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Kadcyla (trastuzumab emtansine) – Resumo das características do medicamento - L01XC14

Updated on site: 08-Oct-2017

Nome do medicamentoKadcyla
Código ATCL01XC14
Substânciatrastuzumab emtansine
FabricanteRoche Registration Ltd

Este medicamento está sujeito a monitorização adicional. Isto irá permitir a rápida identificação de nova informação de segurança. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas. Para saber como notificar reações adversas, ver secção 4.8.

1.NOME DO MEDICAMENTO

Kadcyla 100 mg pó para concentrado para solução para perfusão.

Kadcyla 160 mg pó para concentrado para solução para perfusão.

2.COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA

Um frasco para injetáveis para utilização única contém 100 mg de pó para concentrado para solução para perfusão e após reconstituição permite obter 5 ml de trastuzumab emtansina 20 mg/ml (ver secção 6.6).

Um frasco para injetáveis para utilização única contém 160 mg de pó para concentrado para solução para perfusão e após reconstituição permite obter 8 ml de trastuzumab emtansina 20 mg/ml (ver secção 6.6).

O trastuzumab emtansina é um conjugado anticorpo-fármaco que contém trastuzumab, um anticorpo monoclonal IgG1 humanizado, produzido através de cultura em suspensão de células de mamífero (ovário de Hamster chinês), ligado covalentemente a DM1, um inibidor dos microtúbulos, através do ligando tioéter estável MCC (4-[N-maleimidometil] ciclohexano-1-carboxilato).

Lista completa de excipientes, ver secção 6.1.

3.FORMA FARMACÊUTICA

Pó para concentrado para solução para perfusão.

Pó liofilizado, branco a esbranquiçado.

4.INFORMAÇÕES CLÍNICAS

4.1Indicações terapêuticas

Kadcyla, em monoterapia, está indicado no tratamento de doentes adultos com cancro da mama HER2 positivo, localmente avançado irressecável ou metastizado, previamente submetidos a tratamento com trastuzumab e um taxano, isoladamente ou em associação. Os doentes deverão:

Ter recebido terapêutica anterior para a doença localmente avançada ou metastizada, ou

Ter desenvolvido doença recorrente durante ou no prazo de seis meses após conclusão da terapêutica adjuvante.

4.2Posologia e modo de administração

Kadcyla só deve ser prescrito por um médico e administrado sob a supervisão de um profissional de saúde com experiência no tratamento de doentes oncológicos.

Os doentes tratados com trastuzumab emtansina devem ter um tumor com classificação HER2 positivo, definido como um resultado 3+ por imunohistoquímica (IHQ) ou uma razão ≥ 2,0 por hibridação in situ (HIS), avaliados por um dispositivo médico de diagnóstico in vitro (DIV) com marcação CE. Caso não esteja disponível um DIV com marcação CE, a determinação do HER2 deve ser realizada através de um teste alternativo validado.

Para prevenir erros de medicação é importante verificar os rótulos do frasco para injetáveis de forma a garantir que o medicamento a ser preparado e administrado é Kadcyla (trastuzumab emtansina) e não Herceptin (trastuzumab).

Posologia

A dose recomendada de trastuzumab emtansina é de 3,6 mg/kg de peso corporal, administrada como uma perfusão intravenosa, de 3 em 3 semanas (ciclos de 21 dias). Os doentes devem ser tratados até progressão da doença ou toxicidade inaceitável.

A dose inicial deve ser administrada em perfusão intravenosa durante 90 minutos. Os doentes devem ser observados durante a perfusão e durante pelo menos 90 minutos após a perfusão inicial quanto ao aparecimento de febre, calafrios ou outras reações relacionadas com a perfusão. O local da perfusão deve ser cuidadosamente monitorizado quanto a uma eventual infiltração subcutânea durante a administração (ver secção 4.8).

Se a perfusão anterior tiver sido bem tolerada, as doses subsequentes de trastuzumab emtansina podem ser administradas através de perfusões de 30 minutos. Os doentes devem ser observados durante a perfusão e durante pelo menos 30 minutos após a perfusão.

A taxa de perfusão de trastuzumab emtansina deve ser diminuída ou interrompida se o doente desenvolver sintomas relacionados com a perfusão (ver secções 4.4 e 4.8). Em caso de reações à perfusão que coloquem a vida em risco deve descontinuar-se trastuzumab emtansina.

Devem estar disponíveis para uso imediato medicamentos para tratar reações alérgicas/do tipo anafilático à perfusão, bem como equipamento de emergência (ver secção 4.4).

Atraso ou omissão de dose

Se houver omissão de uma dose planeada, esta deve ser administrada logo que possível; não esperar pelo próximo ciclo previsto. O esquema de administração deve ser ajustado para manter um intervalo de 3 semanas entre doses. A próxima dose pode ser administrada de acordo com as recomendações posológicas (ver secção 4.2, Posologia).

Modificação de dose

A gestão das reações adversas sintomáticas pode requerer a interrupção temporária, redução de dose ou descontinuação do tratamento de Kadcyla de acordo com as recomendações apresentadas no texto e nas Tabelas 1 a 5.

A dose de Kadcyla não deve ser aumentada após ser realizada uma redução de dose.

Tabela 1

Esquema de redução de dose

 

 

 

 

 

 

 

Esquema de redução de dose

Dose a ser administrada

(Dose inicial é de 3,6 mg/kg)

 

 

 

 

Primeira redução de dose

 

3 mg/kg

 

 

Segunda redução de dose

 

2,4 mg/kg

 

 

Necessidade de redução adicional de dose

Descontinuar tratamento

 

 

Tabela 2

Recomendações de modificação de dose por aumento das transaminases

(AST/ALT)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Grau 2

 

Grau 3

 

 

Grau 4

(> 2,5 a ≤ 5 o LSN)

(> 5 a ≤ 20 o LSN)

 

(> 20 o LSN)

Não é necessário modificação

Não administrar trastuzumab

 

Descontinuar trastuzumab

de dose.

 

emtansina até recuperação da

 

emtansina.

 

 

AST/ALT para Grau ≤ 2 (>2,5 a

 

 

 

 

 

5 x LSN) e depois reduzir a dose

 

 

 

 

 

(ver tabela 1).

 

 

 

ALT = alanina transaminase; AST = aspartato transaminase; LSN= limite superior do normal.

Tabela 3

Recomendações de modificação de dose por hiperbilirrubinemia

 

 

 

 

 

 

 

Grau 2

 

Grau 3

 

 

Grau 4

(> 1,5 a ≤ 3 o LSN)

(> 3 a ≤ 10 o LSN)

 

(> 10 o LSN)

Não administrar trastuzumab

Não administrar trastuzumab

 

Descontinuar trastuzumab

emtansina até recuperação da

emtansina até recuperação da

 

emtansina.

bilirrubina total para Grau 1

bilirrubina total para Grau 1

 

 

 

(>LSN a 1,5 x LSN). Não é

(>LSN a 1,5 x LSN) e depois

 

 

 

necessário modificação de dose.

reduzir a dose (ver tabela 1).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LSN= limite superior do normal.

 

 

 

 

 

Tabela 4 Recomendações de modificação de dose por trombocitopenia

Grau 3

Grau 4

(Plaquetas: 25.000 a < 50.000/mm3)

(Plaquetas: < 25.000/mm3)

Não administrar trastuzumab

Não administrar trastuzumab

emtansina até recuperação da

emtansina até recuperação da

contagem das plaquetas para

contagem das plaquetas para Grau ≤

Grau ≤1 (isto é, plaquetas

1 (isto é, plaquetas ≥ 75.000/mm3) e

≥ 75.000/mm3). Não é necessário

depois reduzir a dose (ver tabela 1).

modificação de dose.

 

Tabela 5 Recomendações de modificação de dose por disfunção ventricular esquerda

 

 

FEVE 40% a

FEVE 40% a ≤ 45% e

ICC

 

FEVE

≤ 45% e a

diminuição é ≥ 10 pontos

sintomática

FEVE < 40%

diminuição é < 10

em % desde o valor inicial

 

> 45%

pontos em %

 

 

 

 

 

 

 

desde o valor

 

 

 

 

inicial

 

 

Não

Continuar o

Continuar o

Não administrar trastuzumab

Descontinuar

administrar

tratamento

tratamento com

emtansina.

trastuzumab

trastuzumab

com

trastuzumab

 

emtansina.

emtansina.

trastuzumab

emtansina.

