamento com indícios de doença em rápida progressão (ver secção 5.1).

4.2 Posologia e modo de administração

O tratamento com tolvaptano deve ser iniciado e monitorizado sob a supervisão de médicos com experiência no tratamento de DPRAD e conhecimento pleno dos riscos da terapia com tolvaptano incluindo toxicidade hepática e requisitos de monitorização (ver secção 4.4).

Posologia

Jinarc deve ser administrado duas vezes por dia em regimes de dose dividida de 45 mg + 15 mg,

60 mg + 30 mg ou 90 mg + 30 mg. A dose matinal deve ser tomada pelo menos 30 minutos antes da refeição da manhã. A segunda dose diária pode ser tomada com ou sem alimentos. De acordo com estes regimes de dose dividida, as doses diárias totais são de 60, 90 ou 120 mg.

Titulação da dose

A dose inicial é de 60 mg de tolvaptano por dia como regime de dose dividida de 45 mg + 15 mg

(45 mg tomados ao acordar e antes da refeição da manhã e 15 mg tomados 8 horas mais tarde). A dose inicial deve ser aumentada para um regime de dose dividida de 90 mg de tolvaptano (60 mg + 30 mg) por dia e depois para um regime alvo de dose dividida de 120 mg de tolvaptano (90 mg + 30 mg) por dia, caso seja tolerado, com pelo menos intervalos semanais entre as titulações. A titulação da dose tem de ser efetuada com prudência para assegurar que as doses elevadas não sejam mal toleradas devido a uma titulação excessivamente rápida. As doses dos doentes poderão ser reduzidas com base na tolerabilidade. Os doentes têm de ser mantidos na dose mais elevada tolerável de tolvaptano.

O objetivo da titulação da dose é bloquear a atividade da vasopressina no recetor V2 renal da forma mais completa e constante possível, mantendo ao mesmo tempo um equilíbrio de fluidos aceitável (ver secção 4.4). Recomendam-se medições da osmolalidade urinária para monitorizar a adequação da inibição da vasopressina. A monitorização periódica da osmolalidade plasmática ou do sódio sérico (para calcular a osmolalidade plasmática) e/ou do peso corporal deve ser considerada para monitorizar o risco de desidratação secundária aos efeitos aquaréticos de tolvaptano em caso de ingestão insuficiente de água pelo doente.

A segurança e eficácia de Jinarc na DRC em estádio 5 não foram devidamente exploradas e portanto o tratamento com tolvaptano deve ser descontinuado se a insuficiência renal progredir para DRC em estádio 5.

A dose matinal de Jinarc deve ser tomada pelo menos 30 minutos antes da refeição da manhã. A segunda dose diária pode ser tomada com ou sem alimentos.

A terapia tem de ser interrompida se a capacidade para beber ou a acessibilidade a água for limitada (ver secção 4.4). Tolvaptano não deve ser tomado com sumo de toranja (ver secção 4.5). Os doentes devem receber instruções para beberem quantidades suficientes de água ou outros fluidos aquosos (ver secção 4.4).

Ajuste da dose para doentes a tomar inibidores fortes do CYP3A

Nos doentes a tomar inibidores fortes do CYP3A (ver secção 4.5), as doses de tolvaptano têm de ser reduzidas da seguinte forma:

Dose dividida diária de tolvaptano

Dose reduzida (uma vez por dia)

90+30 mg

30 mg

 

(redução adicional para 15 mg se 30 mg

 

não forem bem tolerados)

60+30 mg

30 mg

 

(redução adicional para 15 mg se 30 mg

 

não forem bem tolerados)

45+15 mg

15 mg

Ajuste da dose para doentes a tomar inibidores moderados do CYP3A

Nos doentes a tomar inibidores moderados do CYP3A, as doses de tolvaptano têm de ser reduzidas da seguinte forma:

Dose dividida diária de tolvaptano

Dose dividida reduzida

90+30 mg

45+15 mg

60+30 mg

30+15 mg

45+15 mg

15+15 mg

Terão de ser consideradas reduções adicionais se os doentes não conseguirem tolerar as doses reduzidas de tolvaptano.

População idosa

O aumento da idade não tem efeito nas concentrações plasmáticas de tolvaptano. No entanto, a segurança e a eficácia de tolvaptano em doentes com DPRAD com mais de 50 anos não foram ainda estabelecidas.

Compromisso renal

Tolvaptano é contraindicado em doentes anúricos (ver secção 4.3).

Não é necessário o ajuste da dose em doentes com compromisso renal. Não foram realizados ensaios clínicos em indivíduos com uma depuração da creatinina <10 ml/min ou em doentes sujeitos a diálise. O risco de lesões hepáticas em doentes com função renal gravemente reduzida (isto é, eGFR <20) pode aumentar; estes doentes devem ser cuidadosamente monitorizados quanto à toxicidade hepática. Os dados relativos aos doentes com DRC em estádio 3 são mais limitados do que os relativos aos doentes no estádio 1 ou 2 (ver secção 5.1).

Compromisso hepático

Nos doentes com compromisso hepático grave, os benefícios e riscos do tratamento com Jinarc têm de ser cuidadosamente avaliados. Os doentes devem ser cuidadosamente controlados e as enzimas hepáticas devem ser regularmente monitorizadas (ver secção 4.4).

Jinarc é contraindicado em doentes com enzimas hepáticas elevadas e/ou sinais ou sintomas de lesão hepática antes do início do tratamento que satisfaçam os requisitos para descontinuação permanente do tolvaptano (ver secções 4.3 e 4.4).

Não é necessário o ajuste da dose em doentes com compromisso hepático ligeiro ou moderado (classes de Child-Pugh A e B).

População pediátrica

A segurança e a eficácia de tolvaptano em crianças e adolescentes não foram ainda estabelecidas. Não existem dados disponíveis. Tolvaptano não é recomendado no grupo etário pediátrico.

Modo de administração

Via oral.

Os comprimidos devem ser engolidos, sem mastigar, com um copo de água.

4.3 Contraindicações

Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes mencionados na secção 6.1

Enzimas hepáticas elevadas e/ou sinais ou sintomas de lesão hepática antes do início do tratamento que satisfaçam os requisitos para descontinuação permanente do tolvaptano (ver secção 4.4)

Anúria

Depleção do volume

Hipernatremia

Doentes que não conseguem ter perceção da sede ou responder à sede

Gravidez (ver secção 4.6)

Aleitamento (ver secção 4.6)

4.4 Advertências e precauções especiais de utilização

Toxicidade hepática idiossincrática

Tolvaptano foi associado a elevações idiossincráticas da alanina aminotransferase e da aspartato aminotransferase (ALT e AST) no sangue com casos infrequentes de elevações concomitantes da bilirrubina total (BT).

Num ensaio controlado por placebo, em dupla ocultação, em doentes com DPRAD, foi observada elevação (>3 x limite superior do normal [LSN]) da ALT em 4,4% (42/958) dos doentes a tomar tolvaptano e 1,0% (5/484) dos doentes a tomar placebo, enquanto a elevação (>3xLSN) da AST foi observada em 3,1% (30/958) dos doentes a tomar tolvaptano e 0,8% (4/484) dos doentes a tomar placebo. Dois (2/957, 0,2%) destes doentes tratados com tolvaptano, assim como um terceiro doente

de um ensaio de prolongamento aberto, exibiram aumentos das enzimas hepáticas (>3xLSN) com elevações concomitantes da BT (>2xLSN). O período de aparecimento de lesão hepatocelular (por elevações da ALT >3xLSN) foi dentro de 3 a 14 meses após o início do tratamento e estes aumentos foram reversíveis, com a ALT a voltar a <3xLSN dentro de 1 a 4 meses. Embora estas elevações concomitantes fossem reversíveis com a descontinuação imediata de tolvaptano, representam um potencial de lesão hepática significativa. Alterações semelhantes com outros medicamentos foram associadas ao potencial de causar lesões hepáticas irreversíveis e potencialmente fatais.

Os médicos que receitam o medicamento têm de cumprir totalmente as medidas de segurança exigidas abaixo.

Para minimizar o risco de lesões hepáticas significativas e/ou irreversíveis, são necessárias análises sanguíneas de transaminases hepáticas e bilirrubina antes de iniciar o tratamento com Jinarc, que continuarão mensalmente durante 18 meses e a intervalos regulares de 3 meses daí em diante. Recomenda-se a monitorização concomitante de sintomas que possam indicar lesão hepática (como fadiga, anorexia, náuseas, desconforto abdominal superior direito, vómitos, febre, erupção cutânea, prurido, urina escura ou iterícia).

Se um doente apresentar níveis anormais de ALT, AST ou BT antes do início do tratamento que satisfaçam os critérios de descontinuação permanente (ver abaixo), o uso de tolvaptano é contraindicado (ver secção 4.3). No caso de níveis basais anormais abaixo dos limites para a descontinuação permanente, o tratamento só pode ser iniciado se os potenciais benefícios do tratamento superarem os potenciais riscos, devendo os testes da função hepática continuar com maior frequência. Recomenda-se o parecer de um hepatologista.

Durante os primeiros 18 meses de tratamento, Jinarc só pode ser fornecido a doentes cujo médico tenha determinado que a função hepática suporta a continuação da terapia.

Com o aparecimento de sintomas ou sinais compatíveis com lesão hepática ou se forem detetados aumentos anormais de ALT ou AST durante o tratamento, a administração de Jinarc tem de ser interrompida, sendo necessário repetir as análises, incluindo ALT, AST, BT e fosfatase alcalina (AP), o mais rapidamente possível (idealmente dentro de 48 a 72 horas). As análises devem continuar com maior frequência até os sintomas/sinais/anomalias laboratoriais estabilizarem ou se resolverem, altura essa em que Jinarc pode ser reiniciado.

Se os níveis de ALT e AST permanecerem abaixo de 3 vezes o limite superior do normal (LSN), a terapia com Jinarc pode prosseguir com prudência, com monitorização frequente com doses iguais ou mais baixas, à medida que os níveis de transaminases parecem estabilizar durante a continuação da terapia em alguns doentes.

A prática clínica corrente sugere que a terapia com Jinarc deve ser interrompida após confirmação de níveis de transaminases sustentados ou aumentados e descontinuada de forma permanente caso persistam aumentos significativos e/ou sintomas clínicos de lesão hepática.

As orientações recomendadas para a descontinuação permanente incluem:

ALT ou AST >8 vezes o LSN

ALT ou AST >5 vezes o LSN durante mais de 2 semanas

ALT ou AST >3 vezes o LSN e (BT >2 vezes o LSN ou Relação Internacional Normalizada [INR] >1,5)

ALT ou AST >3 vezes o LSN com os sintomas persistentes de lesão hepática indicados acima.

