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Yervoy (ipilimumab) – Resumo das características do medicamento - L01XC11

Updated on site: 11-Oct-2017

Nome do medicamentoYervoy
Código ATCL01XC11
Substânciaipilimumab
FabricanteBristol-Myers Squibb Pharma EEIG

Este medicamento está sujeito a monitorização adicional. Isto irá permitir a rápida identificação de nova informação de segurança. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas. Para saber como notificar reações adversas, ver secção 4.8.

1.NOME DO MEDICAMENTO

YERVOY 5 mg/ml concentrado para solução para perfusão

2.COMPOSIÇÃO QUALITATIVA E QUANTITATIVA

Cada ml de concentrado contém 5 mg de ipilimumab.

Um frasco para injetáveis de 10 ml contém 50 mg de ipilimumab.

Um frasco para injetáveis de 40 ml contém 200 mg de ipilimumab.

O ipilimumab é um anticorpo monoclonal anti-CTLA-4 (IgG1κ) totalmente humano, produzido em células de ovário de hamster chinês por tecnologia de ADN recombinante.

Excipientes com efeito conhecido:

Cada ml de concentrado contém 0,1 mmol de sódio, equivalente a 2,30 mg de sódio.

Lista completa de excipientes, ver secção 6.1.

3.FORMA FARMACÊUTICA

Concentrado para solução para perfusão (concentrado estéril).

Líquido límpido a ligeiramente opalescente, incolor a amarelo pálido que pode conter partículas claras (poucas), com um pH de 7,0 e uma osmolaridade de 260300 mOsm/kg.

4.INFORMAÇÕES CLÍNICAS

4.1Indicações terapêuticas

YERVOY é indicado para o tratamento do melanoma avançado (irressecável ou metastático) em adultos.

4.2Posologia e modo de administração

O tratamento tem de ser iniciado e supervisionado por médicos especialistas com experiência no tratamento de cancro.

Posologia

O regime de indução de YERVOY recomendado é de 3 mg/kg administrado por via intravenosa durante um período de 90 minutos cada 3 semanas para um total de 4 doses. Os doentes devem receber todo o regime de indução (4 doses) como tolerado, independentemente do aparecimento de novas lesões ou agravamento de lesões já existentes. A avaliação da resposta tumoral deve ser realizada apenas após o final da terapia de indução.

Os testes à função hepática (TFH) e à função da tiroide devem ser avaliados no início do tratamento e antes de cada dose de YERVOY. Adicionalmente, quaisquer sinais ou sintomas de reações adversas imunitárias, incluindo diarreia e colite, têm de ser avaliadas durante o tratamento com YERVOY (ver tabelas 1A, 1B e secção 4.4).

Interrupção permanente do tratamento ou atrasar doses

A gestão das reações adversas imunitárias pode requerer atrasar uma dose ou a interrupção permanente da terapia com YERVOY e a instituição de corticosteroides sistémicos em doses elevadas. Em alguns casos, pode ser considerada a adição de outra terapia imunossupressora (ver secção 4.4).

A redução da dose não é recomendada.

As normas orientadoras para a interrupção permanente ou para atrasar doses são descritas nas

tabelas 1A e 1B. As normas orientadoras detalhadas para a gestão de reações adversas imunitárias são descritas na secção 4.4.

Tabela 1A

Quando interromper permanentemente YERVOY

Interromper permanentemente YERVOY em doentes com as seguintes reações adversas. A gestão destas reações adversas pode também requerer terapia com corticosteroides sistémicos em doses elevadas, caso tenha sido demonstrado ou se suspeite que sejam imunitárias (Ver secção 4.4 para normas orientadoras de gestão detalhadas).

Reações adversas graves ou potencialmente fatais

 

Grau NCI-CTCAE v3a

 

 

 

Gastrointestinais:

 

 

Sintomas graves (dor abdominal, diarreia grave ou alteração

Diarreia ou colite de grau 3 ou 4

significativa do número de defecações, sangue nas fezes,

 

 

hemorragia gastrointestinal, perfuração gastrointestinal)

 

 

 

 

 

Hepáticas:

 

AST ou ALT > 8 x LSN ou

Elevações graves na aspartato aminotransferase (AST), alanina

aminotransferase (ALT), bilirrubina total ou sintomas de

Bilirrubina total > 5 x LSN

hepatotoxicidade

 

 

 

 

 

Tecidos cutâneos:

 

 

Erupção cutânea potencialmente fatal (incluindo síndrome de

Erupção cutânea de grau 4 ou

Stevens-Johnson ou necrólise epidérmica tóxica) ou prurido

 

prurido de grau 3

grave disseminado interferindo com as atividades diárias ou

 

 

 

requerendo intervenção médica

 

 

 

 

 

Neurológicas:

Neuropatia motora ou sensorial

Aparecimento ou agravamento de neuropatia grave motora ou

 

de grau 3 ou 4

sensorial

 

 

 

 

 

 

Outros sistemas de órgãosb:

Reações imunitárias de grau ≥ 3c

(por exemplo, nefrite, pneumonite, pancreatite, miocardite não

Afeções oculares imunitárias de

 

grau ≥ 2 que NÃO respondem a

infeciosa)

 

terapia imunossupressora tópica

aOs graus de toxicidade estão de acordo com a versão 3.0 dos critérios de terminologia comuns do National Cancer Institute. (NCI-CTCAE v3).

bQuaisquer outras reações adversas que se tenha demonstrado, ou se suspeite, que sejam imunitárias, devem ser classificadas de acordo com CTCAE. A decisão relativamente à interrupção de YERVOY deve ser baseada na gravidade.

cOs doentes com endocrinopatia grave (grau 3 ou 4) controlada com terapia de substituição hormonal podem

prosseguir com a terapia. LSN = limite superior normal

Tabela 1B

Quando atrasar uma dose de YERVOY

Atrasar uma dose de YERVOYa em doentes com as seguintes reações adversas imunitárias. Ver secção 4.4 para normas orientadoras de gestão detalhadas.

Reações adversas ligeiras a moderadas

 

Ação

 

 

 

Gastrointestinais:

1.

Atrasar a dose até a reação

Diarreia ou colite moderadas que não são controladas com

 

adversa voltar ao grau 1 ou grau 0

gestão médica, que persiste (5-7 dias) ou que é recorrente

 

(ou voltar ao estado inicial).

 

2. Se houver resolução, retomar a

Hepáticas:

 

terapia.d

Elevações moderadas dos níveis de transaminases (AST ou

 

3.

Se não houver resolução,

ALT > 5 a ≤ 8 x LSN) ou bilirrubina total (> 3 a ≤ 5 x LSN)

 

continuar a atrasar as doses até

 

 

 

 

resolução e depois retomar o

Tecidos cutâneos:

 

 

tratamento.d

Erupção cutânea moderada a grave (grau 3)b ou prurido

 

4. Interromper YERVOY se não

disseminado/intenso independentemente da etiologia

 

 

ocorrer resolução para grau 1 ou

Endócrinas:

 

grau 0, ou para o basal.

Reações adversas graves nas glândulas endócrinas, tais como

 

 

hipofisite e tiroidite que não são adequadamente controladas

 

 

com terapia de substituição hormonal ou terapia

 

 

imunossupressora em doses elevadas

 

 

 

 

 

Neurológicas:

 

 

Neuropatia motora inexplicada moderada (grau 2)b, fraqueza

 

 

muscular ou neuropatia sensorial (duração superior a 4 dias)

 

 

Outras reações adversas moderadasc

aNão é recomendada a redução da dose de YERVOY.

bOs graus de toxicidade estão de acordo a versão 3.0 dos critérios de terminologia comuns do National Cancer Institute (NCI-CTCAE v3).

cQuaisquer outras reações adversas sistémicas de órgãos consideradas imunitárias, devem ser classificadas de acordo com CTCAE. A decisão relativamente a atrasar uma dose deve ser baseada na gravidade.

dAté administração de todas as 4 doses ou 16 semanas após a primeira dose, a situação que ocorrer mais cedo.

LSN = limite superior normal

Populações especiais

População pediátrica

A segurança e eficácia de YERVOY em crianças e adolescentes com idade inferior a 18 anos não foram estabelecidas. Não existem dados disponíveis. YERVOY não deve ser utilizado em crianças e adolescentes com idade inferior a 18 anos.

Idosos

No geral, não foram notificadas diferenças na segurança ou eficácia entre os doentes idosos (≥ 65 anos) e mais jovens (< 65 anos). Não é necessário ajuste posológico nesta população.

Compromisso renal

A segurança e eficácia de YERVOY não foram estudadas em doentes com compromisso renal. Com base nos resultados da farmacocinética populacional, não é necessário ajuste posológico específico em doentes com disfunção renal ligeira a moderada (ver secção 5.2).