Repetir a avaliação da FEVE

 

 

emtansina.

 

no espaço de 3 semanas. Se a

 

Repetir a

 

Repetir a avaliação

FEVE não tiver recuperado

 

avaliação da

 

da FEVE no espaço

até 10 pontos em % do valor

 

FEVE no

 

de 3 semanas.

inicial, descontinuar

 

espaço de

 

 

trastuzumab emtansina.

 

3 semanas. Se

 

 

 

 

se confirmar

 

 

 

 

FEVE < 40%,

 

 

 

 

descontinuar

 

 

 

 

trastuzumab

 

 

 

 

emtansina.

 

 

 

 

FEVE = fração de ejeção ventricular esquerda

Neuropatia periférica

Trastuzumab emtansina deve ser temporariamente descontinuado em doentes com manifestação de neuropatia periférica de Grau 3 ou 4 até resolução para ≤ Grau 2. Pode ser considerada uma redução de dose no retratatamento, de acordo com o esquema de redução de dose (ver Tabela 1).

Doentes idosos

Não é necessário o ajuste de dose em doentes com idade ≥ 65 anos. Os dados são insuficientes para estabelecer a segurança e eficácia em doentes com idade ≥ 75 anos devido à limitação dos dados neste subgrupo. A análise farmacocinética populacional indica que a idade não tem um efeito clinicamente significativo na farmacocinética de trastuzumab emtansina (ver secções 5.1 e 5.2).

Compromisso renal

Não é necessário o ajuste de dose inicial em doentes com compromisso renal ligeiro a moderado (ver secção 5.2). Os dados são insuficientes para se determinar a necessidade potencial de ajuste de dose em doentes com compromisso renal grave, pelo que os doentes com grave compromisso renal devem ser cuidadosamente monitorizados.

Compromisso hepático

Não são necessários ajustes à dose inicial em doentes com compromisso hepático ligeiro ou moderado. Trastuzumab emtansina não foi estudado em doentes com compromisso hepático grave. O tratamento de doentes com compromisso hepático deve ser realizado com precaução devido à hepatotoxicidade conhecida observada com trastuzumab emtansina (ver secção 4.4 e 5.2).

População pediátrica

A segurança e eficácia em crianças e adolescentes com idade inferior a 18 anos não foram estabelecidas. Não existe utilização relevante na população pediátrica para a indicação cancro da mama metastizado (CMm).

Modo de administração

Trastuzumab emtansina deve ser reconstituído e diluído por um profissional de saúde e administrado em perfusão intravenosa. Não deve ser administrado através de injeção intravenosa ou bólus.

Para instruções acerca da reconstituição e diluição do medicamento antes da administração, ver secção 6.6.

4.3Contraindicações

Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes mencionados na secção 6.1.

4.4Advertências e precauções especiais de utilização

De modo a melhorar a rastreabilidade dos medicamentos biológicos, o nome comercial e o número de lote do produto administrado deve ser claramente registado (ou mencionado) no processo do doente.

Para prevenir erros de medicação é importante verificar os rótulos do frasco para injetáveis de forma a garantir que o medicamento a ser preparado e administrado é Kadcyla (trastuzumab emtansina) e não Herceptin (trastuzumab).

Toxicidade pulmonar

Em ensaios clínicos com trastuzumab emtansina foram notificados casos de doença pulmonar intersticial (DPI), incluindo pneumonite, alguns conduzindo a síndrome de dificuldade respiratória aguda ou a desenlace fatal (ver secção 4.8). Os sinais e sintomas incluem dispneia, tosse, fadiga e infiltrados pulmonares.

Recomenda-se que o tratamento com trastuzumab emtansina seja permanentemente descontinuado em doentes diagnosticados com DPI ou pneumonite.

Doentes com dispneia em repouso devido a complicações da neoplasia avançada e comorbilidades podem apresentar um aumento do risco de ocorrência de acontecimentos pulmonares.

Hepatotoxicidade

Em ensaios clínicos observou-se hepatotoxicidade, predominantemente sob a forma de aumentos assintomáticos da concentração das transaminases séricas (transaminite de Grau 1-4), durante o tratamento com trastuzumab emtansina (ver secção 4.8). A elevação das transaminases foi geralmente transitória, com um pico de elevação ao dia 8 após a administração da terapêutica e subsequente recuperação para Grau 1 ou inferior antes do próximo ciclo. Observou-se também um efeito cumulativo nas transaminases (a proporção de doentes com alterações da ALT/AST de Grau 1-2 aumentou com ciclos sucessivos).

Na maioria dos casos, os doentes com transaminases elevadas melhoraram para o Grau 1 ou normal durante os 30 dias seguintes à última dose de trastuzumab emtansina (ver secção 4.8).

Em doentes tratados com trastuzumab emtansina observaram-se afeções hepatobiliares graves, incluindo hiperplasia regenerativa nodular (HRN) hepática e algumas com desenlace fatal devido a lesão hepática induzida pelo fármaco. Os casos observados podem ter sido confundidos por comorbilidades e/ou medicação concomitante com conhecido potencial hepatotóxico.

A função hepática deve ser monitorizada antes do início do tratamento e de cada dose. Os doentes com elevação da ALT na linha de base (por exemplo, devido a metástases hepáticas) podem apresentar predisposição para lesão hepática com um risco mais elevado de um evento hepático de Grau 3-5 ou aumento da prova da função hepática. Na secção 4.2, estão especificadas as reduções de dose ou a descontinuação devido ao aumento das transaminases séricas e da bilirrubina total.

Foram identificados casos de hiperplasia regenerativa nodular (HRN) hepática a partir de biópsias hepáticas de doentes tratados com trastuzumab emtansina. A HRN é uma doença hepática rara, caracterizada pela transformação benigna disseminada do parênquima hepático em pequenos nódulos regenerativos; a HRN pode conduzir a hipertensão portal não cirrótica. O diagnóstico de HRN só pode ser confirmado por exame histológico. Deve considerar-se a presença de HRN em todos os doentes com sintomas clínicos de hipertensão portal e/ou padrão do tipo cirrose observado numa TAC (tomografia axial computorizada) do fígado, mas acompanhada de níveis normais de transaminases e sem outras manifestações de cirrose. Após o diagnóstico de HRN, o tratamento com trastuzumab emtansina deve ser permanentemente descontinuado.

Trastuzumab emtansina não foi estudado em doentes com transaminases séricas > 2,5 LSN ou bilirrubina total > 1,5 LSN antes do início do tratamento. O tratamento deve ser descontinuado permanentemente em doentes com transaminases séricas > 3 LSN e, concomitantemente, bilirrubina total > 2 LSN. O tratamento de doentes com compromisso hepático deve ser realizado com precaução (ver secções 4.2 e 5.2).

Disfunção ventricular esquerda

Os doentes tratados com trastuzumab emtansina apresentam um aumento do risco de desenvolver disfunção ventricular esquerda. Observou-se fração de ejeção ventricular esquerda (FEVE) < 40% em doentes tratados com trastuzumab emtansina e, portanto, a insuficiência cardíaca congestiva (ICC) sintomática é um risco potencial (ver secção 4.8). Os fatores de risco de um evento cardíaco e aqueles identificados em estudos de cancro da mama em contexto adjuvante com terapêutica com trastuzumab incluem idade avançada (> 50 anos), valores de FEVE iniciais baixos (< 55%), níveis de FEVE baixos antes ou após a utilização de paclitaxel em contexto adjuvante, uso prévio ou concomitante de medicamentos antihipertensivos, terapêutica prévia com uma antraciclina e IMC alto (> 25 kg/m2).

