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Lyrica (pregabalin) – Resumo das características do medicamento - N03AX16

Updated on site: 08-Oct-2017

Nome do medicamentoLyrica
Código ATCN03AX16
Substânciapregabalin
FabricantePfizer Limited

1.NOME DO MEDICAMENTO

Lyrica 25 mg cápsulas

Lyrica 50 mg cápsulas

Lyrica 75 mg cápsulas

Lyrica 100 mg cápsulas

Lyrica 150 mg cápsulas

Lyrica 200 mg cápsulas

Lyrica 225 mg cápsulas

Lyrica 300 mg cápsulas

2.COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA

Lyrica 25 mg cápsulas

Cada cápsula contém 25 mg de pregabalina.

Lyrica 50 mg cápsulas

Cada cápsula contém 50 mg de pregabalina.

Lyrica 75 mg cápsulas

Cada cápsula contém 75 mg de pregabalina.

Lyrica 100 mg cápsulas

Cada cápsula contém 100 mg de pregabalina.

Lyrica 150 mg cápsulas

Cada cápsula contém 150 mg de pregabalina.

Lyrica 200 mg cápsulas

Cada cápsula contém 200 mg de pregabalina.

Lyrica 225 mg cápsulas

Cada cápsula contém 225 mg de pregabalina.

Lyrica 300 mg cápsulas

Cada cápsula contém 300 mg de pregabalina.

Excipientes com efeito conhecido

Lyrica 25 mg cápsulas

Cada cápsula também contém 35 mg de lactose mono-hidratada.

Lyrica 50 mg cápsulas

Cada cápsula também contém 70 mg de lactose mono-hidratada.

Lyrica 75 mg cápsulas

Cada cápsula também contém 8,25 mg de lactose mono-hidratada.

Lyrica 100 mg cápsulas

Cada cápsula também contém 11 mg de lactose mono-hidratada.

Lyrica 150 mg cápsulas

Cada cápsula também contém 16,50 mg de lactose mono-hidratada.

Lyrica 200 mg cápsulas

Cada cápsula também contém 22 mg de lactose mono-hidratada.

Lyrica 225 mg cápsulas

Cada cápsula também contém 24,75 mg de lactose mono-hidratada.

Lyrica 300 mg cápsulas

Cada cápsula também contém 33 mg de lactose mono-hidratada.

Lista completa de excipientes, ver secção 6.1.

3.FORMA FARMACÊUTICA

Cápsula

Lyrica 25 mg cápsulas

Cápsula branca, com as marcações a tinta preta de “Pfizer” na cabeça e “PGN 25” no corpo.

Lyrica 50 mg cápsulas

Cápsula branca, com as marcações a tinta preta de “Pfizer” na cabeça e “PGN 50” no corpo. O corpo também está marcado com uma faixa preta.

Lyrica 75 mg cápsulas

Cápsula branca e cor de laranja, com as marcações a tinta preta de “Pfizer” na cabeça e “PGN 75” no corpo.

Lyrica 100 mg cápsulas

Cápsula cor de laranja, com as marcações a tinta preta de “Pfizer” na cabeça e “PGN 100” no corpo.

Lyrica 150 mg cápsulas

Cápsula branca, com as marcações a tinta preta de “Pfizer” na cabeça e “PGN 150” no corpo.

Lyrica 200 mg cápsulas

Cápsula cor de laranja claro, com as marcações a tinta preta de “Pfizer” na cabeça e “PGN 200” no corpo.

Lyrica 225 mg cápsulas

Cápsula branca e cor de laranja claro, com as marcações a tinta preta de “Pfizer” na cabeça e “PGN 225” no corpo.

Lyrica 300 mg cápsulas

Cápsula branca e cor de laranja, com as marcações a tinta preta de “Pfizer” na cabeça e “PGN 300” no corpo.

4.INFORMAÇÕES CLÍNICAS

4.1Indicações terapêuticas

Dor neuropática

Lyrica está indicado no tratamento da dor neuropática periférica e central, em adultos.

Epilepsia

Lyrica está indicado como terapêutica adjuvante em adultos com crises parciais de epilepsia, com ou sem generalização secundária.

Perturbação de ansiedade generalizada

Lyrica está indicado no tratamento da Perturbação de Ansiedade Generalizada (PAG), em adultos.

4.2Posologia e modo de administração

Posologia

O intervalo posológico é de 150 a 600 mg diários, administrados em duas ou três tomas.

Dor neuropática

O tratamento com pregabalina pode ser iniciado com a dose de 150 mg diários administrados em duas ou três tomas. Com base na resposta e tolerabilidade individuais do doente, a dose pode ser aumentada para 300 mg diários, após um intervalo de 3 a 7 dias e, se necessário, para a dose máxima de 600 mg diários após um intervalo adicional de 7 dias.

Epilepsia

O tratamento com pregabalina pode ser iniciado com a dose de 150 mg diários administrados em duas ou três tomas. Com base na resposta e tolerabilidade individuais do doente, a dose pode ser aumentada para 300 mg diários, após 1 semana. A dose máxima de 600 mg diários pode ser atingida após mais uma semana.

Perturbação de ansiedade generalizada

O intervalo posológico é de 150 a 600 mg por dia, administrados em duas ou três tomas. A necessidade de tratamento deve ser reavaliada regularmente.

O tratamento com pregabalina pode ser iniciado com a dose de 150 mg diários. Com base na resposta e tolerabilidade individuais do doente, a dose pode ser aumentada para 300 mg diários, após

uma semana. A dose pode ser aumentada para 450 mg diários, após mais uma semana. A dose máxima de 600 mg diários pode ser atingida após mais uma semana.

Descontinuação da pregabalina

De acordo com a prática clínica corrente, se for necessário descontinuar a pregabalina, esta deve ser retirada, gradualmente, durante um período mínimo de 1 semana, independentemente da indicação (ver secções 4.4 e 4.8).

Compromisso renal

A pregabalina é eliminada da circulação sistémica, principalmente, por excreção renal na forma inalterada do fármaco. Como a depuração de pregabalina é diretamente proporcional à depuração de creatinina (ver secção 5.2), a redução da dose em doentes com a função renal comprometida tem de ser individualizada em função da depuração de creatinina (CLcr), como indicado na Tabela 1, a qual é determinada pela seguinte fórmula:

CLcr (ml/min) = 1,23 x [140-idade (anos)] x peso (Kg) (x 0,85 para doentes do sexo feminino) creatinina sérica ( mol/l)

A hemodiálise remove, de forma efetiva, a pregabalina do plasma (50% do fármaco em 4 horas). Em doentes hemodialisados, a dose diária de pregabalina deve ser ajustada com base na função renal. Para além da dose diária, deve administrar-se uma dose suplementar imediatamente a seguir a cada tratamento de hemodiálise com a duração de 4 horas (ver Tabela 1).

Tabela 1. Ajuste da dose de pregabalina com base na função renal

Depuração de

Dose diária total de pregabalina*

Regime

creatinina (CLcr)

 

 

posológico

(ml/min)

 

 

 

 

 

 

 

 

Dose inicial

Dose máxima

 

 

(mg/dia)

(mg/dia)

 

≥ 60

BID ou TID

30 - < 60

BID ou TID

15 - < 30

25-50

Uma vez por dia ou

 

 

 

BID

< 15

Uma vez por dia

Dose suplementar após hemodiálise (mg)

 

 

 

Dose única+

BID = Duas vezes por dia

TID = Três vezes por dia

* A dose diária total (mg/dia) deve ser dividida de acordo com o regime posológico para dar mg/dose + A dose suplementar é uma dose única adicional

Afeção hepática

Não é necessário ajustar a dose em doentes com afeção hepática (ver secção 5.2).

População pediátrica

A segurança e eficácia de Lyrica em crianças com idade inferior a 12 anos e em adolescentes (12-17 anos) não foram estabelecidas. Os dados atualmente disponíveis estão descritos nas secções 4.8, 5.1 e 5.2, mas não é possível recomendar uma posologia.

Idosos

Pode ser necessário reduzir a dose de pregabalina no doente idoso devido à diminuição da função renal (ver secção 5.2).

Modo de administração

Lyrica pode ser tomado com ou sem alimentos.

Lyrica é apenas para utilização por via oral.

4.3Contraindicações

Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes mencionados na secção 6.1.

4.4Advertências e precauções especiais de utilização

Doentes diabéticos

De acordo com as práticas clínicas correntes, alguns doentes diabéticos que aumentam de peso durante o tratamento com pregabalina podem precisar de ajustar os medicamentos hipoglicemiantes.

Reações de hipersensibilidade

Foram notificadas reações de hipersensibilidade, incluindo casos de angioedema, durante a experiência pós-comercialização. A pregabalina deve ser imediatamente descontinuada caso ocorram sintomas de angioedema, tais como edema facial, perioral ou das vias aéreas superiores.

Tonturas, sonolência, perda de consciência, confusão e compromisso mental

O tratamento com pregabalina tem sido associado com tonturas e sonolência, o que pode aumentar a ocorrência de lesões acidentais (quedas) na população idosa. Têm ainda ocorrido notificações pós- comercialização de perda de consciência, confusão e perturbações mentais. Assim, os doentes devem ser advertidos para tomarem precauções até que estejam familiarizados com os potenciais efeitos deste medicamento.

Efeitos relacionados com a visão

Em ensaios controlados, a proporção de doentes tratados com pregabalina que notificou visão turva foi superior à dos doentes tratados com placebo, que se resolve, na maioria dos casos, com a continuação da terapêutica. Nos estudos clínicos nos quais foram efetuados exames oftalmológicos, a incidência de redução da acuidade visual e alterações do campo visual foi maior em doentes tratados com pregabalina do que nos doentes tratados com placebo; a incidência de alterações fundoscópicas foi maior em doentes tratados com placebo (ver secção 5.1).

Durante a experiência pós-comercialização, foram também notificadas reações adversas visuais, incluindo perda de visão, visão turva ou outras alterações da acuidade visual, a maioria das quais transitórias. A suspensão da pregabalina pode resultar no desaparecimento ou melhoria destes sintomas visuais.

Insuficiência renal

Foram notificados casos de insuficiência renal que foram, em alguns casos, reversíveis com a descontinuação da pregabalina.

Descontinuação da terapêutica antiepilética concomitante

Uma vez atingido o controlo das crises com a terapêutica adjuvante da pregabalina, não existem dados sobre a descontinuação da terapêutica antiepilética concomitante, de forma a permitir a monoterapia com a pregabalina.

Sintomas de privação

Em alguns doentes foram observados sintomas de privação após a descontinuação do tratamento, de curta ou longa duração, com pregabalina. Foram mencionados os seguintes acontecimentos: insónia, cefaleias, náuseas, ansiedade, diarreia, síndrome gripal, nervosismo, depressão, dor, convulsão, hiperidrose e tonturas, sugestivos de dependência física. O doente deve ser informado acerca destes no início do tratamento.