Acesso a água

Tolvaptano pode causar reações adversas relacionadas com a perda de água, como sede, poliúria, nictúria e polaquiúria (ver secção 4.8). Por conseguinte, os doentes devem ter acesso a água (ou outros fluidos aquosos) e devem conseguir beber quantidades suficientes destes líquidos (ver secção 4.2). Os

doentes devem receber instruções para beberem água ou outros fluidos aquosos ao primeiro sinal de sede a fim de evitar sede excessiva ou desidratação.

Além disso, os doentes têm de beber 1 a 2 copos de líquido antes da hora de deitar, independentemente da perceção da sede, e têm de repor os líquidos durante a noite com cada episódio de nictúria.

Desidratação

O estado de volume deve ser monitorizado nos doentes a tomar tolvaptano porque o tratamento com tolvaptano pode resultar em desidratação intensa, o que constitui um fator de risco para a disfunção renal. Caso a desidratação se torne evidente, tome as medidas apropriadas, que podem incluir a necessidade de interromper ou reduzir a dose de tolvaptano e aumentar a ingestão de fluidos. Devem ser tomadas precauções especiais em doentes com doenças que comprometem a ingestão apropriada de fluidos ou com um risco acrescido de perda de água, por exemplo, no caso de vómitos ou diarreia.

Obstrução do fluxo de excreção urinária

A excreção urinária tem de ser assegurada. Os doentes com obstrução parcial do fluxo de excreção urinária, como por exemplo doentes com hipertrofia da próstata ou dificuldades de micção, têm um risco acrescido de desenvolverem retenção aguda.

Equilíbrio de fluidos e eletrólitos

Deve monitorizar-se, em todos os doentes, o estado dos fluidos e eletrólitos. A administração de tolvaptano induz aquarese profusa e pode causar desidratação e aumentos do sódio sérico (ver secção 4.8) e é contraindicada em doentes com hipernatremia (ver secção 4.3). Por conseguinte, a creatinina sérica, os eletrólitos e os sintomas de desequilíbrios eletrolíticos (por exemplo, tonturas, desmaios, palpitações, confusão, fraqueza, instabilidade da marcha, hiperreflexia, convulsões, coma) têm de ser avaliados antes e depois do início do tratamento com tolvaptano para monitorizar a desidratação.

Durante o tratamento prolongado, os eletrólitos têm de ser monitorizados pelo menos a intervalos de três meses.

Anomalias do sódio sérico

As anomalias do sódio anteriores ao tratamento (hiponatremia ou hipernatremia) têm de ser corrigidas antes do início da terapia com tolvaptano.

Anafilaxia

Na experiência pós-comercialização, a anafilaxia (incluindo o choque anafilático e a erupção cutânea generalizada) foi notificada muito raramente após a administração de tolvaptano. Este tipo de reação ocorreu após a primeira administração de tolvaptano. Em caso de ocorrência de reação anafilática ou de outras reações alérgicas graves, a administração de tolvaptano deve ser imediatamente descontinuada e a terapia apropriada iniciada. Uma vez que a hipersensibilidade é uma contraindicação (ver secção 4.3), o tratamento nunca deve ser reiniciado após uma reação anafilática ou outras reações alérgicas graves.

Lactose

Jinarc contém lactose como excipiente. Os doentes com problemas hereditários raros de intolerância à galactose, deficiência de lactase de Lapp ou malabsorção de glicose-galactose não devem tomar este medicamento.

Diabetes mellitus

Os doentes diabéticos com uma concentração elevada de glicose (por exemplo, acima de 300 mg/dl) podem apresentar pseudo-hiponatremia. Este quadro clínico deve excluir-se antes e durante o tratamento com tolvaptano.

Tolvaptano pode causar hiperglicemia (ver secção 4.8). Por conseguinte, os doentes diabéticos tratados com tolvaptano devem ser controlados com cuidado. Isto aplica-se particularmente a doentes com diabetes de tipo II inadequadamente controlada.

Aumentos do ácido úrico

A depuração diminuída de ácido úrico pelo rim é um efeito conhecido de tolvaptano. Num ensaio controlado por placebo, em dupla ocultação, em doentes com DPRAD, foi notificado aumento do ácido úrico potencialmente significativo em termos clínicos (superior a 10 mg/dl) a uma taxa mais elevada nos doentes a tomar tolvaptano (6,2%) em comparação com os doentes tratados com placebo (1,7%). Foram notificadas com mais frequência reações adversas de gota em doentes tratados com tolvaptano (28/961, 2,9%) do que em doentes a receber placebo (7/483, 1,4%). Além disso, foi observado o uso aumentado de alopurinol e outros medicamentos utilizados para controlar a gota no ensaio controlado por placebo, em dupla ocultação. Os efeitos no ácido úrico sérico são atribuíveis às alterações hemodinâmicas renais reversíveis que ocorrem em resposta aos efeitos de tolvaptano na osmolalidade urinária e podem ser clinicamente relevantes. No entanto, os casos de aumento do ácido úrico e/ou de gota não foram graves e não causaram descontinuação da terapia no ensaio controlado por placebo, em dupla ocultação. As concentrações de ácido úrico devem ser avaliadas antes do início da terapia com Jinarc e conforme indicado durante o tratamento com base nos sintomas.

Efeito de tolvaptano na taxa de filtração glomerular (GFR)

Foi observada uma redução reversível da GFR em ensaios de DPRAD no início do tratamento com tolvaptano.

4.5 Interações medicamentosas e outras formas de interação

Efeito de outros medicamentos na farmacocinética de tolvaptano

Inibidores do CYP3A

O uso concomitante de medicamentos que são inibidores moderados (por exemplo, amprenavir, aprepitante, atazanavir, ciprofloxacina, crizotinib, darunavir/ritonavir, diltiazem, eritromicina, fluconazol, fosamprenavir, imatinib, verapamil) ou fortes (por exemplo, itraconazol, cetoconazol, ritonavir, claritromicina) do CYP3A aumenta a exposição a tolvaptano. A coadministração de tolvaptano e cetoconazol resultou num aumento de 440% da área sob a curva da concentração-tempo (AUC) e num aumento de 248% da concentração plasmática máxima observada (Cmax) para o tolvaptano.

A coadministração de tolvaptano com sumo de toranja, um inibidor moderado a forte do CYP3A, produziu uma duplicação das concentrações máximas de tolvaptano (Cmax).

A redução da dose de tolvaptano é recomendada para os doentes enquanto estiverem a tomar inibidores moderados ou fortes do CYP3A (ver secção 4.2). Os doentes a tomar inibidores moderados ou fortes do CYP3A têm de ser controlados com prudência, em particular se os inibidores forem tomados com frequência superior a uma vez por dia.

Indutores do CYP3A

O uso concomitante de medicamentos que sejam indutores potentes do CYP3A (por exemplo, rifampicina) diminui a exposição e eficácia de tolvaptano. A coadministração de tolvaptano com rifampicina reduz a Cmax e a AUC de tolvaptano em cerca de 85%. Por conseguinte, a administração concomitante de tolvaptano com indutores potentes do CYP3A (por exemplo, rifampicina, rifabutina, rifapentina, fenitoína, carbamazepina e hipericão) deve ser evitada.

Coadministração com medicamentos que aumentam a concentração sérica de sódio

Não há experiência de ensaios clínicos controlados com o uso concomitante de tolvaptano e soro fisiológico hipertónico, formulações orais de sódio e medicamentos que aumentem a concentração sérica de sódio. Os medicamentos com elevado teor de sódio, como por exemplo preparações analgésicas efervescentes e certos tratamentos para a dispepsia que contêm sódio, também podem aumentar a concentração sérica de sódio. O uso concomitante de tolvaptano com medicamentos que aumentem a concentração sérica de sódio pode resultar num risco mais elevado de desenvolvimento de hipernatremia (ver secção 4.4) e, por conseguinte, não é recomendado.

Diuréticos

Tolvaptano não foi extensamente estudado na DPRAD em combinação com diuréticos. Ainda que não pareça haver um efeito sinergístico ou cumulativo do uso concomitante de tolvaptano com diuréticos

da ansa e tiazidas, cada classe de agentes tem o potencial de levar a desidratação intensa, o que constitui um fator de risco para a disfunção renal. Se a desidratação ou disfunção renal se tornarem evidentes, devem ser tomadas as medidas apropriadas que podem incluir a necessidade de interromper ou reduzir as doses de tolvaptano e/ou de diuréticos e aumentar a ingestão de fluidos. Outras causas potenciais de disfunção renal ou desidratação devem ser avaliadas e abordadas.

Efeito de tolvaptano na farmacocinética de outros medicamentos

Substratos do CYP3A

Em indivíduos saudáveis, tolvaptano, um substrato do CYP3A, não teve efeito sobre as concentrações plasmáticas de alguns outros substratos do CYP3A (por exemplo, varfarina ou amiodarona). Tolvaptano aumentou os níveis plasmáticos da lovastatina em 1,3 a 1,5 vezes. Ainda que este aumento não tenha relevância clínica, indica que tolvaptano pode aumentar potencialmente a exposição a substratos do CYP3A4.

Substratos transportadores

Estudos in vitro indicam que tolvaptano é um substrato e inibidor competitivo da P-glicoproteína (P-gp). Estudos in vitro indicam que tolvaptano ou o seu metabolito oxobutírico podem ter o potencial para inibir os transportadores OATP1B1, OATP1B3, OAT3, BCRP e OCT1.

As concentrações de digoxina no estado estacionário foram aumentadas (aumento de 1,3 vezes na concentração plasmática máxima observada [Cmax] e aumento de 1,2 vezes na área sob a curva da concentração plasmática-tempo ao longo do intervalo de dosagem [AUCτ]) quando esta foi coadministrada com doses múltiplas de 60 mg de tolvaptano uma vez por dia. Os doentes a tomarem digoxina ou outros substratos terapêuticos estreitos P-gp (por exemplo, dabigatrano) devem, por conseguinte, ser controlados com prudência e avaliados quanto a efeitos excessivos quando tratados com tolvaptano.

As estatinas vulgarmente utilizadas no ensaio de referência de fase 3 de tolvaptano (por exemplo, rosuvastatina e pitavastatina) são substratos de OATP1B1 ou OATP1B3, no entanto não foi observada qualquer diferença no perfil de efeitos adversos (EA) durante o ensaio de referência de fase 3 de tolvaptano na DPRAD.

Se substratos de OATP1B1 e OATP1B3 (por exemplo, estatinas como a rosuvastatina e a pitavastatina), substratos de OAT3 (por exemplo, metotrexato, ciprofloxacina), substratos de BCRP (por exemplo, sulfasalazina) ou substratos de OCT1 (por exemplo, metformina) forem coadministrados com tolvaptano, os doentes devem ser controlados com prudência e avaliados quanto aos efeitos excessivos destes medicamentos.