Deverá efetuar-se uma avaliação cardiológica convencional (ecocardiograma ou angiografia de radionuclídeos de equilíbrio (MUGA)) antes do início e a intervalos regulares (por exemplo, a cada três meses) durante o tratamento. Os doentes incluídos nos ensaios clínicos tinham uma FEVE inicial

≥ 50%. Os doentes com antecedentes de insuficiência cardíaca congestiva (ICC), arritmia cardíaca grave que exigia tratamento, antecedentes de enfarte do miocárdio ou angina instável nos 6 meses anteriores à aleatorização, ou dispneia em repouso devido a neoplasia avançada, foram excluídos dos estudos clínicos. A dose deve ser adiada ou o tratamento descontinuado, consoante necessário, em casos de disfunção ventricular esquerda (ver secção 4.2).

Reações à perfusão

O tratamento com trastuzumab emtansina não foi estudado em doentes nos quais o trastuzumab tinha sido permanentemente descontinuado devido a reações à perfusão (RP); não se recomenda o tratamento nestes doentes. Os doentes devem ser cuidadosamente observados quanto ao aparecimento de reações à perfusão, especialmente durante a primeira perfusão.

Foram notificadas reações à perfusão (devido a libertação de citocinas), caracterizadas por um ou mais dos seguintes sintomas – rubor, calafrios, pirexia, dispneia, hipotensão, sibilos, broncospasmo e taquicardia. Em geral, estes sintomas não foram graves (ver secção 4.8). Na maioria dos doentes, estas reações resolveram-se em algumas horas ou no espaço de um dia após a conclusão da perfusão. O tratamento deve ser interrompido em doentes com uma RP grave até resolução dos sinais e sintomas. O retratamento deve ser considerado com base na avaliação clínica da gravidade da reação. O tratamento deve ser permanentemente descontinuado em caso de uma reação à perfusão que coloque a vida em risco (ver secção 4.2).

Reações de hipersensibilidade

O tratamento com trastuzumab emtansina não foi estudado em doentes nos quais o trastuzumab tinha sido permanentemente descontinuado devido a hipersensibilidade; não se recomenda o tratamento com trastuzumab emtansina nesses doentes.

Os doentes devem ser cuidadosamente observados quanto ao aparecimento de reações de hipersensibilidade/alérgicas, que podem ter a mesma apresentação clínica que a RRP. Nos ensaios clínicos com trastuzumab emtansina observaram-se reações anafiláticas graves. Os medicamentos para tratar estas reações, bem como o equipamento de emergência, devem estar disponíveis para uso imediato. Se ocorrer uma verdadeira reação de hipersensibilidade (na qual a gravidade da reação aumenta com as perfusões subsequentes), o tratamento com trastuzumab emtansina deve ser permanentemente descontinuado.

Hemorragia

Foram notificados casos de eventos hemorrágicos durante o tratamento com trastuzumab emtansina, incluindo hemorragia do sistema nervoso central, respiratória e gastrointestinal. Alguns eventos hemorrágicos foram fatais. Em alguns casos observados os doentes tinham trombocitopenia ou recebiam também terapêutica anticoagulante ou antiplaquetária, noutros casos, não existiam factores de riscos adicionais conhecidos. Empregue cautela quando utilizar estes fármacos, e considere monitorização adicional quando a sua utilização concomitante estiver medicamente indicada.

Trombocitopenia

Em doentes em ensaios clínicos com trastuzumab emtansina foi notificada frequentemente trombocitopenia ou diminuição da contagem das plaquetas e foi a reação adversa mais frequente conduzindo a descontinuação do tratamento (ver secção 4.8). Nos ensaios clínicos, a incidência e gravidade da trombocitopenia foram superiores em doentes asiáticos (ver secção 4.8).

Recomenda-se a monitorização da contagem das plaquetas antes de cada dose de trastuzumab emtansina. Os doentes com trombocitopenia (≤ 100.000/mm3) e os doentes a fazer tratamento com anticoagulantes (ex varfarina, heparina, heparinas de baixo peso molecular) devem ser cuidadosamente monitorizados durante o tratamento com trastuzumab emtansina. Trastuzumab emtansina não foi estudado em doentes com contagem das plaquetas ≤ 100.000/mm3 antes do início do tratamento. Caso se registe diminuição da contagem das plaquetas para Grau 3 ou superior

(< 50.000/mm3), não administrar trastuzumab emtansina até recuperação da contagem das plaquetas para Grau 1 (≥ 75.000/mm3) (ver secção 4.2).

Neurotoxicidade

Em ensaios clínicos com trastuzumab emtansina foi notificada a ocorrência de neuropatia periférica, maioritariamente de Grau 1 e predominantemente sensorial. Doentes com neuropatia periférica basal

de Grau ≥ 3 foram excluídos dos ensaios clínicos. O tratamento com trastuzumab emtansina deve ser temporariamente descontinuado em doentes com neuropatia periférica de Grau 3 ou 4 até resolução ou melhoria dos sintomas para ≤ Grau 2. Os doentes devem ser clinicamente monitorizados, com regularidade, quanto a sinais/sintomas de neurotoxicidade.

Conteúdo em sódio dos excipientes

Este medicamento contém menos de 1 mmol de sódio (23 mg) por dose, isto é, é essencialmente “isento de sódio”.

4.5Interações medicamentosas e outras formas de interação

Não foram realizados estudos formais de interação.

Estudos in vitro do metabolismo em microssomas hepáticos humanos sugerem que o DM1, um componente de trastuzumab emtansina, é metabolizado essencialmente pelo CYP3A4 e, em menor extensão, pelo CYP3A5. O uso concomitante de inibidores potentes do CYP3A4 (por exemplo, cetoconazol, itraconazol, claritromicina, atazanavir, indinavir, nefazodona, nelfinavir, ritonavir, saquinavir, telitromicina e voriconazol) com trastuzumab emtansina deve ser evitado devido ao potencial para um aumento na exposição ao DM1 e toxicidade. Considerar um medicamento alternativo sem potencial, ou potencial reduzido, para inibir o CYP3A4. Se for inevitável o uso concomitante com inibidores potentes do CYP3A4, considerar, quando possível, o adiamento do tratamento com trastuzumab emtansina até os inibidores potentes do CYP3A4 terem sido eliminados da circulação (aproximadamente 3 semividas de eliminação dos inibidores). Se se coadministrar um

inibidor potente do CYP3A4 e não se puder adiar o tratamento com trastuzumab emtansina, os doentes devem ser cuidadosamente monitorizados quanto ao aparecimento de reações adversas.

4.6Fertilidade, gravidez e aleitamento

Contraceção em homens e mulheres

As mulheres com potencial para engravidar devem usar contraceção eficaz enquanto recebem trastuzumab emtansina e nos 7 meses após a última dose de trastuzumab emtansina. Os doentes do sexo masculino e as suas parceiras do sexo feminino também devem usar contraceção eficaz.

Gravidez

Não existem dados sobre o uso de trastuzumab emtansina em mulheres grávidas. O trastuzumab, um componente de trastuzumab emtansina, pode causar danos ou morte fetal quando administrado a uma mulher grávida. No contexto da comercialização, foram notificados casos de oligoidrâmnios , alguns associados a hipoplasia pulmonar fatal, em mulheres grávidas a receber tratamento com trastuzumab. Estudos de maitansina, um composto muito semelhante à classe maitansinóide do DM1, em animais, sugerem que é expectável que o DM1, o componente citotóxico inibidor dos microtúbulos de trastuzumab emtansina, seja teratogénico e potencialmente embriotóxico (ver secção 5.3).

Não se recomenda a administração de trastuzumab emtansina a mulheres grávidas e as mulheres devem ser informadas sobre a possibilidade de risco para o feto caso fiquem grávidas. As mulheres que fiquem grávidas devem contactar imediatamente o seu médico. Se uma mulher grávida for tratada com trastuzumab emtansina, é recomendável uma vigilância apertada por uma equipa multidisciplinar.

Amamentação

Desconhece-se se o trastuzumab emtansina é excretado no leite humano. Uma vez que muitos medicamentos são excretados no leite humano e devido ao potencial para reações adversas graves no lactente, as mulheres devem descontinuar a amamentação antes de iniciar o tratamento com trastuzumab emtansina. As mulheres podem retomar a amamentação 7 meses após a conclusão do tratamento.

Fertilidade

Não se realizaram estudos de toxicologia reprodutiva e do desenvolvimento com trastuzumab emtansina.