Convulsões, incluindo estado epilético e convulsões de grande mal, podem ocorrer durante a utilização da pregabalina ou pouco tempo após a descontinuação da pregabalina.

No que se refere à descontinuação do tratamento de longa duração com pregabalina, os dados sugerem que a incidência e gravidade dos sintomas de privação podem estar relacionadas com a dose.

Insuficiência cardíaca congestiva

Tem havido notificações pós-comercialização de insuficiência cardíaca congestiva em alguns doentes a tomar pregabalina. Estas reações são maioritariamente observadas em doentes idosos com compromisso cardiovascular durante o tratamento com pregabalina para uma indicação neuropática. A pregabalina deve ser utilizada com precaução nestes doentes. A descontinuação da pregabalina pode resolver esta reação.

Tratamento da dor neuropática central devido a lesão da medula espinhal

No tratamento da dor neuropática central, devido a lesão da medula espinhal, a incidência de reações adversas em geral, reações adversas do sistema nervoso central e especialmente de sonolência, aumentou. Este facto pode ser atribuído a um efeito aditivo devido a medicamentos concomitantes (por exemplo, agentes antiespasmódicos), necessários para esta doença. Este facto deve ser tido em consideração quando se prescreve pregabalina para esta doença.

Ideação e comportamento suicida

Foram notificados casos de ideação e comportamento suicida em doentes tratados com medicamentos antiepiléticos em várias indicações terapêuticas. Uma meta-análise de estudos aleatorizados de medicamentos antiepiléticos, contra placebo, mostrou também um pequeno aumento do risco de ideação e comportamento suicida. Não é ainda conhecido o mecanismo que explica este risco e os dados disponíveis não excluem possibilidade de um aumento do risco para a pregabalina.

Os doentes devem ser monitorizados quanto aos sinais de ideação e comportamento suicida, devendo ser considerada a necessidade de tratamento adequado. Os doentes (e os prestadores de cuidados aos doentes) devem ser aconselhados a contactar o médico assim que surjam sinais de ideação ou comportamento suicida.

Redução da função do trato gastrointestinal inferior

Existem notificações pós-comercialização de acontecimentos relacionados com a redução da função do trato gastrointestinal inferior (por exemplo, obstrução intestinal, íleo paralítico, obstipação) quando a pregabalina foi coadministrada com medicamentos com potencial para causar obstipação, tais como

opioides analgésicos. Quando a pregabalina e os opioides forem utilizados em associação, devem ser consideradas medidas para prevenir a obstipação (sobretudo em mulheres e idosos).

Utilização incorreta, potencial de abuso ou dependência

Foram notificados casos de utilização incorreta, abuso e dependência. Deve-se ter precaução em doentes com história de abuso de substâncias e o doente deve ser monitorizado para sintomas de utilização incorreta, abuso ou dependência da pregabalina (foram notificados casos de desenvolvimento de tolerância, aumento da dose e procura compulsiva de drogas).

Encefalopatia

Foram notificados casos de encefalopatia, principalmente em doentes com condições subjacentes que podem precipitar encefalopatia.

Intolerância à lactose

Lyrica contém lactose mono-hidratada. Os doentes com problemas hereditários raros de intolerância à galactose, deficiência em lactase de Lapp ou malabsorção de glucose-galactose não devem tomar este medicamento.

4.5Interações medicamentosas e outras formas de interação

Como a pregabalina é predominantemente excretada na urina na forma inalterada, sofre uma metabolização negligenciável no ser humano (< 2% da dose recuperada na urina na forma de metabolitos), não inibe o metabolismo dos fármacos in vitro e não se fixa às proteínas plasmáticas, é improvável que produza ou esteja sujeita a interações farmacocinéticas.

Estudos in vivo e análise farmacocinética populacional

Por conseguinte, nos estudos in vivo não se observaram interações farmacocinéticas, clinicamente relevantes, entre a pregabalina e fenitoína, carbamazepina, ácido valproico, lamotrigina, gabapentina, lorazepam, oxicodona ou etanol. A análise farmacocinética populacional revelou que os antidiabéticos orais, os diuréticos, a insulina, o fenobarbital, a tiagabina e o topiramato não tiveram efeitos clinicamente significativos na depuração de pregabalina.

Contracetivos orais, noretisterona e/ou etinilestradiol

A coadministração de pregabalina com os contracetivos orais noretisterona e/ou etinilestradiol não tem influência na farmacocinética, em estado estacionário, de nenhuma destas substâncias.

Medicamentos com ação no sistema nervoso central

A pregabalina pode potenciar os efeitos do etanol e do lorazepam. Em ensaios clínicos controlados, doses orais reiteradas de pregabalina em coadministração com oxicodona, lorazepam, ou etanol não resultaram em efeitos clinicamente importantes na respiração. Durante a experiência pós- comercialização foram notificados casos de falência respiratória e coma, em doentes a tomar pregabalina e outros medicamentos depressores do sistema nervoso central (SNC). A pregabalina é, aparentemente, aditiva na diminuição das funções cognitiva e de habilidade motora, induzida pela oxicodona.

Interações e os idosos

Não foram conduzidos estudos específicos de interação farmacodinâmica em voluntários idosos. Os estudos de interação foram apenas realizados em adultos.

4.6Fertilidade, gravidez e aleitamento

Mulheres com potencial para engravidar/Contraceção masculina e feminina

Como o risco potencial em humanos é desconhecido, deve ser utilizada contraceção efetiva em mulheres em idade fértil.

Gravidez

Não existem dados suficientes sobre a utilização de pregabalina em mulheres grávidas.

Os estudos em animais demonstraram toxicidade reprodutiva (ver secção 5.3). Desconhece-se o risco potencial para o ser humano.

Lyrica não deve ser utilizado durante a gravidez, a menos que tal seja claramente necessário (se o benefício para a mãe for claramente superior ao risco potencial para o feto).

Amamentação

A pregabalina é excretada no leite humano (ver secção 5.2). O efeito da pregabalina em recém- nascidos/lactentes é desconhecido. Tem que ser tomada uma decisão sobre a descontinuação da amamentação ou a descontinuação/abstenção da terapêutica com pregabalina tendo em conta o benefício da amamentação para a criança e o benefício da terapêutica para a mulher.

Fertilidade

Não existem dados clínicos dos efeitos da pregabalina na fertilidade feminina.

Num ensaio clínico para avaliar o efeito da pregabalina na motilidade do esperma, indivíduos masculinos saudáveis foram expostos a uma dose de 600 mg/dia de pregabalina. Após 3 meses de tratamento, não houve efeitos na motilidade do esperma.

Um estudo de fertilidade em ratos fêmea demonstrou efeitos reprodutivos adversos. Estudos de fertilidade em ratos macho demonstraram efeitos adversos reprodutivos e de desenvolvimento. A relevância clínica destes resultados é desconhecida (ver secção 5.3).

4.7Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

Lyrica poderá ter uma influência ligeira ou moderada sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas. Lyrica pode causar tonturas e sonolência e por isso pode afetar a capacidade para conduzir ou utilizar máquinas. Os doentes são aconselhados a não conduzir, utilizar máquinas complexas ou ter outras atividades potencialmente perigosas antes de saber se este medicamento afeta a sua capacidade para fazê-lo.

4.8Efeitos indesejáveis

O programa clínico da pregabalina envolveu mais de 8900 doentes expostos à pregabalina, dos quais mais de 5600 tomaram parte em ensaios com dupla ocultação, controlados com placebo. As reações adversas, registadas com maior frequência, consistiram em tonturas e sonolência. As reações adversas foram, habitualmente, ligeiras a moderadas quanto à sua intensidade. Em todos os estudos controlados, a taxa de abandono por reações adversas atingiu 12% nos doentes com pregabalina e 5% nos doentes com placebo. As reações adversas mais frequentes, que resultaram em abandono dos grupos de tratamento com pregabalina, foram tonturas e sonolência.

Na tabela 2 abaixo estão listadas, todas as reações adversas ocorridas com uma incidência superior à do placebo e em mais de um doente, segundo a classe e frequência (muito frequentes (≥ 1/10); frequentes (≥ 1/100 a < 1/10); pouco frequentes (≥ 1/1000 a < 1/100); raros (≥ 1/10 000 a < 1/1000); muito raros (< 1/10 000), desconhecida (não pode ser calculado a partir dos dados disponíveis)).

Os efeitos indesejáveis são apresentados por ordem decrescente de gravidade dentro de cada classe de frequência.

As reações adversas enumeradas também podem estar associadas a doenças subjacentes e/ou medicamentos concomitantes.

No tratamento da dor neuropática central devido a lesão da medula espinhal, a incidência de reações adversas em geral, reações adversas do SNC e especialmente de sonolência, aumentou (ver secção 4.4).

Reações adicionais, notificadas pela experiência pós-comercialização são incluídas em itálico, na lista abaixo.

Tabela 2. Reações adversas medicamentosas da pregabalina

Classes de Sistemas de

Reações Adversas Medicamentosas

Órgãos

 

Infeções e infestações

 

Frequentes

Nasofaringite

Doenças do sangue e do sistema e linfático

Pouco frequentes

Neutropenia

Doenças do sistema imunitário

 

Pouco frequentes

Hipersensibilidade

Raros

Angioedema, reação alérgica

Doenças do metabolismo e da nutrição

Frequentes

Aumento do apetite

Pouco frequentes

Anorexia, hipoglicemia

Perturbações do foro psiquiátrico

Frequentes

Humor eufórico, confusão, irritabilidade, desorientação, insónia,

 

diminuição da líbido

Pouco frequentes

Alucinações, ataques de pânico, instabilidade psicomotora,

 

agitação, depressão, humor deprimido, humor elevado,

 

agressividade, variações de humor, despersonalização, dificuldade

 

em encontrar palavras, sonhos anómalos, aumento da líbido,

 

anorgasmia, apatia

Raros

Desinibição

Doenças do sistema nervoso

 

Muito frequentes

Tonturas, sonolência, cefaleia

Frequentes

Ataxia, coordenação anómala, tremores, disartria, amnésia,

 

diminuição da memória, perturbações da atenção, parestesias,

 

hipoestesia, sedação, distúrbio do equilíbrio, letargia

Pouco frequentes

Síncope, estupor, mioclonia, perda de consciência, hiperatividade

 

psicomotora, discinesia, tontura postural, tremor intencional,

 

nistagmo, perturbação cognitiva, perturbações mentais, alterações

 

no discurso, hiporreflexia, hiperestesia, sensação de queimadura,

 

ageusia, mal-estar

Raros

Convulsões, parosmia, hipocinesia, disgrafia

Afeções oculares

 