Diuréticos ou medicamentos anti-hipertensivos não diuréticos

A tensão arterial em pé não foi medida por rotina nos ensaios da DPRAD, pelo que não pode ser excluído um risco de hipotensão ortostática/postural devido a interação farmacodinâmica com tolvaptano.

Coadministração com análogos da vasopressina

Para além do seu efeito aquarético renal, o tolvaptano é capaz de bloquear os recetores vasculares V2 da vasopressina envolvidos na libertação de fatores de coagulação (por exemplo, fator de von Willebrand) a partir das células endoteliais. Por conseguinte, o efeito dos análogos da vasopressina, como por exemplo a desmopressina, pode ser atenuado em doentes que utilizem esses análogos para prevenir ou controlar a hemorragia quando coadministrados com o tolvaptano. Não se recomenda a administração de Jinarc com análogos da vasopressina.

Tabagismo e álcool

Os dados relativos ao historial de tabagismo ou álcool nos ensaios da DPRAD são demasiado limitados para determinar as possíveis interações do tabagismo e do álcool com a eficácia e a segurança do tratamento da DPRAD com tolvaptano.

4.6 Fertilidade, gravidez e aleitamento

Gravidez

A quantidade de dados sobre a utilização de tolvaptano em mulheres grávidas não é adequada. Os estudos em animais revelaram toxicidade reprodutiva (ver secção 5.3). Desconhece-se o risco potencial para o ser humano.

As mulheres com potencial para engravidar devem utilizar um método contracetivo adequado durante o tratamento com Jinarc. Jinarc não pode ser utilizado durante a gravidez (ver secção 4.3).

Amamentação

Desconhece-se se tolvaptano é excretado no leite humano. Estudos em ratos revelaram excreção de tolvaptano no leite.

Desconhece-se o risco potencial para o ser humano. Jinarc é contraindicado durante a amamentação (ver secção 4.3).

Fertilidade

Os estudos em animais revelaram efeitos sobre a fertilidade (ver secção 5.3). Desconhece-se o risco potencial para o ser humano.

4.7 Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

Os efeitos de Jinarc sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas são reduzidos. No entanto, ao conduzir veículos ou utilizar máquinas deve ter-se em consideração que poderão ocorrer ocasionalmente tonturas, astenia ou fadiga.

4.8 Efeitos indesejáveis

Resumo do perfil de segurança

As reações adversas farmacodinamicamente previsíveis e notificadas com maior frequência são a sede, poliúria, nictúria e polaquiúria, que ocorrem em cerca de 55%, 38%, 29% e 23% dos doentes, respetivamente. Além disso, tolvaptano foi associado a elevações idiossincráticas da alanina aminotransferase e da aspartato aminotransferase (ALT e AST) no sangue com casos infrequentes de elevações concomitantes da bilirrubina total (BT).

Lista tabelada de reações adversas

O perfil de reações adversas de tolvaptano na indicação da DPRAD baseia-se numa base de dados de ensaios clínicos de 1444 doentes tratados (961 doentes tratados com tolvaptano, 483 tratados com placebo) e é consistente com a farmacologia da substância ativa. As reações adversas associadas ao tolvaptano obtidas nos estudos clínicos da DPRAD estão tabeladas abaixo.

As frequências das reações adversas correspondem a muito frequentes (≥1/10), frequentes (≥1/100 a

<1/10), pouco frequentes (≥1/1.000 a <1/100) e desconhecidas (não pode ser calculado a partir dos dados disponíveis). As reações adversas são apresentadas por ordem decrescente de gravidade dentro de cada classe de frequência.

Classe de sistemas de

Frequência

 

órgãos

 

 

Doenças do metabolismo e

Muito frequentes:

Polidipsia

da nutrição

Frequentes:

Desidratação, hipernatremia, falta de apetite,

 

 

hiperuricemia, hiperglicemia

 

 

 

Perturbações do foro

Frequentes:

Insónia

psiquiátrico

 

 

 

 

 

 

 

Classe de sistemas de

Frequência

 

órgãos

 

 

Doenças do sistema

Muito frequentes:

Cefaleia, tonturas

nervoso

 

 

 

 

 

Cardiopatias

Frequentes:

Palpitações

 

 

 

Doenças respiratórias,

Frequentes:

Dispneia

torácicas e do mediastino

 

 

 

 

 

Doenças gastrointestinais

Muito frequentes:

Diarreia, boca seca

 

Frequentes:

Distensão abdominal, obstipação, dispepsia,

 

 

doença de refluxo gastroesofágico

 

 

 

Afeções hepatobiliares

Frequentes:

Função hepática anormal

 

 

 

Afeções dos tecidos

Frequentes:

Erupção cutânea, prurido

cutâneos e subcutâneos

 

 

 

 

 

Afeções

Frequentes:

Espasmos musculares

musculosqueléticas e dos

 

 

tecidos conjuntivos

 

 

 

 

 

Doenças renais e urinárias

Muito frequentes:

Nictúria, polaquiúria, poliúria

 

 

 

Perturbações gerais e

Muito frequentes:

Fadiga, sede

alterações no local de

Frequentes:

Astenia

administração

 

 

 

 

 

Exames complementares

Frequentes:

Alanina aminotransferase aumentada,

de diagnóstico

 

aspartato aminotransferase aumentada, peso

 

 

diminuído

 

Pouco frequentes:

Bilirrubina aumentada

 

 

 

Descrição das reações adversas selecionadas

Para minimizar o risco de lesões hepáticas significativas ou irreversíveis, são necessárias análises sanguíneas de transaminases hepáticas antes de iniciar o tratamento com Jinarc, que continuarão mensalmente durante 18 meses e a intervalos regulares de 3 meses daí em diante (ver secção 4.4). As reações adversas mais frequentes estão relacionadas com a perda de água. Por conseguinte, é extremamente importante que os doentes tenham acesso a água e consigam beber quantidades

suficientes de fluidos. O estado de volume dos doentes a tomar tolvaptano deve ser monitorizado para prevenir a desidratação (ver secção 4.4).

Pós-comercialização

As seguintes reações adversas foram notificadas durante a vigilância pós-comercialização de tolvaptano aprovado para outras indicações.

Classe de sistemas de

Frequência

órgãos

 

Doenças do sistema

Desconhecida: Choque anafilático, erupção cutânea generalizada

imunitário

 

Notificação de suspeitas de reações adversas

A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos

profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através do sistema nacional de notificação mencionado no Apêndice V.

4.9 Sobredosagem

Doses orais únicas até 480 mg (4 vezes a dose diária máxima recomendada) e doses múltiplas até 300 mg uma vez por dia durante 5 dias foram bem toleradas em ensaios em indivíduos saudáveis. Não existe antídoto específico para a intoxicação de tolvaptano. É de prever que os sinais e sintomas de sobredosagem aguda sejam os do efeito farmacológico excessivo: um aumento da concentração sérica de sódio, poliúria, sede e desidratação/hipovolemia.

Não se observou mortalidade em ratos ou cães após doses orais únicas de 2000 mg/kg (dose máxima viável). Uma dose oral única de 2000 mg/kg foi letal em ratinhos e os sintomas de toxicidade em ratinhos afetados incluíram atividade locomotora diminuída, andar cambaleante, tremor e hipotermia. Em doentes com suspeita de sobredosagem de tolvaptano, recomenda-se a avaliação dos sinais vitais, das concentrações de eletrólitos, do ECG e do estado dos fluidos. A substituição apropriada de água e/ou de eletrólitos deve continuar até a aquarese diminuir. A diálise poderá não ser eficaz na remoção de tolvaptano devido à sua elevada afinidade de ligação para a proteína plasmática humana (>98%).

5. PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS

5.1 Propriedades farmacodinâmicas

Grupo farmacoterapêutico: ainda não atribuído, código ATC: ainda não atribuído.

Tolvaptano é um antagonista da vasopressina que bloqueia especificamente a ligação da vasopressina arginina (AVP) nos recetores V2 das partes distais do nefrónio. A afinidade de tolvaptano para o recetor V2 humano é 1,8 vezes a da AVP natural.

Os efeitos farmacodinâmicos de tolvaptano foram determinados em indivíduos saudáveis e indivíduos com DPRAD nos estádios 1 a 4 de DRC. Os efeitos sobre a depuração de água livre e o volume de urina são evidentes em todos os estádios de DRC com efeitos absolutos menores observados em estádios posteriores, consistentes com o número decrescente de nefrónios totalmente funcionais. Foram observadas também reduções agudas do volume renal total médio após 3 semanas de terapia em todos os estádios de DRC, variando de -4,6% para a DRC em estádio 1 a -1,9% para a DRC em estádio 4.

O programa clínico para o desenvolvimento dos comprimidos de tolvaptano para o tratamento da DPRAD concentra-se principalmente num ensaio único de referência, multinacional, de fase 3, aleatorizado e controlado por placebo, no qual a segurança e a eficácia a longo prazo de regimes de dose dividida oral de tolvaptano (titulada entre 60 mg/dia e 120 mg/dia) foram comparadas com placebo em 1445 participantes adultos com DPRAD. No total, foram concluídos 14 ensaios clínicos envolvendo tolvaptano a nível mundial para corroborar a indicação para a DPRAD, incluindo 8 ensaios nos EUA, 1 nos Países Baixos, 3 no Japão, 1 na Coreia e o ensaio multinacional de referência de fase 3.

O ensaio de referência de fase 3 (TEMPO 3:4, 156-04-251) incluiu participantes de 129 centros nas Américas, Japão, Europa e outros países. O principal objetivo deste ensaio era avaliar a eficácia a longo prazo de tolvaptano na DPRAD através da taxa de variação (%) do volume renal total (VRT) para os participantes tratados com tolvaptano em comparação com os participantes tratados com placebo. Neste ensaio, um total de 1445 doentes adultos (com idades compreendidas entre os 18 e os 50 anos) com indícios de DPRAD precoce em rápida progressão (satisfazendo os critérios modificados de Ravine, volume renal total (VRT) ≥750 ml, depuração estimada de creatinina ≥60 ml/min) foram aleatorizados numa proporção de 2:1 para o tratamento com tolvaptano ou placebo. Os doentes foram tratados durante um período até 3 anos.

Os grupos de tolvaptano (N=961) e de placebo (N=484) foram bem equiparados em termos de género com uma média de idade de 39 anos. Os critérios de inclusão identificaram os doentes que, na linha basal, apresentavam indícios de progressão precoce da doença. Na linha basal, os doentes tinham uma taxa de filtração glomerular média estimada (eGFR) de 82 ml/min/1,73m2 (DRC-EPI) com 79% com hipertensão e um VRT médio de 1692 ml (ajuste de altura 972 ml/m). Aproximadamente 35% dos participantes tinham doença renal crónica (DRC) em estádio 1, 48% DRC em estádio 2 e 17% DRC em estádio 3 (eGFRDRC-EPI). Embora estes critérios fossem úteis para enriquecer a população do estudo com doentes que estavam em rápida progressão, as análises de subgrupos baseadas em critérios de estratificação (idade, VRT, GFR, albuminúria, hipertensão) indicaram que a presença desses fatores de risco em idades mais jovens prevê uma progressão mais rápida da doença.