4.7Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

Os efeitos de trastuzumab emtansina sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas são nulos ou desprezáveis. O significado das reações adversas notificadas, tais como fadiga, cefaleia, tonturas e visão turva, na capacidade de conduzir e utilizar máquinas é desconhecido. Os doentes que manifestem reações relacionadas com a perfusão devem ser aconselhados a não conduzir nem utilizar máquinas até desaparecimento dos sintomas.

4.8Efeitos indesejáveis

Resumo do perfil de segurança

A segurança de trastuzumab emtansina foi avaliada em 1871 doentes com cancro da mama em ensaios clínicos. Nesta população de doentes:

as reações adversas medicamentosas (RAMs) graves mais frequentes (> 0,5% de doentes) foram hemorragia, pirexia, dispneia, dor musculoesquelética, trombocitopenia, dor abdominal e vómitos.

as RAMs mais frequentes (≥25%) com trastuzumab emtansina foram náuseas, fadiga, e cefaleia. A maioria das RAMs notificadas foram de gravidade Grau 1 ou 2.

as RAMs mais frequentes (> 2%) de Grau ≥ 3 de acordo com o National Cancer Institute - Common Terminology Criteria for Adverse Events (NCI-CTCAE) foram trombocitopenia, aumento das transaminases, anemia, neutropenia, fadiga, hipocaliemia, dor músculoesquelética e hemorragia.

Lista tabelada de reações adversas

Na tabela 6 apresentam-se as RAMs em 1871 doentes tratados com trastuzumab emtansina. As RAMs encontram-se listadas abaixo por classes de sistemas de órgãos (CSO) MedDRA e por categorias de frequência. As categorias de frequência estão definidas como muito frequentes (≥ 1/10), frequentes

(≥ 1/100 a < 1/10), pouco frequentes (≥ 1/1.000 a < 1/100), raras (≥ 1/10.000 a < 1/1.000), muito raras (< 1/10.000) e desconhecida (não estimável a partir dos dados disponíveis). Dentro de cada classe de frequência e CSO, as reações adversas são apresentadas por ordem decrescente de gravidade. As RAMs foram notificadas usando os critérios NCI-CTCAE para avaliação da toxicidade.

Tabela 6 Lista tabelada de RAMs em doentes tratados com trastuzumab emtansina

Classe de Sistema de

Muito frequente

Frequente

Pouco frequente

Órgãos

 

 

 

 

 

 

 

Infeções e infestações

Infeção do trato

 

 

 

urinário

 

 

 

 

 

 

Doenças do sangue e

Trombocitopenia,

Neutropenia,

 

sistema linfático

Anemia

Leucopenia

 

 

 

 

 

Doenças do sistema

 

Hipersensibilidade ao

 

imunitário

 

fármaco

 

 

 

 

 

Doenças do metabolismo e

Hipocaliemia

 

 

da nutrição

 

 

 

 

 

 

 

Perturbações do foro

Insónia

 

 

psiquiátrico

 

 

 

 

 

 

 

Doenças do sistema nervoso

Neuropatia

Tonturas

 

 

periférica, Cefaleia

Disgeusia,

 

 

 

Perturbações da

 

 

 

memória

 

Afeções oculares

 

Olho seco,

 

 

 

Conjuntivite, Visão

 

 

 

turva, Hipersecreção

 

 

 

lacrimal

 

Cardiopatias

 

Disfunção ventricular

 

 

 

esquerda

 

 

 

 

 

Vasculopatias

Hemorragia

Hipertensão

 

 

 

 

 

Doenças respiratórias,

Epistaxis, Tosse,

 

Pneumonite

torácicas e do mediastino

Dispneia

 

 

Doenças gastrointestinais

Estomatite, Diarreia,

Dispepsia,

 

 

Vómitos, Náuseas,

Hemorragia gengival

 

 

Obstipação, Boca

 

 

 

seca, Dor abdominal

 

 

Classe de Sistema de

Muito frequente

Frequente

Pouco frequente

Órgãos

 

 

 

 

 

 

 

Afeções hepatobiliares

 

 

Hepatotoxicidade,

 

 

 

Insuficiência

 

 

 

hepática,

 

 

 

Hiperplasia

 

 

 

regenerativa

 

 

 

nodular,

 

 

 

Hipertensão portal

Afeções dos tecidos

Erupção cutânea

Prurido, Alopecia,

 

cutâneos e subcutâneos

 

Alterações ungueais,

 

 

 

Síndrome de

 

 

 

eritrodisestesia

 

 

 

palmoplantar,

 

 

 

Urticária

 

Afeções musculosqueléticas

Dor músculo

 

 

e dos tecidos conjuntivos

esquelética,

 

 

 

Artralgia, Mialgia

 

 

Perturbações gerais e

Fadiga, Pirexia,

Edema periférico

Extravasão no local

alterações no local de

Astenia, Calafrios

 

de injeção

administração

 

 

 

Exames complementares de

Transaminases

Aumento do nível

 

diagnóstico

aumentadas

sérico da fosfatase

 

 

 

alcalina

 

Complicações de

 

Reações à perfusão

 

intervenções relacionadas

 

 

 

com lesões e intoxicações

 

 

 

Descrição de reações adversas selecionadas

Transaminases aumentadas (AST/ALT)

Nos ensaios clínicos observou-se o aumento nas transaminases séricas (Grau 1-4) durante o tratamento com trastuzumab emtansina (ver secção 4.4). As elevações das transaminases foram geralmente transitórias. Observou-se um efeito cumulativo de trastuzumab emtansina nas transaminases, que recuperaram geralmente aquando da descontinuação do tratamento. Foram notificados aumentos nas transaminases em 24,2% dos doentes em ensaios clínicos. Foram notificados aumentos das AST e ALT de Grau 3 ou 4 em 4,2% e 2,7%, respetivamente, dos doentes em ensaios clínicos com trastuzumab emtansina e ocorreram geralmente nos ciclos iniciais do tratamento (1-6). Em geral, os eventos hepáticos de Grau ≥ 3 não estiveram associados a mau desenlace clínico; os valores no seguimento subsequente tenderam a revelar melhoria para níveis que permitiam ao doente continuar no ensaio e a receber o medicamento experimental na mesma dose ou numa dose menor. Não se observou nenhuma relação entre a exposição (AUC) ao trastuzumab emtansina, concentração sérica máxima (Cmax) de trastuzumab emtansina, exposição (AUC) total ao trastuzumab ou Cmax do DM1 e aumentos nas transaminases. Para modificações de dose em caso de aumento das transaminases, ver secções 4.2 e 4.4.

Disfunção ventricular esquerda

Foi notificada disfunção ventricular esquerda em 2,2% dos doentes em ensaios clínicos com trastuzumab emtansina. A maioria dos eventos foram declínios na FEVE de Grau 1 ou 2, assintomáticos. Foram notificados eventos de Grau 3 ou 4 em 0,4% dos doentes. Recomenda-se a monitorização adicional da FEVE para doentes com FEVE ≤ 45% (ver Tabela 5 na secção 4.2 para modificações específicas de dose).

Reações à perfusão

As reações à perfusão caracterizam-se por um ou mais dos seguintes sintomas: rubor, calafrios, pirexia, dispneia, hipotensão, sibilos, broncospasmo e taquicardia. Foram notificadas reações à perfusão em 4,0% dos doentes em ensaios clínicos com trastuzumab emtansina, com relato de seis

eventos de Grau 3 e nenhum de Grau 4. As reações à perfusão resolveram-se ao longo de um período de algumas horas até um dia após a conclusão da perfusão. Nos ensaios clínicos não se observou nenhuma relação com a dose. Para modificações de dose no caso de reações à perfusão, ver secções 4.2 e 4.4.

Reações de hipersensibilidade

Foi notificada hipersensibilidade em 2,6% dos doentes em ensaios clínicos com trastuzumab emtansina, com um relato de evento de Grau 3 e um relato de evento de Grau 4. Globalmente, a maioria das reações de hipersensibilidade foi de gravidade ligeira a moderada e resolveram-se após o tratamento. Para modificações de dose em caso de reações de hipersensibilidade, ver secções 4.2 e 4.4.