Frequentes

Visão turva, diplopia

Pouco frequentes

Perda de visão periférica, perturbação visual, edema dos olhos,

 

alterações do campo visual, acuidade visual reduzida, dor ocular,

 

astenopia, fotopsia, xeroftalmia, aumento do lacrimejo, irritação

 

ocular

Raros

Perda de visão, queratite, oscilopsia, alteração da perceção da

 

profundidade visual, midríase, estrabismo, brilho visual

Afeções do ouvido e do labirinto

Frequentes

Vertigens

Pouco frequentes

Hiperacusia

Cardiopatias

 

Pouco frequentes

Taquicardia, bloqueio auriculoventricular de primeiro grau,

 

bradicardia sinusal, insuficiência cardíaca congestiva

Raros

Prolongamento do intervalo QT, taquicardia sinusal, arritmia

Vasculopatias

sinusal

 

Pouco frequentes

Hipotensão, hipertensão, afrontamentos, rubores, arrefecimento

 

periférico

Classes de Sistemas de

Reações Adversas Medicamentosas

Órgãos

 

Doenças respiratórias, torácicas e do mediastino

Pouco frequentes

Dispneia, epitaxis, tosse, congestão nasal, rinite, ressonar, secura

 

nasal

Raros

Edema pulmonar, sensação de aperto na garganta

Doenças gastrointestinais

 

Frequentes

Vómitos, náuseas, obstipação, diarreia, flatulência, distensão

 

abdominal, xerostomia

Pouco frequentes

Doença de refluxo gastroesofágico, sialorreia, hipoestesia oral

Raros

Ascite, pancreatite, edema da língua, disfagia

Afeções hepatobiliares

 

Pouco Frequentes

Enzimas hepáticas elevadas*

Raros

Icterícia

Muito raros

Insuficiência hepática, hepatite

Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos

Pouco frequentes

Erupção papular, urticária, hiperidrose, prurido

Raros

Síndrome de Stevens-Johnson, suores frios

Afeções musculosqueléticas e dos tecidos conjuntivos

Frequentes

Cãibras musculares, artralgias, dores de costas, dores nos

 

membros, espasmo cervical

Pouco frequentes

Edema das articulações, mialgias, espasmos musculares,

 

cervicalgia, rigidez muscular

Raros

Rabdomiólise

Doenças renais e urinárias

 

Pouco frequentes

Incontinência urinária, disúria

Raros

Insuficiência renal, oligúria, retenção urinária

Doenças dos órgãos genitais e da mama

Frequentes

Disfunção eréctil

Pouco frequentes

Disfunção sexual, atraso na ejaculação, dismenorreia, mastodinia

Raros

Amenorreia, corrimento mamário, aumento mamário,

 

ginecomastia

Perturbações gerais e alterações no local de administração

Frequentes

Edema periférico, edema, alteração da marcha, queda, sensação de

 

embriaguez, sensação anormal, fadiga

Pouco frequentes

Edema generalizado, edema facial, sensação de aperto torácico,

 

dor, pirexia, sede, arrepios, astenia

Exames complementares de diagnóstico

Frequentes

Aumento de peso

Pouco frequentes

Elevação de creatina fosfoquinase sanguínea, elevação da

 

glicemia, número de plaquetas diminuído, elevação de

 

creatinemia, diminuição do potássio no sangue, perda de peso

Raros

Diminuição dos glóbulos brancos

*Alanina aminotransferase (ALT) aumentada, Aspartato aminotransferase (AST) aumentado.

Em alguns doentes foram observados sintomas de privação após a descontinuação do tratamento, de curta ou longa duração, com pregabalina. Foram mencionados as seguintes reações: insónia, cefaleias, náuseas, ansiedade, diarreia, síndrome gripal, convulsão, nervosismo, depressão, dor, hiperidrose e tonturas, sugestivas de dependência física. O doente deve ser informado acerca destes no início do tratamento.

No que se refere à descontinuação do tratamento de longa duração com pregabalina, os dados sugerem que a incidência e gravidade dos sintomas de privação podem estar relacionadas com a dose.

População pediátrica

O perfil de segurança da pregabalina observado em dois estudos pediátricos (estudo farmacocinético e de tolerabilidade, n=65; estudo aberto de seguimento para avaliar a segurança com duração de 1 ano, n=54) foi semelhante ao observado em estudos com adultos (ver secções 4.2, 5.1 e 5.2).

Notificação de suspeitas de reações adversas

A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos

profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através do sistema nacional de notificação mencionado no Apêndice V.

4.9Sobredosagem

Na experiência pós-comercialização, as reações adversas observadas com maior frequência, quando a pregabalina foi administrada em sobredosagem, incluíram sonolência, estado confusional, agitação e instabilidade psicomotora. Também foram notificadas convulsões.

Foram notificados, raramente, casos de coma.

O tratamento da sobredosagem com pregabalina deve englobar medidas gerais de suporte e pode incluir hemodiálise, se necessário (ver secção 4.2, Tabela 1).

5.PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS

5.1Propriedades farmacodinâmicas

Grupo farmacoterapêutico: Antiepiléticos, outros antiepiléticos, código ATC: N03AX16 A substância ativa, pregabalina, é um análogo do ácido gama-aminobutírico [ácido (S)-3- (aminometil)- 5-metil-hexanoico].

Mecanismo de ação

A pregabalina liga-se a uma subunidade auxiliar (proteína 2-) dos canais de cálcio dependentes da voltagem no sistema nervoso central.

Eficácia e segurança clínicas

Dor neuropática

A eficácia foi demonstrada em ensaios realizados na neuropatia diabética, na nevralgia pós-herpética e na lesão da medula espinhal. A eficácia não foi estudada noutros modelos de dor neuropática.

A pregabalina foi estudada em 10 ensaios clínicos controlados com duração até 13 semanas com duas tomas diárias (BID) e com duração até 8 semanas com três tomas diárias (TID). Globalmente, os perfis de segurança e eficácia para os regimes posológicos BID e TID foram similares.

Em ensaios clínicos até 12 semanas para a dor neuropática periférica e central, observou-se redução da dor na primeira semana, que persistiu durante todo o período de tratamento.

Em ensaios clínicos controlados em dor neuropática periférica, 35% dos doentes tratados com pregabalina e 18% dos doentes com placebo sentiram uma melhoria de 50% na classificação da dor. Para os doentes que não sentiram sonolência, a referida melhoria foi observada em 33% dos tratados com pregabalina e 18% dos doentes com placebo. Para os doentes que sentiram sonolência, as taxas de resposta foram de 48% com pregabalina e 16% com placebo.

No ensaio clínico controlado em dor neuropática central, 22% dos doentes tratados com pregabalina e 7% dos doentes com placebo sentiram uma melhoria de 50% na classificação da dor.

Epilepsia

Tratamento adjuvante

A pregabalina foi estudada em 3 ensaios clínicos controlados com a duração de 12 semanas e posologia BID ou TID. Globalmente, os perfis de segurança e eficácia dos regimes posológicos BID e TID foram similares.

Observou-se uma redução na frequência de crises epiléticas a partir da Semana 1.

População pediátrica

A eficácia e segurança da pregabalina como tratamento adjuvante na epilepsia em doentes pediátricos com menos de 12 anos de idade e adolescentes ainda não foram estabelecidas. Os acontecimentos adversos observados num estudo farmacocinético e de tolerabilidade, com a participação de doentes dos 3 meses aos 16 anos de idade (n=65), foram semelhantes aos observados nos adultos. Os resultados de um estudo aberto de segurança, com duração de 1 ano, que incluiu 54 doentes pediátricos dos 3 meses aos 16 anos de idade com epilepsia indicam que os acontecimentos adversos pirexia e infeções das vias respiratórias superiores foram observados com mais frequência do que nos estudos com adultos (ver secções 4.2, 4.8 e 5.2).

Monoterapia (doentes recém-diagnosticados)

A pregabalina foi estudada num ensaio clínico controlado com a duração de 56 semanas e posologia BID. A pregabalina não alcançou a não-inferioridade em relação à lamotrigina com base no indicador de 6 meses livres de crises epiléticas. A pregabalina e lamotrigina foram igualmente seguras e bem toleradas.

Perturbação de ansiedade generalizada

A pregabalina foi estudada em 6 ensaios controlados com a duração de 4-6 semanas, num estudo anterior com a duração de 8 semanas e num estudo, de longa duração, de prevenção da recaída, em dupla ocultação, com 6 meses de duração.

A partir da Semana 1 verificou-se um alívio dos sintomas da perturbação de ansiedade generalizada medido através da escala de Hamilton para a Ansiedade (Hamilton Anxiety Rating Scale (HAM-A)).

Em ensaios clínicos controlados (4-8 semanas de duração), 52% dos doentes tratados com pregabalina e 38% dos doentes tratados com placebo tiveram uma melhoria de pelo menos 50% na pontuação global da HAM-A, desde a baseline até ao endpoint.

Em ensaios controlados, a proporção de doentes tratados com pregabalina que notificou visão turva foi superior à dos doentes tratados com placebo, que se resolve, na maioria dos casos, com a continuação da terapêutica. Os exames oftalmológicos (incluindo teste da acuidade visual, teste do campo visual formal e exame fundoscópico com dilatação) foram efetuados em mais de 3600 doentes no âmbito de ensaios clínicos controlados. Nestes doentes, a acuidade visual reduziu em 6,5% dos doentes tratados com pregabalina e 4,8% dos doentes tratados com placebo. Foram detetadas alterações do campo visual em 12,4% dos doentes tratados com pregabalina e 11,7% dos doentes tratados com placebo. Foram observadas alterações fundoscópicas em 1,7% dos doentes tratados com pregabalina e 2,1% dos doentes tratados com placebo.

5.2Propriedades farmacocinéticas

A farmacocinética da pregabalina, observada no estado estacionário, é similar em voluntários sãos, em doentes com epilepsia medicados com antiepiléticos e em doentes com dor crónica.

Absorção

A pregabalina é absorvida rapidamente quando administrada em jejum, sendo as concentrações plasmáticas máximas atingidas dentro de 1 hora após administração de doses únicas e reiteradas. A biodisponibilidade da pregabalina, por via oral, é de ≥ 90%, sendo independente da dose. Após administração reiterada, o estado estacionário é atingido dentro de 24 a 48 horas. A taxa de absorção

da pregabalina diminui quando o fármaco é administrado com alimentos, o que resulta numa redução de cerca de 25-30% no valor de Cmax e num atraso de, aproximadamente, 2,5 horas no valor de tmax. Porém, a administração da pregabalina com alimentos não tem efeitos clinicamente significativos na extensão da absorção da pregabalina.

Distribuição

Nos estudos pré-clínicos, a pregabalina demonstrou atravessar a barreira hematoencefálica em ratinhos, ratos e macacos. Verificou-se que a pregabalina atravessa a placenta em ratos e está presente no leite de fêmeas do rato. Nos humanos, o volume de distribuição aparente de pregabalina, após administração oral, é de, aproximadamente, 0,56 l/kg. A pregabalina não se liga às proteínas plasmáticas.