Os resultados do parâmetro de avaliação primário, a taxa de variação do VRT dos participantes aleatorizados para o tolvaptano (normalizada como percentagem) para a taxa de variação dos participantes a tomar placebo, foram estatisticamente muito significativos. A taxa de aumento do VRT ao longo de 3 anos foi significativamente menor para os participantes tratados com tolvaptano do que para os participantes a tomar placebo: 2,80% por ano vs. 5,51% por ano, respetivamente (relação da média geométrica 0,974; IC de 95%, 0,969 a 0,980; p <0,0001).

Os parâmetros de avaliação secundários pré-especificados foram testados sequencialmente. O principal parâmetro de avaliação secundário composto (progressão da DPRAD) foi o tempo até aos múltiplos acontecimentos de progressão clínica de:

1)agravamento da função renal (definido como uma redução de 25% persistente [reproduzida ao longo de pelo menos 2 semanas] da creatinina sérica recíproca durante o tratamento [desde o fim da titulação até à última consulta a tomar o medicamento])

2)dor renal clinicamente significativa (definida como exigindo a prescrição de baixa, analgésicos de último recurso, narcóticos e antinocicetivos, intervenções radiológicas ou cirúrgicas)

3)agravamento da hipertensão

4)agravamento da albuminúria

A taxa relativa de acontecimentos relacionados com a DPRAD diminuiu 13,5% nos doentes tratados com tolvaptano (relação de risco, 0,87; IC de 95%, 0,78 a 0,97; p=0,0095).

O resultado do principal parâmetro de avaliação secundário composto é essencialmente atribuído aos efeitos sobre o agravamento da função renal e à dor renal clinicamente significativa. Os acontecimentos envolvendo a função renal foram 61,4% menos prováveis para o tolvaptano em comparação com o placebo (relação de risco, 0,39; IC de 95%, 0,26 a 0,57; p <0,0001 nominal), enquanto os acontecimentos envolvendo a dor renal foram 35,8% menos prováveis nos doentes tratados com tolvaptano (relação de risco, 0,64; IC de 95%, 0,47 a 0,89; p=0,007 nominal). Em contrapartida, não houve efeitos do tolvaptano sobre a progressão da hipertensão ou da albuminúria.

Não estão atualmente disponíveis dados para mostrar se a terapia prolongada com Jinarc continua a abrandar a taxa de diminuição da função renal e a afetar os resultados clínicos da DPRAD, incluindo atraso no aparecimento de doença renal em fase terminal.

Os genótipos dos doentes não foram determinados para separação em DPRAD de tipo 1 e 2 e desconhece-se se Jinarc tem uma eficácia comparável nestes subgrupos.

População pediátrica

A Agência Europeia de Medicamentos diferiu a obrigação de apresentação dos resultados dos estudos com tolvaptano em um ou mais subgrupos da população pediátrica na doença do rim poliquístico (ver secção 4.2 para informação sobre utilização pediátrica).

5.2 Propriedades farmacocinéticas

Absorção e distribuição

Após a administração oral, tolvaptano é rapidamente absorvido, com as concentrações plasmáticas máximas a ocorrerem cerca de 2 horas após a dosagem. A biodisponibilidade absoluta de tolvaptano é de cerca de 56%.

A coadministração de tolvaptano com uma refeição com elevado teor de gordura aumentou as concentrações máximas de tolvaptano até 2 vezes, mas deixou a AUC inalterada. Muito embora a relevância clínica deste resultado seja desconhecida, para minimizar o risco desnecessário de aumentar a exposição máxima, a dose matinal deve ser tomada em jejum (ver secção 4.2).

Após doses orais únicas ≥300 mg, as concentrações plasmáticas máximas parecem atingir um plateau, possivelmente devido à saturação da absorção. Tolvaptano tem uma ligação reversível (98%) às proteínas plasmáticas.

Metabolismo e eliminação

Tolvaptano é extensamente metabolizado no fígado quase exclusivamente pelo CYP3A. Tolvaptano é um substrato fraco do CYP3A4 e não parece ter qualquer atividade inibidora.

Estudos in vitro indicaram que o tolvaptano não tem atividade inibidora para o CYP3A. Foram identificados catorze metabolitos no plasma, na urina e nas fezes; todos exceto um foram também metabolizados pelo CYP3A. Apenas o metabolito ácido oxobutírico está presente num valor superior a 10% da radioatividade plasmática total; todos os outros estão presentes em concentrações mais baixas do que tolvaptano.

Os metabolitos de tolvaptano pouco ou nada contribuem para o efeito farmacológico de tolvaptano; todos os metabolitos não têm atividade antagonista ou têm atividade antagonista fraca para os recetores V2 humanos quando comparados com tolvaptano. A semivida de eliminação terminal é de cerca de 8 horas e as concentrações no estado estacionário para tolvaptano são obtidas após a primeira dose.

Menos de 1% da substância ativa intacta é excretada inalterada na urina. As experiências realizadas com marcação radiológica de tolvaptano mostraram que 40% da radioatividade foi recuperada na urina e 59% foi recuperada nas fezes, nas quais o tolvaptano inalterado era responsável por 32% da radioatividade. Tolvaptano é apenas um componente de menor importância no plasma (3%).

Linearidade

Após doses orais únicas, os valores da Cmax mostram aumentos menores do que os proporcionais à dose de 30 para 240 mg e depois um plateau com doses de 240 a 480 mg, a AUC aumenta linearmente.

Após uma dosagem múltipla uma vez por dia de 300 mg, a exposição a tolvaptano aumentou apenas 6,4 vezes quando comparada com uma dose de 30 mg. Para os regimes de dose dividida de 30, 60 e 120 mg/dia em doentes com DPRAD, a exposição a tolvaptano (AUC) aumenta linearmente.

Farmacocinética em populações especiais

A depuração de tolvaptano não é significativamente afetada pela idade.

O efeito da função hepática ligeira ou moderadamente comprometida (classes de Child-Pugh A e B) sobre a farmacocinética de tolvaptano foi investigado em 87 doentes com doença hepática de várias origens. Não se observaram alterações clinicamente significativas na depuração para doses de 5 a 60 mg. Está disponível informação muito limitada em doentes com compromisso hepático grave (classe de Child-Pugh C).

Numa análise farmacocinética da população em doentes com edema hepático, os valores da AUC de tolvaptano em doentes com compromisso hepático grave (classe de Child-Pugh C) e ligeira ou moderada (classes de Child-Pugh A e B) foram 3,1 e 2,3 vezes mais elevados do que em indivíduos saudáveis.

Numa análise farmacocinética da população para doentes com DPRAD, as concentrações de tolvaptano aumentaram, em comparação com indivíduos saudáveis, enquanto a função renal diminuiu abaixo de uma eGFR de 60 ml/min/1,73m2. Uma diminuição da eGFRDRC-EPI de 72,2 para 9,79 (ml/min/1,73 m2) foi associada a uma redução de 32% da depuração corporal total.

5.3 Dados de segurança pré-clínica

Os dados não clínicos não revelam riscos especiais para o ser humano, segundo estudos convencionais de farmacologia de segurança, toxicidade de dose repetida, genotoxicidade ou potencial carcinogénico. Foi notada teratogenicidade em coelhos aos quais foram administrados 1000 mg/kg/dia (7,5 vezes a exposição à dose de 120 mg/dia para o ser humano numa base da AUC). Não se observaram efeitos teratogénicos em coelhos com 300 mg/kg/dia (cerca de 1,25 a 2,65 vezes a exposição em seres humanos com a dose de 120 mg/dia, com base na AUC).

Num estudo peri e pós-natal em ratos, observaram-se ossificação retardada e peso corporal reduzido nas crias com a dose elevada de 1000 mg/kg/dia.

Dois estudos de fertilidade em ratos revelaram efeitos sobre a geração parental (diminuição do consumo de alimentos e do aumento do peso corporal, salivação), mas tolvaptano não afetou o desempenho reprodutivo nos machos e não houve efeitos nos fetos. Nas fêmeas, foram observados ciclos éstricos anormais em ambos os estudos.

O nível sem efeitos adversos observados (NOAEL) relativo aos efeitos sobre a reprodução nas fêmeas (100 mg/kg/dia) foi cerca de 8 vezes a dose humana máxima recomendada de 120 mg/dia numa base de mg/m2.

6. INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS

6.1 Lista dos excipientes

Amido de milho

Hidroxipropilcelulose

Lactose mono-hidratada

Estearato de magnésio

Celulose microcristalina

Laca de alumínio de indigotina

6.2 Incompatibilidades

Não aplicável.

6.3 Prazo de validade

4 anos

6.4 Precauções especiais de conservação

Conservar na embalagem de origem para proteger da luz e da humidade.

6.5 Natureza e conteúdo do recipiente

14 comprimidos em 1 blister de PVC/folha de alumínio numa embalagem tipo carteira com 7 x 30 mg e 7 x 60 mg comprimidos

28 comprimidos em 2 blisters de PVC/folha de alumínio numa embalagem tipo carteira com 7 x 30 mg e 7 x 60 mg comprimidos

56 comprimidos em 4 blisters de PVC/folha de alumínio numa embalagem tipo carteira com 7 x 30 mg e 7 x 60 mg comprimidos

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

6.6 Precauções especiais de eliminação e manuseamento

Qualquer medicamento não utilizado ou resíduos devem ser eliminados de acordo com as exigências locais.

7. TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Otsuka Pharmaceutical Europe Ltd.

Gallions, Wexham Springs

Framewood Road

Wexham

SL3 6PJ

Reino Unido

8. NÚMERO(S) DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

EU/1/15/1000/008-010

9. DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO/RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Data da primeira autorização:

10. DATA DA REVISÃO DO TEXTO

Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet da Agência Europeia de Medicamentos: http://www.ema.europa.eu.

Este medicamento está sujeito a monitorização adicional. Isto irá permitir a rápida identificação de nova informação de segurança. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas. Para saber como notificar reações adversas, ver secção 4.8.

1. NOME DO MEDICAMENTO

Jinarc 90 mg comprimidos

Jinarc 30 mg comprimidos

2. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA

Cada comprimido de 90 mg contém 90 mg de tolvaptano.

Cada comprimido de 30 mg contém 30 mg de tolvaptano.

Excipiente(s) com efeito conhecido:

Cada comprimido de 90 mg contém aproximadamente 24 mg de lactose (sob a forma mono-hidratada).

Cada comprimido de 30 mg contém aproximadamente 70 mg de lactose (sob a forma mono-hidratada).