Hemorragia

A incidência de eventos hemorrágicos graves (Grau ≥ 3) foi de 2,2% do total de doentes tratados com trastuzumab emtansina em contexto de ensaios clínicos. Em alguns dos casos observados, os doentes tinham trombocitopenia ou recebiam concomitantemente terapêutica anticoagulante ou antiplaquetária, noutros casos nãoexistiam factores de riscos adicionais conhecidos. Foram observados casos de eventos hemorrágicos com desfecho fatal.

Trombocitopenia

Trombocitopenia ou diminuição da contagem das plaquetas foi notificada em 24,9% dos doentes em ensaios clínicos com trastuzumab emtansina e foi a reacção adversa mais frequente que levou à descontinuação do tratamento (2,6%). A maioria dos doentes teve acontecimentos de Grau 1

ou 2 (≥ 50.000/mm3), com o mínimo a ocorrer por volta do dia 8 e geralmente melhorando para Grau 0 ou 1 (≥ 75.000/mm3) até à dose seguinte prevista. Nos ensaios clínicos, a incidência e gravidade da trombocitopenia foi superior em doentes asiáticos. Independentemente da raça, a incidência de eventos de Grau 3 ou 4 (< 50.000/mm3) foi de 8,7% em doentes tratados com trastuzumab emtansina.. Para modificações de dose em caso de trombocitopenia, ver secções 4.2 e 4.4.

Imunogenicidade

Tal como acontece com todas as proteínas terapêuticas, existe o potencial para uma resposta imunitária a trastuzumab emtansina. Um total de 836, doentes provenientes de seis ensaios clínicos, foram testados em diversas ocasiões para determinação da resposta dos anticorpos anti-terapêutica (ATA) ao trastuzumab emtansina. Após a administração, 5,3% (44/836) dos doentes tinha resultado positivo para anticorpos anti-trastuzumab emtansina numa ou mais ocasiões após a administração. O significado clínico dos anticorpos anti-trastuzumab emtansina ainda não é conhecido.

Extravasação

Observaram-se reações secundárias à extravasação em ensaios clínicos com trastuzumab emtansina. Estas reações foram geralmente ligeiras ou moderadas e incluíram eritema, sensibilidade, irritação cutânea, dor ou edema no local da perfusão. Estas reações foram observadas mais frequentemente nas 24 horas seguintes à perfusão. Atualmente não se conhece tratamento específico para a extravasação de trastuzumab emtansina.

Alterações laboratoriais

A Tabela 7 apresenta as alterações laboratoriais observadas em doentes tratados com trastuzumab emtansina no ensaio clínico TDM4370g/BO21977.

Tabela 7 Alterações laboratoriais observadas em doentes tratados com trastuzumab emtansina no estudo TDM4370g/BO21977

 

Trastuzumab emtansina

 

Todos os

 

 

Parâmetro

Graus (%)

Grau 3 (%)

Grau 4 (%)

Hepáticos

 

 

 

Bilirrubina aumentada

< 1

AST aumentada

< 1

ALT aumentada

< 1

Hematológico

 

 

 

Plaquetas diminuídas

Hemoglobina diminuída

Neutrófilos diminuídos

< 1

Potássio

 

 

 

Potássio diminuído

<1

Notificação de suspeitas de reações adversas

A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através do sistema nacional de notificação mencionado no Apêndice V.

4.9Sobredosagem

Não existe antídoto conhecido para a sobredosagem por trastuzumab emtansina. Em caso de sobredosagem, o doente deve ser cuidadosamente monitorizado quanto ao aparecimento de sinais e sintomas de reações adversas e deve-se instituir o tratamento sintomático adequado. Foram notificados casos de sobredosagem com o tratamento com trastuzumab emtansina, na sua maioria associados a trombocitopenia, e uma morte. No caso fatal, o doente recebeu indevidamente 6 mg/kg de trastuzumab emtansina e morreu aproximadamente 3 semanas após a sobredosagem; não se estabeleceu uma relação causal com o trastuzumab emtansina.

5.PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS

5.1Propriedades farmacodinâmicas

Grupo farmacoterapêutico: Agente antineoplásico, outros agentes antineoplásicos; anticorpos monoclonais, código ATC: L01XC14

Mecanismo de ação

Kadcyla, trastuzumab emtansina, é um conjugado anticorpo-fármaco dirigido ao HER2 que contém a IgG1 anti-HER2 humanizada, trastuzumab, ligada covalentemente ao inibidor dos microtúbulos DM1 (um derivado da maitansina) através de ligando tioéter estável de

MCC (4-[N-maleimidometil] ciclohexano-1-carboxilato). Emtansina refere-se ao complexo MCC-DM1. Cada molécula de trastuzumab está conjugada com 3,5 moléculas (em média) de DM1.

A conjugação do DM1 ao trastuzumab confere seletividade ao agente citotóxico para células tumorais com sobre expressão de HER2, aumentando desta forma a disponibilidade intracelular de DM1 diretamente para as células neoplásicas. Após ligação ao HER2, o trastuzumab emtansina sofre internalização mediada pelo recetor e subsequente degradação lisossomal, resultando na libertação de catabolitos citotóxicos contendo DM1 (essencialmente lisina-MCC-DM1).

Trastuzumab emtansina tem os mecanismos de ação do trastuzumab e do DM1:

Trastuzumab emtansina, tal como trastuzumab, liga-se ao domínio IV do domínio extracelular

(DEC) do HER2, bem como aos recetores Fcγ e ao complemento C1q. Além disso, o trastuzumab emtansina, como o trastuzumab, inibe a perda do DEC do HER2, inibe a sinalização através da via fosfatidilinositol 3-cinase (PI3-K), e medeia a citoxicidade mediada pela célula dependente do anticorpo (CCDA) em células humanas de cancro da mama que sobre expressam HER2.

DM1, o componente citotóxico de trastuzumab emtansina, liga-se à tubulina. Ao inibir a polimerização da tubulina, quer o DM1 quer o trastuzumab emtansina provocam a paragem das células na fase G2/M do ciclo celular, o que leva à morte celular por apoptose. Os resultados dos doseamentos in vitro da citotoxicidade mostram que DM1 é 20-200 vezes mais potente do que os taxanos e os alcaloides da vinca.

O ligando MCC destina-se a limitar a libertação sistémica e aumentar a libertação de DM1 no alvo, tal como demonstrado pela deteção de níveis muito baixos de DM1 livre no plasma.

Eficácia clínica

TDM4370g/BO21977

Realizou-se um ensaio clínico de Fase III, aleatorizado, multicêntrico, internacional, aberto, em doentes com cancro da mama localmente avançado irressecável (CMla) ou cancro da mama metastizado (CMm), HER2 positivo, que tinham recebido previamente tratamento com taxano e trastuzumab, incluindo doentes que receberam terapêutica prévia com trastuzumab e um taxano no contexto adjuvante e que recidivaram durante ou no período de seis meses após a conclusão do tratamento adjuvante. Apenas foram elegíveis os doentes com capacidade de desempenho do Eastern Cooperative Oncology Group (ECOG) 0 ou 1. Antes do recrutamento, foram necessárias amostras de tumor da mama para confirmação centralizada da sobre-expressão do HER2, definida pela classificação 3 + por IHQ ou amplificação do gene por hibridação in situ (HIS). As características do doente e do tumor no início do estudo tiveram uma distribuição equilibrada nos dois grupos de tratamento. Os doentes com metástases cerebrais tratadas eram elegíveis para recrutamento se não precisassem de terapêutica para controlo de sintomas. Em relação aos doentes aleatorizados para trastuzumab emtansina, a idade média foi de 53 anos, a maioria dos doentes era do sexo feminino (99,8%), a maioria era caucasiana (72%) e 57% tinham expressão dos recetores de estrogénio e/ou progesterona. O estudo comparou a segurança e eficácia de trastuzumab emtansina com as de lapatinib mais capecitabina. Um total de 991 doentes foi aleatorizado para trastuzumab emtansina ou para lapatinib mais capecitabina, do seguinte modo:

Braço de trastuzumab emtansina: 3,6 mg/kg de trastuzumab emtansina por via intravenosa durante 30-90 minutos no Dia 1 de um ciclo de 21 dias

Braço de controlo (lapatinib mais capecitabina): 1250 mg/dia de lapatinib, oralmente, uma vez por dia num ciclo de 21 dias mais 1000 mg/m2 de capecitabina, oralmente, duas vezes por dia nos dias 1-14 de um ciclo de 21 dias

Os objetivos coprimários de eficácia do ensaio foram a sobrevivência livre de progressão (PFS) avaliada por uma comissão de revisão independente (IRC) e a sobrevivência global (OS) (ver Tabela 8 e Figuras 1 a 2).