Biotransformação

A pregabalina sofre metabolização negligenciável nos humanos. Após uma dose de pregabalina marcada radioactivamente, cerca de 98% da radioatividade recuperada na urina correspondiam a pregabalina na forma inalterada. O derivado N-metilado da pregabalina, o principal metabolito da pregabalina detetado na urina, representava 0,9% da dose. Nos estudos pré-clínicos, não houve indicação de racemização do enantiómero S de pregabalina em enantiómero R.

Eliminação

A pregabalina é eliminada da circulação sistémica principalmente por excreção renal na forma inalterada do fármaco. A semivida média de eliminação da pregabalina é de 6,3 horas. A depuração plasmática e a depuração renal de pregabalina são diretamente proporcionais à depuração da creatinina (ver secção 5.2, Compromisso renal).

É necessário ajustar a dose em doentes com função renal diminuída ou nos hemodialisados (ver secção 4.2, Tabela 1).

Linearidade / não linearidade

A farmacocinética da pregabalina é linear dentro do intervalo posológico diário recomendado. A variabilidade farmacocinética interindividual é baixa (< 20%). A farmacocinética das doses reiteradas é previsível a partir dos dados referentes à dose única. Assim, não existe necessidade de monitorizar as concentrações plasmáticas de pregabalina, por rotina.

Sexo

Os ensaios clínicos indicam que o sexo não tem influência clinicamente significativa nas concentrações plasmáticas da pregabalina.

Compromisso renal

A depuração de pregabalina é diretamente proporcional à depuração da creatinina. Além disto, a pregabalina é, removida do plasma por hemodiálise de forma efetiva (após uma sessão de 4 horas de hemodiálise, as concentrações de pregabalina encontram-se reduzidas em cerca de 50%). Como a eliminação renal é a principal via de eliminação, é necessário reduzir a dose em doentes com compromisso renal e complementar a dose depois da hemodiálise (ver secção 4.2, Tabela 1).

Afeção hepática

Não se realizaram estudos farmacocinéticos específicos em doentes com função hepática comprometida. Como a pregabalina não sofre metabolismo significativo e é excretada, predominantemente, na urina na sua forma inalterada, não se prevê que a diminuição da função hepática altere, significativamente, as concentrações plasmáticas de pregabalina.

População pediátrica

A farmacocinética da pregabalina foi avaliada em doentes pediátricos com epilepsia (faixas etárias: 1 a 23 meses, 2 a 6 anos, 7 a 11 anos e 12 a 16 anos) com doses de 2,5, 5, 10 e 15 mg/kg/dia, num estudo farmacocinético e de tolerabilidade.

Após a administração da pregabalina por via oral em doentes pediátricos em jejum, em geral, o tempo até à concentração plasmática máxima foi semelhante em toda a faixa etária e ocorreu 0,5 a 2 horas após a dose.

Os parâmetros da Cmax e da AUC da pregabalina aumentaram linearmente com o aumento da dose em cada faixa etária. A AUC foi 30% mais baixa nos doentes pediátricos com um peso inferior a 30 kg devido a um aumento da depuração ajustada ao peso corporal de 43% nestes doentes, em comparação com os doentes com ≥30 kg.

A semivida terminal média da pregabalina foi cerca de 3 a 4 horas em doentes pediátricos até aos 6 anos de idade e de 4 a 6 horas nos doentes com 7 anos de idade ou mais.

A análise farmacocinética da população demonstrou que a depuração da creatinina foi uma covariável significativa da depuração oral da pregabalina, que o peso corporal foi uma covariável significativa do volume de distribuição oral aparente da pregabalina e que estas relações foram semelhantes nos doentes pediátricos e nos doentes adultos.

A farmacocinética da pregabalina em doentes com menos de 3 meses de idade não foi ainda estudada (ver secções 4.2, 4.8 e 5.1).

Idosos

A depuração de pregabalina tende a diminuir com a idade. Esta redução na depuração da pregabalina oral é consistente com as reduções observadas na depuração de creatinina associadas ao envelhecimento. Pode ser necessário reduzir a dose de pregabalina em doentes com compromisso da função renal relacionado com a idade (ver secção 4.2, Tabela 1).

Lactantes

A farmacocinética de 150 mg de pregabalina administrada a cada 12 horas (dose diária de 300 mg) foi avaliada em 10 mulheres a amamentar no mínimo 12 semanas após o parto. A amamentação teve pouca ou nenhuma influência na farmacocinética da pregabalina. A pregabalina foi excretada no leite materno numa concentração média no estado estacionário de aproximadamente 76% da concentração do plasma materno. A dose infantil estimada no leite materno (presumindo um consumo médio de leite materno de 150 ml/kg/dia) de mulheres que tomam 300 mg/dia ou a dose máxima de 600 mg/dia seria de 0,31 ou 0,62 mg/kg/dia, respetivamente. Estas doses estimadas são de, aproximadamente, 7% da dose total diária materna, com base em mg/kg.

5.3Dados de segurança pré-clínica

Em estudos convencionais de segurança farmacológica realizados em animais, a pregabalina foi bem tolerada em doses clinicamente relevantes. Nos estudos de toxicidade de dose repetida em ratos e macacos, observaram-se efeitos no SNC, nomeadamente hipoatividade, hiperatividade e ataxia.

Verificou-se um aumento da incidência de atrofia da retina, habitualmente observada em ratos albinos idosos, após exposição prolongada a pregabalina, com exposições ≥ 5 vezes a exposição humana média com a dose máxima clinicamente recomendada.

A pregabalina não foi teratogénica em ratinhos, ratos ou coelhos. Só se verificou toxicidade fetal em ratos e coelhos com exposições consideravelmente superiores à exposição humana. Nos estudos de toxicidade pré-natal/pós-natal, a pregabalina induziu toxicidade no desenvolvimento dos descendentes de ratos, com exposições > 2 vezes a exposição humana máxima recomendada.

Foram observados efeitos adversos na fertilidade em ratos macho e fêmea apenas para exposição a terapêuticas suficientemente em excesso. Os efeitos adversos nos órgãos reprodutores masculinos e nos parâmetros do esperma foram reversíveis e ocorreram apenas para exposições a terapêutica suficientemente em excesso ou foram associados com processos degenerativos espontâneos nos órgãos reprodutores masculinos do rato. Por este motivo os efeitos foram considerados de pouca ou nenhuma relevância clínica.

Com base nos resultados de uma bateria de testes in vitro e in vivo, a pregabalina não é genotóxica.

Foram realizados estudos de carcinogenicidade em ratos e ratinhos com duração de dois anos. Não foram observados tumores em ratos com uma exposição 24 vezes superior à exposição humana média de uma dose clínica máxima recomendada de 600 mg/dia. Em ratinhos, não foi detetado um aumento da incidência de tumores com uma exposição similar à exposição humana média, mas foi observado um aumento da incidência de hemangiosarcoma com exposições superiores. O mecanismo não genotóxico de formação de tumores induzidos pela pregabalina em ratinhos envolve alterações plaquetárias e proliferação celular endotelial associada. Estas alterações plaquetárias não estiveram presentes em ratos ou no ser humano em estudos clínicos de curta duração e longa duração limitada. Não existem evidências que sugiram um risco associado para o ser humano.

Em ratos juvenis, os tipos de toxicidade não diferem qualitativamente dos observados em ratos adultos. Contudo, os ratos juvenis são mais sensíveis. Com exposição a doses terapêuticas, observou- se evidência de sinais clínicos de hiperatividade do SNC e bruxismo, e algumas variações no crescimento (supressão temporária do ganho de peso corporal). Observaram-se efeitos no ciclo de cio com 5 vezes a exposição terapêutica humana. Observou-se, em ratos juvenis, uma redução da resposta ao alarme sonoro 1-2 semanas depois de uma exposição > 2 vezes à exposição terapêutica humana. Nove semanas após a exposição, este efeito já não foi observado.

6.INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS

6.1Lista dos excipientes

Lyrica 25 mg, 50 mg, 150 mg cápsulas

Conteúdo da cápsula:

Lactose mono-hidratada

Amido de milho

Talco

Invólucro da cápsula: Gelatina

Dióxido de titânio (E171) Laurilsulfato de sódio Sílica coloidal anidra Água purificada

Tinta de impressão: Goma laca

Óxido de ferro negro (E172) Propilenoglicol

Hidróxido de potássio

Lyrica 75 mg, 100 mg, 200 mg, 225 mg, 300 mg cápsulas

Conteúdo da cápsula:

Lactose mono-hidratada

Amido de milho

Talco

Cápsula:

Gelatina

Dióxido de titânio (E171) Laurilsulfato de sódio Sílica coloidal anidra Água purificada

Óxido de ferro vermelho (E172)

Tinta de impressão: Goma laca

Óxido de ferro negro (E172) Propilenoglicol

Hidróxido de potássio

6.2Incompatibilidades

Não aplicável.

6.3Prazo de validade

3 anos.

6.4Precauções especiais de conservação

O medicamento não necessita de quaisquer precauções especiais de conservação.

6.5Natureza e conteúdo do recipiente

Lyrica 25 mg cápsulas

Embalagens contendo 14, 21, 56, 84, 100 ou 112 (2 x 56) cápsulas acondicionadas em blisters de PVC/Alumínio.

Embalagem contendo 100 x 1 cápsulas acondicionadas em blisters perfurados para dose unitária de PVC/alumínio.

Frascos de HDPE contendo 200 cápsulas.

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

Lyrica 50 mg cápsulas

Embalagens contendo 14, 21, 56, 84 ou 100 cápsulas acondicionadas em blisters de PVC/Alumínio. Embalagem contendo 100 x 1 cápsulas acondicionadas em blisters perfurados para dose unitária de PVC/alumínio.

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

Lyrica 75 mg cápsulas

Embalagens contendo 14, 56, 70, 100 ou 112 (2 x 56) cápsulas acondicionadas em blisters de PVC/Alumínio.

Embalagem contendo 100 x 1 cápsulas acondicionadas em blisters perfurados para dose unitária de PVC/alumínio.

Frascos de HDPE contendo 200 cápsulas.

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

Lyrica 100 mg cápsulas

Embalagens contendo 21, 84 ou 100 cápsulas acondicionadas em blisters de PVC/Alumínio. Embalagem contendo 100 x 1 cápsulas acondicionadas em blisters perfurados para dose unitária de PVC/alumínio.

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

Lyrica 150 mg cápsulas

Embalagens contendo 14, 56, 100 ou 112 (2 x 56) cápsulas acondicionadas em blisters de PVC/Alumínio.