Compromisso hepático

A segurança e eficácia de YERVOY não foram estudadas em doentes com compromisso hepático. Com base nos resultados da farmacocinética populacional, não é necessário ajuste posológico específico em doentes com compromisso hepático ligeiro (ver secção 5.2). YERVOY tem de ser

administrado com precaução em doentes com níveis de transaminases ≥ 5 x LSN ou níveis de bilirrubina > 3 x LSN no basal (ver secção 5.1).

Modo de administração

YERVOY é para via intravenosa. O período de perfusão recomendado é de 90 minutos.

YERVOY pode ser utilizado para administração intravenosa sem diluição ou pode ser diluído em solução injetável de cloreto de sódio 9 mg/ml (0,9%) ou solução injetável de glucose 50 mg/ml (5%) para concentrações entre 1 e 4 mg/ml.

YERVOY não pode ser administrado por via intravenosa rápida nem como injeção em bólus.

Para instruções acerca do manuseamento do medicamento antes da administração, ver secção 6.6.

4.3Contraindicações

Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes mencionados na secção 6.1.

4.4Advertências e precauções especiais de utilização

Reações relacionadas com o sistema imunitário

Ipilimumab está associado a reações adversas inflamatórias resultantes de atividade imunitária aumentada ou excessiva (reações adversas imunitárias), provavelmente relacionadas com o seu mecanismo de ação. As reações adversas imunitárias, que podem ser graves ou potencialmente fatais, podem ser gastrointestinais, hepáticas, cutâneas, do sistema nervoso, do sistema endócrino ou de outros sistemas de órgãos. Apesar da maioria das reações adversas imunitárias ocorrer durante o período de indução, foi também notificado o aparecimento meses após a última dose de ipilimumab. Caso não tenha sido identificada uma etiologia alternativa, a diarreia, frequência de defecação aumentada, o sangue nas fezes, as elevações nos testes da função hepática, a erupção cutânea e a endocrinopatia têm de ser considerados inflamatórios e relacionados com ipilimumab. Um diagnóstico precoce e uma gestão adequada são essenciais para minimizar as complicações potencialmente fatais. Os corticosteroides sistémicos em doses elevadas com ou sem terapia imunossupressora adicional podem ser necessários para a gestão das reações adversas imunitárias graves. Estão descritas abaixo as normas orientadoras específicas de ipilimumab para as reações adversas imunitárias.

Reações gastrointestinais imunitárias

Ipilimumab está associado a reações gastrointestinais imunitárias graves. Em ensaios clínicos foram notificadas mortes devido a perfuração gastrointestinal (ver secção 4.8).

Em doentes que receberam 3 mg/kg de ipilimumab em monoterapia num estudo de fase 3 de melanoma avançado (irressecável ou metastático) (MDX01020, ver secção 5.1), a mediana do tempo para aparecimento de reações gastrointestinais imunitárias graves ou fatais (grau 3-5) foi de 8 semanas (intervalo 5 a 13 semanas) desde o início do tratamento. Com as normas orientadoras de gestão especificadas no protocolo, na maioria dos casos (90%) ocorreu a resolução (definida como melhoria para ligeiro [grau 1] ou inferior ou para a gravidade no basal) com uma mediana de tempo de 4 semanas (intervalo 0,6 a 22 semanas) desde o aparecimento até à resolução.

Os doentes têm de ser monitorizados quanto a sinais e sintomas gastrointestinais que podem ser indicativos de colite ou perfuração gastrointestinal imunitárias. A apresentação clínica pode incluir diarreia, aumento da frequência de defecações, dor abdominal ou hematoquezia, com ou sem febre. A diarreia ou a colite que ocorrem após o início de ipilimumab têm de ser prontamente avaliadas para excluir infeções ou outras etiologias alternativas. Em ensaios clínicos, a colite imunitária foi associada a evidência de inflamação das mucosas, com ou sem ulcerações, e infiltração de linfócitos e neutrófilos.

As recomendações de gestão da diarreia ou colite são baseadas na gravidade dos sintomas (pela classificação de gravidade NCI-CTCAE v3). Os doentes com diarreia (um aumento de defecações até 6 vezes por dia) ligeira a moderada (grau 1 ou 2) ou com suspeita de colite ligeira a moderada (por exemplo dor abdominal ou sangue nas fezes) podem permanecer em tratamento com ipilimumab. São aconselhados tratamento sintomático (por exemplo loperamida, reposição de fluidos) e monitorização cuidadosa. Se os sintomas ligeiros a moderados recorrerem ou persistirem durante 5-7 dias, a dose programada de ipilimumab deve ser atrasada e deve ser iniciada a terapia com corticosteroides (por exemplo, 1 mg/kg de prednisona por via oral uma vez por dia, ou equivalente). Se ocorrer resolução para graus 0-1 ou para o valor inicial, ipilimumab pode ser retomado (ver secção 4.2).

Ipilimumab tem de ser interrompido permanentemente em doentes com diarreia ou colite graves (grau 3 ou 4) (ver secção 4.2) e deve ser iniciada imediatamente terapia intravenosa sistémica com doses elevadas de corticosteroides (em ensaios clínicos foram utilizados 2 mg/kg/dia de metilprednisolona). Quando a diarreia e outros sintomas estiverem controlados, pode-se começar a diminuir a dose de corticosteroides com base na avaliação clínica. Em ensaios clínicos, a diminuição rápida (durante períodos < 1 mês) resultou na recorrência de diarreia ou colite em alguns doentes. Os doentes têm de ser avaliados quanto a evidência de perfuração gastrointestinal ou peritonite.

A experiência de ensaios clínicos na gestão da diarreia ou colite refractária a corticosteroides é limitada. No entanto, pode ser considerada a adição de um agente imunossupressor alternativo ao regime de corticosteroides. Em ensaios clínicos, foi adicionada uma dose única de 5 mg/kg de infliximab, a não ser que estivesse contraindicado. O infliximab não pode ser utilizado se houver suspeita de perfuração gastrointestinal ou septicemia (ver o Resumo das Características do Medicamento de infliximab).

Hepatotoxicidade imunitária

Ipilimumab é associado a hepatoxicidade imunitária grave. Em ensaios clínicos foi notificada insuficiência hepática fatal (ver secção 4.8).

Em doentes que receberam 3 mg/kg de ipilimumab em monoterapia no estudo MDX01020, o tempo para o aparecimento de hepatotoxicidade imunitária moderada a grave ou fatal (grau 2-5) variou de 3 a 9 semanas desde o início do tratamento. Com as normas orientadoras de gestão especificadas no protocolo, o tempo para a resolução variou de 0,7 a 2 semanas.

As transaminases hepáticas e a bilirrubina têm de ser avaliadas antes de cada dose de ipilimumab, uma vez que as alterações laboratoriais precoces podem ser indicativas do aparecimento de hepatite imunitária (ver secção 4.2). Podem-se desenvolver elevações nos testes à função hepática com ausência de sintomas clínicos. As elevações na AST e ALT ou bilirrubina total devem ser avaliadas para excluir outras causas de lesão hepática, incluindo infeções, progressão do tumor ou medicação concomitante e monitorizar até à resolução. As biópsias hepáticas de doentes que tinham hepatotoxicidade imunitária mostraram evidência de inflamação aguda (neutrófilos, linfócitos e macrófagos).

Para os doentes com AST ou ALT elevada no intervalo de > 5-≤ 8 x LSN ou bilirrubina total elevada no intervalo de > 3-≤ 5 x LSN que se suspeite estar relacionada com ipilimumab, a dose programada de ipilimumab deve ser atrasada e os testes à função hepática têm de ser monitorizados até à resolução. Após melhoria dos níveis dos testes à função hepática (AST e ALT ≤ 5 x LSN e bilirrubina total ≤ 3 x LSN), o ipilimumab pode ser retomado (ver secção 4.2).

Para os doentes com elevações das AST ou ALT > 8 x LSN ou bilirrubina > 5 x LSN que se suspeite estarem relacionadas com ipilimumab, o tratamento tem de ser permanentemente interrompido (ver secção 4.2) e deve ser instituída imediatamente terapia com corticosteroides sistémicos intravenosos em doses elevadas (por exemplo, 2 mg/kg/dia de metilprednisolona, ou equivalente). Nestes doentes, os testes à função hepática têm de ser monitorizados até à normalização. Após resolução dos sintomas e os testes à função hepática mostrarem uma melhoria sustentada ou voltarem aos valores basais, o início da diminuição dos corticosteroides deve ser baseado na avaliação clínica. A diminuição deve ocorrer durante um período de, pelo menos, 1 mês. As elevações nos testes à função hepática durante a

diminuição podem ser geridas com um aumento na dose de corticosteroide e uma diminuição mais lenta.