No decurso do ensaio clínico foi também avaliado o tempo decorrido até à progressão dos sintomas, definido como uma diminuição de 5 pontos na pontuação obtida na subescala Trials Outcome Index-Breast (TOI-B) do questionário Functional Assessment of Cancer Therapy-Breast Quality of Life (FACT-B QoL). Uma alteração de 5 pontos na TOI-B é considerada clinicamente significativa. Kadcyla retardou o tempo notificado pelo doente até à progressão dos sintomas para 7,1 meses comparativamente a 4,6 meses no braço de controlo (Hazard ratio (taxa de risco): 0,796 (0,667, 0,951); valor de p: 0,0121). Estes dados são de um ensaio clínico aberto e não permitem tirar conclusões firmes.

Tabela 8

Resumo da eficácia relativa ao estudo TDM4370g/BO21977 (EMILIA)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Trastuzumab

 

 

 

Lapatinib + Capecitabina

 

Emtansina

 

 

 

N = 496

 

N = 495

Objetivos primários

 

 

 

 

 

 

 

 

Sobrevivência livre de progressão (PFS)

 

 

 

avaliada por IRC

 

 

 

Número (%) de doentes com evento

304 (61,3%)

 

265 (53,5%)

 

 

 

 

 

Mediana da duração da PFS (meses)

6,4

 

9,6

 

 

 

 

 

Hazard ratio (estratificado*)

0,650

 

 

 

 

 

 

IC 95% do Hazard ratio

(0,549; 0,771)

 

 

 

 

 

Valor de p (teste log-rank, estratificado*)

< 0,0001

 

 

 

 

 

 

Sobrevivência global (OS)**

 

 

 

 

 

 

 

 

Número (%) de doentes que morreram

182 (36,7%)

 

149 (30,1%)

 

 

 

 

 

Mediana da duração da sobrevivência

 

 

 

(meses)

 

 

25,1

 

30,9

 

 

 

 

 

Hazard ratio (estratificado*)

0,682

 

 

 

 

 

 

IC 95% do Hazard ratio

(0,548; 0,849)

 

 

 

 

 

Valor de p (teste log-rank, estratificado*)

0,0006

 

 

 

 

 

 

Principais objetivos secundários

 

 

 

 

 

 

 

 

PFS avaliada pelo investigador

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Número (%) de doentes com evento

 

335 (67,5%)

 

287 (58,0%)

 

 

 

 

 

Mediana da duração da PFS (meses)

 

5,8

 

9,4

 

 

 

 

Hazard ratio (IC 95%)

 

0,658 (0,560; 0,774)

 

 

 

 

Valor de p (teste log-rank*)

 

<0,0001

 

 

 

 

 

 

Taxa de resposta objetiva (ORR)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Doentes com doença mensurável

 

 

 

 

 

 

 

Número de doentes com OR (%)

 

120 (30,8%)

 

173 (43,6%)

 

 

 

 

 

Diferença (IC 95%)

 

12,7% (6,0; 19,4)

 

 

 

 

 

Valor de p (teste do Qui-quadrado de

 

0,0002

 

Mantel-Haenszel*)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Duração da resposta objetiva (meses)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Número de doentes com OR

 

 

 

 

 

 

 

Mediana, IC 95%

 

6,5 (5,5; 7,2)

 

12,6 (8,4; 20,8)

 

 

 

 

 

 

OS: sobrevivência global; PFS: sobrevivência livre de progressão; ORR: taxa de resposta objetiva; OR: resposta objetiva; IRC: comissão de revisão independente; HR: hazard ratio; IC: intervalo de confiança * Estratificado por: região do mundo (Estados Unidos da América, Europa Ocidental, outras), número de

regimes prévios de quimioterapia para doença localmente avançada ou metastática (0-1 vs. > 1), e doença visceral vs. não visceral.

** A análise interina da OS foi conduzida quando se observaram 331 eventos. Uma vez que o limiar de eficácia foi ultrapassado nesta análise, considera-se esta a análise definitiva.

Observou-se benefício do tratamento no subgrupo de doentes que tinha recidivado no período de 6 meses seguintes à conclusão do tratamento adjuvante e que não tinha recebido nenhum tratamento antineoplásico sistémico anterior, para doença metastizada (n=118); o hazard ratio para a PFS e a OS

foram 0,51 (IC 95%: 0,30; 0.85) e 0,61 (IC 95%: 0,32; 1,16), respetivamente. A mediana da PFS e da OS para o grupo tratado com trastuzumab emtansina foram 10,8 meses e não alcançada, respetivamente, comparativamente com 5,7 meses e 27,9 meses, respetivamente, para o grupo tratado com lapatinib mais capecitabina.

Figura 1 Curva de Kaplan-Meier da sobrevivência livre de progressão, avaliada pela IRC

Figura 2 Curva de Kaplan-Meier da sobrevivência global

No estudo TDM4370g/BO21977, observou-se benefício consistente do tratamento com trastuzumab emtansina na maioria dos subgrupos previamente especificados avaliados, o que suporta a robustez do resultado global. No subgrupo de doentes com doença sem expressão de recetores hormonais (n=426), o hazard ratio para a PFS e OS foi 0,56 (IC 95%: 0,44; 0,72) e 0,75 (IC 95%: 0,54; 1,03), respetivamente. No subgrupo de doentes com doença com expressão de recetores hormonais (n=545), o hazard ratio para a PFS e OS foi 0,72 (IC 95%: 0,58; 0,91) e 0,62 (IC 95%: 0,46; 0,85), respetivamente.

No subgrupo de doentes com doença não mensurável (n=205), com base nas avaliações pela IRC, o hazard ratio para a PFS e OS foi 0,91 (IC 95%: 0,59; 1,42) e 0,96 (IC 95%: 0,54, 1,68), respetivamente. Nos doentes com idade ≥ 65 anos (n= 138 em ambos os braços de tratamento), os hazard ratios para a PFS e OS foram 1,06 (IC 95%: 0,68, 1,66) e 1,05 (IC 95%: 0,58, 1,91), respetivamente. Nos doentes com idade entre 65 e 74 anos (n=113), com base nas avaliações pela IRC, o hazard ratio para a PFS e OS foi 0,88 (IC 95%: 0,53, 1,45) e 0,74 (IC 95%: 0,37, 1,47), respetivamente. Para doentes com idade igual ou superior a 75 anos, com base nas avaliações pela IRC, o hazard ratio para a PFS e OS foi 3,51 (IC 95%: 1,22, 10,13) e 3,45 (IC 95%: 0,94, 12,65), respetivamente. O subgrupo de doentes com idade igual ou superior a 75 anos não revelou benefício na PFS ou na OS, mas era demasiado pequeno (n=25) para permitir retirar conclusões definitivas.

Na análise descritiva do seguimento da sobrevivência global, o hazard ratio foi de 0,75 (IC 95%: 0,64, 0,88). A duração mediana da sobrevivência global foi de 29,9 meses no braço de trastuzumab emtansina, comparada com 25,9 meses no braço de lapatinib mais capecitabina. No momento da análise descritiva de seguimento da sobrevivência global, um total de 27,4% dos doentes tinha feito cross-over do braço de lapatinib mais capecitabina para o braço de trastuzumab emtansina. Numa análise de sensibilidade censurando doentes no momento do cross-over, o hazard ratio foi de 0,69 (IC 95% 0,59, 0,82). O resultado desta análise descritiva de seguimento é consistente com a análise confirmatória de OS.