Embalagem contendo 100 x 1 cápsulas acondicionadas em blisters perfurados para dose unitária de PVC/alumínio.

Frascos de HDPE contendo 200 cápsulas.

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

Lyrica 200 mg cápsulas

Embalagens contendo 21, 84 ou 100 cápsulas acondicionadas em blisters de PVC/Alumínio. Embalagem contendo 100 x 1 cápsulas acondicionadas em blisters perfurados para dose unitária de PVC/alumínio.

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

Lyrica 225 mg cápsulas

Embalagens contendo 14, 56 ou 100 cápsulas acondicionadas em blisters de PVC/Alumínio. Embalagem contendo 100 x 1 cápsulas acondicionadas em blisters perfurados para dose unitária de PVC/alumínio.

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

Lyrica 300 mg cápsulas

Embalagens contendo 14, 56, 100 ou 112 (2 x 56) cápsulas acondicionadas em blisters de PVC/Alumínio.

Embalagem contendo 100 x 1 cápsulas acondicionadas em blisters perfurados para dose unitária de PVC/alumínio.

Frascos de HDPE contendo 200 cápsulas.

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

6.6Precauções especiais de eliminação

Não existem requisitos especiais de eliminação.

7.TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Pfizer Limited

Ramsgate Road

Sandwich

Kent

CT13 9NJ

Reino Unido

8.NÚMERO(S) DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Lyrica 25 mg cápsulas

EU/1/04/279/001-005

EU/1/04/279/026

EU/1/04/279/036

EU/1/04/279/046

Lyrica 50 cápsulas

EU/1/04/279/006-010

EU/1/04/279/037

Lyrica 75 mg cápsulas

EU/1/04/279/011-013

EU/1/04/279/027

EU/1/04/279/030

EU/1/04/279/038

EU/1/04/279/045

Lyrica 100 mg cápsulas

EU/1/04/279/014-016

EU/1/04/279/39

Lyrica 150 mg cápsulas

EU/1/04/279/017-019

EU/1/04/279/028

EU/1/04/279/031

EU/1/04/279/040

Lyrica 200 mg cápsulas

EU/1/04/279/020 – 022

EU/1/04/279/041

Lyrica 225 mg cápsulas

EU/1/04/279/033 – 035

EU/1/04/279/042

Lyrica 300 mg cápsulas

EU/1/04/279/023 – 025

EU/1/04/279/029

EU/1/04/279/032

EU/1/04/279/043

9. DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO/RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Data da primeira autorização: 06 de julho de 2004

Data da última renovação: 06 de julho de 2009

10.DATA DE REVISÃO DO TEXTO

Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet da Agência Europeia de Medicamentos http://www.ema.europa.eu.

1. NOME DO MEDICAMENTO

Lyrica 20 mg/ml solução oral

2. COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA

Cada ml contém 20 mg de pregabalina.

Excipientes com efeito conhecido

Cada ml contém 1,3 mg de para-hidroxibenzoato de metilo (E218), 0,163 mg para-hidroxibenzoato de propilo (E216)

Lista completa de excipientes, ver secção 6.1.

3. FORMA FARMACÊUTICA

Solução oral

Líquido límpido e incolor

4. INFORMAÇÕES CLÍNICAS

4.1 Indicações terapêuticas

Dor neuropática

Lyrica está indicado no tratamento da dor neuropática periférica e central, em adultos.

Epilepsia

Lyrica está indicado como terapêutica adjuvante em adultos com crises parciais de epilepsia, com ou sem generalização secundária.

Perturbação de ansiedade generalizada

Lyrica está indicado no tratamento da Perturbação de Ansiedade Generalizada (PAG), em adultos.

4.2 Posologia e modo de administração

Posologia

O intervalo posológico é de 150 a 600 mg (7,5 a 30 ml) diários, administrados em duas ou três tomas.

Dor neuropática

O tratamento com pregabalina pode ser iniciado com a dose de 150 mg (7,5 ml) diários administrados em duas ou três tomas. Com base na resposta e tolerabilidade individuais do doente, a dose pode ser aumentada para 300 mg (15 ml) diários, após um intervalo de 3 a 7 dias e, se necessário, para a dose máxima de 600 mg (30 ml) diários após um intervalo adicional de 7 dias.

Epilepsia

O tratamento com pregabalina pode ser iniciado com a dose de 150 mg (7,5 ml) diários administrados em duas ou três tomas. Com base na resposta e tolerabilidade individuais do doente, a dose pode ser aumentada para 300 mg (15 ml) diários, após 1 semana. A dose máxima de 600 mg (30 ml) diários pode ser atingida após mais uma semana.

Perturbação de ansiedade generalizada

O intervalo posológico é de 150 a 600 mg (7,5 a 30 ml) por dia, administrados em duas ou três tomas. A necessidade de tratamento deve ser reavaliada regularmente.

O tratamento com pregabalina pode ser iniciado com a dose de 150 mg (7,5 ml) diários. Com base na resposta e tolerabilidade individuais do doente, a dose pode ser aumentada para 300 mg (15 ml) diários, após uma semana. A dose pode ser aumentada para 450 mg (22,5 ml) diários, após mais uma semana. A dose máxima de 600 mg (30 ml) diários pode ser atingida após mais uma semana.

Descontinuação da pregabalina

De acordo com a prática clínica corrente, se for necessário descontinuar a pregabalina, esta deve ser retirada, gradualmente, durante um período mínimo de 1 semana, independentemente da indicação (ver secções 4.4 e 4.8).

Compromisso renal

A pregabalina é eliminada da circulação sistémica, principalmente, por excreção renal na forma inalterada do fármaco. Como a depuração de pregabalina é diretamente proporcional à depuração de creatinina (ver secção 5.2), a redução da dose em doentes com a função renal comprometida tem de ser individualizada em função da depuração de creatinina (CLcr), como indicado na Tabela 1, a qual é determinada pela seguinte fórmula:

CLcr (ml/min) = 1,23 x [140-idade (anos)] x peso (Kg) (x 0,85 para doentes do sexo feminino) creatinina sérica ( mol/l)

A hemodiálise remove, de forma efetiva, a pregabalina do plasma (50% do fármaco em 4 horas). Em doentes hemodialisados, a dose diária de pregabalina deve ser ajustada com base na função renal. Para além da dose diária, deve administrar-se uma dose suplementar imediatamente a seguir a cada tratamento de hemodiálise com a duração de 4 horas (ver Tabela 1).

Tabela 1. Ajuste da dose de pregabalina com base na função renal

Depuração de

Dose diária total de pregabalina*

Regime

creatinina (CLcr)

 

 

 

 

posológico

(ml/min)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dose inicial

Dose máxima

 

 

(mg/dia)

(mg/dia)

 

≥ 60

150 (7,5 ml)

(30 ml)

BID ou TID

30 - < 60

(3,75 ml)

(15 ml)

BID ou TID

15 - < 30

– 50 (1,25-2,5 ml)

(7,5 ml)

Uma vez por dia ou

 

 

 

 

 

BID

< 15

(1,25 ml)

75 (3,75 ml)

Uma vez por dia

Dose suplementar após hemodiálise (mg)

 

 

 

 

(1,25 ml)

(5 ml)

Dose única+

BID = Duas vezes por dia TID = Três vezes por dia

* A dose diária total (mg/dia) deve ser dividida de acordo com o regime posológico para dar mg/dose + A dose suplementar é uma dose única adicional

Afeção hepática

Não é necessário ajustar a dose em doentes com afeção hepática (ver secção 5.2).

População pediátrica

A segurança e eficácia do Lyrica não foram estabelecidas em crianças com idade inferior a 12 anos e em adolescentes (12-17 anos). Os dados atualmente disponíveis estão descritos nas secções 4.8, 5.1 e 5.2, mas não é possível recomendar uma posologia.

Idosos

Pode ser necessário reduzir a dose de pregabalina no doente idoso devido à diminuição da função renal (ver secção 5.2).

Modo de administração

Lyrica pode ser tomado com ou sem alimentos.

Lyrica destina exclusivamente a administração por via oral.

São fornecidas com o produto uma seringa para uso oral graduada e um adaptador de pressão para o frasco (PIBA).

Ver secção 6.6 para informação sobre administração.

4.3 Contraindicações

Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes mencionados na secção 6.1.

4.4 Advertências e precauções especiais de utilização

Doentes diabéticos

De acordo com as práticas clínicas correntes, alguns doentes diabéticos que aumentam de peso durante o tratamento com pregabalina podem precisar de ajustar os medicamentos hipoglicemiantes.

Reações de hipersensibilidade

Foram notificadas reações de hipersensibilidade, incluindo casos de angioedema, durante a experiência pós-comercialização. A pregabalina deve ser imediatamente descontinuada caso ocorram sintomas de angioedema, tais como edema facial, perioral ou das vias aéreas superiores.

Tonturas, sonolência, perda de consciência, confusão e compromisso mental

O tratamento com pregabalina tem sido associado com tonturas e sonolência, o que pode aumentar a ocorrência de lesões acidentais (quedas) na população idosa. Têm ainda ocorrido notificações pós- comercialização de perda de consciência, confusão e perturbações mentais. Assim, os doentes devem ser advertidos para tomarem precauções até que estejam familiarizados com os potenciais efeitos deste medicamento.

Efeitos relacionados com a visão

Em ensaios controlados, a proporção de doentes tratados com pregabalina que notificou visão turva foi superior à dos doentes tratados com placebo, que se resolve, na maioria dos casos, com a continuação da terapêutica. Nos estudos clínicos nos quais foram efetuados exames oftalmológicos, a incidência de redução da acuidade visual e alterações do campo visual foi maior em doentes tratados com pregabalina do que nos doentes tratados com placebo; a incidência de alterações fundoscópicas foi maior em doentes tratados com placebo (ver secção 5.1).

Durante a experiência pós-comercialização, foram também notificadas reações adversas visuais, incluindo perda de visão, visão turva ou outras alterações da acuidade visual, a maioria das quais transitórias. A suspensão da pregabalina pode resultar no desaparecimento ou melhoria destes sintomas visuais.

Insuficiência renal

Foram notificados casos de insuficiência renal que foram, em alguns casos, reversíveis com a descontinuação da pregabalina.

Descontinuação da terapêutica antiepilética concomitante

Uma vez atingido o controlo das crises com a terapêutica adjuvante da pregabalina, não existem dados sobre a descontinuação da terapêutica antiepilética concomitante, de forma a permitir a monoterapia com a pregabalina.

Sintomas de privação

Em alguns doentes foram observados sintomas de privação após a descontinuação do tratamento, de curta ou longa duração, com pregabalina. Foram mencionados os seguintes acontecimentos: insónia, cefaleias, náuseas, ansiedade, diarreia, síndrome gripal, nervosismo, depressão, dor, convulsão, hiperidrose e tonturas, sugestivos de dependência física. O doente deve ser informado acerca destes no início do tratamento.