Lista completa de excipientes, ver secção 6.1

3. FORMA FARMACÊUTICA

Comprimido

Comprimido de 90 mg: azul, pentagonal (eixo maior 9,7 mm, eixo menor 9,5 mm), ligeiramente convexo, gravado com “OTSUKA” e “90” num dos lados.

Comprimido de 30 mg: azul, redondo (diâmetro: 8 mm), ligeiramente convexo, gravado com “OTSUKA” e “30” num dos lados.

4. INFORMAÇÕES CLÍNICAS

4.1 Indicações terapêuticas

Jinarc é indicado para abrandar a progressão do desenvolvimento de quistos e insuficiência renal da doença poliquística renal autossómica dominante (DPRAD) em adultos com doença renal crónica (DRC) em estádios 1 a 3 no início do tratamento com indícios de doença em rápida progressão (ver secção 5.1).

4.2 Posologia e modo de administração

O tratamento com tolvaptano deve ser iniciado e monitorizado sob a supervisão de médicos com experiência no tratamento de DPRAD e conhecimento pleno dos riscos da terapia com tolvaptano incluindo toxicidade hepática e requisitos de monitorização (ver secção 4.4).

Posologia

Jinarc deve ser administrado duas vezes por dia em regimes de dose dividida de 45 mg + 15 mg,

60 mg + 30 mg ou 90 mg + 30 mg. A dose matinal deve ser tomada pelo menos 30 minutos antes da refeição da manhã. A segunda dose diária pode ser tomada com ou sem alimentos. De acordo com estes regimes de dose dividida, as doses diárias totais são de 60, 90 ou 120 mg.

Titulação da dose

A dose inicial é de 60 mg de tolvaptano por dia como regime de dose dividida de 45 mg + 15 mg

(45 mg tomados ao acordar e antes da refeição da manhã e 15 mg tomados 8 horas mais tarde). A dose inicial deve ser aumentada para um regime de dose dividida de 90 mg de tolvaptano (60 mg + 30 mg) por dia e depois para um regime alvo de dose dividida de 120 mg de tolvaptano (90 mg + 30 mg) por dia, caso seja tolerado, com pelo menos intervalos semanais entre as titulações. A titulação da dose tem de ser efetuada com prudência para assegurar que as doses elevadas não sejam mal toleradas devido a uma titulação excessivamente rápida. As doses dos doentes poderão ser reduzidas com base na tolerabilidade. Os doentes têm de ser mantidos na dose mais elevada tolerável de tolvaptano.

O objetivo da titulação da dose é bloquear a atividade da vasopressina no recetor V2 renal da forma mais completa e constante possível, mantendo ao mesmo tempo um equilíbrio de fluidos aceitável (ver secção 4.4). Recomendam-se medições da osmolalidade urinária para monitorizar a adequação da inibição da vasopressina. A monitorização periódica da osmolalidade plasmática ou do sódio sérico (para calcular a osmolalidade plasmática) e/ou do peso corporal deve ser considerada para monitorizar o risco de desidratação secundária aos efeitos aquaréticos de tolvaptano em caso de ingestão insuficiente de água pelo doente.

A segurança e eficácia de Jinarc na DRC em estádio 5 não foram devidamente exploradas e portanto o tratamento com tolvaptano deve ser descontinuado se a insuficiência renal progredir para DRC em estádio 5.

A dose matinal de Jinarc deve ser tomada pelo menos 30 minutos antes da refeição da manhã. A segunda dose diária pode ser tomada com ou sem alimentos.

A terapia tem de ser interrompida se a capacidade para beber ou a acessibilidade a água for limitada (ver secção 4.4). Tolvaptano não deve ser tomado com sumo de toranja (ver secção 4.5). Os doentes devem receber instruções para beberem quantidades suficientes de água ou outros fluidos aquosos (ver secção 4.4).

Ajuste da dose para doentes a tomar inibidores fortes do CYP3A

Nos doentes a tomar inibidores fortes do CYP3A (ver secção 4.5), as doses de tolvaptano têm de ser reduzidas da seguinte forma:

Dose dividida diária de tolvaptano

Dose reduzida (uma vez por dia)

90+30 mg

30 mg

 

(redução adicional para 15 mg se 30 mg

 

não forem bem tolerados)

60+30 mg

30 mg

 

(redução adicional para 15 mg se 30 mg

 

não forem bem tolerados)

45+15 mg

15 mg

Ajuste da dose para doentes a tomar inibidores moderados do CYP3A

Nos doentes a tomar inibidores moderados do CYP3A, as doses de tolvaptano têm de ser reduzidas da seguinte forma:

Dose dividida diária de tolvaptano

Dose dividida reduzida

90+30 mg

45+15 mg

60+30 mg

30+15 mg

45+15 mg

15+15 mg

Terão de ser consideradas reduções adicionais se os doentes não conseguirem tolerar as doses reduzidas de tolvaptano.

População idosa

O aumento da idade não tem efeito nas concentrações plasmáticas de tolvaptano. No entanto, a segurança e a eficácia de tolvaptano em doentes com DPRAD com mais de 50 anos não foram ainda estabelecidas.

Compromisso renal

Tolvaptano é contraindicado em doentes anúricos (ver secção 4.3).

Não é necessário o ajuste da dose em doentes com compromisso renal. Não foram realizados ensaios clínicos em indivíduos com uma depuração da creatinina <10 ml/min ou em doentes sujeitos a diálise. O risco de lesões hepáticas em doentes com função renal gravemente reduzida (isto é, eGFR <20) pode aumentar; estes doentes devem ser cuidadosamente monitorizados quanto à toxicidade hepática. Os dados relativos aos doentes com DRC em estádio 3 são mais limitados do que os relativos aos doentes no estádio 1 ou 2 (ver secção 5.1).

Compromisso hepático

Nos doentes com compromisso hepático grave, os benefícios e riscos do tratamento com Jinarc têm de ser cuidadosamente avaliados. Os doentes devem ser cuidadosamente controlados e as enzimas hepáticas devem ser regularmente monitorizadas (ver secção 4.4).

Jinarc é contraindicado em doentes com enzimas hepáticas elevadas e/ou sinais ou sintomas de lesão hepática antes do início do tratamento que satisfaçam os requisitos para descontinuação permanente do tolvaptano (ver secções 4.3 e 4.4).

Não é necessário o ajuste da dose em doentes com compromisso hepático ligeiro ou moderado (classes de Child-Pugh A e B).

População pediátrica

A segurança e a eficácia de tolvaptano em crianças e adolescentes não foram ainda estabelecidas. Não existem dados disponíveis. Tolvaptano não é recomendado no grupo etário pediátrico.

Modo de administração

Via oral.

Os comprimidos devem ser engolidos, sem mastigar, com um copo de água.

4.3 Contraindicações

Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes mencionados na secção 6.1

Enzimas hepáticas elevadas e/ou sinais ou sintomas de lesão hepática antes do início do tratamento que satisfaçam os requisitos para descontinuação permanente do tolvaptano (ver secção 4.4)

Anúria

Depleção do volume

Hipernatremia

Doentes que não conseguem ter perceção da sede ou responder à sede

Gravidez (ver secção 4.6)

Aleitamento (ver secção 4.6)

4.4 Advertências e precauções especiais de utilização

Toxicidade hepática idiossincrática

Tolvaptano foi associado a elevações idiossincráticas da alanina aminotransferase e da aspartato aminotransferase (ALT e AST) no sangue com casos infrequentes de elevações concomitantes da bilirrubina total (BT).

Num ensaio controlado por placebo, em dupla ocultação, em doentes com DPRAD, foi observada elevação (>3 x limite superior do normal [LSN]) da ALT em 4,4% (42/958) dos doentes a tomar tolvaptano e 1,0% (5/484) dos doentes a tomar placebo, enquanto a elevação (>3xLSN) da AST foi observada em 3,1% (30/958) dos doentes a tomar tolvaptano e 0,8% (4/484) dos doentes a tomar placebo. Dois (2/957, 0,2%) destes doentes tratados com tolvaptano, assim como um terceiro doente

de um ensaio de prolongamento aberto, exibiram aumentos das enzimas hepáticas (>3xLSN) com elevações concomitantes da BT (>2xLSN). O período de aparecimento de lesão hepatocelular (por elevações da ALT >3xLSN) foi dentro de 3 a 14 meses após o início do tratamento e estes aumentos foram reversíveis, com a ALT a voltar a <3xLSN dentro de 1 a 4 meses. Embora estas elevações concomitantes fossem reversíveis com a descontinuação imediata de tolvaptano, representam um potencial de lesão hepática significativa. Alterações semelhantes com outros medicamentos foram associadas ao potencial de causar lesões hepáticas irreversíveis e potencialmente fatais.

Os médicos que receitam o medicamento têm de cumprir totalmente as medidas de segurança exigidas abaixo.

Para minimizar o risco de lesões hepáticas significativas e/ou irreversíveis, são necessárias análises sanguíneas de transaminases hepáticas e bilirrubina antes de iniciar o tratamento com Jinarc, que continuarão mensalmente durante 18 meses e a intervalos regulares de 3 meses daí em diante. Recomenda-se a monitorização concomitante de sintomas que possam indicar lesão hepática (como fadiga, anorexia, náuseas, desconforto abdominal superior direito, vómitos, febre, erupção cutânea, prurido, urina escura ou iterícia).

Se um doente apresentar níveis anormais de ALT, AST ou BT antes do início do tratamento que satisfaçam os critérios de descontinuação permanente (ver abaixo), o uso de tolvaptano é contraindicado (ver secção 4.3). No caso de níveis basais anormais abaixo dos limites para a descontinuação permanente, o tratamento só pode ser iniciado se os potenciais benefícios do tratamento superarem os potenciais riscos, devendo os testes da função hepática continuar com maior frequência. Recomenda-se o parecer de um hepatologista.

Durante os primeiros 18 meses de tratamento, Jinarc só pode ser fornecido a doentes cujo médico tenha determinado que a função hepática suporta a continuação da terapia.

Com o aparecimento de sintomas ou sinais compatíveis com lesão hepática ou se forem detetados aumentos anormais de ALT ou AST durante o tratamento, a administração de Jinarc tem de ser interrompida, sendo necessário repetir as análises, incluindo ALT, AST, BT e fosfatase alcalina (AP), o mais rapidamente possível (idealmente dentro de 48 a 72 horas). As análises devem continuar com maior frequência até os sintomas/sinais/anomalias laboratoriais estabilizarem ou se resolverem, altura essa em que Jinarc pode ser reiniciado.

Se os níveis de ALT e AST permanecerem abaixo de 3 vezes o limite superior do normal (LSN), a terapia com Jinarc pode prosseguir com prudência, com monitorização frequente com doses iguais ou mais baixas, à medida que os níveis de transaminases parecem estabilizar durante a continuação da terapia em alguns doentes.