TDM4450g

Um estudo de fase II, aleatorizado, multicêntrico, aberto, avaliou os efeitos de trastuzumab emtansina versus trastuzumab mais docetaxel em doentes com CMm HER2-positivo que não tinham recebido anteriormente quimioterapia para a doença metastizada. Os doentes foram aleatorizados para receber 3,6 mg/kg de trastuzumab emtansina, por via intravenosa, de 3 em 3 semanas (n = 67) ou uma dose de carga de 8 mg/kg de trastuzumab, por via intravenosa, seguida de 6 mg/kg por via intravenosa, de 3 em 3 semanas mais 75-100 mg/m2 de docetaxel por via intravenosa, de 3 em 3 semanas (n = 70).

O objetivo primário foi a sobrevivência livre de progressão (PFS) avaliada pelo investigador. A mediana da PFS foi de 9,2 meses no braço com trastuzumab mais docetaxel e de 14,2 meses no braço a fazer trastuzumab emtansina (hazard ratio, 0,59; p = 0,035), com uma mediana de seguimento de aproximadamente 14 meses em ambos os braços. A taxa de resposta objetiva (ORR) foi de 58,0% com trastuzumab mais docetaxel e 64.2% com trastuzumab emtansina. A mediana da duração da resposta não foi alcançada com trastuzumab emtansina vs. 9,5 meses no braço de controlo.

TDM4374g

Um estudo de fase II, de braço único, aberto, avaliou os efeitos de trastuzumab emtansina em doentes com cancro da mama HER2-positivo, incurável, localmente avançado ou metastizado. Todos os doentes tinham anteriormente sido tratados com terapêutica dirigida ao HER2 (trastuzumab e lapatinib) e quimioterapia (antraciclina, taxano e capecitabina) nos contextos neoadjuvante, adjuvante, localmente avançado ou metastizado. A mediana do número de agentes antineoplásicos recebidos pelos doentes, em qualquer um dos contextos, era de 8,5 (entre 5 e 19) e no contexto metastizado era de 7,0 (entre 3 e 17), incluindo todos os fármacos destinados ao tratamento do cancro da mama.

Os doentes (n = 110) receberam 3,6 mg/kg de trastuzumab emtansina, por via intravenosa, de 3 em 3 semanas, até progressão da doença ou toxicidade inaceitável.

A principal análise de eficácia foi a ORR com base em avaliação radiológica independente e duração da resposta objetiva. A ORR foi de 32,7% (IC 95%: 24,1; 42,1), com 36 respondedores, por avaliação do IRC e do investigador. A mediana da duração da resposta avaliada por IRC não foi alcançada (IC 95%, 4,6 meses até não estimável).

População pediátrica

A Agência Europeia de Medicamentos dispensou a obrigação de apresentação dos resultados dos estudos com Kadcyla em todos os subgrupos da população pediátrica no cancro da mama (ver secção 4.2 para informação sobre utilização pediátrica).

5.2Propriedades farmacocinéticas

Absorção

Trastuzumab emtansina é administrado por via intravenosa. Não foram realizados estudos com outras vias de administração.

Distribuição

Os doentes no estudo TDM4370g/BO21977 que receberam 3,6 mg/kg de trastuzumab emtansina por via intravenosa, de 3 em 3 semanas, apresentaram uma média de concentração sérica (Cmax) máxima de trastuzumab emtansina de 83,4 (± 16,5) mcg/ml. Com base na análise de farmacocinética populacional, após administração intravenosa, o volume de distribuição central de trastuzumab emtansina foi de 3,13 l e próximo do volume plasmático.

Biotransformação (trastuzumab emtansina e DM1)

Prevê-se que trastuzumab emtansina sofra desconjugação e catabolismo por meio de proteólise nos lisossomas celulares.

Os estudos de metabolismo in vitro em microssomas hepáticos humanos sugerem que o DM1, uma pequena molécula componente de trastuzumab emtansina, é metabolizado essencialmente pelo CYP3A4 e, em menor extensão, pelo CYP3A5. O DM1, in vitro, não inibiu as principais enzimas CYP450. No plasma humano, os catabolitos de trastuzumab emtansina, MCC-DM1, Lys-MCC-DM1 e DM1 foram detetados em níveis baixos. In vitro, o DM1 foi um substrato da glicoproteína P(gp-P).

Eliminação

Com base na análise de farmacocinética populacional, após administração intravenosa de trastuzumab emtansina em doentes com cancro da mama metastizado, HER2 positivo, a depuração de trastuzumab emtansina foi de 0,68 l/dia e a semivida de eliminação (t1/2) foi de aproximadamente 4 dias. Não se observou acumulação de trastuzumab emtansina após administração intravenosa repetida, de 3 em 3 semanas.

Com base na análise farmacocinética populacional foram identificadas como covariáveis estatisticamente significativas para os parâmetros farmacocinéticos de trastuzumab emtansina o peso corporal, a albumina, a soma do maior diâmetro das lesões alvo pelos critérios Response Evaluation Criteria In Solid Tumors (RECIST), a perda do domínio extracelular do HER2 (DEC), as concentrações iniciais de trastuzumab e aspartato aminotransferase (AST). No entanto, a magnitude do efeito destas covariáveis na exposição ao trastuzumab emtansina sugere que é improvável que estas covariáveis tenham qualquer efeito clinicamente significativo na exposição ao trastuzumab emtansina. Adicionalmente, uma análise exploratória demonstrou que o impacto das covariáveis (i.e. função renal, raça e idade) na farmacocinética total do trastuzumab e DM1foi limitada e sem relevância clínica. Em estudos não clínicos, os catabolitos de trastuzumab emtansina, incluindo DM1, Lys-MCC- DM1 e MCC-DM1 são excretados essencialmente na bílis, com eliminação mínima na urina.

Linearidade/não linearidade

Quando administrado por via intravenosa, de 3 em 3 semanas, trastuzumab emtansina exibiu uma farmacocinética linear para doses entre 2,4 e 4,8 mg/kg; os doentes que receberam doses iguais ou inferiores a 1,2 mg/kg apresentaram uma depuração mais rápida.

Doentes idosos

A análise farmacocinética populacional mostrou que a idade não afetava a farmacocinética de trastuzumab emtansina. Não se observaram diferenças significativas na farmacocinética de trastuzumab emtansina nos doentes com idade < 65 anos (n = 577), doentes com idade entre 65 e 75 anos (n = 78) e doentes com idade > 75 anos (n = 16).

Compromisso renal

Não foram realizados estudos formais de farmacocinética em doentes com compromisso renal. A análise farmacocinética populacional mostrou que a depuração da creatinina não afeta a farmacocinética de trastuzumab emtansina. A farmacocinética de trastuzumab emtansina em doentes com compromissoligeiro (depuração da creatinina (CLcr) 60 a 89 ml/min, n = 254) ou moderado (CLcr 30 a 59 ml/min, n = 53) foi similar à dos doentes com função renal normal

(CLcr ≥ 90 ml/min, n = 361). Os dados farmacocinéticos em doentes com compromisso renal grave (CLcr 15 a 29 ml/min) são limitados (n = 1), pelo que não se podem fazer recomendações posológicas.

Compromisso hepático

O fígado é um órgão primário na eliminação de DM1 e de catabolitos contendo DM1. A farmacocinética de trastuzumab emtansina e de catabolitos contendo DM1 foi avaliada após a administração de 3,6 mg/ Kg de trastuzumab emtansina em doentes com cancro da mama metastizado HER2+ com função hepática normal (n=10) e compromisso hepático ligeiro (Child-Pugh A; n=10) e moderado (Child-Pugh B; n=8).

-As concentrações plasmáticas de DM1 e de catabolitos contendo DM1 (Lys-MCC-DM1 e MCC- DM1) foram baixas e comparáveis entre doentes com e sem compromisso hepático.

-As exposições sistémicas (AUC) de trastuzumab emtansina no Ciclo1 em doentes com compromisso hepático ligeiro e moderado foram de, aproximadamente, 38% e 67% mais baixas que em doentes com

função hepática normal, respetivamente. A exposição (AUC) de trastuzumab emtansina no Ciclo 3 após dose repetida em doentes com disfunção hepática ligeira ou moderada estava dentro dos valores observados em doentes com função hepática normal.

Trastuzumab emtansina não foi estudado em doentes com compromisso hepático grave (Child-Pugh classe C).