Convulsões, incluindo estado epilético e convulsões de grande mal, podem ocorrer durante a utilização da pregabalina ou pouco tempo após a descontinuação da pregabalina.

No que se refere à descontinuação do tratamento de longa duração com pregabalina, os dados sugerem que a incidência e gravidade dos sintomas de privação podem estar relacionadas com a dose.

Insuficiência cardíaca congestiva

Tem havido notificações pós-comercialização de insuficiência cardíaca congestiva em alguns doentes a tomar pregabalina. Estas reações são maioritariamente observadas em doentes idosos com compromisso cardiovascular durante o tratamento com pregabalina para uma indicação neuropática. A pregabalina deve ser utilizada com precaução nestes doentes. A descontinuação da pregabalina pode resolver esta reação.

Tratamento da dor neuropática central devido a lesão da medula espinhal

No tratamento da dor neuropática central, devido a lesão da medula espinhal, a incidência de reações adversas em geral, reações adversas do sistema nervoso central e especialmente de sonolência, aumentou. Este facto pode ser atribuído a um efeito aditivo devido a medicamentos concomitantes (por exemplo, agentes antiespasmódicos), necessários para esta doença. Este facto deve ser tido em consideração quando se prescreve pregabalina para esta doença.

Ideação e comportamento suicida

Foram notificados casos de ideação e comportamento suicida em doentes tratados com medicamentos antiepiléticos em várias indicações terapêuticas. Uma meta-análise de estudos aleatorizados de medicamentos antiepiléticos, contra placebo, mostrou também um pequeno aumento do risco de ideação e comportamento suicida. Não é ainda conhecido o mecanismo que explica este risco e os dados disponíveis não excluem possibilidade de um aumento do risco para a pregabalina.

Os doentes devem ser monitorizados quanto aos sinais de ideação e comportamento suicida, devendo ser considerada a necessidade de tratamento adequado. Os doentes (e os prestadores de cuidados aos doentes) devem ser aconselhados a contactar o médico assim que surjam sinais de ideação ou comportamento suicida.

Redução da função do trato gastrointestinal inferior

Existem notificações pós-comercialização de acontecimentos relacionados com a redução da função do trato gastrointestinal inferior (por exemplo, obstrução intestinal, íleo paralítico, obstipação) quando a pregabalina foi coadministrada com medicamentos com potencial para causar obstipação, tais como opioides analgésicos. Quando a pregabalina e os opioides forem utilizados em associação, devem ser consideradas medidas para prevenir a obstipação (sobretudo em mulheres e idosos).

Utilização incorreta, potencial de abuso ou dependência

Foram notificados casos de utilização incorreta, abuso e dependência. Deve-se ter precaução em doentes com história de abuso de substâncias e o doente deve ser monitorizado para sintomas de utilização incorreta, abuso ou dependência da pregabalina (foram notificados casos de desenvolvimento de tolerância, aumento da dose e procura compulsiva de drogas).

Encefalopatia

Foram notificados casos de encefalopatia, principalmente em doentes com condições subjacentes que podem precipitar encefalopatia.

Excipientes que podem causar reações alérgicas

A solução oral de Lyrica contém para-hidroxibenzoato de metilo e para-hidroxibenzoato de propilo, podendo causar reações alérgicas (possivelmente retardadas).

4.5 Interações medicamentosas e outras formas de interação

Como a pregabalina é predominantemente excretada na urina na forma inalterada, sofre uma metabolização negligenciável no ser humano (< 2% da dose recuperada na urina na forma de metabolitos), não inibe o metabolismo dos fármacos in vitro e não se fixa às proteínas plasmáticas, é improvável que produza ou esteja sujeita a interações farmacocinéticas.

Estudos in vivo e análise farmacocinética populacional

Por conseguinte, nos estudos in vivo não se observaram interações farmacocinéticas, clinicamente relevantes, entre a pregabalina e fenitoína, carbamazepina, ácido valproico, lamotrigina, gabapentina, lorazepam, oxicodona ou etanol. A análise farmacocinética populacional revelou que os antidiabéticos orais, os diuréticos, a insulina, o fenobarbital, a tiagabina e o topiramato não tiveram efeitos clinicamente significativos na depuração de pregabalina.

Contracetivos orais, noretisterona e/ou etinilestradiol

A coadministração de pregabalina com os contracetivos orais noretisterona e/ou etinilestradiol não tem influência na farmacocinética, em estado estacionário, de nenhuma destas substâncias.

Medicamentos com ação no sistema nervoso central

A pregabalina pode potenciar os efeitos do etanol e do lorazepam. Em ensaios clínicos controlados, doses orais reiteradas de pregabalina em coadministração com oxicodona, lorazepam, ou etanol não resultaram em efeitos clinicamente importantes na respiração. Durante a experiência pós- comercialização foram notificados casos de falência respiratória e coma, em doentes a tomar pregabalina e outros medicamentos depressores do sistema nervoso central (SNC). A pregabalina é, aparentemente, aditiva na diminuição das funções cognitiva e de habilidade motora, induzida pela oxicodona.

Interações e os idosos

Não foram conduzidos estudos específicos de interação farmacodinâmica em voluntários idosos. Os estudos de interação foram apenas realizados em adultos.

4.6 Fertilidade, gravidez e aleitamento

Mulheres em idade fértil/Contraceção masculina e feminina

Como o risco potencial em humanos é desconhecido, deve ser utilizada contraceção efetiva em mulheres em idade fértil.

Gravidez

Não existem dados suficientes sobre a utilização de pregabalina em mulheres grávidas.

Os estudos em animais demonstraram toxicidade reprodutiva (ver secção 5.3). Desconhece-se o risco potencial para o ser humano.

Lyrica não deve ser utilizado durante a gravidez, a menos que tal seja claramente necessário (se o benefício para a mãe for claramente superior ao risco potencial para o feto).

Amamentação

A pregabalina é excretada no leite humano (ver secção 5.2). O efeito da pregabalina em recém- nascidos/lactentes é desconhecido. Tem que ser tomada uma decisão sobre a descontinuação da amamentação ou a descontinuação/abstenção da terapêutica com pregabalina tendo em conta o benefício da amamentação para a criança e o benefício da terapêutica para a mulher.

Fertilidade

Não existem dados clínicos dos efeitos da pregabalina na fertilidade feminina.

Num ensaio clínico para avaliar o efeito da pregabalina na motilidade do esperma, indivíduos masculinos saudáveis foram expostos a uma dose de 600 mg/dia de pregabalina. Após 3 meses de tratamento, não houve efeitos na motilidade do esperma.

Um estudo de fertilidade em ratos fêmea demonstrou efeitos reprodutivos adversos. Estudos de fertilidade em ratos macho demonstraram efeitos adversos reprodutivos e de desenvolvimento. A relevância clínica destes resultados é desconhecida (ver secção 5.3).

4.7 Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

Lyrica poderá ter uma influência ligeira ou moderada sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas. Lyrica pode causar tonturas e sonolência e por isso pode afetar a capacidade para conduzir ou utilizar máquinas. Os doentes são aconselhados a não conduzir, utilizar máquinas complexas ou ter outras atividades potencialmente perigosas antes de saber se este medicamento afeta a sua capacidade para fazê-lo.

4.8 Efeitos indesejáveis

O programa clínico da pregabalina envolveu mais de 8900 doentes expostos à pregabalina, dos quais mais de 5600 tomaram parte em ensaios com dupla ocultação, controlados com placebo. As reações adversas, registadas com maior frequência, consistiram em tonturas e sonolência. As reações adversas foram, habitualmente, ligeiras a moderadas quanto à sua intensidade. Em todos os estudos controlados, a taxa de abandono por reações adversas atingiu 12% nos doentes com pregabalina e 5% nos doentes com placebo. As reações adversas mais frequentes, que resultaram em abandono dos grupos de tratamento com pregabalina, foram tonturas e sonolência.

Na tabela 2 abaixo estão listadas, todas as reações adversas ocorridas com uma incidência superior à do placebo e em mais de um doente, segundo a classe e frequência (muito frequentes (≥ 1/10); frequentes (≥ 1/100 a < 1/10); pouco frequentes (≥ 1/1000 a < 1/100); raros (≥ 1/10 000 a < 1/1000); muito raros (< 1/10 000), desconhecida (não pode ser calculado a partir dos dados disponíveis)).

Os efeitos indesejáveis são apresentados por ordem decrescente de gravidade dentro de cada classe de frequência.

As reações adversas enumeradas também podem estar associadas a doenças subjacentes e/ou medicações concomitantes.

No tratamento da dor neuropática central devido a lesão da medula espinhal, a incidência de reações adversas em geral, reações adversas do SNC e especialmente de sonolência, aumentou (ver secção 4.4).

Reações adicionais, notificadas pela experiência pós-comercialização são incluídas em itálico, na lista abaixo.

Tabela 2. Reações adversas medicamentosas da pregabalina

Classes de Sistemas de

Reações Adversas Medicamentosas

Órgãos

 

Infeções e infestações

 

Frequentes

Nasofaringite

Doenças do sangue e do sistema e linfático

Pouco frequentes

Neutropenia

Doenças do sistema imunitário

 

Pouco frequentes

Hipersensibilidade

Raros

Angioedema, reação alérgica

Doenças do metabolismo e da nutrição

Frequentes

Aumento do apetite

Pouco frequentes

Anorexia, hipoglicemia

Classes de Sistemas de

Reações Adversas Medicamentosas

Órgãos

 

Perturbações do foro psiquiátrico

Frequentes

Humor eufórico, confusão, irritabilidade, desorientação, insónia,

 

diminuição da líbido

Pouco frequentes

Alucinações, ataques de pânico, instabilidade psicomotora,

 

agitação, depressão, humor deprimido, humor elevado,

 

agressividade, variações de humor, despersonalização, dificuldade

 

em encontrar palavras, sonhos anómalos, aumento da líbido,

 

anorgasmia, apatia

Raros

Desinibição

Doenças do sistema nervoso

 

Muito frequentes

Tonturas, sonolência, cefaleia

Frequentes

Ataxia, coordenação anómala, tremores, disartria, amnésia,

 

diminuição da memória, perturbações da atenção, parestesias,

 

hipoestesia, sedação, distúrbio do equilíbrio, letargia

Pouco frequentes

Síncope, estupor, mioclonia, perda de consciência, hiperatividade

 

psicomotora, discinesia, tontura postural, tremor intencional,

 

nistagmo, perturbação cognitiva, perturbações mentais, alterações

 

no discurso, hiporreflexia, hiperestesia, sensação de queimadura,

 

ageusia, mal-estar

Raros

Convulsões, parosmia, hipocinesia, disgrafia

Afeções oculares

 