A prática clínica corrente sugere que a terapia com Jinarc deve ser interrompida após confirmação de níveis de transaminases sustentados ou aumentados e descontinuada de forma permanente caso persistam aumentos significativos e/ou sintomas clínicos de lesão hepática.

As orientações recomendadas para a descontinuação permanente incluem:

ALT ou AST >8 vezes o LSN

ALT ou AST >5 vezes o LSN durante mais de 2 semanas

ALT ou AST >3 vezes o LSN e (BT >2 vezes o LSN ou Relação Internacional Normalizada [INR] >1,5)

ALT ou AST >3 vezes o LSN com os sintomas persistentes de lesão hepática indicados acima.

Acesso a água

Tolvaptano pode causar reações adversas relacionadas com a perda de água, como sede, poliúria, nictúria e polaquiúria (ver secção 4.8). Por conseguinte, os doentes devem ter acesso a água (ou outros fluidos aquosos) e devem conseguir beber quantidades suficientes destes líquidos (ver secção 4.2). Os

doentes devem receber instruções para beberem água ou outros fluidos aquosos ao primeiro sinal de sede a fim de evitar sede excessiva ou desidratação.

Além disso, os doentes têm de beber 1 a 2 copos de líquido antes da hora de deitar, independentemente da perceção da sede, e têm de repor os líquidos durante a noite com cada episódio de nictúria.

Desidratação

O estado de volume deve ser monitorizado nos doentes a tomar tolvaptano porque o tratamento com tolvaptano pode resultar em desidratação intensa, o que constitui um fator de risco para a disfunção renal. Caso a desidratação se torne evidente, tome as medidas apropriadas, que podem incluir a necessidade de interromper ou reduzir a dose de tolvaptano e aumentar a ingestão de fluidos. Devem ser tomadas precauções especiais em doentes com doenças que comprometem a ingestão apropriada de fluidos ou com um risco acrescido de perda de água, por exemplo, no caso de vómitos ou diarreia.

Obstrução do fluxo de excreção urinária

A excreção urinária tem de ser assegurada. Os doentes com obstrução parcial do fluxo de excreção urinária, como por exemplo doentes com hipertrofia da próstata ou dificuldades de micção, têm um risco acrescido de desenvolverem retenção aguda.

Equilíbrio de fluidos e eletrólitos

Deve monitorizar-se, em todos os doentes, o estado dos fluidos e eletrólitos. A administração de tolvaptano induz aquarese profusa e pode causar desidratação e aumentos do sódio sérico (ver secção 4.8) e é contraindicada em doentes com hipernatremia (ver secção 4.3). Por conseguinte, a creatinina sérica, os eletrólitos e os sintomas de desequilíbrios eletrolíticos (por exemplo, tonturas, desmaios, palpitações, confusão, fraqueza, instabilidade da marcha, hiperreflexia, convulsões, coma) têm de ser avaliados antes e depois do início do tratamento com tolvaptano para monitorizar a desidratação.

Durante o tratamento prolongado, os eletrólitos têm de ser monitorizados pelo menos a intervalos de três meses.

Anomalias do sódio sérico

As anomalias do sódio anteriores ao tratamento (hiponatremia ou hipernatremia) têm de ser corrigidas antes do início da terapia com tolvaptano.

Anafilaxia

Na experiência pós-comercialização, a anafilaxia (incluindo o choque anafilático e a erupção cutânea generalizada) foi notificada muito raramente após a administração de tolvaptano. Este tipo de reação ocorreu após a primeira administração de tolvaptano. Em caso de ocorrência de reação anafilática ou de outras reações alérgicas graves, a administração de tolvaptano deve ser imediatamente descontinuada e a terapia apropriada iniciada. Uma vez que a hipersensibilidade é uma contraindicação (ver secção 4.3), o tratamento nunca deve ser reiniciado após uma reação anafilática ou outras reações alérgicas graves.

Lactose

Jinarc contém lactose como excipiente. Os doentes com problemas hereditários raros de intolerância à galactose, deficiência de lactase de Lapp ou malabsorção de glicose-galactose não devem tomar este medicamento.

Diabetes mellitus

Os doentes diabéticos com uma concentração elevada de glicose (por exemplo, acima de 300 mg/dl) podem apresentar pseudo-hiponatremia. Este quadro clínico deve excluir-se antes e durante o tratamento com tolvaptano.

Tolvaptano pode causar hiperglicemia (ver secção 4.8). Por conseguinte, os doentes diabéticos tratados com tolvaptano devem ser controlados com cuidado. Isto aplica-se particularmente a doentes com diabetes de tipo II inadequadamente controlada.

Aumentos do ácido úrico

A depuração diminuída de ácido úrico pelo rim é um efeito conhecido de tolvaptano. Num ensaio controlado por placebo, em dupla ocultação, em doentes com DPRAD, foi notificado aumento do ácido úrico potencialmente significativo em termos clínicos (superior a 10 mg/dl) a uma taxa mais elevada nos doentes a tomar tolvaptano (6,2%) em comparação com os doentes tratados com placebo (1,7%). Foram notificadas com mais frequência reações adversas de gota em doentes tratados com tolvaptano (28/961, 2,9%) do que em doentes a receber placebo (7/483, 1,4%). Além disso, foi observado o uso aumentado de alopurinol e outros medicamentos utilizados para controlar a gota no ensaio controlado por placebo, em dupla ocultação. Os efeitos no ácido úrico sérico são atribuíveis às alterações hemodinâmicas renais reversíveis que ocorrem em resposta aos efeitos de tolvaptano na osmolalidade urinária e podem ser clinicamente relevantes. No entanto, os casos de aumento do ácido úrico e/ou de gota não foram graves e não causaram descontinuação da terapia no ensaio controlado por placebo, em dupla ocultação. As concentrações de ácido úrico devem ser avaliadas antes do início da terapia com Jinarc e conforme indicado durante o tratamento com base nos sintomas.

Efeito de tolvaptano na taxa de filtração glomerular (GFR)

Foi observada uma redução reversível da GFR em ensaios de DPRAD no início do tratamento com tolvaptano.

4.5 Interações medicamentosas e outras formas de interação

Efeito de outros medicamentos na farmacocinética de tolvaptano

Inibidores do CYP3A

O uso concomitante de medicamentos que são inibidores moderados (por exemplo, amprenavir, aprepitante, atazanavir, ciprofloxacina, crizotinib, darunavir/ritonavir, diltiazem, eritromicina, fluconazol, fosamprenavir, imatinib, verapamil) ou fortes (por exemplo, itraconazol, cetoconazol, ritonavir, claritromicina) do CYP3A aumenta a exposição a tolvaptano. A coadministração de tolvaptano e cetoconazol resultou num aumento de 440% da área sob a curva da concentração-tempo (AUC) e num aumento de 248% da concentração plasmática máxima observada (Cmax) para o tolvaptano.

A coadministração de tolvaptano com sumo de toranja, um inibidor moderado a forte do CYP3A, produziu uma duplicação das concentrações máximas de tolvaptano (Cmax).

A redução da dose de tolvaptano é recomendada para os doentes enquanto estiverem a tomar inibidores moderados ou fortes do CYP3A (ver secção 4.2). Os doentes a tomar inibidores moderados ou fortes do CYP3A têm de ser controlados com prudência, em particular se os inibidores forem tomados com frequência superior a uma vez por dia.

Indutores do CYP3A

O uso concomitante de medicamentos que sejam indutores potentes do CYP3A (por exemplo, rifampicina) diminui a exposição e eficácia de tolvaptano. A coadministração de tolvaptano com rifampicina reduz a Cmax e a AUC de tolvaptano em cerca de 85%. Por conseguinte, a administração concomitante de tolvaptano com indutores potentes do CYP3A (por exemplo, rifampicina, rifabutina, rifapentina, fenitoína, carbamazepina e hipericão) deve ser evitada.

Coadministração com medicamentos que aumentam a concentração sérica de sódio

Não há experiência de ensaios clínicos controlados com o uso concomitante de tolvaptano e soro fisiológico hipertónico, formulações orais de sódio e medicamentos que aumentem a concentração sérica de sódio. Os medicamentos com elevado teor de sódio, como por exemplo preparações analgésicas efervescentes e certos tratamentos para a dispepsia que contêm sódio, também podem aumentar a concentração sérica de sódio. O uso concomitante de tolvaptano com medicamentos que aumentem a concentração sérica de sódio pode resultar num risco mais elevado de desenvolvimento de hipernatremia (ver secção 4.4) e, por conseguinte, não é recomendado.

Diuréticos

Tolvaptano não foi extensamente estudado na DPRAD em combinação com diuréticos. Ainda que não pareça haver um efeito sinergístico ou cumulativo do uso concomitante de tolvaptano com diuréticos

da ansa e tiazidas, cada classe de agentes tem o potencial de levar a desidratação intensa, o que constitui um fator de risco para a disfunção renal. Se a desidratação ou disfunção renal se tornarem evidentes, devem ser tomadas as medidas apropriadas que podem incluir a necessidade de interromper ou reduzir as doses de tolvaptano e/ou de diuréticos e aumentar a ingestão de fluidos. Outras causas potenciais de disfunção renal ou desidratação devem ser avaliadas e abordadas.

Efeito de tolvaptano na farmacocinética de outros medicamentos

Substratos do CYP3A

Em indivíduos saudáveis, tolvaptano, um substrato do CYP3A, não teve efeito sobre as concentrações plasmáticas de alguns outros substratos do CYP3A (por exemplo, varfarina ou amiodarona). Tolvaptano aumentou os níveis plasmáticos da lovastatina em 1,3 a 1,5 vezes. Ainda que este aumento não tenha relevância clínica, indica que tolvaptano pode aumentar potencialmente a exposição a substratos do CYP3A4.

Substratos transportadores

Estudos in vitro indicam que tolvaptano é um substrato e inibidor competitivo da P-glicoproteína (P-gp). Estudos in vitro indicam que tolvaptano ou o seu metabolito oxobutírico podem ter o potencial para inibir os transportadores OATP1B1, OATP1B3, OAT3, BCRP e OCT1.

As concentrações de digoxina no estado estacionário foram aumentadas (aumento de 1,3 vezes na concentração plasmática máxima observada [Cmax] e aumento de 1,2 vezes na área sob a curva da concentração plasmática-tempo ao longo do intervalo de dosagem [AUCτ]) quando esta foi coadministrada com doses múltiplas de 60 mg de tolvaptano uma vez por dia. Os doentes a tomarem digoxina ou outros substratos terapêuticos estreitos P-gp (por exemplo, dabigatrano) devem, por conseguinte, ser controlados com prudência e avaliados quanto a efeitos excessivos quando tratados com tolvaptano.