Para os doentes com elevações significativas nos testes à função hepática refratários à terapia com corticosteroides, pode ser considerada a adição de agente imunossupressor alternativo ao regime com corticosteroides. Nos ensaios clínicos foi utilizado o micofenolato de mofetil nos doentes sem resposta à terapia com corticosteroides, ou que tivessem uma elevação no teste à função hepática durante a diminuição de corticosteroides que não respondeu a um aumento da dose de corticosteroides (ver o Resumo das Características do Medicamento do micofenolato de mofetil).

Reações adversas cutâneas imunitárias

Ipilimumab é associado a reações adversas cutâneas graves que podem ser imunitárias. A necrólise epidérmica tóxica (incluindo casos fatais) e a reação medicamentosa com eosinofilia e sintomas sistémicos (DRESS) têm sido notificadas em ensaios clínicos e durante a utilização pós- comercialização (ver secção 4.8).

A DRESS apresenta-se como uma erupção cutânea com eosinofilia associada a uma ou mais das seguintes características: febre, linfadenopatia, edema facial, e envolvimento de orgãos internos (envolvimento hepático, renal, pulmonar). A DRESS pode ser caracterizada por um período longo de latência (duas a oito semanas) entre a exposição ao medicamento e o aparecimento da doença.

Deve ter-se precaução ao considerar-se o uso de Yervoy em doentes que experienciaram previamente uma reação adversa grave ou uma reação fatal da pele mediante terapêutica imunoestimuladora prévia contra o cancro.

As erupções cutâneas e o prurido induzidos por ipilimumab foram predominantemente ligeiros ou moderados (grau 1 ou 2) e responderam à terapia sintomática. Nos doentes que receberam 3 mg/kg de ipilimumab em monoterapia no estudo MDX010-20, a mediana do tempo para o aparecimento de reações adversas cutâneas moderadas a graves ou fatais (grau 25) desde o início do tratamento foi de 3 semanas (intervalo 0,9-16 semanas). Com as normas orientadoras especificadas no protocolo, a resolução ocorreu na maioria dos casos (87%), com uma mediana do tempo desde o aparecimento até à resolução de 5 semanas (intervalo 0,6 a 29 semanas).

As erupções cutâneas e o prurido induzidos por ipilimumab devem ser geridos com base na gravidade. Os doentes com uma reação adversa cutânea ligeira a moderada (grau 1 ou 2) podem permanecer na terapia com ipilimumab com tratamento sintomático (por exemplo, anti-histamínicos). Para a erupção cutânea ou prurido ligeiros a moderados que persistem durante 1 a 2 semanas e não melhoram com corticosteroides tópicos, deve ser iniciada a terapia oral com corticosteroides (por exemplo, 1 mg/kg de prednisona uma vez por dia, ou equivalente).

Para os doentes com uma reação adversa cutânea grave (grau 3), a dose programada de ipilimumab deve ser atrasada. Se os sintomas iniciais melhorarem para ligeiros (grau 1) ou se houver resolução, a terapia com ipilimumab pode ser retomada (ver secção 4.2).

Ipilimumab tem de ser interrompido permanentemente em doentes com uma erupção cutânea muito grave (grau 4) ou prurido grave (grau 3) (ver secção 4.2), e deve ser instituída imediatamente terapia com corticosteroides sistémicos intravenosos em doses elevadas (por exemplo, 2 mg/kg/dia de metilprednisolona). Quando a erupção cutânea ou o prurido estiverem controlados, o início da diminuição de corticosteroides deve ser baseado na avaliação clínica. A diminuição deve ocorrer durante um período de, pelo menos, 1 mês.

Reações neurológicas imunitárias

Ipilimumab é associado a reações adversas neurológicas imunitárias graves. Em ensaios clínicos foi notificado síndrome de GuillainBarré fatal. Foram também notificados sintomas tipo miastenia grave

(ver secção 4.8). Os doentes podem apresentar fraqueza muscular. Pode também ocorrer neuropatia sensorial.

A neuropatia motora inexplicável, a fraqueza muscular ou a neuropatia sensorial com duração > 4 dias têm de ser avaliadas e devem ser excluídas as causas não inflamatórias, tais como a progressão da doença, infeções, síndromes metabólicos e medicação concomitante. Para os doentes com neuropatia (motora, sensorial ou não) moderada (grau 2), provavelmente relacionada com ipilimumab, deve ser atrasada a dose programada. Se os sintomas neurológicos voltarem ao basal, o doente pode retomar ipilimumab (ver secção 4.2).

Ipilimumab tem de ser interrompido permanentemente em doentes com neuropatia sensorial grave (grau 3 ou 4) que se suspeite ser relacionada com ipilimumab (ver secção 4.2). Os doentes têm de ser tratados de acordo com as normas orientadoras institucionais para a gestão da neuropatia sensorial e devem ser imediatamente iniciados corticosteroides intravenosos (por exemplo, 2 mg/kg/dia de metilprednisolona).

Os sinais progressivos de neuropatia motora têm de ser considerados imunitários e geridos em conformidade. Ipilimumab tem de ser permanentemente interrompido em doentes com neuropatia motora grave (grau 3 ou 4), independentemente da causalidade (ver secção 4.2).

Endocrinopatia imunitária

Ipilimumab pode causar inflamação dos órgãos do sistema endócrino, manifestando-se por hipofisite, hipofunção hipofisária, insuficiência supra-renal e hipotiroidismo (ver secção 4.8), e os doentes podem apresentar sintomas não específicos que podem assemelhar-se a outras causas, como metástases cerebrais ou doença subjacente. A apresentação clínica mais frequente inclui cefaleias e fadiga. Os sintomas também podem incluir defeito do campo visual, alterações do comportamento, perturbação dos eletrólitos e hipotensão. A crise supra-renal tem de ser excluída como causa dos sintomas do doente. A experiência clínica de endocrinopatia associada ao ipilimumab é limitada.

Nos doentes que receberam 3 mg/kg de ipilimumab em monoterapia no estudo MDX01020, o tempo para o aparecimento de endocrinopatia imunitária moderada a muito grave (grau 24) variou de 7 a perto de 20 semanas desde o início do tratamento. A endocrinopatia imunitária observada nos ensaios clínicos foi geralmente controlada com terapia imunossupressora e terapia de substituição hormonal.

Se houver quaisquer sinais de crise supra-renal tais como desidratação grave, hipotensão ou choque, é recomendada a administração imediata de corticosteroides intravenosos com atividade mineralocorticóide, e o doente tem de ser avaliado quanto à presença de sepsia ou infeções. Se houver sinais de insuficiência supra-renal mas o doente não estiver em crise supra-renal, devem ser consideradas investigações adicionais, incluindo avaliação laboratorial e imagiológica. A avaliação dos resultados laboratoriais para avaliar a função endócrina pode ser realizada antes de ser iniciada a terapia com corticosteroides. Se a imagiologia da hipófise ou os testes à função endócrina estiverem alterados, é recomendado um ciclo curto de terapia com corticosteroides em dose elevada (por exemplo, 4 mg de dexametasona cada 6 horas, ou equivalente) para tratar a inflamação da glândula afetada, e a dose de ipilimumab programada deve ser atrasada (ver secção 4.2). Atualmente desconhece-se se o tratamento com corticosteroides reverte a disfunção da glândula. Também deve ser iniciada a substituição hormonal adequada. Pode ser necessária a terapia de substituição hormonal a longo prazo.

Quando os sintomas ou alterações laboratoriais estiverem controlados e for evidente a melhoria geral do doente, o tratamento com ipilimumab pode ser retomado e o início da diminuição de corticosteroides deve ser baseada na avaliação clínica. A diminuição deve ocorrer durante um período de, pelo menos, 1 mês.

Outras reações adversas imunitárias

Em doentes que receberam 3 mg/kg de ipilimumab em monoterapia no estudo MDX01020 foram notificadas as reações adversas que se seguem, que se suspeita serem imunitárias: uveíte, eosinofilia,

elevação da lipase e glomerulonefrite. Adicionalmente, em doentes tratados com 3 mg/kg de ipilimumab + vacina péptido gp100 no estudo MDX01020 foram notificados irite, anemia hemolítica, elevações da amilase, insuficiência multiorgânica e pneumonite (ver secção 4.8). Foram notificados casos da síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada pós-comercialização (ver secção 4.8). Em ensaios clínicos foram notificadas mortes devido a perfuração gastrointestinal (ver secção 4.8).

Estas reações, se forem graves (grau 3 ou 4), podem requerer a terapia sistémica imediata com corticosteroides em dose elevada e a interrupção de ipilimumab (ver secção 4.2). Para a uveíte, irite ou episclerite relacionados com ipilimumab, devem ser considerados colírios com corticosteroides tópicos conforme medicamente indicado.