Outras populações especiais

A análise farmacocinética populacional mostrou que a raça não pareceu influenciar a farmacocinética de trastuzumab emtansina. Uma vez que a maioria dos doentes tratados com trastuzumab emtansina nos ensaios clínicos era do sexo feminino, o efeito do género na farmacocinética de trastuzumab emtansina não foi formalmente avaliado.

5.3Dados de segurança pré-clínica

Toxicologia animal e/ou farmacologia

A administração de trastuzumab emtansina foi bem tolerada por ratos e macacos em doses até 20

e 10 mg/kg, respetivamente, correspondendo a 2040 mcg de DM1/m2 em ambas as espécies, o que é aproximadamente equivalente à dose clínica de trastuzumab emtansine em doentes. Em estudos de toxicidade GLP, foram identificadas toxicidades dose dependentes parcial ou completamente reversíveis em ambos os modelos animais, com exceção de toxicidade axónica periférica irreversível

(observada com ≥ 10 mg/kg em macacos) e toxicidade de órgão reprodutiva (observada apenas com 60 mg/kg em ratos). As toxicidades principais incluíram fígado (enzimas hepaticas aumentadas) com ≥ 20 mg/kg e ≥ 10 mg/kg, medula óssea (redução da contagem de plaquetas e neutrófilos)/hematológica, com ≥ 20 mg/kg e ≥ 10 mg/kg, e orgãos linfoides com ≥ 20 mg/kg e ≥ 3 mg/kg, em rato e macaco, respetivamente.

Mutagenicidade

DM1 foi aneugénico ou clastogénico num estudo in vivo de dose única em micronúcleo da medula óssea de rato, para exposições que foram comparáveis à mediana das concentrações máximas de DM1, determinadas em humanos a quem foi administrado trastuzumab emtansina. DM1 não foi mutagénico num estudo in vitro de mutação inversa bacteriana (teste de Ames).

Compromisso da fertilidade e teratogenicidade

Não foram realizados estudos específicos de fertilidade com trastuzumab emtansina. No entanto, com base nos resultados dos estudos gerais de toxicidade em animais, são expectáveis efeitos adversos na fertilidade.

Não se realizaram estudos com trastuzumab emtansina específicos de desenvolvimento embrio-fetal em animais. A toxicidade de trastuzumab no desenvolvimento foi identificada em contexto clínico, embora não tivesse sido prevista no programa não clínico. Além disso, a toxicidade da maitansina no desenvolvimento foi identificada em estudos não clínicos, o que sugere que o DM1, o componente maitansinóide citotóxico de trastuzumab emtansina, inibidor dos microtúbulos, será igualmente teratogénico e potencialmente embriotóxico.

6.INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS

6.1Lista dos excipientes

Ácido succínico Hidróxido de sódio Sacarose Polissorbato 20

6.2Incompatibilidades

Este medicamento não deve ser misturado nem diluído com outros medicamentos, exceto os mencionados na secção 6.6.

Não reconstituir ou diluir com soluções de glucose (5%), uma vez que causa agregação da proteína.

6.3Prazo de validade

3 anos

Prazo de validade da solução reconstituída

A estabilidade física e química em uso da solução reconstituída foi demonstrada até 24 horas a 2°C- 8°C. Do ponto de vista microbiológico, o medicamento deverá ser utilizado imediatamente. Se não for utilizado imediatamente, os frascos para injetáveis reconstituídos podem ser conservados durante 24 horas, a 2°C-8°C, desde que a reconstituição tenha ocorrido sob condições assépticas, controladas e validadas, e têm que ser rejeitados depois disso.

Prazo de validade da solução diluída

A solução reconstituída de Kadcyla, diluída em sacos de perfusão, contendo solução para perfusão de cloreto de sódio a 9 mg/ml (0,9%), ou solução para perfusão de cloreto de sódio a 4,5 mg/ml (0,45%), é estável até 24 horas a 2°C-8°C, desde que tenha sido preparada sob condições assépticas, controladas e validadas. Caso a diluição ocorra em cloreto de sódio a 0,9% podem observar-se partículas durante a conservação (ver secção 6.6).

6.4Precauções especiais de conservação

Conservar no frigorífico (2°C - 8°C).

Condições de conservação do medicamento após reconstituição e diluição, ver secção 6.3.

6.5Natureza e conteúdo do recipiente

Kadcyla é disponibilizado em frasco para injetáveis de 15 ml (100 mg) ou de 20 ml (160 mg), de vidro tipo 1, fechado com tampa de borracha butílica cinzenta, revestida com laminado de fluororesina e selada com selo de alumínio, com uma tampa protetora de plástico branca ou roxa.

Embalagem de 1 frasco para injetáveis.

6.6Precauções especiais de eliminação e manuseamento

Deve utilizar-se uma técnica asséptica adequada. Devem utilizar-se procedimentos adequados para a preparação de medicamentos para quimioterapia.

A solução reconstituída de Kadcyla deve ser diluída em sacos para perfusão de cloreto de polivinilo (PVC) ou de poliolefina isenta de látex e isenta de PVC.

Quando o concentrado para perfusão é diluído em solução para perfusão de cloreto de sódio a 9 mg/ml (0,9%) é necessário usar um filtro em linha de polietersulfona (PES) de 0,20 ou 0,22 micron para a perfusão.

Para prevenir erros de medicação é importante verificar os rótulos do frasco para injetáveis de forma a garantir que o medicamento a ser preparado e administrado é Kadcyla (trastuzumab emtansina) e não Herceptin (trastuzumab).

Instruções para a reconstituição

Frasco para injetáveis de 100 mg de trastuzumab emtansina: Utilizando uma seringa estéril, injetar lentamente 5 ml de água para injetáveis estéril no frasco para injetáveis.

Frasco para injetáveis de 160 mg de trastuzumab emtansina: Utilizando uma seringa estéril, injetar lentamente 8 ml de água para injetáveis estéril no frasco para injetáveis.

Rodar suavemente o frasco para injetáveis até dissolução completa. Não agitar.

Antes da adminsitração a solução reconstituída deve ser inspecionada visualmente quanto à presença de partículas ou alterações de coloração. A solução reconstituída deve estar isenta de partículas visíveis, ser transparente a ligeiramente opalescente. Relativamente à cor, a solução reconstituída deve ser incolor a castanho claro. Não usar se a solução reconstituída tiver partículas visíveis, se estiver turva ou com alterações de coloração.

Instruções para a diluição

Determinar o volume da solução reconstituída com base numa dose de 3,6 mg de trastuzumab emtansina/kg de peso corporal (ver secção 4.2):

Volume (ml) = Dose total a administrar (peso corporal (kg) x dose (mg/kg))

20 (mg/ml, concentração da solução reconstituída)

Deve retirar-se a quantidade necessária de solução do frasco para injetáveis e adicioná-la a um saco de perfusão contendo 250 ml de solução para perfusão de cloreto de sódio a 4,5 mg/ml (0,45%) ou solução para perfusão de cloreto de sódio a 9 mg/ml (0,9%). Não deve utilizar-se soluções com glucose (5%) (ver secção 6.2). Pode usar-se solução para perfusão de cloreto de sódio a 4,5 mg/ml (0,45%) sem o filtro em linha de polietersulfona (PES) de 0,20 ou 0,22 micron. Se for usada para a perfusão uma solução para perfusão de cloreto de sódio a 9 mg/ml (0,9%) é necessário usar um filtro

em linha de polietersulfona (PES) de 0,20 ou 0,22 micron. A perfusão deve ser administrada imediatamente após a sua preparação. Não congelar ou agitar a perfusão durante a conservação.

Eliminação

O medicamento reconstituído não contém conservantes e destina-se a utilização única. Eliminar qualquer porção não utilizada.

Qualquer medicamento não utilizado ou resíduos devem ser eliminados de acordo com as exigências locais.

7.TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Roche Registration Limited

6 Falcon Way

Shire Park

Welwyn Garden City

AL7 1TW

Reino Unido

8.NÚMERO(S) DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

EU/1/13/885/001

EU/1/13/885/002

9. DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO/RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Data da primeira autorização: 15 de novembro de 2013

10.DATA DA REVISÃO DO TEXTO

Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet da Agência Europeia de Medicamentos: http://www.ema.europa.eu.

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