As estatinas vulgarmente utilizadas no ensaio de referência de fase 3 de tolvaptano (por exemplo, rosuvastatina e pitavastatina) são substratos de OATP1B1 ou OATP1B3, no entanto não foi observada qualquer diferença no perfil de efeitos adversos (EA) durante o ensaio de referência de fase 3 de tolvaptano na DPRAD.

Se substratos de OATP1B1 e OATP1B3 (por exemplo, estatinas como a rosuvastatina e a pitavastatina), substratos de OAT3 (por exemplo, metotrexato, ciprofloxacina), substratos de BCRP (por exemplo, sulfasalazina) ou substratos de OCT1 (por exemplo, metformina) forem coadministrados com tolvaptano, os doentes devem ser controlados com prudência e avaliados quanto aos efeitos excessivos destes medicamentos.

Diuréticos ou medicamentos anti-hipertensivos não diuréticos

A tensão arterial em pé não foi medida por rotina nos ensaios da DPRAD, pelo que não pode ser excluído um risco de hipotensão ortostática/postural devido a interação farmacodinâmica com tolvaptano.

Coadministração com análogos da vasopressina

Para além do seu efeito aquarético renal, o tolvaptano é capaz de bloquear os recetores vasculares V2 da vasopressina envolvidos na libertação de fatores de coagulação (por exemplo, fator de von Willebrand) a partir das células endoteliais. Por conseguinte, o efeito dos análogos da vasopressina, como por exemplo a desmopressina, pode ser atenuado em doentes que utilizem esses análogos para prevenir ou controlar a hemorragia quando coadministrados com o tolvaptano. Não se recomenda a administração de Jinarc com análogos da vasopressina.

Tabagismo e álcool

Os dados relativos ao historial de tabagismo ou álcool nos ensaios da DPRAD são demasiado limitados para determinar as possíveis interações do tabagismo e do álcool com a eficácia e a segurança do tratamento da DPRAD com tolvaptano.

4.6 Fertilidade, gravidez e aleitamento

Gravidez

A quantidade de dados sobre a utilização de tolvaptano em mulheres grávidas não é adequada. Os estudos em animais revelaram toxicidade reprodutiva (ver secção 5.3). Desconhece-se o risco potencial para o ser humano.

As mulheres com potencial para engravidar devem utilizar um método contracetivo adequado durante o tratamento com Jinarc. Jinarc não pode ser utilizado durante a gravidez (ver secção 4.3).

Amamentação

Desconhece-se se tolvaptano é excretado no leite humano. Estudos em ratos revelaram excreção de tolvaptano no leite.

Desconhece-se o risco potencial para o ser humano. Jinarc é contraindicado durante a amamentação (ver secção 4.3).

Fertilidade

Os estudos em animais revelaram efeitos sobre a fertilidade (ver secção 5.3). Desconhece-se o risco potencial para o ser humano.

4.7 Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

Os efeitos de Jinarc sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas são reduzidos. No entanto, ao conduzir veículos ou utilizar máquinas deve ter-se em consideração que poderão ocorrer ocasionalmente tonturas, astenia ou fadiga.

4.8 Efeitos indesejáveis

Resumo do perfil de segurança

As reações adversas farmacodinamicamente previsíveis e notificadas com maior frequência são a sede, poliúria, nictúria e polaquiúria, que ocorrem em cerca de 55%, 38%, 29% e 23% dos doentes, respetivamente. Além disso, tolvaptano foi associado a elevações idiossincráticas da alanina aminotransferase e da aspartato aminotransferase (ALT e AST) no sangue com casos infrequentes de elevações concomitantes da bilirrubina total (BT).

Lista tabelada de reações adversas

O perfil de reações adversas de tolvaptano na indicação da DPRAD baseia-se numa base de dados de ensaios clínicos de 1444 doentes tratados (961 doentes tratados com tolvaptano, 483 tratados com placebo) e é consistente com a farmacologia da substância ativa. As reações adversas associadas ao tolvaptano obtidas nos estudos clínicos da DPRAD estão tabeladas abaixo.

As frequências das reações adversas correspondem a muito frequentes (≥1/10), frequentes (≥1/100 a

<1/10), pouco frequentes (≥1/1.000 a <1/100) e desconhecidas (não pode ser calculado a partir dos dados disponíveis). As reações adversas são apresentadas por ordem decrescente de gravidade dentro de cada classe de frequência.

Classe de sistemas de

Frequência

 

órgãos

 

 

Doenças do metabolismo e

Muito frequentes:

Polidipsia

da nutrição

Frequentes:

Desidratação, hipernatremia, falta de apetite,

 

 

hiperuricemia, hiperglicemia

 

 

 

Perturbações do foro

Frequentes:

Insónia

psiquiátrico

 

 

 

 

 

 

 

Classe de sistemas de

Frequência

 

órgãos

 

 

Doenças do sistema

Muito frequentes:

Cefaleia, tonturas

nervoso

 

 

 

 

 

Cardiopatias

Frequentes:

Palpitações

 

 

 

Doenças respiratórias,

Frequentes:

Dispneia

torácicas e do mediastino

 

 

 

 

 

Doenças gastrointestinais

Muito frequentes:

Diarreia, boca seca

 

Frequentes:

Distensão abdominal, obstipação, dispepsia,

 

 

doença de refluxo gastroesofágico

 

 

 

Afeções hepatobiliares

Frequentes:

Função hepática anormal

 

 

 

Afeções dos tecidos

Frequentes:

Erupção cutânea, prurido

cutâneos e subcutâneos

 

 

 

 

 

Afeções

Frequentes:

Espasmos musculares

musculosqueléticas e dos

 

 

tecidos conjuntivos

 

 

 

 

 

Doenças renais e urinárias

Muito frequentes:

Nictúria, polaquiúria, poliúria

 

 

 

Perturbações gerais e

Muito frequentes:

Fadiga, sede

alterações no local de

Frequentes:

Astenia

administração

 

 

 

 

 

Exames complementares

Frequentes:

Alanina aminotransferase aumentada,

de diagnóstico

 

aspartato aminotransferase aumentada, peso

 

 

diminuído

 

Pouco frequentes:

Bilirrubina aumentada

 

 

 

Descrição das reações adversas selecionadas

Para minimizar o risco de lesões hepáticas significativas ou irreversíveis, são necessárias análises sanguíneas de transaminases hepáticas antes de iniciar o tratamento com Jinarc, que continuarão mensalmente durante 18 meses e a intervalos regulares de 3 meses daí em diante (ver secção 4.4). As reações adversas mais frequentes estão relacionadas com a perda de água. Por conseguinte, é extremamente importante que os doentes tenham acesso a água e consigam beber quantidades

suficientes de fluidos. O estado de volume dos doentes a tomar tolvaptano deve ser monitorizado para prevenir a desidratação (ver secção 4.4).

Pós-comercialização

As seguintes reações adversas foram notificadas durante a vigilância pós-comercialização de tolvaptano aprovado para outras indicações.

Classe de sistemas de

Frequência

órgãos

 

Doenças do sistema

Desconhecida: Choque anafilático, erupção cutânea generalizada

imunitário

 

Notificação de suspeitas de reações adversas

A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos

profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através do sistema nacional de notificação mencionado no Apêndice V.

4.9 Sobredosagem

Doses orais únicas até 480 mg (4 vezes a dose diária máxima recomendada) e doses múltiplas até 300 mg uma vez por dia durante 5 dias foram bem toleradas em ensaios em indivíduos saudáveis. Não existe antídoto específico para a intoxicação de tolvaptano. É de prever que os sinais e sintomas de sobredosagem aguda sejam os do efeito farmacológico excessivo: um aumento da concentração sérica de sódio, poliúria, sede e desidratação/hipovolemia.

Não se observou mortalidade em ratos ou cães após doses orais únicas de 2000 mg/kg (dose máxima viável). Uma dose oral única de 2000 mg/kg foi letal em ratinhos e os sintomas de toxicidade em ratinhos afetados incluíram atividade locomotora diminuída, andar cambaleante, tremor e hipotermia. Em doentes com suspeita de sobredosagem de tolvaptano, recomenda-se a avaliação dos sinais vitais, das concentrações de eletrólitos, do ECG e do estado dos fluidos. A substituição apropriada de água e/ou de eletrólitos deve continuar até a aquarese diminuir. A diálise poderá não ser eficaz na remoção de tolvaptano devido à sua elevada afinidade de ligação para a proteína plasmática humana (>98%).

5. PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS

5.1 Propriedades farmacodinâmicas

Grupo farmacoterapêutico: ainda não atribuído, código ATC: ainda não atribuído.

Tolvaptano é um antagonista da vasopressina que bloqueia especificamente a ligação da vasopressina arginina (AVP) nos recetores V2 das partes distais do nefrónio. A afinidade de tolvaptano para o recetor V2 humano é 1,8 vezes a da AVP natural.

Os efeitos farmacodinâmicos de tolvaptano foram determinados em indivíduos saudáveis e indivíduos com DPRAD nos estádios 1 a 4 de DRC. Os efeitos sobre a depuração de água livre e o volume de urina são evidentes em todos os estádios de DRC com efeitos absolutos menores observados em estádios posteriores, consistentes com o número decrescente de nefrónios totalmente funcionais. Foram observadas também reduções agudas do volume renal total médio após 3 semanas de terapia em todos os estádios de DRC, variando de -4,6% para a DRC em estádio 1 a -1,9% para a DRC em estádio 4.

O programa clínico para o desenvolvimento dos comprimidos de tolvaptano para o tratamento da DPRAD concentra-se principalmente num ensaio único de referência, multinacional, de fase 3, aleatorizado e controlado por placebo, no qual a segurança e a eficácia a longo prazo de regimes de dose dividida oral de tolvaptano (titulada entre 60 mg/dia e 120 mg/dia) foram comparadas com placebo em 1445 participantes adultos com DPRAD. No total, foram concluídos 14 ensaios clínicos envolvendo tolvaptano a nível mundial para corroborar a indicação para a DPRAD, incluindo 8 ensaios nos EUA, 1 nos Países Baixos, 3 no Japão, 1 na Coreia e o ensaio multinacional de referência de fase 3.

O ensaio de referência de fase 3 (TEMPO 3:4, 156-04-251) incluiu participantes de 129 centros nas Américas, Japão, Europa e outros países. O principal objetivo deste ensaio era avaliar a eficácia a longo prazo de tolvaptano na DPRAD através da taxa de variação (%) do volume renal total (VRT) para os participantes tratados com tolvaptano em comparação com os participantes tratados com placebo. Neste ensaio, um total de 1445 doentes adultos (com idades compreendidas entre os 18 e os 50 anos) com indícios de DPRAD precoce em rápida progressão (satisfazendo os critérios modificados de Ravine, volume renal total (VRT) ≥750 ml, depuração estimada de creatinina ≥60 ml/min) foram aleatorizados numa proporção de 2:1 para o tratamento com tolvaptano ou placebo. Os doentes foram tratados durante um período até 3 anos.