Populações especiais

Os doentes com melanoma ocular, melanoma primário do SNC e metástases cerebrais ativas não foram incluídos no ensaio clínico principal (ver secção 5.1).

Reação à perfusão

Em ensaios clínicos houve notificações isoladas de reações graves à perfusão. No caso de uma reação grave à perfusão, a perfusão de ipilimumab tem de ser interrompida e administrada terapia médica adequada. Os doentes com reação moderada à perfusão podem receber ipilimumab com monitorização cuidadosa. Pode ser considerada pré-medicação com antipiréticos e anti-histamínicos.

Doentes com doença autoimune

Os doentes com antecedentes de doença autoimune (para além de vitiligo e de deficiências endócrinas adequadamente controladas como hipotiroidismo) incluindo os que requerem terapia imunossupressora sistémica para doença autoimune -preexistente ou para manutenção do enxerto de órgão transplantado não foram avaliados em ensaios clínicos. O ipilimumab é um potenciador das células T que permite a resposta imunitária (ver secção 5.1) e pode interferir com a terapia imunossupressora, resultando numa exacerbação da doença subjacente ou num risco aumentado de rejeição do enxerto. Ipilimumab deve ser evitado em doentes com doença autoimune ativa grave nos quais a ativação imunitária adicional seja iminentemente potencialmente fatal. Noutros doentes com antecedentes de doença autoimune, o ipilimumab deve ser utilizado com precaução após consideração cuidadosa do potencial risco-benefício para cada indivíduo.

Doentes com ingestão controlada de sódio

Cada ml do medicamento contém 0,1 mmol (ou 2,30 mg) de sódio. Esta informação deve ser tida em consideração em doentes com ingestão controlada de sódio.

Administração concomitante com vemurafenib

Num ensaio de fase I, foram notificados aumentos assintomáticos de grau 3 das transaminases (ALT/AST > 5 × LSN) e da bilirrubina (bilirrubina total > 3 × LSN) com a administração concomitante de ipilimumab (3 mg/kg) e vemurafenib (960 mg BID ou 720 mg BID). Com base nestes dados preliminares, a administração concomitante de ipilimumab e vemurafenib não é recomendada.

4.5Interações medicamentosas e outras formas de interação

O ipilimumab é um anticorpo monoclonal humano que não é metabolizado pelas enzimas do citocromo P450 (CYP) nem por outras enzima que metabolizam fármacos.

Foi realizado um estudo de interação medicamentosa em que o ipilimumab foi administrado isoladamente e em associação com quimioterapia (dacarbazina ou paclitaxel/carboplatina) para avaliar a interação com isoenzimas CYP (especialmente CYP1A2, CYP2E1, CYP2C8 e CYP3A4) em doentes com melanoma avançado não previamente tratados. Não foram observadas interações

farmacocinéticas fármaco-fármaco clinicamente relevantes entre o ipilimumab e paclitaxel/carboplatina, dacarbazina ou o seu metabolito 5aminoimidazol4carboxamida.

Outras formas de interação

Corticosteroides

A utilização de corticosteroides sistémicos no basal, antes do início de ipilimumab, deve ser evitada devido à potencial interferência com a atividade farmacodinâmica e eficácia de ipilimumab. No entanto, os corticosteroides sistémicos ou outros imunossupressores podem ser utilizados após o início de ipilimumab para tratar as reações adversas imunitárias. A utilização de corticosteroides sistémicos após o início do tratamento com ipilimumab não parece comprometer a eficácia de ipilimumab.

Anticoagulantes

Sabe-se que a utilização de anticoagulantes aumenta o risco de hemorragia gastrointestinal. Uma vez que a hemorragia gastrointestinal é uma reação adversa com ipilimumab (ver secção 4.8), os doentes que requerem terapia anticoagulante concomitante devem ser monitorizados cuidadosamente.

4.6Fertilidade, gravidez e aleitamento

Gravidez

A quantidade de dados sobre a utilização de ipilimumab em mulheres grávidas é inexistente. Os estudos em animais revelaram toxicidade reprodutiva (ver secção 5.3). A IgG1 humana atravessa a barreira placentária. O risco potencial do tratamento para os fetos em desenvolvimento é desconhecido. YERVOY não é recomendado durante a gravidez e em mulheres com potencial para engravidar que não utilizam métodos contracetivos eficazes, a menos que o benefício clínico compense o potencial risco.

Amamentação

Verificou-se a presença de níveis muito baixos de ipilimumab no leite de macacos cinomolgos tratados durante a gravidez. Desconhece-se se ipilimumab é secretado no leite humano. A excreção de IgGs no leite humano é geralmente limitada e as IgGs têm uma baixa biodisponibilidade oral. Não se espera exposição sistémica significativa dos lactentes e não são esperados quaisquer efeitos sobre os recém- nascidos/lactentes amamentados. No entanto, devido ao potencial para reações adversas em lactentes amamentados, tem que ser tomada uma decisão sobre a descontinuação da amamentação ou a descontinuação da terapêutica com YERVOY, tendo em conta o benefício da amamentação para a criança e o benefício da terapêutica com YERVOY para a mulher.

Fertilidade

Não foram realizados estudos para avaliar o efeito do ipilimumab na fertilidade. Consequentemente, o efeito de ipilimumab na fertilidade masculina e feminina é desconhecido.

4.7Efeitos sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas

Os efeitos de YERVOY sobre a capacidade de conduzir e utilizar máquinas são reduzidos.

Devido às potenciais reações adversas, tais como fadiga (ver secção 4.8), os doentes devem ser avisados para terem precaução quando conduzirem ou operarem máquinas, até que saibam que ipilimumab não os afeta.

4.8Efeitos indesejáveis

Resumo do perfil de segurança

Ipilimumab foi administrado a aproximadamente 10.000 doentes num programa clínico avaliando a sua utilização com várias doses e em vários tipos de tumor. Os dados abaixo refletem a exposição a 3 mg/kg de ipilimumab em ensaios clínicos de melanoma, a não ser que seja especificado o contrário. No estudo MDX01020 de fase 3 (ver secção 5.1), os doentes receberam uma mediana de 4 doses (intervalo 1-4).

Ipilimumab é mais frequentemente associado com reações adversas resultantes de atividade imunitária aumentada ou excessiva. A maioria destas, incluindo as reações graves, tiveram resolução após o início de terapia médica adequada ou após ipilimumab ser retirado (ver secção 4.4 para a gestão de reações adversas imunitárias).

Em doentes que receberam 3 mg/kg de ipilimumab em monoterapia no estudo MDX01020, as reações adversas notificadas mais frequentemente (≥ 10% dos doentes) foram diarreia, erupção cutânea, prurido, fadiga, náuseas, vómitos, apetite diminuído e dor abdominal. A maioria foram ligeiras a moderadas (grau 1 ou 2). A terapia com Ipilimumabfoi interrompida devido a reações adversas

em 10% dos doentes.

Lista tabelar de reações adversas

As reações adversas notificadas em doentes com melanoma avançado tratados com 3 mg/kg de ipilimumab em ensaios clínicos (n= 767) estão apresentadas na tabela 2.

Estas reações são apresentadas por classes de sistemas de órgãos e por frequência. As frequências são definidas como: muito frequentes (≥ 1/10); frequentes (≥ 1/100 a < 1/10); pouco frequentes (≥ 1/1.000 a < 1/100); raras (≥ 1/10.000 a < 1/1.000); muito raras (< 1/10.000). As reações adversas são apresentados por ordem decrescente de gravidade dentro de cada classe de frequência. As taxas de reações adversas imunitárias nos doentes positivos para o HLAA2*0201 que receberam ipilimumab no estudo MDX01020 foram similares aos observados no programa clínico em geral.

O perfil de segurança do ipilimumab 3 mg/kg em doentes que não tenham feito quimioterapia prévia agrupados de ensaios clínicos de Fase 2 e 3 (n= 75; tratados) e em doentes não previamente tratados em dois estudos observacionais restrospetivos (n= 273 e n= 157) foi similar ao do melanoma avançado previamente tratado.