Frequentes

Visão turva, diplopia

Pouco frequentes

Perda de visão periférica, perturbação visual, edema dos olhos,

 

alterações do campo visual, acuidade visual reduzida, dor ocular,

 

astenopia, fotopsia, xeroftalmia, aumento do lacrimejo, irritação

 

ocular

Raros

Perda de visão, queratite, oscilopsia, alteração da perceção da

 

profundidade visual, midríase, estrabismo, brilho visual

Afeções do ouvido e do labirinto

Frequentes

Vertigens

Pouco frequentes

Hiperacusia

Cardiopatias

 

Pouco frequentes

Taquicardia, bloqueio auriculoventricular de primeiro grau,

 

bradicardia sinusal, insuficiência cardíaca congestiva

Raros

Prolongamento do intervalo QT, taquicardia sinusal, arritmia

Vasculopatias

sinusal

 

Pouco frequentes

Hipotensão, hipertensão, afrontamentos, rubores, arrefecimento

 

periférico

Doenças respiratórias, torácicas e do mediastino

Pouco frequentes

Dispneia, epitaxis, tosse, congestão nasal, rinite, ressonar, secura

 

nasal

Raros

Edema pulmonar, sensação de aperto na garganta

Doenças gastrointestinais

 

Frequentes

Vómitos, náuseas, obstipação, diarreia, flatulência, distensão

 

abdominal, xerostomia

Pouco frequentes

Doença de refluxo gastroesofágico, sialorreia, hipoestesia oral

Raros

Ascite, pancreatite, edema da língua, disfagia

Afeções hepatobiliares

 

Pouco Frequentes

Enzimas hepáticas elevadas*

Raros

Icterícia

Muito raros

Insuficiência hepática, hepatite

Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos

Pouco frequentes

Erupção papular, urticária, hiperidrose, prurido

Raros

Síndrome de Stevens-Johnson, suores frios

Classes de Sistemas de

Reações Adversas Medicamentosas

Órgãos

 

Afeções musculosqueléticas e dos tecidos conjuntivos

Frequentes

Cãibras musculares, artralgias, dores de costas, dores nos

 

membros, espasmo cervical

Pouco frequentes

Edema das articulações, mialgias, espasmos musculares,

 

cervicalgia, rigidez muscular

Raros

Rabdomiólise

Doenças renais e urinárias

 

Pouco frequentes

Incontinência urinária, disúria

Raros

Insuficiência renal, oligúria, retenção urinária

Doenças dos órgãos genitais e da mama

Frequentes

Disfunção eréctil

Pouco frequentes

Disfunção sexual, atraso na ejaculação, dismenorreia, mastodinia

Raros

Amenorreia, corrimento mamário, aumento mamário,

 

ginecomastia

Perturbações gerais e alterações no local de administração

Frequentes

Edema periférico, edema, alteração da marcha, queda, sensação de

 

embriaguez, sensação anormal, fadiga

Pouco frequentes

Edema generalizado, edema facial, sensação de aperto torácico,

 

dor, pirexia, sede, arrepios, astenia

Exames complementares de diagnóstico

Frequentes

Aumento de peso

Pouco frequentes

Elevação de creatina fosfoquinase sanguínea, elevação da

 

glicemia, número de plaquetas diminuído, elevação de

 

creatinemia, diminuição do potássio no sangue, perda de peso

Raros

Diminuição dos glóbulos brancos

*Alanina aminotransferase (ALT) aumentada, Aspartato aminotransferase (AST) aumentado.

Em alguns doentes foram observados sintomas de privação após a descontinuação do tratamento, de curta ou longa duração, com pregabalina. Foram mencionados as seguintes reações: insónia, cefaleias, náuseas, ansiedade, diarreia, síndrome gripal, convulsões, nervosismo, depressão, dor, hiperidrose e tonturas, sugestivas de dependência física. O doente deve ser informado acerca destes no início do tratamento.

No que se refere à descontinuação do tratamento de longa duração com pregabalina, os dados sugerem que a incidência e gravidade dos sintomas de privação podem estar relacionadas com a dose.

População pediátrica

O perfil de segurança da pregabalina observado em dois estudos pediátricos (estudo farmacocinético e de tolerabilidade, n=65; estudo aberto de seguimento para avaliar a segurança com duração de 1 ano, n=54) foi semelhante ao observado em estudos com adultos (ver secções 4.2, 5.1 e 5.2).

Notificação de suspeitas de reações adversas

A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos

profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através do sistema nacional de notificação mencionado no Apêndice V.

4.9 Sobredosagem

Na experiência pós-comercialização, as reações adversas observadas com maior frequência, quando a pregabalina foi administrada em sobredosagem, incluíram sonolência, estado confusional, agitação e instabilidade psicomotora. Também foram notificadas convulsões.

Foram notificados, raramente, casos de coma.

O tratamento da sobredosagem com pregabalina deve englobar medidas gerais de suporte e pode incluir hemodiálise, se necessário (ver secção 4.2, Tabela 1).

5. PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS

5.1 Propriedades farmacodinâmicas

Grupo farmacoterapêutico: Antiepiléticos, outros antiepiléticos, código ATC: N03AX16

A substância ativa, pregabalina, é um análogo do ácido gama-aminobutírico [ácido (S)-3- (aminometil)- 5-metil-hexanoico].

Mecanismo de ação

A pregabalina liga-se a uma subunidade auxiliar (proteína 2-) dos canais de cálcio dependentes da voltagem no sistema nervoso central.

Eficácia e segurança clínicas

Dor neuropática

A eficácia foi demonstrada em ensaios realizados na neuropatia diabética, na nevralgia pós-herpética e na lesão da medula espinhal. A eficácia não foi estudada noutros modelos de dor neuropática.

A pregabalina foi estudada em 10 ensaios clínicos controlados com duração até 13 semanas com duas tomas diárias (BID) e com duração até 8 semanas com três tomas diárias (TID). Globalmente, os perfis de segurança e eficácia para os regimes posológicos BID e TID foram similares.

Em ensaios clínicos até 12 semanas para a dor neuropática periférica e central, observou-se redução da dor na primeira semana, que persistiu durante todo o período de tratamento.

Em ensaios clínicos controlados em dor neuropática periférica, 35% dos doentes tratados com pregabalina e 18% dos doentes com placebo sentiram uma melhoria de 50% na classificação da dor. Para os doentes que não sentiram sonolência, a referida melhoria foi observada em 33% dos tratados com pregabalina e 18% dos doentes com placebo. Para os doentes que sentiram sonolência, as taxas de resposta foram de 48% com pregabalina e 16% com placebo.

No ensaio clínico controlado em dor neuropática central, 22% dos doentes tratados com pregabalina e 7% dos doentes com placebo sentiram uma melhoria de 50% na classificação da dor.

Epilepsia

Tratamento adjuvante

A pregabalina foi estudada em 3 ensaios clínicos controlados com a duração de 12 semanas e posologia BID ou TID. Globalmente, os perfis de segurança e eficácia dos regimes posológicos BID e TID foram similares.

Observou-se uma redução na frequência de crises epiléticas a partir da Semana 1.

População pediátrica

A eficácia e segurança da pregabalina como tratamento adjuvante na epilepsia em doentes pediátricos com menos de 12 anos de idade e adolescentes ainda não foram estabelecidas. Os acontecimentos adversos observados num estudo farmacocinético e de tolerabilidade, com a participação de doentes dos 3 meses aos 16 anos de idade (n=65), foram semelhantes aos observados nos adultos. Os resultados de um estudo aberto de segurança, com duração de 1 ano, que incluiu 54 doentes pediátricos dos 3 meses aos 16 anos de idade com epilepsia indicam que os acontecimentos adversos

da pirexia e infeções das vias respiratórias superiores foram observados com mais frequência do que nos estudos com adultos (ver secções 4.2, 4.8 e 5.2).

Monoterapia (doentes recém-diagnosticados)

A pregabalina foi estudada num ensaio clínico controlado com a duração de 56 semanas e posologia BID. A pregabalina não alcançou a não-inferioridade em relação à lamotrigina com base no indicador de 6 meses livres de crises epiléticas. A pregabalina e lamotrigina foram igualmente seguras e bem toleradas.

Perturbação de ansiedade generalizada

A pregabalina foi estudada em 6 ensaios controlados com a duração de 4-6 semanas, num estudo anterior com a duração de 8 semanas e num estudo, de longa duração, de prevenção da recaída, em dupla ocultação, com 6 meses de duração.

A partir da Semana 1 verificou-se um alívio dos sintomas da perturbação de ansiedade generalizada medido através da escala de Hamilton para a Ansiedade (Hamilton Anxiety Rating Scale (HAM-A)).

Em ensaios clínicos controlados (4-8 semanas de duração), 52% dos doentes tratados com pregabalina e 38% dos doentes tratados com placebo tiveram uma melhoria de pelo menos 50% na pontuação global da HAM-A, desde a baseline até ao endpoint.

Em ensaios controlados, a proporção de doentes tratados com pregabalina que notificou visão turva foi superior à dos doentes tratados com placebo, que se resolve, na maioria dos casos, com a continuação da terapêutica. Os exames oftalmológicos (incluindo teste da acuidade visual, teste do campo visual formal e exame fundoscópico com dilatação) foram efetuados em mais de 3600 doentes no âmbito de ensaios clínicos controlados. Nestes doentes, a acuidade visual reduziu em 6,5% dos doentes tratados com pregabalina e 4,8% dos doentes tratados com placebo. Foram detetadas alterações do campo visual em 12,4% dos doentes tratados com pregabalina e 11,7% dos doentes tratados com placebo. Foram observadas alterações fundoscópicas em 1,7% dos doentes tratados com pregabalina e 2,1% dos doentes tratados com placebo.

5.2 Propriedades farmacocinéticas

A farmacocinética da pregabalina, observada no estado estacionário, é similar em voluntários sãos, em doentes com epilepsia medicados com antiepiléticos e em doentes com dor crónica.

Absorção

A pregabalina é absorvida rapidamente quando administrada em jejum, sendo as concentrações plasmáticas máximas atingidas dentro de 1 hora após administração de doses únicas e reiteradas. A biodisponibilidade da pregabalina, por via oral, é de ≥ 90%, sendo independente da dose. Após administração reiterada, o estado estacionário é atingido dentro de 24 a 48 horas. A taxa de absorção da pregabalina diminui quando o fármaco é administrado com alimentos, o que resulta numa redução de cerca de 25-30% no valor de Cmax e num atraso de, aproximadamente, 2,5 horas no valor de tmax. Porém, a administração da pregabalina com alimentos não tem efeitos clinicamente significativos na extensão da absorção da pregabalina.

Distribuição

Nos estudos pré-clínicos, a pregabalina demonstrou atravessar a barreira hematoencefálica em ratinhos, ratos e macacos. Verificou-se que a pregabalina atravessa a placenta em ratos e está presente no leite de fêmeas do rato. Nos humanos, o volume de distribuição aparente de pregabalina, após administração oral, é de, aproximadamente, 0,56 l/kg. A pregabalina não se liga às proteínas plasmáticas.