Os grupos de tolvaptano (N=961) e de placebo (N=484) foram bem equiparados em termos de género com uma média de idade de 39 anos. Os critérios de inclusão identificaram os doentes que, na linha basal, apresentavam indícios de progressão precoce da doença. Na linha basal, os doentes tinham uma taxa de filtração glomerular média estimada (eGFR) de 82 ml/min/1,73m2 (DRC-EPI) com 79% com hipertensão e um VRT médio de 1692 ml (ajuste de altura 972 ml/m). Aproximadamente 35% dos participantes tinham doença renal crónica (DRC) em estádio 1, 48% DRC em estádio 2 e 17% DRC em estádio 3 (eGFRDRC-EPI). Embora estes critérios fossem úteis para enriquecer a população do estudo com doentes que estavam em rápida progressão, as análises de subgrupos baseadas em critérios de estratificação (idade, VRT, GFR, albuminúria, hipertensão) indicaram que a presença desses fatores de risco em idades mais jovens prevê uma progressão mais rápida da doença.

Os resultados do parâmetro de avaliação primário, a taxa de variação do VRT dos participantes aleatorizados para o tolvaptano (normalizada como percentagem) para a taxa de variação dos participantes a tomar placebo, foram estatisticamente muito significativos. A taxa de aumento do VRT ao longo de 3 anos foi significativamente menor para os participantes tratados com tolvaptano do que para os participantes a tomar placebo: 2,80% por ano vs. 5,51% por ano, respetivamente (relação da média geométrica 0,974; IC de 95%, 0,969 a 0,980; p <0,0001).

Os parâmetros de avaliação secundários pré-especificados foram testados sequencialmente. O principal parâmetro de avaliação secundário composto (progressão da DPRAD) foi o tempo até aos múltiplos acontecimentos de progressão clínica de:

1)agravamento da função renal (definido como uma redução de 25% persistente [reproduzida ao longo de pelo menos 2 semanas] da creatinina sérica recíproca durante o tratamento [desde o fim da titulação até à última consulta a tomar o medicamento])

2)dor renal clinicamente significativa (definida como exigindo a prescrição de baixa, analgésicos de último recurso, narcóticos e antinocicetivos, intervenções radiológicas ou cirúrgicas)

3)agravamento da hipertensão

4)agravamento da albuminúria

A taxa relativa de acontecimentos relacionados com a DPRAD diminuiu 13,5% nos doentes tratados com tolvaptano (relação de risco, 0,87; IC de 95%, 0,78 a 0,97; p=0,0095).

O resultado do principal parâmetro de avaliação secundário composto é essencialmente atribuído aos efeitos sobre o agravamento da função renal e à dor renal clinicamente significativa. Os acontecimentos envolvendo a função renal foram 61,4% menos prováveis para o tolvaptano em comparação com o placebo (relação de risco, 0,39; IC de 95%, 0,26 a 0,57; p <0,0001 nominal), enquanto os acontecimentos envolvendo a dor renal foram 35,8% menos prováveis nos doentes tratados com tolvaptano (relação de risco, 0,64; IC de 95%, 0,47 a 0,89; p=0,007 nominal). Em contrapartida, não houve efeitos do tolvaptano sobre a progressão da hipertensão ou da albuminúria.

Não estão atualmente disponíveis dados para mostrar se a terapia prolongada com Jinarc continua a abrandar a taxa de diminuição da função renal e a afetar os resultados clínicos da DPRAD, incluindo atraso no aparecimento de doença renal em fase terminal.

Os genótipos dos doentes não foram determinados para separação em DPRAD de tipo 1 e 2 e desconhece-se se Jinarc tem uma eficácia comparável nestes subgrupos.

População pediátrica

A Agência Europeia de Medicamentos diferiu a obrigação de apresentação dos resultados dos estudos com tolvaptano em um ou mais subgrupos da população pediátrica na doença do rim poliquístico (ver secção 4.2 para informação sobre utilização pediátrica).

5.2 Propriedades farmacocinéticas

Absorção e distribuição

Após a administração oral, tolvaptano é rapidamente absorvido, com as concentrações plasmáticas máximas a ocorrerem cerca de 2 horas após a dosagem. A biodisponibilidade absoluta de tolvaptano é de cerca de 56%.

A coadministração de tolvaptano com uma refeição com elevado teor de gordura aumentou as concentrações máximas de tolvaptano até 2 vezes, mas deixou a AUC inalterada. Muito embora a relevância clínica deste resultado seja desconhecida, para minimizar o risco desnecessário de aumentar a exposição máxima, a dose matinal deve ser tomada em jejum (ver secção 4.2).

Após doses orais únicas ≥300 mg, as concentrações plasmáticas máximas parecem atingir um plateau, possivelmente devido à saturação da absorção. Tolvaptano tem uma ligação reversível (98%) às proteínas plasmáticas.

Metabolismo e eliminação

Tolvaptano é extensamente metabolizado no fígado quase exclusivamente pelo CYP3A. Tolvaptano é um substrato fraco do CYP3A4 e não parece ter qualquer atividade inibidora.

Estudos in vitro indicaram que o tolvaptano não tem atividade inibidora para o CYP3A. Foram identificados catorze metabolitos no plasma, na urina e nas fezes; todos exceto um foram também metabolizados pelo CYP3A. Apenas o metabolito ácido oxobutírico está presente num valor superior a 10% da radioatividade plasmática total; todos os outros estão presentes em concentrações mais baixas do que tolvaptano.

Os metabolitos de tolvaptano pouco ou nada contribuem para o efeito farmacológico de tolvaptano; todos os metabolitos não têm atividade antagonista ou têm atividade antagonista fraca para os recetores V2 humanos quando comparados com tolvaptano. A semivida de eliminação terminal é de cerca de 8 horas e as concentrações no estado estacionário para tolvaptano são obtidas após a primeira dose.

Menos de 1% da substância ativa intacta é excretada inalterada na urina. As experiências realizadas com marcação radiológica de tolvaptano mostraram que 40% da radioatividade foi recuperada na urina e 59% foi recuperada nas fezes, nas quais o tolvaptano inalterado era responsável por 32% da radioatividade. Tolvaptano é apenas um componente de menor importância no plasma (3%).

Linearidade

Após doses orais únicas, os valores da Cmax mostram aumentos menores do que os proporcionais à dose de 30 para 240 mg e depois um plateau com doses de 240 a 480 mg, a AUC aumenta linearmente.

Após uma dosagem múltipla uma vez por dia de 300 mg, a exposição a tolvaptano aumentou apenas 6,4 vezes quando comparada com uma dose de 30 mg. Para os regimes de dose dividida de 30, 60 e 120 mg/dia em doentes com DPRAD, a exposição a tolvaptano (AUC) aumenta linearmente.

Farmacocinética em populações especiais

A depuração de tolvaptano não é significativamente afetada pela idade.

O efeito da função hepática ligeira ou moderadamente comprometida (classes de Child-Pugh A e B) sobre a farmacocinética de tolvaptano foi investigado em 87 doentes com doença hepática de várias origens. Não se observaram alterações clinicamente significativas na depuração para doses de 5 a 60 mg. Está disponível informação muito limitada em doentes com compromisso hepático grave (classe de Child-Pugh C).

Numa análise farmacocinética da população em doentes com edema hepático, os valores da AUC de tolvaptano em doentes com compromisso hepático grave (classe de Child-Pugh C) e ligeira ou moderada (classes de Child-Pugh A e B) foram 3,1 e 2,3 vezes mais elevados do que em indivíduos saudáveis.

Numa análise farmacocinética da população para doentes com DPRAD, as concentrações de tolvaptano aumentaram, em comparação com indivíduos saudáveis, enquanto a função renal diminuiu abaixo de uma eGFR de 60 ml/min/1,73m2. Uma diminuição da eGFRDRC-EPI de 72,2 para 9,79 (ml/min/1,73 m2) foi associada a uma redução de 32% da depuração corporal total.

5.3 Dados de segurança pré-clínica

Os dados não clínicos não revelam riscos especiais para o ser humano, segundo estudos convencionais de farmacologia de segurança, toxicidade de dose repetida, genotoxicidade ou potencial carcinogénico. Foi notada teratogenicidade em coelhos aos quais foram administrados 1000 mg/kg/dia (7,5 vezes a exposição à dose de 120 mg/dia para o ser humano numa base da AUC). Não se observaram efeitos teratogénicos em coelhos com 300 mg/kg/dia (cerca de 1,25 a 2,65 vezes a exposição em seres humanos com a dose de 120 mg/dia, com base na AUC).

Num estudo peri e pós-natal em ratos, observaram-se ossificação retardada e peso corporal reduzido nas crias com a dose elevada de 1000 mg/kg/dia.

Dois estudos de fertilidade em ratos revelaram efeitos sobre a geração parental (diminuição do consumo de alimentos e do aumento do peso corporal, salivação), mas tolvaptano não afetou o desempenho reprodutivo nos machos e não houve efeitos nos fetos. Nas fêmeas, foram observados ciclos éstricos anormais em ambos os estudos.

O nível sem efeitos adversos observados (NOAEL) relativo aos efeitos sobre a reprodução nas fêmeas (100 mg/kg/dia) foi cerca de 8 vezes a dose humana máxima recomendada de 120 mg/dia numa base de mg/m2.

6. INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS

6.1 Lista dos excipientes

Amido de milho

Hidroxipropilcelulose

Lactose mono-hidratada

Estearato de magnésio

Celulose microcristalina

Laca de alumínio de indigotina

6.2 Incompatibilidades

Não aplicável.

6.3 Prazo de validade

4 anos

6.4 Precauções especiais de conservação

Conservar na embalagem de origem para proteger da luz e da humidade.

6.5 Natureza e conteúdo do recipiente

14 comprimidos em 1 blister de PVC/folha de alumínio numa embalagem tipo carteira com 7 x 30 mg e 7 x 90 mg comprimidos

28 comprimidos em 2 blisters de PVC/folha de alumínio numa embalagem tipo carteira com 7 x 30 mg e 7 x 90 mg comprimidos

56 comprimidos em 4 blisters de PVC/folha de alumínio numa embalagem tipo carteira com 7 x 30 mg e 7 x 90 mg comprimidos

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

6.6 Precauções especiais de eliminação e manuseamento

Qualquer medicamento não utilizado ou resíduos devem ser eliminados de acordo com as exigências locais.

7. TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Otsuka Pharmaceutical Europe Ltd.

Gallions, Wexham Springs

Framewood Road

Wexham

SL3 6PJ

Reino Unido

8. NÚMERO(S) DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

EU/1/15/1000/011-013

9. DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO/RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Data da primeira autorização:

10. DATA DA REVISÃO DO TEXTO

Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet da Agência Europeia de Medicamentos: http://www.ema.europa.eu.

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