Tabela 2: Reações adversas em doentes com melanoma avançado tratados com 3 mg/kg de ipilimumab (n= 767)a

Infeções e infestações

Pouco

 

sepsiab, choque sépticob, infeção do trato urinário, infeção das vias respiratórias

frequentes

 

 

Neoplasias benignas, malignas e não especificadas (incluindo quistos e polipos)

Frequentes

 

dor tumoral

Pouco

 

síndroma paraneoplásico

frequentes

 

 

Doenças do sangue e do sistema linfático

Frequentes

 

anemia, linfopenia

Pouco

 

anemia hemolíticab, trombocitopenia, eosinofilia, neutropenia

frequentes

 

 

Doenças do sistema imunitário

Pouco

 

hipersensibilidade

frequentes

 

 

Muito raras

 

reação anafilática

Doenças endócrinas

Frequentes

 

hipofunção hipofisária (incluindo hipofisite)c, hipotiroidismoc

Pouco

 

insuficiência supra-renalc, insuficiência adrenocortical secundáriad, hipertiroidismoc,

frequentes

 

hipogonadismo

Raros

 

tiroidite autoimune, tiroidited

Doenças do metabolismo e da nutrição

Muito

 

apetite diminuído

frequentes

 

 

Frequentes

 

desidratação, hipocaliemia

Pouco

 

hiponatremia, alcalose, hipofosfatemia, síndrome de lise tumoral, hipocalcemiad

frequentes

 

 

Perturbações do

foro psiquiátrico

Frequentes

 

estado confusional

Pouco

 

mudanças do estado mental, depressão, líbido diminuída

frequentes

 

 

Doenças do sistema nervoso

Frequentes

 

neuropatia sensorial periférica, tonturas, cefaleias, letargia

Pouco

 

síndrome Guillain-Barréb,c, meningite (assética), neuropatia central autoimune

frequentes

 

(encefalite)d,síncope, neuropatia craniana, edema cerebral, neuropatia periférica,

 

 

ataxia, tremor, mioclonia, disartria

Raros

 

miastenia graved

Afeções oculares

 

 

Frequentes

 

visão turva, dor ocular

Pouco

 

uveitec, hemorragia no vítreo, iritec, edema do olhod, blefarited, acuidade visual

frequentes

 

diminuída, sensação de corpo estranho nos olhos, conjuntivite

Frequência

 

síndrome de Vogt-Koyanagi-Haradae

desconhecida

 

 

Cardiopatias

 

 

Pouco

 

arritmia, fibrilhação auricular

frequentes

 

 

Vasculopatias

 

 

Frequentes

hipotensão, afrontamento, rubor quente

Pouco

vasculite, angiopatiab, isquemia periférica, hipotensão ortostática

frequentes

 

Raros

arterite temporald

Doenças respiratórias, torácicas e do mediastino

Frequentes

dispneia, tosse

Pouco

insuficiência respiratória, síndrome de sofrimento respiratório agudob, infiltração

frequentes

pulmonar, edema pulmonar, pneumonite, rinite alérgica

Doenças gastrointestinais

Muito

diarreiac, vómitos, náuseas

frequentes

 

Frequentes

hemorragia gastrointestinal, coliteb,c, obstipação, doença de refluxo gastroesofágico,

 

dor abdominal, inflamação da mucosad

Pouco

perfuração gastrointestinalb,c, perfuração do intestino grossob,c, perfuração

frequentes

intestinalb,c, peritoniteb, gastroenterite, diverticulite, pancreatite, enterocolite, úlcera

 

gástrica, úlcera do intestino grosso, esofagite, íleod

Raros

proctited

Afeções hepatobiliares

Frequentes

função hepática anormal

Pouco

insuficiência hepáticab,c, hepatite, hepatomegalia, icterícia

frequentes

 

Muito frequentes Frequentes
Pouco frequentes Raros

Afeções dos tecidos cutâneos e subcutâneos erupção cutâneac, pruridoc

dermatite, eritema, vitiligo, urticária, eczemad, alopécia, suores noturnos, xerose cutânea

necrólise epidérmica tóxicab,c, vasculite leucocitoclástica, exfoliação cutânea, alterações na cor do cabelod

eritema multiformed, psoríased, reação medicamentosa com eosinofilia e sintomas sistémicos (DRESS)d

Afeções musculosqueléticas e dos tecidos subcutâneos

Frequentes

artralgia, mialgia, dor musculosquelética, espasmos musculares

Pouco

polimialgia reumática, miosited, artrite, fraqueza musculard

frequentes

 

Raros

polimiosited

Doenças renais

e urinárias

Pouco

insuficiência renalb, glomerulonefritec, nefrite autoimuned, acidose tubular renal,

frequentes

hematúriad

Raros

proteinúriad

Doenças dos órgãos genitais e da mama

Pouco

amenorreia

frequentes

 

Perturbações gerais e alterações no local de administração

Muito

fadiga, reação no local da injeção, pirexia

frequentes

 

Frequentes

arrepios, astenia, edema, dor, estado gripald

Pouco

insuficiência multiorgânicab,c, síndrome de resposta inflamatória sistémicad, reação

frequentes

associada a perfusão intravenosa

Exames complementares de diagnóstico

Frequentes

alanina aminotransferase aumentadac, aspartato aminotransferase aumentadac,

 

fosfatase alcalina no sangue aumentadad, bilirrubinemia aumentada, peso diminuído

Pouco

gama-glutamiltransferase aumentadad, creatininemia aumentada, tirotropina no

frequentes

sangue aumentada, cortisol no sangue diminuído, corticotrofina no sangue diminuída,

 

lipase aumentadac, amilasemia aumentada c, anticorpos antinucleares positivosd,

 

testosterona no sangue diminuída

Raros

tirotropina no sangue diminuídad, tiroxina diminuídad, prolactinemia anormald

aAs frequências são baseadas em dados agrupados de 9 ensaios clínicos em que se investigou a dose de 3 mg/kg de ipilimumab no melanoma.

bIncluindo desfecho fatal.

cÉ fornecida informação adicional sobre estas reações adversas potencialmente inflamatórias em “Descrição de reações adversas selecionadas” e na secção 4.4. Os dados apresentados nestas secções refletem principalmente a experiência do MDX01020, um estudo de fase 3.

dFoi incluída nas determinações da frequência informação fora dos 9 ensaios clínicos em melanoma completados.

eEvento pós-comercialização (ver também secção 4.4).

Foram notificadas reações adversas adicionais não listadas na tabela 2 em doentes que receberam outras doses (quer < ou > 3 mg/kg) de ipilimumab em ensaios clínicos de melanoma. Estas reações adicionais ocorreram numa frequência < 1%, salvo disposição em contrário: menigismo, miocardite, derrame pericárdico, cardiomiopatia, hepatite autoimune, eritema nodoso, pancreatite autoimune, hiperpituitarismo, hipoparatiroidismo, peritonite infeciosa, episclerite, esclerite, fenómeno de Raynaud, síndrome de eritrodisestesia palmoplantar, síndrome de libertação de citocinas, sarcoidose, gonadotrofina no sangue diminuída, leucopenia, policitemia, linfocitose, miosite ocular, e hipoacusia neurosensorial.

Descrição de reações adversas selecionadas

Os dados para as reações adversas que se seguem, exceto onde for indicado, são baseadas em doentes que receberam 3 mg/kg de ipilimumab em monoterapia (n= 131) ou 3 mg/kg de ipilimumab em

associação com gp100 (n= 380) num estudo de fase 3 em melanoma avançado (irressecável ou metastático) (MDX01020, ver secção 5.1). As normas orientadoras para gestão destas reações adversas são descritas na secção 4.4.

Reações gastrointestinais imunitárias

Ipilimumab é associado a reações gastrointestinais imunitárias graves. Foram notificados casos fatais devido a perfuração gastrointestinal em < 1% dos doentes que receberam 3 mg/kg de ipilimumab em associação com gp100.

No grupo de 3 mg/kg de ipilimumab em monoterapia, foram notificados diarreia e colite de qualquer gravidade em 27% e 8%, respetivamente. A frequência de diarreia grave (grau 3 ou 4) e de colite grave (grau 3 ou 4) foi de 5%. A mediana do tempo para o aparecimento de reações gastrointestinais imunitárias graves ou fatais (grau 3 a 5) desde o início do tratamento foi de 8 semanas (intervalo 5 a 13 semanas). Com as normas orientadoras de gestão especificadas no protocolo, a resolução (definida como melhoria para ligeiro [grau 1] ou inferior ou para a gravidade no basal) ocorreu na maioria dos casos (90%) com uma mediana de tempo desde o aparecimento até à resolução de 4 semanas (intervalo 0,6 a 22 semanas). Nos ensaios clínicos, a colite imunitária foi associada à evidência de inflamação das mucosas, com ou sem ulcerações, e a infiltração de linfócitos e de neutrófilos.

Hepatotoxicidade imunitária

Ipilimumab é associado a hepatoxicidade imunitária grave. Foi notificada insuficiência hepática fatal em < 1% dos doentes que receberam 3 mg/kg de ipilimumab em monoterapia.