Biotransformação

A pregabalina sofre metabolização negligenciável nos humanos. Após uma dose de pregabalina marcada radioactivamente, cerca de 98% da radioatividade recuperada na urina correspondiam a pregabalina na forma inalterada. O derivado N-metilado da pregabalina, o principal metabolito da

pregabalina detetado na urina, representava 0,9% da dose. Nos estudos pré-clínicos, não houve indicação de racemização do enantiómero S de pregabalina em enantiómero R.

Eliminação

A pregabalina é eliminada da circulação sistémica principalmente por excreção renal na forma inalterada do fármaco. A semivida média de eliminação da pregabalina é de 6,3 horas. A depuração plasmática e a depuração renal de pregabalina são diretamente proporcionais à depuração da creatinina (ver secção 5.2, Compromisso renal).

É necessário ajustar a dose em doentes com função renal diminuída ou nos hemodialisados (ver secção 4.2, Tabela 1).

Linearidade / não linearidade

A farmacocinética da pregabalina é linear dentro do intervalo posológico diário recomendado. A variabilidade farmacocinética interindividual é baixa (< 20%). A farmacocinética das doses reiteradas é previsível a partir dos dados referentes à dose única. Assim, não existe necessidade de monitorizar as concentrações plasmáticas de pregabalina, por rotina.

Sexo

Os ensaios clínicos indicam que o sexo não tem influência clinicamente significativa nas concentrações plasmáticas da pregabalina.

Compromisso renal

A depuração de pregabalina é diretamente proporcional à depuração da creatinina. Além disto, a pregabalina é, removida do plasma por hemodiálise de forma efetiva (após uma sessão de 4 horas de hemodiálise, as concentrações de pregabalina encontram-se reduzidas em cerca de 50%). Como a eliminação renal é a principal via de eliminação, é necessário reduzir a dose em doentes com compromisso renal e complementar a dose depois da hemodiálise (ver secção 4.2, Tabela 1).

Afeção hepática

Não se realizaram estudos farmacocinéticos específicos em doentes com função hepática comprometida.

Como a pregabalina não sofre metabolismo significativo e é excretada, predominantemente, na urina na sua forma inalterada, não se prevê que a diminuição da função hepática altere, significativamente, as concentrações plasmáticas de pregabalina.

População pediátrica

A farmacocinética da pregabalina foi avaliada em doentes pediátricos com epilepsia (faixas etárias: 1 a 23 meses, 2 a 6 anos, 7 a 11 anos e 12 a 16 anos) com doses de 2,5, 5, 10 e 15 mg/kg/dia, num estudo farmacocinético e de tolerabilidade.

Após a administração da pregabalina por via oral em doentes pediátricos em jejum, em geral, o tempo até à concentração plasmática máxima foi semelhante em toda a faixa etária e ocorreu 0,5 a 2 horas após a dose.

Os parâmetros da Cmax e da AUC da pregabalina aumentaram linearmente com o aumento da dose em cada faixa etária. A AUC foi 30% mais baixa nos doentes pediátricos com um peso inferior a 30 kg devido a um aumento da depuração ajustada ao peso corporal de 43% nestes doentes, em comparação com os doentes com ≥30 kg.

A semivida terminal média da pregabalina foi cerca de 3 a 4 horas em doentes pediátricos até aos 6 anos de idade e de 4 a 6 horas nos doentes com 7 anos de idade ou mais.

A análise farmacocinética da população demonstrou que a depuração da creatinina foi uma covariável significativa da depuração oral da pregabalina, que o peso corporal foi uma covariável significativa do volume de distribuição oral aparente da pregabalina e que estas relações foram semelhantes nos doentes pediátricos e nos doentes adultos.

A farmacocinética da pregabalina em doentes com menos de 3 meses de idade não foi ainda estudada (ver secções 4.2, 4.8 e 5.1).

Idosos

A depuração de pregabalina tende a diminuir com a idade. Esta redução na depuração da pregabalina oral é consistente com as reduções observadas na depuração de creatinina associadas ao envelhecimento. Pode ser necessário reduzir a dose de pregabalina em doentes com compromisso da função renal relacionado com a idade (ver secção 4.2, Tabela 1).

Lactantes

A farmacocinética de 150 mg de pregabalina administrada a cada 12 horas (dose diária de 300 mg) foi avaliada em 10 mulheres a amamentar no mínimo 12 semanas após o parto. A amamentação teve pouca ou nenhuma influência na farmacocinética da pregabalina. A pregabalina foi excretada no leite materno numa concentração média no estado estacionário de aproximadamente 76% da concentração do plasma materno. A dose infantil estimada no leite materno (presumindo um consumo médio de leite materno de 150 ml/kg/dia) de mulheres que tomam 300 mg/dia ou a dose máxima de 600 mg/dia seria de 0,31 ou 0,62 mg/kg/dia, respetivamente. Estas doses estimadas são de, aproximadamente, 7% da dose total diária materna, com base em mg/kg.

5.3 Dados de segurança pré-clínica

Em estudos convencionais de segurança farmacológica realizados em animais, a pregabalina foi bem tolerada em doses clinicamente relevantes. Nos estudos de toxicidade de dose repetida em ratos e macacos, observaram-se efeitos no SNC, nomeadamente hipoatividade, hiperatividade e ataxia.

Verificou-se um aumento da incidência de atrofia da retina, habitualmente observada em ratos albinos idosos, após exposição prolongada a pregabalina, com exposições ≥ 5 vezes a exposição humana média com a dose máxima clinicamente recomendada.

A pregabalina não foi teratogénica em ratinhos, ratos ou coelhos. Só se verificou toxicidade fetal em ratos e coelhos com exposições consideravelmente superiores à exposição humana. Nos estudos de toxicidade pré-natal/pós-natal, a pregabalina induziu toxicidade no desenvolvimento dos descendentes de ratos, com exposições > 2 vezes a exposição humana máxima recomendada.

Foram observados efeitos adversos na fertilidade em ratos macho e fêmea apenas para exposição a terapêuticas suficientemente em excesso. Os efeitos adversos nos órgãos reprodutores masculinos e nos parâmetros do esperma foram reversíveis e ocorreram apenas para exposições a terapêutica suficientemente em excesso ou foram associados com processos degenerativos espontâneos nos órgãos reprodutores masculinos do rato. Por este motivo os efeitos foram considerados de pouca ou nenhuma relevância clínica.

Com base nos resultados de uma bateria de testes in vitro e in vivo, a pregabalina não é genotóxica.

Foram realizados estudos de carcinogenicidade em ratos e ratinhos com duração de dois anos. Não foram observados tumores em ratos com uma exposição 24 vezes superior à exposição humana média de uma dose clínica máxima recomendada de 600 mg/dia. Em ratinhos, não foi detetado um aumento da incidência de tumores com uma exposição similar à exposição humana média, mas foi observado um aumento da incidência de hemangiosarcoma com exposições superiores. O mecanismo não genotóxico de formação de tumores induzidos pela pregabalina em ratinhos envolve alterações plaquetárias e proliferação celular endotelial associada. Estas alterações plaquetárias não estiveram presentes em ratos ou no ser humano em estudos clínicos de curta duração e longa duração limitada. Não existem evidências que sugiram um risco associado para o ser humano.

Em ratos juvenis, os tipos de toxicidade não diferem qualitativamente dos observados em ratos adultos. Contudo, os ratos juvenis, são mais sensíveis. Com exposição a doses terapêuticas, observou- se evidência de sinais clínicos de hiperatividade do SNC e bruxismo, e algumas variações no crescimento (supressão temporária do ganho de peso corporal). Observaram-se efeitos no ciclo de cio

com 5 vezes a exposição terapêutica humana. Observou-se, em ratos juvenis, uma redução da resposta ao alarme sonoro 1-2 semanas depois de uma exposição > 2 vezes à exposição terapêutica humana. Nove semanas após a exposição, este efeito já não foi observado.

6. INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS

6.1 Lista dos excipientes

Para-hidroxibenzoato de metilo (E218) Para-hidroxibenzoato de propilo (E216) Fosfato monossódico anidro

Fosfato dissódico anidro (E339) Sucralose (E955)

Aroma artificial de morango [contém pequenas quantidades de etanol (álcool)] Água purificada

6.2 Incompatibilidades

Não aplicável.

6.3 Prazo de validade

2 anos.

6.4 Precauções especiais de conservação

O medicamento não necessita de quaisquer precauções especiais de conservação.

6.5 Natureza e conteúdo do recipiente

Frasco branco de polietileno de alta densidade (PEAD) com um selo de polietileno, contendo 473 ml de solução oral, em embalagem de cartão. A embalagem de cartão também contém, em invólucro transparente de polietileno, uma seringa para uso oral e um adaptador de pressão para o frasco (PIBA).

6.6 Precauções especiais de eliminação e manuseamento

Não existem requisitos especiais de eliminação.

Modo de administração:

1.Abrir o frasco e numa primeira utilização inserir o adaptador de pressão para o frasco (PIBA) (Figura 1 e 2).

2.Inserir a seringa no PIBA e extrair o volume requerido do frasco invertido (Figuras 3 e 4).

3.Remover a seringa cheia do frasco em posição vertical (Figuras 5 e 6).

4.Esvaziar o conteúdo da seringa na boca (Figura 7). Repetir os passos 2 a 4 conforme necessário para atingir a dose requerida (Tabela 3).

5.Enxaguar a seringa com água e substituir a tampa no frasco (o PIBA permanece no lugar) (Figuras 8 e 9).

Figura 1

Figura 2

Figura 3

Figura 4

Figura 5

Figura 6

Figura 7

Figura 9

Figura 8

Tabela 3. Extrações com a seringa para uso oral para obter a dose prescrita de Lyrica

Dose de

Volume Total da

Primeira

Segunda extração

Terceira

extração da

extração da

Lyrica (mg)

Solução (ml)

da seringa (ml)

seringa (ml)

seringa (ml)

 

 

 

1,25

1,25

Não aplicável

Não aplicável

2,5

2,5

Não aplicável

Não aplicável

3,75

3,75

Não aplicável

Não aplicável

Não aplicável

Não aplicável

7,5

2,5

Não aplicável

Não aplicável

11,25

1,25

7. TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Pfizer Limited

Ramsgate Road

Sandwich

Kent

CT13 9NJ

Reino Unido

8. NÚMERO(S) DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

EU/1/04/279/044

9. DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO/RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Data da primeira autorização: 06 de julho de 2004

Data da última renovação: 06 de julho de 2009

10. DATA DE REVISÃO DO TEXTO

Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet da Agência Europeia de Medicamentos http://www.ema.europa.eu.

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