Foram notificados aumentos da AST e ALT de qualquer gravidade em 1% e 2% dos doentes, respetivamente. Não houve notificações de elevação da AST ou ALT grave (grau 3 ou 4). O tempo para o aparecimento de hepatotoxicidade imunitária moderada a grave ou fatal (grau 2-5) variou de 3 a 9 semanas desde o início do tratamento. Com as normas orientadoras especificadas no protocolo, o tempo para a resolução variou de 0,7 a 2 semanas. Nos ensaios clínicos, as biópsias hepáticas de doentes que tinham hepatotoxicidade imunitária mostraram evidência de inflamação aguda (neutrófilos, linfócitos e macrófagos).

A hepatotoxicidade imunitária ocorreu mais frequentemente em doentes a receber ipilimumab em doses mais elevadas do que as recomendadas em associação com dacarbazina, do que em doentes a receber ipilimumab 3 mg/kg em monoterapia.

Reações adversas cutâneas imunitárias

Ipilimumab é associado a reações adversas cutâneas graves que podem ser imunitárias. Foi notificada necrólise epidérmica tóxica fatal em < 1% dos doentes que receberam 3 mg/kg de ipilimumab em associação com gp100 (ver secção 5.1). A reação medicamentosa com eosinofilia e sintomas sistémicos (DRESS) foi raramente notificada com Ipilimumab em estudos clínicos e durante a utilização pós-comercialização.

No grupo de 3 mg/kg de ipilimumab em monoterapia, foram notificados erupções cutâneas e prurido de qualquer gravidade em 26% dos doentes. As erupções cutâneas e o prurido induzidos por ipilimumab foram predominantemente ligeiros (grau 1) ou moderados (grau 2) e responderam à terapia sintomática. A mediana do tempo para o aparecimento de reações adversas cutâneas moderadas a graves ou fatais (grau 2 a 5) desde o início do tratamento foi de 3 semanas (intervalo 0,9 a 16 semanas). Com as normas orientadoras especificadas no protocolo, a resolução ocorreu na maioria dos casos (87%), com uma mediana do tempo desde o aparecimento até à resolução de 5 semanas (intervalo 0,6 a 29 semanas).

Reações neurológicas imunitárias

Ipilimumab é associado a reações adversas neurológicas imunitárias graves. Foi notificado síndrome de Guillain-Barré fatal em < 1% dos doentes que receberam 3 mg/kg de ipilimumab em associação com gp100. Foram também notificados sintomas tipo miastenia grave em < 1% dos doentes que receberam doses mais elevadas de ipilimumab em ensaios clínicos.

Endocrinopatia imunitária

No grupo de 3 mg/kg de ipilimumab em monoterapia, foi notificada hipofunção hipofisária de qualquer gravidade em 4% dos doentes. Foi notificada insuficiência supra-renal, hipertiroidismo e hipotiroidismo de qualquer gravidade em 2% dos doentes. Foi notificada hipofunção hipofisária grave (grau 3 ou 4) em 3% dos doentes. Não houve notificações de insuficiência supra-renal, hipertiroidismo e hipotiroidismo graves ou muito graves (grau 3 ou 4). O tempo para o aparecimento de endocrinopatia imunitária moderada a muito grave (grau 2 a 4) variou de 7 a perto de 20 semanas desde o início do tratamento. A endocrinopatia imunitária observada nos ensaios clínicos foi geralmente controlada com terapia de substituição hormonal.

Outras reações adversas imunitárias

Foram notificadas em < 2% dos doentes que receberam 3 mg/kg de ipilimumab em monoterapia as reações adversas que se seguem, que se suspeita serem imunitárias: uveíte, eosinofilia, elevação da lipase e glomerulonefrite. Adicionalmente, em doentes tratados com 3 mg/kg de ipilimumab em associação com a vacina péptido gp100 no estudo MDX010-20 foram notificados irite, anemia hemolítica, elevações da amilase, insuficiência multiorgânica e pneumonite.

Notificação de suspeitas de reações adversas

A notificação de suspeitas de reações adversas após a autorização do medicamento é importante, uma vez que permite uma monitorização contínua da relação benefício-risco do medicamento. Pede-se aos profissionais de saúde que notifiquem quaisquer suspeitas de reações adversas através do sistema nacional de notificação mencionado no Apêndice V.

4.9Sobredosagem

A dose máxima tolerada de ipilimumab não foi determinada. Nos ensaios clínicos, os doentes receberam até 20 mg/kg sem efeitos tóxicos aparentes.

Em caso de sobredosagem, os doentes têm de ser cuidadosamente monitorizados quanto a sinais ou sintomas de reações adversas e instituído tratamento sintomático adequado.

5.PROPRIEDADES FARMACOLÓGICAS

5.1Propriedades farmacodinâmicas

Grupo farmacoterapêutico: Medicamentos antineoplásicos, anticorpos monoclonais Código ATC: L01XC11.

Mecanismo de ação

O antigénio 4 do linfócito T citotóxico (CTLA4) é um regulador chave da atividade das células T. O ipilimumab é um inibidor do ponto de controlo imunológico CTLA4que bloqueia os sinais inibitórios das células T induzidos por via do CTLA4, aumentando o número de células T efetoras reativas que mobilizam-se para criar um ataque imunológico direto das células T contra as células tumorais. O bloqueio de CTLA4 pode também reduzir a função reguladora da célula T, o que pode contribuir para uma resposta imunológica antitumoral. Ipilimumab pode reduzir seletivamente as células T reguladoras no local do tumor, levando a um aumento do rácio células T efetoras intratumorais/ células T reguladoras, o que conduz à morte das células tumorais.

Efeitos farmacodinâmicos

Nos doentes com melanoma que receberam ipilimumab, a média das contagens absolutas dos linfócitos do sangue periférico aumentou durante o período das doses de indução. Nos estudos de fase 2 este aumento foi dependente da dose. No estudo MDX01020 (ver secção 5.1), 3 mg/kg de ipilimumab com ou sem gp100 aumentou as contagens absolutas dos linfócitos durante o período das

doses de indução, mas não foi observada alteração significativa das contagens absolutas dos linfócitos no grupo controlo de doentes que receberam apenas a vacina péptido gp100 investigacional.

No sangue periférico dos doentes com melanoma foi observado um aumento médio na percentagem de HLADR + CD4 + e CD8 + células T ativadas após o tratamento com ipilimumab, consistente com o seu mecanismo de ação. Após o tratamento com ipilimumab foi também observado um aumento médio na percentagem das células CD4+ (CCR7 + CD45RA-) de memória central e células T CD 8+ e foi também observado um menor, mas significativo, aumento médio na percentagem das células T CD8+ (CCR7-CD45RA-) de memória efectora.

Imunogenicidade

Menos de 2% dos doentes com melanoma avançado que receberam ipilimumab em ensaios clínicos de fase 2 e 3 desenvolveram anticorpos contra o ipilimumab. Nenhum teve hipersensibilidade ou reação anafilática relacionada com a perfusão ou peri-perfusão. Não foram detetados anticorpos neutralizadores contra o ipilimumab. No geral, não foi observada associação aparente entre o desenvolvimento de anticorpos e as reações adversas.

Ensaios clínicos

A vantagem na sobrevivência global (overall survival, OS) de ipilimumab na dose recomendada de 3 mg/kg em doentes com melanoma avançado (irressecável ou metastático) previamente tratados foi demonstrada num estudo de fase 3 (MDX01020). Os doentes com melanoma ocular, melanoma

primário do SNC e metástases cerebrais ativas, vírus da imunodeficiência humana (VIH), hepatite B e hepatite C não foram incluídos no ensaio clínico principal. Adicionalmente, os doentes com estado funcional ECOG (Eastern Cooperative Oncology Group) > 1 e melanoma das mucosas foram excluídos dos ensaios clínicos. Foram também excluídos os doentes sem metástases hepáticas com AST > 2,5 x LSN no basal, os doentes com metástases hepáticas com AST > 5 x LSN no basal e os doentes com bilirrubina total ≥ 3 x LSN no basal.

Para os doentes com antecedentes de doença autoimune, ver também a secção 4.4.

MDX01020

Um estudo de fase 3 em dupla ocultação que incluiu doentes com melanoma avançado (irressecável ou metastático) que tinham sido previamente tratados com regimes contendo um ou mais dos seguintes: IL2, dacarbazina, temozolomida, fotemustina ou carboplatina. Os doentes foram aleatorizados numa proporção 3:1:1 para receber 3 mg/kg de ipilimumab + vacina péptido gp100 (gp100), 3 mg/kg de ipilimumab em monoterapia ou apenas gp100. Todos os doentes eram do tipo HLAA2*0201; este tipo de HLA sustenta a apresentação imunitária do gp100. Os doentes foram incluídos independentemente do seu estado basal da mutação BRAF. Os doentes receberam ipilimumab cada 3 semanas para um total de 4 doses como tolerado (terapia de indução). Os doentes com aumento aparente da carga tumoral antes de completar o período de indução continuaram no período de indução, conforme tolerado, se tivessem estado funcional adequado. A avaliação da resposta tumoral a ipilimumab foi realizada aproximadamente na Semana 12, após finalização da terapia de indução.

Foi permitido tratamento adicional com ipilimumab (re-tratamento) aos doentes com progressão da doença após resposta clínica inicial (resposta parcial ou completa) ou após doença estável (de acordo com os critérios modificados da OMS) > 3 meses desde a primeira avaliação tumoral. O objetivo principal foi a OS no grupo de ipilimumab + gp100 vs. o grupo gp100. Os objetivos chave secundários foram OS no grupo de ipilimumab + gp100 vs. o grupo da monoterapia com ipilimumab e no grupo da monoterapia com ipilimumab vs. o grupo gp100.

Foram aleatorizados um total de 676 doentes: 137 para o grupo da monoterapia com

ipilimumab, 403 para o grupo de ipilimumab + gp100 e 136 para o grupo de apenas gp100. A maioria dos doentes recebeu todas as 4 doses durante a indução. Trinta e dois doentes receberam re- tratamento: 8 no grupo de monoterapia com ipilimumab, 23 no grupo de ipilimumab + gp100 e 1 no grupo de gp100. A duração do seguimento variou até 55 meses. As características no basal estavam bem equilibradas entre os grupos. A mediana da idade foi 57 anos. A maioria dos doentes (71-73%)

tinham doença no estado M1c e 3740% dos doentes tinham a lactatodesidrogenase (LDH) elevada no basal. Um total de 77 doentes tinham história de metástases cerebrais previamente tratadas.

Os regimes contendo ipilimumab demonstraram uma vantagem estatisticamente significativa na OS sobre o grupo de controlo gp100. A taxa de risco (hazard ratio, HR) para a comparação da OS entre a monoterapia com ipilimumab e gp100 foi de 0,66 (IC 95%: 0,51; 0,87; p = 0,0026).

Por análise de subgrupo, o benefício na OS observado foi consistente dentro da maioria dos subgrupos de doentes (estadio-M [metástases], interleucina-2 prévia, LDH inicial, idade, sexo e o tipo e número de terapia prévia). No entanto, para mulheres com idade superior a 50 anos, os dados que sustentam um benefício do tratamento com ipilimumab na OS foram limitados. A eficácia de ipilimumab para mulheres com idade superior a 50 anos é, consequentemente, incerta. Como as análises de subgrupos incluem apenas números pequenos de doentes, não se podem tirar conclusões definitivas destes dados.

Estão apresentadas na tabela 3 as taxas de OS medianas e estimadas no ano 1 e no ano 2.

Tabela 3:Sobrevivência global no estudo MDX01020

 

Ipilimumab 3 mg/kg

gp100 a

 

n= 137

n= 136

Mediana Meses (IC 95%)

10 meses

6 meses

(8,0; 13,8)

(5,5; 8,7)

 

OS no ano 1 % (IC 95%)

46% (37,0; 54,1)

25% (18,1; 32,9)

 

 

 

OS no ano 2 % (IC 95%)

24% (16,0; 31,5)

14% (8,0; 20,0)

a A vacina péptido gp100 é um controlo experimental.

No grupo de monoterapia com 3 mg/kg de ipilimumab, a mediana da OS foi de 22 meses e de 8 meses para os doentes com doença estável e com progressão da doença, respetivamente. À data desta análise, as medianas não foram atingidas para doentes com resposta completa ou resposta parcial.

Para os doentes que requereram re-tratamento, a BORR foi de 38% (3/8 doentes) no grupo de monoterapia com ipilimumab e de 0% no grupo de gp100. A taxa de controlo da doença (disease control rate, DCR) (definida como resposta completa + resposta parcial + doença estável) foi de 75% (6/8 doentes) e 0%, respetivamente. Devido ao número limitado de doentes nestas análises, não se pode tirar nenhuma conclusão definitiva sobre a eficácia do re-tratamento com ipilimumab.

O desenvolvimento ou manutenção da atividade clínica após o tratamento com ipilimumab foi similar com ou sem a utilização de corticosteroides sistémicos.

Outros estudos

A OS do ipilimumab 3 mg/kg em monoterapia em doentes que não fizeram quimioterapia prévia, agrupados de ensaios clínicos de Fases 2 e 3 (n=78, aleatorizados) e em doentes não previamente tratados de dois estudos restrospetivos observacionais (n= 273 e n= 157) foram, de uma forma geral, consistentes. Nos dois estudos observacionais, 12,1% e 33,1% dos doentes tinham metástases cerebrais no momento do diagnóstico de melanoma avançado. Nestes estudos, as taxas de sobrevivência estimadas a 1 ano foram de 59,2% (IC 95%: 53,0 - 64,8) e de 46,7% (IC 95%: 38,1 – 54,9). As taxas de sobrevivência estimadas a 1 ano, 2 anos e 3 anos para doentes que não fizeram quimioterapia prévia (n= 78) agrupados de ensaios clínicos de Fases 2 e 3 foram de 54,1%

(IC 95%: 42,5 - 65,6), 31,6% (IC 95%: 20,7 - 42,9) e de 23,7% (IC 95%: 14,3 – 34,4) respetivamente.

O benefício do tratamento com ipilimumab na sobrevivência a longo prazo (a 3 mg/kg) é demonstrado através de uma análise global de dados da OS em ensaios clínicos, em doentes com melanoma avançado, com e sem tratamento prévio (N = 965). A curva de Kaplan-Meier da OS revelou um patamar que começou por volta do ano 3 (taxa da OS = 21% [IC 95%: 17-24]), que se estendeu até 10 anos em alguns dos doentes (ver Figura 1).

Figura 1: Sobrevivênvia global com ipilimumab a 3 mg/kg numa análise global

3,0

mg/kg

Sobrevivência global (proporção)

N.º em Risco

3,0

mg/kg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

População pediátrica

A Agência Europeia de Medicamentos diferiua obrigação de apresentação dos resultados dos estudos com YERVOY em um ou mais sub-grupos da população pediátrica no tratamento do melanoma (ver secção 4.2 para informação sobre utilização pediátrica).

5.2Propriedades farmacocinéticas

A farmacocinética do ipilimumab foi estudada em 785 doentes com melanoma avançado que receberam doses de indução que variaram entre 0,3 a 10 mg/kg administradas cada 3 semanas durante 4 doses. A Cmax, Cmin e AUC do ipilimumab foram proporcionais à dose dentro do intervalo de doses examinado. Após administração repetida de ipilimumab cada 3 semanas, a depuração não variou com o tempo, sendo observada acumulação sistémica mínima evidenciada por um índice de acumulação de 1,5 vezes ou inferior. O estado estacionário do ipilimumab foi alcançado na terceira dose. Com base na análise farmacocinética populacional foram obtidos os seguintes parâmetros médios (percentagem de coeficiente de variação) do ipilimumab: semivida terminal de 15,4 dias (34,4%); depuração sistémica de 16,8 ml/h (38,1%); e volume de distribuição no estado estacionário de 7,47 l (10,1%). A Cmin média (percentagem de coeficiente de variação) do ipilimumab atingida no estado estacionário com o regime de indução de 3 mg/kg foi de 19,4 µg/ml (74,6%).

A depuração do ipilimumab aumentou com o aumento do peso corporal e com o aumento da LDH no basal; no entanto, não é necessário acerto posológico para a lactato desidrogenase ou peso corporal elevados após administração baseada em mg/kg. A depuração não foi afetada pela idade (intervalo - 23-88 anos), sexo, utilização concomitante de budesonida ou dacarbazina, estado funcional, estado HLA-A2*0201, compromisso hepático ligeiro, compromisso renal, imunogenicidade e terapia antineoplásica prévia. O efeito da raça não foi examinado uma vez que havia dados insuficientes nos grupos étnicos não caucasianos. Não foram realizados estudos controlados para avaliar a farmacocinética do ipilimumab na população pediátrica ou em doentes com compromisso renal ou compromisso hepático.

Com base numa análise de exposição-resposta em 497 doentes com melanoma avançado, a OS foi independente da terapia antineoplásica sistémica prévia e aumentou com concentrações Cminss plasmáticas de ipilimumab mais elevadas.

Compromisso renal

Na análise farmacocinética populacional de dados de estudos clínicos em doentes com melanoma metastático, o compromisso renal ligeiro e moderado preexistente não influenciou a depuração do ipilimumab. Os dados clínicos e farmacocinéticos com compromisso renal grave preexistente são limitados; não se consegue determinar a potencial necessidade de ajuste posológico.

Compromisso hepático

Na análise farmacocinética populacional de dados de ensaios clínicos em doentes com melanoma metastático, a compromisso hepático ligeiro preexistente não influenciou a depuração do ipilimumab. Os dados clínicos e farmacocinéticos com compromisso hepático moderado preexistente são limitados; não se consegue determinar a potencial necessidade de ajuste posológico. Não foram identificados doentes com compromisso hepático grave preexistente em estudos clínicos.

5.3Dados de segurança pré-clínica

Nos estudos de toxicologia de dose repetida em macacos, o ipilimumab foi geralmente bem tolerado. As reações adversas mediadas pelo sistema imunitário foram observadas com pouca frequência (~3%) e incluíram colite (que resultou num caso fatal), dermatite e reação à perfusão (possivelmente devido a uma libertação aguda de citocina resultante de uma taxa de injeção rápida). Num estudo foi observada uma diminuição no peso da tiroide e dos testículos sem ser acompanhada de dados histopatológicos; não se sabe a relevância clínica destes dados.

Os efeitos do ipilimumab no desenvolvimento pré e pós-natal foram investigados num estudo conduzido com macacos cinomolgos. Macacas grávidas receberam ipilimumab a cada 3 semanas, em níveis de exposição (AUC) semelhantes ou superiores aos níveis associados a uma dose clínica de

3 mg/kg de ipilimumab, desde a fase inicial da organogénese no primeiro trimestre até ao parto. Nos primeiros dois trimestres de gravidez não foram detetados efeitos na reprodução relacionados com o tratamento. A partir do terceiro trimestre, em ambos os grupos de ipilimumab verificou-se uma incidência superior de abortos, nados-mortos, parto prematuro (com baixo peso à nascença associado) e mortalidade infantil, quando comparado com o grupo de controlo com animais. Estes achados eram dose dependente. Adicionalmente, foram identificadas anomalias viscerais ou externas no sistema urogenital de 2 crias expostas ao ipilimumab in utero. Uma cria do sexo feminino apresentou agenesia renal unilateral no rim esquerdo e na uretra, e uma do sexo masculino apresentou uretra imperfurada com obstrução urinária associada e edema subcutâneo do escroto. Não é clara a relação destas malformações com o tratamento.

Não foram realizados estudos para avaliar o potencial mutagénico e carcinogénico do ipilimumab. Não foram realizados estudos na fertilidade.

6. INFORMAÇÕES FARMACÊUTICAS

6.1. Lista dos excipientes

Tris-cloridrato (2-amino-2-hidroximetil-1,3-cloridrato propanediol) Cloreto de sódio

Manitol (E421)

Ácido pentético (ácido dietilenotriamina penta acético) Polissorbato 80

Hidróxido de sódio (para ajuste do pH) Ácido clorídrico (para ajuste do pH) Água para preparações injetáveis

6.2Incompatibilidades

Na ausência de estudos de compatibilidade, este medicamento não deve ser misturado com outros medicamentos.

6.3Prazo de validade

Frasco para injetáveis fechado 3 anos

Após abertura

Do ponto de vista microbiológico, após a abertura, o medicamento deve ser administrado de imediato por perfusão, ou diluído e administrado por perfusão. A estabilidade química e física, durante a utilização, do concentrado não diluído ou diluído (entre 1 e 4 mg/ml) foi demonstrada durante 24 horas a 25°C e a 2°C a 8°C. Se não for utilizado de imediato, a solução para perfusão (não diluída ou diluída) pode ser conservada até 24 horas refrigerada (2°C a 8°C) ou à temperatura ambiente (20°C a 25°C).

6.4Precauções especiais de conservação

Conservar no frigorífico (2°C- 8°C).

Não congelar.

Conservar na embalagem de origem para proteger da luz.

Condições de conservação do medicamento após primeira abertura ou diluição, ver secção 6.3.

6.5Natureza e conteúdo do recipiente

10 ml de concentrado num frasco para injetáveis (vidro do tipo I) com rolha (borracha de butilo revestida) e selo de abertura fácil (alumínio). Embalagem com 1 frasco para injetáveis.

40 ml de concentrado num frasco para injetáveis (vidro do tipo I) com rolha (borracha de butilo revestida) e selo de abertura fácil (alumínio). Embalagem com 1 frasco para injetáveis.

É possível que não sejam comercializadas todas as apresentações.

6.6Precauções especiais de eliminação e manuseamento

A preparação deve ser realizada por pessoal treinado de acordo com as boas práticas, especialmente em relação à assepsia.

Cálculo da dose:

A dose prescrita para o doente é administrada em mg/kg. Com base nesta dose prescrita, calcular a dose total a ser administrada. Pode ser necessário mais do que um frasco para injetáveis de YERVOY concentrado para administrar a dose total ao doente.

Cada frasco para injetáveis de 10 ml de YERVOY concentrado fornece 50 mg de ipilimumab; cada frasco para injetáveis de 40 ml fornece 200 mg de ipilimumab.

A dose total de ipilimumab em mg = o peso do doente em kg × a dose prescrita em mg/kg.

O volume de YERVOY concentrado para preparar a dose (ml) = a dose total em mg, dividida por 5 (a concentração de YERVOY concentrado estéril é de 5 mg/ml).

Preparação da perfusão:

Assegurar manipulação asséptica durante a preparação da perfusão. A perfusão deve ser preparada em câmara de fluxo de ar laminar ou num espaço próprio para o efeito, utilizando precauções padrão quanto à manipulação segura de agentes intravenosos.

YERVOY pode ser utilizado para administração intravenosa:

sem diluição, após ser transferido para um recipiente de perfusão utilizando uma seringa estéril apropriada;

ou

após diluição até 5 vezes o volume original do concentrado (até 4 partes de solvente para 1 parte de concentrado). A concentração final deve estar entre 1 a 4 mg/ml. Para diluir YERVOY concentrado, pode utilizar quer:

solução injetável de cloreto de sódio 9 mg/ml (0,9%); ou

solução injetável de glucose 50 mg/ml (5%)

ETAPA 1

Deixar o número apropriado de frascos para injetáveis de YERVOY à temperatura ambiente durante aproximadamente 5 minutos.

Inspecionar YERVOY concentrado quanto a partículas ou alteração de cor. YERVOY concentrado é um líquido límpido a ligeiramente opalescente, incolor a amarelo pálido que pode conter partículas claras (poucas). Não utilizar se apresentar uma quantidade não habitual de partículas e sinais de alteração de cor.

Retirar o volume necessário de YERVOY concentrado utilizando uma seringa estéril apropriada.

ETAPA 2

Transferir o concentrado para um recipiente estéril, de vidro para perfusão ou saco intravenoso (PVC ou não-PVC).

Se aplicável, diluir com o volume necessário de solução injetável de cloreto de sódio 9 mg/ml (0,9%) ou solução injetável de glucose 50 mg/ml (5%). Misturar suavemente a perfusão por rotação manual.

Administração:

A perfusão de YERVOY não pode ser administrada por via intravenosa rápida nem como injeção em bólus.

Administrar a perfusão de YERVOY por via intravenosa durante um período de 90 minutos.

A perfusão de YERVOY não deve ser perfundida simultaneamente na mesma linha intravenosa com outros medicamentos. Para a perfusão utilizar uma linha de perfusão separada.

Utilizar um recipiente de perfusão e um filtro em linha estéril, não pirogénico, de baixa ligação às proteínas (tamanho dos poros de 0,2 μm a 1,2 μm).

A perfusão de YERVOY é compatível com:

Conjuntos de perfusão em PVC

Filtros em linha de polietersulfona (0,2 μm a 1,2 μm) e de nylon (0.2 μm)

No final da perfusão, fazer correr na linha a solução injetável de cloreto de sódio 9 mg/ml (0,9%) ou solução injetável de glucose 50 mg/ml (5%).

Os produtos não utilizados ou os resíduos devem ser eliminados de acordo com as exigências locais.

7.TITULAR DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Bristol-Myers Squibb Pharma EEIG

Uxbridge Business Park

Sanderson Road

Uxbridge UB8 1DH

Reino Unido

8.NÚMEROS DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

EU/1/11/698/001-002

9. DATA DA PRIMEIRA AUTORIZAÇÃO/RENOVAÇÃO DA AUTORIZAÇÃO DE INTRODUÇÃO NO MERCADO

Data da primeira autorização: 13 de julho de 2011

Data da última renovação:

10.DATA DA REVISÃO DO TEXTO

Está disponível informação pormenorizada sobre este medicamento no sítio da internet da Agência Europeia de Medicamentos: http://www.ema.europa.eu/.

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